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X-Cluded # 11

Por Danilo 'Doc Lee' Anastácio

É chegada a hora. Depois de resgatar Nooze e Papila na Praça Vermelha e cuidar de seus ferimentos, os X-Cluded e a Guarda Invernal rumam a um restaurante e comem como porcos. Só depois do banquete eles seguem até o esconderijo de seu inimigo comum.

Eles avistam o enorme iate. É lá.

Crime e Castigo

Litoral norte da Rússia (*)

Antes que possam ser vistos por qualquer pessoa dentro do iate, Vostok aterrissa a nave no mar congelante, afundando-a lentamente, tentando parecer invisível.

Iate

O homem enorme e alguns de seus capangas gargalham ao assistir por uma das telas todo o cuidado com o que uma nave cheia de néons desce ao mar.

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Litoral norte da Rússia

Após atrapalhar uma divertida partida de pôquer, Mentor e Guardião Vermelho chamam a atenção de todos os presentes.

— Muito bem, — começa Mentor — já conversamos bastante sobre entrar atirando em todo mundo no iate, e já chegamos a conclusão de que essa não é uma maneira viável para fazer as coisas funcionarem. Não, não vou mais discutir isso, Texano!

— Droga. — diz o caipira, que havia acabado de levantar a mão.

— De qualquer modo, estamos com dois x-cluded seriamente feridos aqui, Papila e Nooze, eles não poderão agir como queríamos. Até segunda ordem, nossa colega Fantasia vai ficar aqui cuidando deles. Kate também ficará, afinal a situação pode ficar perigosa demais. Pois não, Fantasia?

— Hã, quando será dada essa segunda ordem? — pergunta ela, um tanto incomodada.

— Ah! Qualé, gatinha! — diz Papila, dando um leve tapa no traseiro dela.

— Mais rápido do que eu imaginava, acho. — continua Mentor — Guardião Vermelho, sua vez.

— Obrigado, Mentor. — diz o russo, com seu escudo em mãos — Bem, a princípio, entraremos no iate para analisar a situação, só iremos atacar depois de termos uma estratégia bem definida. Não podemos ser vistos de modo algum.

Iate

— Eles estão vindo pra cá a qualquer momento. — analisa o grande homem.

— Podemos começar o show? — pergunta a mulher ao seu lado.

— Sim, Eunice. Mande alguns Anelídeos me ajudarem a ir até a sala principal.

— Sim, senhor.

Na proa do iate, dois Anelídeos esperam que algo aconteça para que eles possam mexer os músculos de uma vez por todas.

Duas noites direto vigiando o iate sem que nada aconteça, e por um momento um deles sente algo que nunca sentiu antes: tédio. Vira-se para seu colega e pergunta:

— Hã, você já se sentiu como se estivesse de saco cheio disso?

— Disso o quê?

— Disso... ficar a noite inteira sem fazer nada.

— Mas a gente tá fazendo alguma coisa, a gente tá vigiando a proa do iate pra evitar que incomodem o chefe.

— É isso que eu tô dizendo, o quê a gente vai vigiar aqui no mar da Rússia? Focas?

— Você ouviu isso?

— O quê?

— Eu ouvi um barulho diferente, acho que veio de algum lugar embaixo do iate.

— Tá brincando, né? Só por que eu disse que a gente não fazia na...

— De novo!

— Ah, pára com isso! Eu não vou cair nessa brincadeira imbecil de que...

Se abaixa!! — diz o Anelídeo, apontando sua arma na direção de seu colega de profissão, que prontamente atende ao pedido dele.

Surgindo à frente da proa está Dínamo Escarlate, flutuando lentamente. O Anelídeo já preparado atira duas vezes contra o russo, mas nada acontece graças à sua armadura. Dínamo Escarlate acerta um raio no Anelídeo e o derrota. O outro, enquanto isso, carregava sua arma. Quando se prepara para atirar em Dínamo Escarlate, vê uma meleca verde que voa na sua cabeça e encobre sua visão, seguido de um poderoso e duro golpe por um objeto que lhe foi acertado no tórax, depois desmaia. O objeto era o escudo de Guardião Vermelho.

Lentamente, Dínamo Escarlate e Vostok levam os restantes para a proa do grande barco.

— Esse negócio de pular na cabeça dos outros tá começando a virar clichê, hein, Ekows. — comenta Texano.

— Me processe. — responde Gozma, olhando para dentro do iate — Mas que diabo tá acontecendo ali?

Todos os outros colam seus rostos na janela para observar o que se passa no saguão principal do iate.

Há uma festa ocorrendo. Uma daquelas festas envolvendo criminosos de vários lugares do mundo, prostitutas com biquínis em estilo sadomasoquista, drinques com nomes exóticos, cores exóticas e copos exóticos, sendo servidos por garçonetes exóticas. No meio do chão do saguão, há um grande tapete vermelho com desenhos geométricos e exóticos.

Uma voluptuosa moça com vestes exóticas surge no que parece ser um tipo de palco.

— Senhoras e senhores... — ela diz — Lhes apresento o anfitrião desta grande festa... Ninguém mais, ninguém menos que o sr. Ulysses X. Lugman, também conhecido como Sanguessuga!

Da direita do palco lentamente vem chegando um homem enorme. Seu corpo é gigantesco, o que acaba tornando seus braços minúsculos. Ele veste um terno branco que, sabe-se lá como, encaixa perfeitamente em seu corpo em forma de montanha adiposa. Usa óculos escuros e tem o cabelo totalmente branco. Alguém poderia citar como referência visual para ele Jabba, o Hut, mas nem este se aproximaria do porte do Sanguessuga.

Chega ao palco sendo arrastado por quatro Anelídeos, mas duas esteiras como as de tanques embaixo do corpo do Sanguessuga facilitam o trabalho deles. O homem é aplaudido por todos os presentes, e com seus bracinhos faz o possível para acenar em agradecimento. Algumas das prostitutas sadomasô começam a se esfregar nele, enquanto outras ajudam a empurrá-lo.

"Exótica" é um bom adjetivo para a cena.

Após quase um minuto de aplausos, o silêncio paira, e Sanguessuga tem um momento para falar:

— Obrigado, Eunice. Bem amigos, agradeço a presença de todos vocês aqui esta noite. Mas agora eu estou aqui para apresentar e me deliciar junto com vocês de uma atração especial... — ele estala os dedos — Anelídeos! — chama.

Dois dos homens vestidos de vermelho carregam um homem magrelo de óculos e bigode para o centro do saguão, em cima do tapete exótico, com as pernas e mãos atadas. Um terceiro Anelídeo puxa uma corda até o teto e a prende na corda das pernas do dito cujo.

— Este homem, meus caros... o senhor Cockmann... foi responsável pela perda de um negócio milionário, infelizmente. Para ele.

Cockmann é içado. O tapete misteriosamente se move para os lados, sumindo pra debaixo do chão do saguão, dando lugar a uma piscina lotada de pequenas sanguessugas. As pessoas em volta tem reações adversas, como "agh, que nojentas!", "eca!" e "não se comem essas coisas na Coréia?".

— Hã, creio que não, Gozma. — responde Mentor que, entre os X-Cluded e a Guarda Invernal, é o menos interessado no que se passa (ou pelo menos é o que disfarça melhor).

E eles assistem ao sr. Cockmann ser vagarosamente levado até a piscina, até que a um metro de distância a corda pára.

N-n-não, sr. Lugman!! Por favor! — implora Cockmann, desesperado.

— Ah, sim, meu caro. Alguém aqui acredita que o sr. Cockmann deva ser poupado desta constrangedora experiência?

Ninguém responde à pergunta.

— Ótimo, mergulhem o imbecil.

Não!! Meu nome nem é Cockm... — antes de terminar a frase, ele já está dentro da piscina sendo atacado pelas centenas de sanguessugas.

Ele fica por alguns segundos ali e depois é puxado novamente para cima, soltando um berro desesperado. Todos os convidados riem dele. (**)

— De novo! — ordena Lugman.

— Não! — grita o Guardião Vermelho.

— "Não"? — pergunta Texano.

Guardião Vermelho chuta a janela e a estilhaça por inteiro. Ele e seus colegas de Guarda Invernal saltam para dentro do saguão, deixando os X-Cluded sem ação, entreolhando-se.

— Hã... — comenta Texano.

— Vamos entrar também, portanto. — sugere Mentor. Em seguida, desce cuidadosamente pela janela, ao contrário de Texano e Gozma, que saltam como loucos.

Os três X-Cluded tratam de se aproximar da Guarda Invernal, criando um tipo de formação de ataque (na qual eles estão estrategicamente posicionados para não atacarem, mas para usarem a Guarda Invernal como escudo humano).

— Muito bem, Sanguessuga, — brada Guardião Vermelho — seus dias de tráfico estão contados. Renda-se ou vai sentir o poder da Guarda Invernal!

— E dos X-Cluded também. — diz Mentor, quase que sussurrando, depois de soltar um pigarro. Ele começa a parar pra prestar atenção nos tipos que encontra ali no saguão: criminosos fortemente armados e seus capangas, Anelídeos, prostitutas exóticas...

— Haha, bela entrada, Guardião Vermelho. — ri Sanguessuga. Ele fica sério logo em seguida — Anelídeos, dêem um jeito neles. E sejam rápidos.

Os Anelídeos atendem ao chamado de seu chefe, partindo pra cima dos heróis russos, e dos americanos também, por conseqüência. O embate entre os dois grupos primeiramente citados começa a pegar fogo, enquanto o terceiro, fica meio que sem saber o que fazer.

— E aí? — pergunta-se Gozma.

— Acho que a gente vai ter que chutar umas bundas criminosas. Ops! — ele vê uma bala vindo na direção e, usando sua alta velocidade, desvia dela — É isso mesmo que a gente vai fazer!

Texano corre na direção de um dos convidados da festa, seguindo com um salto impensado na garganta dele. Gozma está se espalhando na direção de um Anelídeo quando olha para Mentor.

— Mentor, acho bom você pegar um desses caras e... Mentor?!

O líder dos X-Cluded está paralisado num canto, sem nenhum motivo aparente. Seu olhar está distante.

— Ah, não, de novo? (***) — exclama George Ekows — Mentor! Acorda aí, pô! — ele sente algo acertar sua cabeça. Olha para trás e vê um Anelídeo com a mão enfiada na sua massa gosmenta — Ah, safado! — diz, antes de atacá-lo.

E Mentor prossegue paralisado. No meio do saguão, Perun está dando uma machadada num Anelídeo e mandando seus pedaços para a piscina. Ao lado dele, Vostok passa voando e derrubando mais dois ou três bandidos, e abrindo espaço para Guardião Vermelho passar andando na direção de Sanguessuga. Seus olhos se encontram, mas antes que o russo possa atacar, Eunice surge na sua frente.

Enquanto isso... sim, Mentor continua imóvel. Billy Puzo, o Texano, também nota isso e vai tentar bater um papo sério com ele;

— Mentor? Qual é o teu problema, cara?

Ele não obtém resposta, mas vê um homem apontando sua arma para eles. Usando sua velocidade, Texano abaixa a si e a Mentor, numa tentativa de desviar. Ouve o som de uma pistola atirando logo em seguida, mas não vê a bala se aproximando. Ocorre o improvável: o homem cai no chão. Puzo olha para a janela de onde havia pulado antes.

— Chegaram os reforços. — diz Nooze, apoiando-se na parede, sendo ajudado por Fantasia.

— Cala a boca, nariz. — diz Papila, com o braço enfaixado. Texano se aproxima dos recém-chegados.

— Ainda bem que vocês chegaram! O Mentor tá ali passando mal, cara. — diz ele.

— Há ódio por toda parte. — comenta Fantasia.

— Eu sei, moça, tu já me disse isso. — diz Papila — Qual o problema com o velho?

— Hã? Problema? — pergunta Mentor, acordando do transe — Oh, meu Deus, Sanguessuga! Vamos, X-Cluded!

Mentor sai correndo na direção do gigante, deixando os outros se entreolhando, sem entender nada.

E lá perto de Sanguessuga, Guardião Vermelho está sendo chutado no peito por Eunice, sendo derrubado no chão perto da piscina.

— Hah! Guarda Invernal! — ri a bela e exótica capanga — Essa é boa. Guarde isso! — ela pega do cinto uma arma e a aponta para Guardião Vermelho, mas seus movimentos param quando ela resolve prestar atenção em outra coisa: as sanguessugas da piscina repentinamente resolveram flutuar. E, mais repentinamente ainda, resolveram voar na direção dela e atacá-la. Eunice sai arrastando-se no chão desesperada, enquanto Guardião Vermelho olha para trás e vê a pequena Kate se aproximando, junto de Dínamo Escarlate e Mentor.

— Sanguessuga... — diz Mentor — Seus colegas estão todos sendo derrotados. Quer mesmo continuar com isso?

Ulysses X. Lugman olha para o saguão e chega a conclusão que Mentor pode estar perigosamente certo. Ele observa seus últimos convidados se rendendo e seus últimos Anelídeos sendo derrotados, sem mudar muito de expressão.

— Acho que o senhor tem algumas explicações a nos dar, sr. Lugman. — diz Mentor — No mínimo.

— Receio que sim. — começa Sanguessuga, sob os olhares atentos dos X-Cluded e da Guarda Invernal — Bom, vocês já devem ter adivinhado que fui eu quem contratou Lápide, que mandou ele conseguir o Hulk e Papila, e que contratou Helter Skelter. Mas a causa disso tudo... é ela.

Ele aponta para Kate. Todos olham para ela sem entender muita coisa.

— Essa menina. Ela sabe demais.

Todos olham para ele sem entender muita coisa.

— É uma história um pouco antiga. — explica Lugman — Quando eu comecei novamente minha vida no tráfico resolvi fazer minha base aqui na Rússia, em vez de Miami, onde eu costumava trabalhar. Afinal, é um lugar muito improvável. Comecei a contratar esses rapazes que chamei de Anelídeos, além de Lápide e Eunice. — ele olha para a moça, que ainda está no chão se debatendo de modo exótico — Mas o fato é que algumas pessoas começaram a me atrapalhar, como sempre ocorre. Entre essas pessoas estava o amigo de vocês, Rogers, o tal do Aviador.

Sanguessuga olha para Mentor nesse momento.

— Ele nunca foi muito conhecido por ser uma pessoa que tinha uma grande força de vontade, talvez aquele seu suicídio tenha a ver com isso, além do fato de eu estar caçando ele como um caçador britânico caça suas raposas na época certa, quando elas...

— Tudo bem, prossiga. — interrompe Mentor.

— E depois vieram vocês, X-Cluded. Mas além de eu estar caçando Rogers, eu também tinha problemas em especial com uma certa Catherine Charger...

— Ah, é a minha mãe! — diz Kate.

Os X-Cluded e a Guarda Invernal soltam um "oh!" em uníssono, espantados.

— Isso mesmo. — confirma Sanguessuga — Ela era uma agente do FBI que estava em São Francisco e começou a investigar a minha rede de, hm, "influências", por assim dizer. Só que ela investigou a fundo demais...

— Kate, por que você nunca contou isso pra gente? — pergunta Mentor.

— Vocês nunca perguntaram.

— Haha, garotinha esperta. — ri Texano.

— O que você fez com a mãe da pequena? — pergunta Guardião Vermelho.

— Bom... eu tive que dar um fim nela.

— Hã?! — pergunta Kate.

— É, foi isso... — diz Sanguessuga, tentando coçar a cabeça.

— Não! — grita a pequena.

— Foi sim, pode acred... mas o quê? — ele começa a notar a ausência do chão sob suas esteiras, e o teto parece começar a se aproximar.

— Kate, o que você vai... — Mentor pergunta já esperando pelo pior.

Não! — berra Kate.

Com toda força, ela faz com que Sanguessuga saia voando pela parede do saguão, destruindo uma série de equipamentos eletrônicos. Após atravessar o iate, Lugman gira pelo ar gritando e some no horizonte.

Ninguém tem muita coisa pra dizer depois disso.

Vinte e seis minutos depois

Como era de se esperar, a polícia e a guarda costeira chegam atrasadas no local. Analisam o iate destruído, os cadáveres, interrogam alguns (os que não conseguiram entrar a tempo na nave da Guarda Invernal e os derrotados) e levam Eunice presa.

Sanguessuga parece ter sumido. — divulga Vostok a seus colegas de Guarda Invernal e aos X-Cluded, todos reunidos numa pequena confraternização na nave da equipe russa — Eu troco duas. — completa, ao sair do computador e voltar à mesa onde estava.

— Talvez a gente tenha notícias dele, um dia desses. — comenta Dínamo Escarlate — Eu troco só uma.

— Bom, melhor pra gente, até lá... eu acho. — diz Texano, analisando suas cartas — Eu não troco nada.

— Hm, Texano tá blefando, hein. — diz Papila, com um charuto na boca — Vou trocar duas... — ele joga suas duas cartas a Perun, que começa a embaralhá-lhas.

Num canto, Fantasia conversa com Kate, tentando consolar a menina. Não parece ter muito sucesso.

— E o que vocês farão agora, Mentor? — pergunta Guardião Vermelho, olhando as tentativas de Fantasia.

— Ah, nós vamos aceitar uma carona até o aeroporto mais próximo, nosso patrocinador fretou um jatinho. E vocês, o que vão fazer?

— Vamos continuar nossa luta, na medida do possível, mas com métodos um pouco mais heróicos.

— Eu já falei bem desse café de vocês, não é?

Num outro canto, Gozma e Nooze observam a tudo com um certo olhar crítico.

— Você parou pra prestar atenção na quantidade absurda de clichês que rolaram hoje? — pergunta Nooze.

— Claro. Agora só tá faltando alguém fazer uma piada sem graça e todo mundo rir junto pra fechar no estilo "Thundercats". — diz a meleca verde.

Eles esperam por alguma conversa se sobressair e a piada acontecer.

E esperam mais um pouco.

Na falta do que fazer, eles continuam esperando.

— Tá, pelo menos um clichê passou batido. — diz Nooze.


:: Notas do Autor

(*) Aquela parte do mundo na qual você nunca parou pra prestar atenção. voltar ao texto

(**) Essa cena é uma grande referência à história "Maquina Mortífera", publicada em Capitão América # 133, ou Captain América # 325, no original. voltar ao texto

(***) Algo semelhante ocorreu em X-Cluded # 07. voltar ao texto





 
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