hyperfan  
 

Ultimate Liga da Justiça # 23

Por Igor Appolinário

Zumbido — Parte I
Apis

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Ultimate Liga da Justiça
:: Outros Títulos

Sala de Estratégia — Omolu — Águas internacionais do Atlântico

— Verde?

— Você tem uma fixação por essa cor, não?

— Bom, você não pode negar que é elegante.

J'onn J'onzz e Eel O'Brien, o Caçador Marciano e o novo recruta da Liga da Justiça, (*) respectivamente, observam uma projeção nos monitores da Sala de Estratégia da Torre de Vigilância em Omolu. Nela, um modelo virtual de O'Brien enverga um estranho uniforme esverdeado.

— Elegante? Se for uma festa a fantasia... e você quiser ir de alface...

— Para alguém que escolheu "Borracha" como seu codinome, você está muito exigente.

Eel olha para o monitor fazendo uma careta e mexe em alguns comandos no teclado. As cores mudam rapidamente e o jovem aperta um outro botão, parando a mudança.

— Oba! Essa sim ficou boa! — diz ele, olhando o uniforme em um tom de verde escuro, uma larga listra branca descendo pelo peito e uma faixa alaranjada na cintura...

— Mas é verde!

— Verde-irlandês, companheiro!

— Humanos...

Emma Willard School — Troy, NY — EUA

— ...a compaixão olímpica também é a base de lendas e contos. Nossos queridos deuses e deusas são amorosos e complacentes, sempre guiando seus filhos para o caminho do bem. As deusas que criaram Themyscira, nossa Ilha Paraíso, são mães e irmãs do povo das amazonas e nos auxiliam em nossa jornada. Em eras de existência, nunca fomos desamparadas e honramos seus nomes em reverência.

Diana de Themyscira, a Mulher-Maravilha, faz uma pequena saudação no palanque em que se apresenta. No auditório, dezenas de garotas olham maravilhadas para a heroína palestrante, seus olhos reluzindo o escarlate de seu manto cerimonial.

— Senhorita... — começa uma jovem aluna, porém incerta de como chamar a heroína.

— Diana. — diz a bela guerreira — Apenas Diana, não precisamos de títulos entre irmãs...

— Diana! — diz a jovem, com um sorriso — Fale-nos mais sobre as deusas gregas, elas parecem tão interessantes!

A jovem abre um grande sorriso, enquanto as outras começam a se animar e prestar atenção aos relatos da jovem embaixadora themyscirana.

Oceano Pacífico — próximo ao litoral japonês

— Cuidado com os corais. — ressoa a voz de rei Orin pelo comunicador — Eles levaram milhares de anos para chegarem a esse tamanho.

— Sim, majestade... — responde Kyle Jordan, contendo uma resposta mal-educada, criando uma delicada estrutura com seu anel energético para retirar um submarino explorador japonês de uma fenda submarina — Mas eu pensei que as partes mais profundas de corais fossem apenas cascas mortas...

— Sim, após um tempo. Mas eles são os sustentáculos das gerações mais jovens, que crescem sempre em direção à luz da superfície. — explica Aquaman, verificando o lacre da porta de escotilha, assegurando a salubridade dos passageiros — Por isso, não quebre nada no caminho e seja rápido.

— Eu seria mais rápido se eu pudesse quebrar meu caminho pra fora.

A estrutura semelhante a um guindaste do Lanterna Verde levanta o submarino explorador até a superfície com leveza e agilidade. De repente, os olhos bem-adaptados de Aquaman vêem um brilho desconhecido a poucos metros do recife de corais e dispara ligeiro em sua direção. Jordan cria um flutuador para o explorador e os passageiros conseguem sair do equipamento, aguardando o socorro nacional. Lanterna Verde vai atrás de Orin e o encontra vislumbrando um estranho pedaço de rocha.

— O que é isso? — pergunta o Lanterna, olhando o misterioso corpo marítimo.

— Não é natural, veja as marcas de rachadura e o estranho brilho emanando das fendas. Uau!

Orin dá a volta no corpo rochoso e vê a parte descascada, revelando uma naveta alienígena por dentro. (**)

Omolu

— É realmente alienígena, por isso nossos sistemas não conseguem identificar nenhum dos tipos de materiais utilizados. — diz Barry Allen, inclinando-se para os monitores, que enviam os dados da análise da naveta.

— E nossos sistemas de linguagem não conseguem encontrar compatibilidade com nenhuma das línguas conhecidas, além de estarem com dificuldade em padronizar a escrita encontrada na fuselagem. — completa Átomo, deixando cair na mesa os papéis que estavam em sua mão.

— Mas a cabine estava aparentemente vazia, o que terá ocorrido?

— Eu não sei, tovarisch, mas isso não traz um bom prenuncio.

Troy — Nova York

— Diana...?

Diana pára a meio caminho nas escadarias na saída da Emma Willard School e se volta para o interior do hall de entrada. Uma jovem, usando o uniforme colegial, porém com um sobretudo violeta, olha ansiosa para a amazona.

— Sim, jovem irmã?

— Eu devo dizer que você é uma inspiração para as jovens deste país. Seu fervor religioso é admirável.

— Fico grata, creio que o mundo monoteísta tem muito ainda a aprender com os deuses sagrados.

— E nós com certeza adoraríamos compartilhar dádivas entre os povos, por isso gostaria muito que você me acompanhasse ao culto de minha igreja.

— Claro. — diz a jovem amazona, realmente encantada — Há muito desejo conhecer mais sobre as religiões do novo mundo.

Gotham Heights — Gotham City

"Já faz horas que eles estão trancados naquele salão. Mesmo com a quietude aparente, não posso perder tempo aqui fora."

Batman se lança do alto de um prédio residencial, no subúrbio de Gotham, e com seu disparador prende-se ao próximo prédio abaixo, balançando pelo vão entre eles e caindo sobre um pequeno galpão, o mesmo que ele vem observando há algum tempo. Por uma clarabóia, ele adentra o local e observa as pessoas reunidas, sentado sobre uma das vigas de sustentação.

— Ó adorada rainha do universo! — grita freneticamente um homem, vestindo um manto violeta, o capuz cobrindo seu rosto — Deixe que teus servos demonstrem teu poder na Terra!!!

O grupo começa a gritar em adoração. Batman observa o local e vê uma jovem amarrada em uma mesa cirúrgica, porém com vários símbolos estranhos desenhados e objetos claramente fora do comum em torno. O líder tira uma peça afiada de dentro do manto e se dirige à moça, erguendo o instrumento acima da própria cabeça. A jovem olha maravilhada para o homem, não esboçando nenhuma reação.

— Veja a gloriosa transformação desta fiel! Ó adorada!

Batman dispara um batarangue que se crava na mão do homem. O instrumento cai no chão ao mesmo tempo em que Bruce desce do telhado, atingindo os mais próximos do local da queda. Com alguns golpes bem colocados, ele se aproxima da mesa cirúrgica. Pegando uma pequena cápsula em seu cinto, ele desativa os óculos infravermelhos e a quebra, liberando uma explosão de luz. Todos os presentes ficam momentaneamente cegos, e ele aproveita para retirar a jovem da mesa cirúrgica.

Tire as mãos de mim! — a jovem grita, enojada, repelindo as mãos enluvadas do cavaleiro das trevas — Eu sou uma serva da rainha, você não pode me tocar, humano imundo!

Batman olha confuso para a garota, que tenta pegar um dos objetos da mesa para atingí-lo. Com um golpe em um nervo principal, ele desmaia a jovem, e a pega no ombro, usando o disparador para retornar ao teto e sair pela clarabóia. Correndo para a beirada, ele arma outro pequeno disparador, que lança pequenos dardos contra pontos estratégicos nas portas de saídas do armazém, liberando um cimento plástico que rapidamente sela as aberturas.

— Agora é só esperar a polícia. — diz Bruce, levantando os óculos infravermelhos e olhando para a jovem deitada aos seus pés.

Beco do Suicídio — Metrópolis

— Vocês poderiam pelo menos ser mais originais. — diz Super-Homem, sobrevoando os edifícios que circundam o mal-afamado beco da cidade do amanhã.

Kal-El vê as duas dezenas de pessoas sobre os prédios, todos trajando o mesmo manto violeta e posicionando-se sobre as beiradas. Com poucos disparos, ele usa sua visão de calor para derreter os solados dos sapatos, soldando-os no piche de revestimento dos telhados. Em um segundo sobrevôo, ele usa alguns cabos para prender o grupo, evitando o suicídio coletivo.

— Agora me digam, o que vocês têm na cabeça? — diz Super-Homem, se aproximando do homem que aparenta ser o líder — Me dê apenas uma razão por que se matar é uma boa coisa a se fazer?

— Você não pode nos impedir de encontrar com nossa deusa! — diz o homem, meio murmurando, meio descontrolado — Nossa rainha está vindo... ela está chegando...

Omolu

— Isso é muito parecido com os artefatos dos malucos do Beco do Suicídio, Bruce. — diz Kal-El, observando as peças sobre a mesa de exame.

— São de tecnologia alienígena, Clark. — diz Batman, olhando um fragmento ao microscópio — A mesma tecnologia da naveta encontrada no Pacífico. Isso não é um tipo de culto suicida, isso é uma invasão alienígena!

— Batman, Super-Homem! — o Caçador Marciano entra na sala esbaforido, correndo em direção ao controle dos monitores — "Eu senti uma perturbação no estado emocional mundial!"

J'onn J'onzz ativa os monitores da sala de exames e surgem diversos noticiários de vários canais. Em todos eles, dezenas e centenas de pessoas se reúnem e envergam os mantos violetas do desconhecido culto. Em Tóquio, Paris, Amsterdã, Oslo e Kinshasa, entre outros, as autoridades observam perplexas a reunião de grandes massas em torno de poucos oradores esparsos.

— Muito obrigada, Donna. — diz a Grande Sacerdotisa ao encontrar a sós Diana e a jovem que a trouxe até ali — Creio que a princesa tem muitas dúvidas sobre nosso culto.

Diana caminha por um corredor escuro ao lado da mulher que a recebeu. Seu corpo está escondido por um manto púrpura, mas pelo capuz ela pode ver a face de sua anfitriã, um rosto belo, jovem, caucasiano e levemente corado. Seus olhos verdes definitivamente marcantes e estranhamente... alienígenas.

— Eu sou a Grã-Sacerdotisa Zazzalla e este é o culto de Korll.

— Vocês fazem parte da miríade de crenças monoteístas deste mundo? — pergunta Diana, levemente desconfortável e ao mesmo tempo maravilhada por aquela mulher.

— Nós estamos muito acima das crenças mundanas deste planeta, querida. Monoteístas? Sim, pode-se dizer que sim, pois nossa única deusa é nossa rainha, que em breve estará entre nós.

— Uma deusa? Então temos muito com comum!

— Sim... — diz a Grã-Sacerdotisa, conduzindo Diana para uma sala vazia, onde apenas as duas se encaram — Nós podemos ter muito mais em comum do que você imagina...

Zazzalla se inclina para frente e pega Diana desprevenida, dando-lhe um beijo profundo e intenso. Os instintos da jovem a comandam a se afastar, mas um calor misterioso começa a subir por suas pernas e tomar conta do seu ser, nublando todos os seus pensamentos racionais. Tudo o que ela pode pensar é em Zazzalla, tudo o que ela pode sentir é o "agora".

— Venha, campeã dos deuses olímpicos. Agora você é a campeã de Korll...


Continua...


:: Notas do Autor

(*) Veja a admissão de Patrick "Eel" O'Brien na edição anterior. voltar ao texto

(**) Como visto na edição anterior. voltar ao texto




 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.