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X-Cluded # 06

Por Danilo 'Doc Lee' Anastácio

Act of Vengeance (*)

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Um fuzil está sendo apontado para a cabeça de Nooze por um homem misterioso. Ele acaba de olhar para trás, pois acabou de ser atrapalhado em sua missão. Encontra um velho gordo, um rapaz metido a cowboy, uma meleca verde e uma garotinha inocente. Ele normalmente não levaria a sério, mas há uma criança — amedrontada — envolvida. Após vê-la, o assassino baixa sua arma.

— Muito bem... — diz Thomas, enquanto vê Mentor pôr a cabeça pra fora do quarto, meio assustado — Alguém pode me dar uma explica...

— Abaixe-se, sr. Thomas! — grita a voz de um homem vindo da escada, que faz Mentor voltar rapidamente para dentro do quarto.

Quando Thomas e os outros X-Cluded se abaixam prontamente, cinco homens surgem no corredor, armados com pistolas. O homem de jaqueta de couro dispara um tiro com o fuzil, acertando dois deles de raspão na cabeça, e sai correndo na direção deles em seguida. Um outro homem surge, saltando e atirando loucamente — quando o assassino o vê, dá um tiro certeiro em seu peito e se esconde em uma das portas do corredor, chegando ao banheiro.

Sem acender a luz, o atirador apenas espera a chegada de mais um dos seguranças, e quando este surge à porta, o homem armado com um fuzil calibre .12 acerta-o no coração. Num movimento rápido, dá um passo pra fora do banheiro e logo mira a sua forte arma na cabeça de um último segurança, mas quando está para atirar, uma voz surge invadindo sua mente:

Chega! — é a voz de Thomas, que faz o homem ficar paralisado.

— Hnn... — o homem faz força para apertar o gatilho, mas não consegue — Droga...

— Muito bem, posso saber quem é você? — pergunta Thomas, enquanto o segurança se afasta e os X-Cluded se juntam em volta dele.

— Não. — responde o homem.

— Ah, então vamos dormir. Tchau. — diz Billy Puzo.

— Espere aí, Texano. Temos que saber quem é esse homem e o que está fazendo na minha mansão.

O homem respira fundo e larga seu fuzil no chão.

— Tudo bem. O nome é Papila.

— Hm. — Nooze vai até Gozma e cochicha — Mais um daqueles caras com apelidos esquisitos.

— É. — diz a meleca — Depois de "Tigre de Carvão" e "Mago D'Água", eu aceito qualquer coisa...

— Papila, hein. — diz Thomas — E o que você quer aqui, Papila?

— Eu sou assassino de aluguel. Fui contratado pra matar vocês do X-Cluded. Felizes agora?

— Ainda não. — diz Mentor, aparecendo ali com seu belíssimo pijama de bolinhas. Todos olham pra ele, questionando a credibilidade que ele vinha tentando criar há tempos — Por que ainda não nos matou, então?

— Por causa dela! — Papila aponta para a pequena Kate — Sabe, eu posso ser matador, mas sou gente. Eu tenho meu próprio código de honra, e ele diz que matar uma criança indefesa seria demais.

— Indefesa, essa foi boa... — ri Texano.

— OK, mas o seu código de honra não fala nada sobre invadir casas alheias à meia-noite? — pergunta Wirtschaften.

— Não lembro, mas acho que ele concorda com isso.

— Uh. Muito conveniente.

— Mas peraí... — Nooze se aproxima de Papila — Você tá trabalhando pra quem?

— Pra um cara chamado Lápide.

— Lápide...? — Eric olha para Gozma novamente.

— Até que esse aí é legal. — diz George.

— Eu já ouvi falar nesse tal Lápide. — diz Mentor — Se bem me lembro, ele é um gângster. Chegou a trabalhar pra homens como o Cabeça-de-Martelo — Gozma e Nooze se entreolham -, mas não sei pra quem ele está trabalhando agora. Nem achei que estivesse vivo.

— Mas ele tá. Não por muito tempo, mas tá. — diz Papila, que involuntariamente olha para os olhos de Thomas, os quais emitem um brilho azul-claro — Eu vou pessoalmente acabar com a raça daquele branquelo desgraçado por essa história de vir me mandar matar uma criança!

— E o Lápide não disse por que quer nos matar? — questiona Mentor.

— Não. Eu só tenho a obrigação de cumprir meu trabalho, não descobrir o porquê.

— Código de honra estranho o seu. — comenta Nooze.

— Pois é. — Papila tira de dentro de sua jaqueta de couro um cantil, abre e bebe o conteúdo — Alguém de vocês bebe whisky ou são todos americanos hipócritas certinhos? — ele estende o cantil aos X-Cluded.

— Eu bebo, mas o Mentor é o americano certinho. Dá um pouco. — diz Texano, já pegando a pequena garrafa.

— "Americanos hipócritas certinhos"? Você é de onde? — pergunta Gozma a Papila.

— Daqui da Irlanda do Norte mesmo.

— Isso explica o whisky... — murmura George Ekows.

— Disse alguma coisa?

— Não, nada.

— OK, OK. O que nós vamos fazer agora? Vamos atrás do tal Lápide? — pergunta Nooze.

— Agora? Já passou da meia-noite, não podemos procurá-lo agora. — diz Mentor.

— Se vocês quiserem ir agora, eu ajudo vocês. — diz Papila — Quero vingança contra aquele assassino de criancinhas. Mas é agora ou nunca.

— Mas agora...? Eu estou de pijama! — prossegue Mentor.

— Tudo bem. — diz Thomas — Vou preparar tudo o que vamos precisar. Ponham seus uniformes, X-Cluded!

— Mas... mas... — Mentor olha com uma expressão desesperada para Thomas, apontando para o relógio em seu pulso — O horário...

— Então vamos lá! — grita Texano, enquanto entrega o cantil vazio a Papila.

— É isso aí! — dizem Nooze e Gozma juntos, correndo (na verdade, apenas Nooze corre. Gozma projeta seu corpo melequento. Mas a intenção é a mesma). A pequena Kate apenas segue a maré, dirigindo-se até seu quarto. Mentor prossegue parado, apontando para seu relógio.

— O... o horário... — o velho de longas madeixas grisalhas continua em sua confiante jornada. Segundos depois, Papila dá dois tapinhas em seu ombro e segue escada abaixo — Meia-noite...

Alguns minutos após Kate entrar no seu quarto, que é o mesmo onde Mentor pretendia passar a noite dormindo, Thomas Wirtschaften surge no local.

— Olá, Kate.

— Oi, tio Thomas. — diz a pequena, demonstrando uma certa frieza em relação ao senhor careca.

— Bom, eu já notei que você não gosta de mim, mas pra mudarmos essa situação, eu tenho um presentinho pra você.

Kate fica curiosa. Thomas segue até o armário e dali de dentro tira um macacão preto com um grande "X" amarelo no meio e um par de tênis.

— Este é o seu uniforme de X-Cluded, Kate! Agora você pode sair uniformizada que nem os seus colegas de equipe. Legal, não é?

A menina olha para o uniforme, enquanto Wirtschaften espera por uma resposta dela.

— Não tinha um uniforme cor-de-rosa? — a pergunta de Kate faz o sorriso sair definitivamente do rosto de Thomas.

— Infelizmente, não. Que tal um pirulito?

— Tá!

Os X-Cluded, já devidamente uniformizados e com Papila como acompanhante, seguem num jipe até o local indicado por este último, um galpão abandonado nos arredores da cidade, onde seria feito o pagamento. Texano dirige, e ao seu lado, meio apertados, estão Papila e Nooze. No banco de trás estão Gozma, Kate, e por último, Mentor. Dormindo como um bebê e roncando como um trator. Ninguém mais sabe dizer se Mentor é menos chato acordado ou durante o sono.

— ...então ela disse: "ei, mas isso não é um batom"! — após Texano terminar a piada, ele e Papila começam a gargalhar ensandecidamente. Sem sombra de dúvida, ambos estão bêbados. Billy e Eric acabaram de encontrar um companheiro perfeito de boemia.

— Pô, cara... — diz Papila, com a voz mudada, com um braço circundando Texano — Tu sabe que eu te considero, né?

— Opa!

— Eu te conheço faz pouco tempo, achava que tu era um mané, mas agora descobri que tu é gente boa. Não, sério, tu é gente boa mesmo.

— Você também, cara! Gente boa pra caramba!

Os dois bêbados se abraçam, o que faz Texano largar o volante.

— Olha o carro! — berra Nooze. O automóvel estava saindo de sua estrada, e Eric Bernard tem que esticar seu nariz pra virar o volante para o outro lado e estabilizar o veículo, evitando uma batida quase iminente — Vocês estão loucos? — pergunta o mutante narigudo, nervoso.

— Calma aí, pô. Não vê que nós tamos conversando? É ou não é, Texano?

— Opa!

— Viu? Por que tu é gente boa, cara.

— Valeu, cara! Você também é!

Não se cumprimentem de novo, por favor! — diz Gozma, pondo uma extensão de seu corpo na frente dos rostos dos bêbados — A propósito, Papila... nesse mundo cheio de superpoderosos e essa coisa toda, diz aí... você também tem algum poder ou são só as armas?

— Poder? Cara, eu sou um mutante que nem vocês! — quando Papila diz isso, o olho direito de Mentor abre-se quase que instintivamente, e ele passa a prestar atenção na conversa — O meu poder tá aqui, ó! — o assassino mostra a língua.

— O que é? "O beijo assassino"? — pergunta Texano.

— Não! É na minha língua. O meu paladar é mais aguçado que o de vocês. Por isso que eu aproveito muito mais a bebida do que vocês tooooooodos...

— E eu pensava que o meu poder era inútil. — comenta Nooze — Mas, voltando ao assunto, você tem um nome ou "Papila" é o que está escrito na sua carteira de identidade?

— Não, eu tenho um nome, sim, mas não posso falar... ah, mas eu tô entre amigos, não é? — Papila abraça Nooze com o outro braço, quase esmagando o magro X-Cluded — O meu nome de verdade é Liam Kavanagh. Aliás, eu já contei pra vocês como foi que o meu poder surgiu?

— Não! Não! Pode contar! — pede um entusiasmado Texano.

— Foi quando eu tava beijando uma garota, a terceira... ou quarta... naquela noite... foi quando eu me dei conta que ela tinha tomado dois copos de conhaque e mais meia garrafa de cerveja Wirtschafen e tinha acabado de beijar a primeira... ou segunda garota que eu também tinha beijado naquele dia! — ele e Billy Puzo gargalham, enquanto os outros X-Cluded se entreolham.

— Hahahahahah! Posso contar a minha história? Eu posso? — depois de Papila assentir, Puzo conta — Eu tava no banheiro da minha casa, lá pelos dezesseis anos, com alguma Playboy... e, bem, de repente, a minha mão começou a se mexer numa velocidade alucinante... e não parou mais! Eu fiquei louco!

Novamente, os dois bêbados gargalham e os outros mutantes se entreolham.

— Deus nos ajude... — diz Gozma.

— Falou alguma coisa, verdão? — pergunta Liam.

— Nada, não.

— Então conta aí pra gente como foi que tu descobriu os teus poderes.

— Ahn, bem... eu não gosto de falar sobre isso...

— Ah, conta aí, pô! — quando Papila fala isso, Gozma nota duas armas de fogo escondidas em sua jaqueta de couro, e, de algum modo, engole em seco.

— Tudo bem. Foi quando eu matei a minha mãe com o meu poder.

Um silêncio sepulcral toma conta do jipe.

— Brincadeira. Os meus poderes surgiram por acaso, num dia quente na minha casa, quando de repente eu comecei a derreter de verdade. E ficar verde. Foi só.

— Ah... — diz Papila.

Todos os presentes seguem sérios por alguns momentos, olhando para os lados, procurando algum assunto.

— Pô, eu até fiquei sério depois dessa. — diz Texano.

— Pois é. Eu também. — concorda Kavanagh.

Esse estranho silêncio cria raízes no jipe e dali não sai mais. Ele segue junto com os X-Cluded e por boa parte do percurso.

— Eu posso contar a minha história? — pergunta Nooze, num dado momento da viagem.

— Calaboca. — manda Papila, friamente.

E assim prossegue o silêncio, que só é atrapalhado mais uma vez quando Texano pigarreia.

Pouco menos de meia hora depois, os X-Cluded e seu convidado especial encontram o galpão abandonado. Papila confirma o local, enquanto Mentor liga para Thomas (que ficou em casa para descansar e comer meio bolo de chocolate) para confirmar que eles estão sãos e salvos, apesar de tudo.

Tanto Texano quanto Papila já não estão mais bêbados como estavam, devido à piada "estraga-humor" de Gozma, que parece ter tido um efeito miraculoso sobre ambos. Nada que uma boa garrafa de bebida alcoólica não resolva.

— Muito bem. — diz Mentor — Talvez Thomas traga reforços. Mas só depois de ele terminar o bolo que ele estava comend...

— Sshh. Sem barulho. — pede Liam, murmurando — Falem baixo, o desgraçado do Lápide pode nos ouvir.

— Tem uma janela lá em cima, eu posso ir ver alguma de lá, que tal?

— Faz isso. O resto, fica aqui esperando.

— Beleza, Papila. — diz Nooze, engatilhando sua arma, tentando fazer um estilo cool, embora só consiga fazer um estilo ridículo. Como sempre.

Gozma vai até a tal janela, que fica a mais ou menos seis metros do chão, subindo numa caixa e depois esticando seu corpo gosmento. De lá de cima, ele consegue um homem de pele e cabelos brancos como a neve, usando um terno preto, que ele presume que seja o Lápide. Junto dele, vários homens vestindo uniformes e óculos vermelhos. Três destes, mais Lápide, estão jogando sinuca, tranqüilamente. Lápide, aliás, acaba de observar um dos homens encaçapar uma bola preta e se vê obrigado a tirar uma nota do bolso, insultando seu adversário logo em seguida. George Ekows presta atenção nos homens de vermelho.

— Oh, céus! — diz Gozma, em voz alta.

— Fala baixo, seu animal! — pede Papila — O que você viu?

— Tem um cara branquelo ali...

— É o Lápide. — confirma o atirador.

— ...mas tem uns sete caras de vermelho também.

— Oh, céus! — exclama Mentor — Devem ser Anelídeos!

Ssshh!! — pedem Papila, Texano, Nooze e Kate.

— Desculpem-me, desculpem-me. Mas só podem ser os Anelídeos, aqueles mesmos que nos perseguiram em Las Vegas (**), vocês se lembram deles.

— Anelídeos? Quem são esses caras?

— Eu também não sei de onde eles vêm, Papila. Mas também têm a pretensão de nos matar.

— Têm, é? — Papila engatilha sua pistola, próxima do rosto. O metal da arma reflete em seus óculos escuros — Não tem problema. Eles ainda são poucos pra mim.


:: Notas do Autor

(*) O nome da história desta edição também vem de um filme de Charles Bronson, este com o nome brasileiro de Sindicato Da Violência. voltar ao texto

(**) Em X-Cluded # 02 e # 03. voltar ao texto





 
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