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X-Cluded # 07

Por Danilo 'Doc Lee' Anastácio

Death Wish (*)

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Depois de terem descoberto que dentro do galpão abandonado está Lápide, juntamente com alguns Anelídeos (**), os X-Cluded traçam um rápido plano de invasão. Ele consiste na entrada estratégica de Papila e, logo depois, de todos os outros quando este disser a palavra "discordo". Nada complicado demais para evitar confusão na cabeça dos mutantes.

— Tudo bem, então? Preparem-se. — diz Papila — E pelo amor de Deus: se algum de vocês tiver uma arma, não entre atirando, de maneira alguma. OK? Combinado?

— Beleza, pode deixar. — responde Nooze. Mesmo estando um pouco nervoso, ele pede a si mesmo para que se controle e não entre no galpão atirando loucamente como planejava.

— Então vá lá, Papila. — pede Mentor.

— Eu vou, mas não por que você mandou. Quem manda no meu nariz sou eu, falei?

— OK, OK.

— E tem mais, não vem querer meter banca por que aqui na Irlanda do Norte, quem manja das coisas sou eu! — exclama Papila, erguendo a voz.

— Tudo bem, eu só estava...

— E é melhor você ficar aí na sua! — berra o assassino de aluguel — Eu não faço parte da equipe de vocês e...

Ssshh! — pedem os X-Cluded. Papila muda sua expressão, meio que pedindo desculpas.

— Tô indo, então... — murmura ele.

Liam Kavanagh, o Papila, se dirige até a porta do antigo galpão. Ele tenta não fazer barulho, mas a porta enferrujada estraga seus planos. O galpão é realmente antigo, lotado de caixas velhas por todos os lados, e possui uma grande porta para entrada de veículos à esquerda de onde o mutante acabara de entrar. Liam nota uma grande quantidade de Anelídeos e no meio destes o homem de pele branca como um rato de laboratório depois de um longo banho de detergente e uma ou duas mãos de tinta branca, conhecido como Lápide. Todos apontando pistolas para ele, que sorri ironicamente e abre os braços (alguns deles, empunhando tacos de sinuca, fazem uma expressão de decepção por ter seu jogo interrompido).

— Eiei, calma lá, pessoal. Sou eu, Papila. — pede ele, parando de costas para a grande porta maior do galpão.

— Bom saber que você veio no horário indicado. — diz Lápide, com sua voz bastante rouca. Em seguida, ele guarda sua arma e pede aos Anelídeos para fazerem o mesmo — Onde estão os mutantes? Eu quero ver seus corpos.

— A grana antes.

— Os corpos antes.

— A grana antes.

— Os corpos antes.

— Vamos continuar isso por muito tempo? A grana antes.

— Sim, até que eu veja os X-Cluded mortos na minha frente. Os corpos antes.

— Então me desculpe. Só entrego os cadáveres quando você me entregar você sabe o quê: a grana antes.

— Esta discussão estúpida e infantil não vai nos levar a lugar nenhum. Os corpos antes.

Do lado de fora do galpão, rentes à porta, os X-Cluded tentam ouvir o que se passa lá dentro, aguardando pelo comando de Papila.

— O quê eles estão falando? — pergunta Gozma — Eu não tô conseguindo ouvir direito.

— Eu também não. — diz Texano — Mas parece ser uma daquelas negociações bem inteligentes.

De volta ao interior, o ESENPG (***) prossegue.

— A grana antes.

— Eu bem que avisei que devíamos ter discutido isso no momento certo. Tragam-me o dinheiro dele.

— Isso. — diz Papila, com um sorriso vitorioso — Mas você sabe, quando estávamos negociando o preço, era só você colocar uma cláusula no contrato dizendo "discordo" — ele olha para a porta, aguardando a entrada — sobre esta parte de ver os corpos.

— Isso lá é verdade, mas eu não gosto deste tipo de transação. Aqui estão seus sete mil dólares. — diz Lápide, jogando uma mala preta pra perto de Papila.

— Sete mil?! Que história é essa? Não era isso que tínhamos combinado! Eram dez mil!

— Eu sei que não. — alguns dos Anelídeos apontam armas para Liam — Mas você deveria ter colocado uma cláusula no contrato dizendo "discordo".

Neste momento fora do galpão, alguém com uma percepção auditiva afetada (mais especificamente Mentor) fala aos X-Cluded:

— Acho que falaram de novo.

— Falaram? Eu ouvi outra coisa. — diz Nooze.

— Eu também. — diz a pequena Kate.

— E eu também. Eles estavam falando sobre TV a cabo, não estavam? — pergunta Gozma. Os outros mutantes se entreolham.

— Tá, isso não faz mais diferença. Vamos entrar logo de uma vez! — conclama Texano.

— É isso aí! Vamos lá! — Eric Bernard, o Nooze, concorda, carregando sua arma de fogo.

Dentro do galpão, alguns segundos antes:

— Mas, eu queria saber... você queria que eu matasse uma criança no meio de todos aqueles mutantes?

— Sim. — responde Lápide a Papila — Eu não sei exatamente o que o meu chefe quer com ela, mas a pequena é a peça central. A necessidade da morte dela é maior do que a dos outros X-Cluded, só não me pergunte por quê. Mas, um momento... o que você quis dizer com "queria que eu matasse"? Você não a...?

Repentinamente, a porta menor do galpão é chutada e dali entram os X-Cluded, gritando feito loucos. Nooze entra atirando pra todos os lados, sem pensar. Papila leva a mão ao rosto, desiludido. Mas logo a aparente fúria dos mutantes é diluída após notar pelo menos dez Anelídeos apontando armas para eles. Logo começam a rolar tiros, e os mutantes tratam de se esconder atrás de algumas caixas enquanto Nooze prossegue atirando sem direção. Separados; Gozma, Papila e Nooze atrás de uma das caixas e; Texano, Mentor e Kate atrás de outras (próximas da porta por onde entraram), os homo superior se preparam para o pior.

— O que esses mutantes estão fazendo aqui, vivos, Papila? — pergunta Lápide.

— Você deveria saber que eu nunca ia matar uma criança, seu branquelo louco! — grita Papila, atirando de trás da caixa e, mesmo de costas, conseguindo acertar e derrotar um dos Anelídeos — Devia ter me contado a verdade antes! Pelo menos eu pediria uns dez mil a mais! — os X-Cluded todos olham para Papila — Ah, foi só pra chamar atenção.

— Não sou obrigado a conhecer esse seu código de honra deturpado. — diz o vilão, atirando calmamente, mas sem prestar muita atenção pra onde. Logo após isso, um dos Anelídeos sobe sobre as caixas, indo na direção de Mentor, Texano e Kate. Esta última, ao ver o inimigo se aproximando, usa sua telecinese para fazer com que uma das grandes caixas dali voe na direção dele e o abata.

— Mas agora isso não faz mais diferença, — o ser branco como um close em um urso polar no meio de uma nevasca no Pólo Norte prossegue — afinal, todas as vítimas estão aqui e tudo que eu preciso fazer... é matar todos com os Anelídeos e ainda pegar o dinheiro!

— Ah, não! — fala Papila para si mesmo — O dinheiro não! — ele vê a mala preta a dois metros de distância e salta em sua direção, atirando contra seus adversários. Derrota mais dois Anelídeos e ainda fica com o dinheiro. Rapidamente, volta para trás de sua caixa, no exato momento em que Gozma se infiltra no curto vão vertical de cinco centímetros entre as caixas. Há pelo menos quatro Anelídeos a menos no batalhão de Lápide depois que George Ekows começa a arremessar as caixas pra longe, meio que por dentro delas.

Texano, com os nervos em frangalhos e suando frio (embora não menos que Mentor), toma uma decisão drástica: vai começar a tomar banho todos os dias. Em seguida, toma uma segunda decisão: vai entrar no meio da briga para tentar derrotar o tal Lápide. Usando seu poder de alta velocidade, ele corre até ficar de frente para seu inimigo, um homem mais branco que escritor de fanfic que parodia X-Men. Ele só não contava que Lápide conseguiria vê-lo, e encontra-o apontando uma arma exatamente na sua testa. Desesperado, sai correndo no sentido oposto ao que estava, enquanto uma bala o persegue como um coiote persegue um papa-léguas. Ainda mais desesperado, se joga no chão ao dar de cara com uma grande porta de metal, que é atingida pela bala.

Considera-se descansado, mas se vê novamente desesperado quando olha para trás e vê um Anelídeo correndo em sua direção, empunhando uma pistola e prestes a atirar. Mas ele relaxa novamente quando o homem de vermelho cai diante dele, com um buraco na cabeça, feito por uma bala disparada por Nooze. Texano agradece fazendo um sinal com a mão.

Eric Bernard muda o formato de seu nariz para algo que ele considera mais "forte", para puxar pra perto dele a arma do Anelídeo morto e recarregar a sua própria. Sem querer ele olha para Mentor, sentado atrás de uma das caixas, tremendo, suando frio, olhando para o nada, potencialmente mais desesperado que Texano há alguns segundos atrás. Ao seu lado, o contrário: a jovem Kate demonstra força de vontade ao arremessar psiquicamente algumas bolas de sinuca em locais certeiros nos seus alvos Anelídeos.

— Nariz! Tu tá maluco?! — pergunta Papila, ao se aproximar dos dois — Vão ficar aqui de frente pro inimigo?! Venham pra trás de uma das caixas, senão...

— Vocês tão malucos? — pergunta Gozma, ao se aproximar dos três — Vão ficar aqui de frente pro inimigo?! Venham pra...

Aahh!! — berra Mentor, como que voltando à realidade — Ei, vocês quatro! Kate, vamos ajudá-los!

Ele e Kate correm para, de algum modo, ajudar os outros quatro mutantes. Quando dão por si, estão de frente para um pequeno grupo de Anelídeos, além de Lápide (cuja pele é de uma brancura comparável à melhor camisa de seda branca lavada pelo melhor sabão em pó de lavar roupas, vista de longe e sobreposta à luz do sol), todos eles apontando armas pesadíssimas na direção do grupo.

Um dos X-Cluded engole em seco (ou talvez todos os x-cluded tenham engolido em seco, tamanho o pavor entre eles). E os Anelídeos resolvem disparar todas as suas munições ao mesmo tempo nos alvos mutantes.

Dada a competência dos homo superior em questão, pode-se concluir que esta série acaba aqui, com o fim dos X-Cluded e a vitória de Lápide (****). Se fosse um filme, os créditos começariam a subir neste momento. Mas não. Num raro momento de coragem, Kate consegue usar seu poder telecinético pra fazer com que todas as balas voem pra cima deles, formando um gigantesco buraco no portão metálico que estava logo atrás. O silêncio se impõe.

Gozma é o primeiro a abrir os olhos. Ele encontra todos aqueles Anelídeos olhando parados na direção deles e abre um sorriso vitorioso.

— Haha, manés. Ficaram com medo do nosso poderio. — fala ele com o tom de voz baixo.

— "Nosso"? — comenta Nooze, tocando no ombro (se é que há algum) de Gozma e indicando o outro lado do portão. Lá estão Thomas Wirtschaften, seu mordomo, e mais algumas dezenas de seguranças e policiais fortemente armados.

O silêncio sepulcral volta com todo seu poder. É um daqueles momentos em que, é tamanha a atenção — e tensão — de ambos os lados de uma batalha que está para começar (no caso, policiais contra Anelídeos), que qualquer barulho pode fazer algum novato apertar um gatilho sem querer e iniciar uma reação em cadeia. Aqui, este momento se dá quando um taco de sinuca escorrega e cai no chão. Inicia-se um novo e feroz tiroteio.

Balas pra todos os lados, e os X-Cluded no meio do fogo cruzado, fazendo questão de ficarem abaixados e parados o máximo que conseguem (mesmo que quisessem não conseguiriam se mover muito). Os ra-ta-ta-tás, bang-bangs, buns, capows, entre outros sons característicos, são ouvidos atenciosamente pelos mutantes. Mas logo depois de alguns segundos, o silêncio toma conta novamente. E todos abrem os olhos, encontrando todos os Anelídeos no chão. Um outro taco de sinuca cai.

De trás da mesa de sinuca, a cabeça de Lápide, branca como o mármore bem lavado, se ergue. Em seguida, suas mãos, desarmadas, indicando que ele acaba de desistir. Os policiais derrubam o que restou do portão e invadem o galpão.

— Belo trabalho o de vocês. — diz Thomas, aproximando-se dos X-Cluded.

— A gente fez o que podia. — responde Papila, carrancudo — Não tenho culpa de estar trabalhando com um bando de novatos.

— Novato? Então vamos fazer uma partida de Counter Strike pra ver quem é novato ou não! — desafia Nooze. Papila olha para ele, sério.

Os policiais carregam Lápide pra perto do portão, mas são interrompidos por Mentor, que diz querer falar com ele por um instante.

— Muito bem, Lápide. Pode começar a falar. — diz Mentor.

— É isso aí, branquelo! Abre a boca aí! — ameaça Texano.

— Antes de mais nada, pra quem você trabalha? — pergunta o homem de sobretudo e longos cabelos.

— Não tenho autorização para dizer.

— Nem que morra?

— Nem que morra.

— É um sério problema.

— Mas é de vocês. — Papila aponta sua pistola para a testa de Lápide — Hã, em compensação... acredito que posso dizer onde ele se encontra no momento.

— E onde é? — Thomas apressa-se a perguntar.

— Em algum ponto do litoral norte da Rússia.

— Nossa, eu nem sabia que a Rússia tinha litoral no norte. — comenta Texano.

— E sobre o ataque do Hulk à nossa mansão? Você sabe alguma coisa?

— Tudo bem, fui eu quem mandou colocar o dispositivo de controle mental no Banner, felizes agora? O meu chefe estava — e está — à caça de vocês e teve essa idéia.

— E quem é o seu chefe? — pergunta Nooze, rapidamente.

— Já disse que não posso revelar. Não adianta vir com pegadinhas.

— Droga...

— Muito bem, podem levá-lo, policiais. — diz Thomas. O pedido é atendido prontamente.

— Então o grande chefão está na Rússia. Podemos ir até lá, atrás dele.

— De fato, Mentor. — concorda Wirtschafen — Vamos aprontar tudo o mais rápido possível para sua viagem à Rússia.

— Perfeito. — conclui Mentor.

Ao saírem do galpão os X-Cluded dão de cara com Papila, bebendo de uma garrafa de uísque, o que os outros mutantes acham estranho.

— Hã, eu encontrei no meio das coisas do Lápide. Pelo menos ele tem bom gosto.

Thomas e Mentor se entreolham, depois olham para Papila.

— Papila, eu e o Mentor temos um convite a fazer.

— Ah, é?

— Gostaríamos que fizesse parte do X-Cluded. — convida Mentor.

— Eu?!

— Claro, ou está vendo algum outro mutante bêbado por aqui? — diz Mentor, mas logo em seguida olha para Texano — Ahn, algum outro mutante bêbado de óculos escuros por aqui?

— Bem... eu não tenho nenhum projeto à vista... também não tenho pra onde ir... então acho que vou aceitar brigar do lado de vocês. Vocês são caras legais. Eu já disse como vocês são legais? — Papila dá um leve soco no ombro de Mentor, que ainda assim sente certa dor — Vocês são muito legais. Mesmo!

Jack, o mordomo de Thomas, vem até seu chefe com algo nas mãos. O gordo pega das mãos de Jack e mostra a Papila: uma jaqueta de couro com um grande "X" na frente dela.

— Esta é a sua jaqueta, Papila. Bem-vindo ao X-Cluded! — diz Wirtschaften.

— Pô, legal! — diz o ex-assassino de aluguel.

— Ei, ei! — aproxima-se Gozma. — Posso dizer uma coisa que eu sempre quis dizer?

— À vontade... — permite Thomas, sem saber o que vem pela frente.

— OK, OK, lá vai... o que vamos fazer com seis X-Cluded?

Todos se entreolham.

— Ah, qualé. Nem são tantos assim. — comenta Papila.

— Acho que essa conta tá errada. — conclui Nooze — Você contou o Mentor?

— Vocês é que são um bando de reclamões... — diz Gozma.


:: Notas do Autor

(*) Mais uma vez, temos o nome de um filme de Charles Bronson, em homenagem a ele. Agora, o nome vem da série de filmes policiais Desejo de Matar. Destaque para Desejo de Matar 2, talvez o pior e um dos mais engraçados. voltar ao texto

(**) Acompanhe a chegada da equipe na edição anterior. voltar ao texto

(***) O tradicional "É Sim É Nada Playing Game". voltar ao texto

(****) Mas é óbvio que o motivo real seria a baixa quantidade de leitores que ela possui. Nem todas as histórias sobre heróis mutantes são obrigadas a dar certo. X-Factor que o diga. voltar ao texto





 
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