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Ultimate Liga da Justiça # 19

Por Igor Appolinário

O Som de Suas Asas (*)

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Samarra — Iraque — Oriente Médio

— Cuidado! — grita Super-Homem, erguendo um grande pedaço de solo, onde diversas pessoas estão de pé.

Ele as coloca a salvo a alguns quilômetros da posição original e retorna para próximo da Mulher-Maravilha, que segura um jovem no ar.

— < Você não quer fazer isso. > (**) — diz ela ao jovem paramentado com trajes típicos árabes e um cinturão de explosivos.

— < Sim! Pela glória de Alá todo-poderoso! > — diz ele, pressionando o botão.

KABOOOM!

Super-Homem, Mulher-Maravilha e Lanterna Verde se afastam da explosão e protegem os inocentes logo abaixo. Pedaços calcinados do jovem voam pelos ares, que se enche com o acre odor de carne torrada.

E novamente a assim chamada "Liga da Justiça" interveio em eventos de escala mundial. O incidente com o jovem homem-bomba ainda não identificado foi descrito por observadores internacionais como "o maior erro cometido pelos justiceiros até então"...

Sala de Monitoração — Sephiroth — Omolu

...até então...

— Eles estão nos massacrando lá fora! — grita Super-Homem, apontando o monitor — Tudo por causa do seu erro, Diana...

— Meu erro? — replica a jovem, indignada — Ele estava ameaçando vidas inocentes! Eu fiz o que era correto, eu eliminei o perigo iminente!

— Mas com um simples movimento você poderia ter salvado a vida dele. — diz Batman soturna e calmamente, porém sem sinais de repreensão.

— Ele era um terrorista. — diz o rei Orin, do outro lado da grande mesa de reuniões da Liga — Vocês não podem estar falando sério. A jovem princesa fez o que estava a seu alcance, pensando no bem daqueles que realmente importam.

"Realmente importam?" — J'onn entra telepaticamente na discussão — "Entre vocês, humanos, existe diferença entre uma vida e outra? O valor de uma vida é incomparável. Tirar a vida de uma pessoa era algo imperdoável em minha sociedade. Nós, k'Imut, 'verde' em nossa própria língua, sempre cultivamos a vida e nossos progressos estavam sempre apoiados nos preceitos de melhoramento da vida comum. Até o dia que os assassinos X'Atho'l trouxeram suas guerras sobre nós..."

J'onn se cala, olhando pensativo para o nada. Um silêncio constrangedor se abate na sala e lentamente os integrantes da Liga saem, deixando apenas o Caçador Marciano e Batman para trás.

— Desculpe-me se minha exortação foi exagerada. — diz J'onn, apático — Mas é um assunto que realmente me incomoda profundamente...

— Eu entendo, J'onn. — diz Batman, tirando seus óculos de visão noturna estilizados — Eu tenho a mesma opinião. É o que sempre passa pela minha mente quando estou com um assassino, estuprador ou outro bandido sórdido em minhas mãos: "mate-o e isso o fará ser igual a ele. Igual àquele que matou meus pais. A sangue-frio ou em desespero, não importa, apenas mostra do que você é feito".

Metrópolis — EUA — horas depois

O cruzado de capa, em sua nave stealth modificada, e seu companheiro de equipe kryptoniano cruzam os céus de Metrópolis.

— Obrigado pela ajuda com os assaltantes. — diz Super-Homem, utilizando-se do comunicador da Liga — Suas habilidades como detetive foram valiosas, evitaram a morte de muitas testemunhas inocentes.

Não é meu hábito... — diz Batman — Mas vi que o caso poderia se complicar se não fosse abordado com agilidade. E por falar em mortes... este tem sido um tema comum recentemente...

— Sim, aquele incidente em Samarra afetou toda a equipe...

Você teria agido diferente?

— Eu manteria minha posição, continuaria salvando os inocentes. Mas no lugar de Diana... não sei. Eu não posso tirar uma vida, pois a vida em si é aquilo que eu mais valorizo. Não sou eu que gira a roda da vida, da morte e do renascimento. Isso é dever de um poder maior...

Arena de Treinamento — Omolu

Mulher-Maravilha voa contra uma grande árvore, quebrando-a ao meio. Ela se levanta e encara seu agressor, seu lábio levemente arroxeado.

— Você ainda acha que foi minha culpa? — questiona Diana, voando a toda velocidade contra Kal-El.

— Não, não exatamente... mas sua atitude quanto a uma morte, mesmo de uma "pessoa má"... — responde Super-Homem, barrando o ataque, e lançando-a com um gancho para o alto.

— Desculpe, mas fui criada como uma guerreira. — diz ela, se recuperando em pleno ar — Morrer em uma batalha é uma honra para meu povo. Matar um inimigo é uma conseqüência caso não possa ser evitado. Pois todos nós sabemos que existe o mal que não pode ser consertado.

— É uma visão muito extremista... — considera Kal-El, os dois agora engalfinhados a alguns metros acima da arena.

Hyde Park — Londres — Inglaterra

— Bem inquisitivo da parte dele. — diz Barry Allen, acompanhado por Diana em seus trajes clássicos — Mas todos ficaram alarmados com esse incidente no Iraque.

— Sim... — diz Diana, observando o pequeno palanque ao passarem pelo Recanto do Orador — Mas como disse a ele, é uma questão de decisão, quando comparada com outros aspectos.

— Bom, pessoalmente, ter que matar uma pessoa é uma opção do meu trabalho, a última que eu tomaria conscientemente. É meu dever neutralizar qualquer ameaça à nação, mas a vida deve ser preservada a todo custo, amigo ou inimigo.

Deserto de Nevada — EUA

Flash corre pelas areias do deserto em grandes círculos, criando uma tempestade de areia artificial. Lanterna Verde surge e mergulha no redemoinho, retirando de lá dois grandes carros-fortes e prendendo todos os ocupantes.

— Obrigado pela ajuda, Flash! — diz Jordan, baixando os carros e os homens.

— Não foi nada. — diz Flash, parando ao seu lado — Eu estava com a bela Diana no parque quando recebi seu chamado... estávamos discutindo o incidente no Iraque.

— Espero que ela não tenha se ofendido com tantas opiniões contrárias, mas eu pessoalmente não posso condená-la. — diz Lanterna Verde, encarcerando os criminosos em uma cela de energia — Tirar a vida de outra pessoa é sempre uma opção. Uma escolha que sua consciência tem que fazer. Algo que não deve ser julgado com desdém. Sempre temos que ter em mente o que é melhor para o mundo...

— Sim, e não é como se ela tivesse tirado a vida do garoto com as próprias mãos...

Fossas Marianas — oceano Atlântico

Você sabe o que é ter uma consciência "militar" do assunto, Orin. — diz Lanterna Verde, falando submerso com o auxílio do anel — Muitas vezes fazemos coisas que podem até ir contra nossas crenças pessoais...

"Sim" — diz, telepaticamente, o rei dos mares, nadando com o colega para dentro das Fossas. Um deslizamento causado por uma fissura vulcânica prende um ser abissal, que agoniza lentamente — "Todo rei pensa por seu povo, não por si próprio. Os maus e traiçoeiros devem ser destruídos, pelo bem maior."

Rei Orin conclui o argumento, usando seu tridente para levitar uma grande rocha, enquanto Lanterna Verde retira o ser abissal do local.

Mar Siberiano Ocidental — Rússia — oceano Ártico

Spaceeba, tovarisch! — diz Átomo, retornando ao seu tamanho normal.

Orin sai do mar gélido sem nem ao menos tremer ao frio extremo.

— Eu é que agradeço por ter avisado sobre os filhotes presos. Venho recebido vários gritos telepáticos das fêmeas, mas não conseguia identificar o local de origem.

— Eu adoro a vida marinha, é um ecossistema fascinante. — diz Átomo — E antes que caçadores viessem a essas paragens algo deveria ser feito. Matar seres vivos é um traço terrível de toda a humanidade. Nós dominamos o mundo matando outros animais, um ato que deve ser desencorajado, sempre que possível, mesmo que em benefício da ciência.

Epílogo: Sephiroth — Omolu

Lentamente, a sala de reuniões de Sephiroth se enche com seus ilustres membros. Olhando de soslaio uns para os outros, os integrantes da Liga da Justiça tomam posições.

— Eu... creio que devo desculpas a todos vocês. — diz Super-Homem. Ele então se vira para Mulher-Maravilha — E principalmente a você, Diana. Eu admito que reagi exageradamente aos acontecimentos de algumas semanas atrás e fiz acusações inverídicas e sem fundamentos. Creio que a partir deste ponto, todos nós passamos a pensar como encaramos a vida e a morte. E se matar um dito inimigo é algo válido em nossas carreiras. Não posso julgar a posição pessoal de cada um nesta sala, mas imagino que temos uma opinião dividida quanto ao assunto. Porém, somos um grupo e após muita consideração, principalmente a respeito da reação da mídia mundial quanto ao fato, devo dizer apenas uma coisa: a Liga não mata.

— Mas eu não matei ninguém! — grita Diana, olhando pra Kal-El com fúria nos olhos.

— Eu sei, Diana, mas você deixou que alguém morresse e isso é quase o mesmo. Mas não estamos discutindo os eventos passados, estamos discutindo nossas ações daqui para frente. A Liga não mata, e, dentro de nossas próprias limitações e prioridades, não podemos deixar que outros morram quando estamos em ação.

Diana nada diz, conformada com o encerramento do assunto. Ela olha para os colegas e vê todos com expressões contemplativas, digerindo o pequeno discurso de Super-Homem.

— Já que ninguém tem nada a acrescentar, — diz Super-Homem, interpretando o silêncio como aquiescência geral — creio que Lanterna Verde tem um compromisso em Washington, para tentar aliviar nossa imagem já combalida para com o mundo.


Na próxima edição: A Liga enfrenta uma ameaça à monarquia mais conhecida do planeta! Começa o arco "Deus Mate a Rainha".


:: Notas do Autor

(*) Homenagem ao título de Sandman # 08 ("The Sound of Her Wings"), da DC Comics, onde acompanhamos Morfeus e Morte durante um "dia de trabalho" da irmã mais velha dos Perpétuos. voltar ao texto

(**) Traduzido do árabe. voltar ao texto




 
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