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X-Men # 11

Por Eduardo Sales Filho

Na última edição: Tempestade e Banshee vão ao encontro de Gambit em Nova Orleans. Remy consegue a localização exata da base de Sinistro e os X-Men preparam-se para atacar.

Carrascos Demais

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Nova Orleans é famosa por muitas coisas. A capital dos casais apaixonados, a quentíssima comida cajun, a grande festa de Mardi Gras. O que poucos sabem é que esta também é a cidade onde o Sr. Sinistro optou por montar sua base.

Com a ajuda de Gambit, a equipe comandada por Tempestade descobriu a localização da base do vilão e está pronta para avançar. Por fora, se vê apenas as ruínas de um posto de gasolina. Uma construção com no máximo seis metros quadrados. A tinta das paredes está descascada. Algumas telhas quebradas deixam evidente o estado de abandono do local.

— Tem certeza de que este é o lugar, Gambit?

Oui, Sean. Meus contatos confirmaram. Aqui é a entrada para a base de Sinistro.

Banshee respira fundo. Ele preferiria estar com Tempestade aguardando os demais X-Men do que ali, ao lado de Remy. Por alguma razão que não consegue definir, Sean não confia em Gambit.

Antes que os dois mutantes tenham mais tempo para continuar com seu silêncio constrangedor, Tempestade se aproxima acompanhada de Cable, Wolverine, Arcanjo, Noturno, Lince Negra e Colossus.

— E aí, cajun? Fazia tempo que não te via.

— Olá, Logan. Bom saber que sentiu minha falta. Mas onde está Vampira?

— A guria saiu da mansão X na mesma época que você e o Bobby (*). Disse que queria ficar sozinha por uns tempos. Coisa de mulher, cê sabe.

Gambit sorri. Por mais que não queira admitir, ele sente falta de Vampira e esperava encontrá-la hoje.

— Muito bem, X-Men. — Tempestade chama a todos — É chegada a hora. Aquele posto de gasolina abandonado esconde a entrada da base de Sinistro. Logan e Gambit, vão na frente e certifiquem-se de que o caminho esteja livre. Nós iremos em seguida.

Wolverine coloca sua máscara, até então jogada para trás, e parte em direção à construção acompanhado por Gambit. Eles caminham rapidamente, usando as sombras da noite para evitar serem vistos.

Quando chegam à porta do posto de gasolina, percebem que ela está trancada. Logan usa suas garras para rasgar a fechadura e eles entram. O cômodo parece ainda menor por dentro. A escuridão total só é cortada por alguns raios de luz que entram pelas telhas quebradas. O único móvel é uma mesa velha encostada nas paredes amareladas pelo tempo.

— E agora, cajun? Onde é a entrada?

— Não sei ao certo, mas deve ser por aqui, em algum lugar.

Os dois mutantes começam a procurar por algum tipo de alavanca, alguma porta oculta, qualquer coisa que possa levar a uma sala secreta. Depois de tentarem em vão por minutos, Wolverine decide pedir ajuda para Lince Negra.

Kitty Pryde chega ao encontro de seus colegas instantes após ser chamada, via rádio, por Logan. Depois de dar uma rápida olhada no ambiente, torna-se intangível e mergulha no chão. Lince Negra nada em círculos, procurando um túnel de acesso, e o encontra. Quando intangível, ela é capaz de provocar curto-circuito em aparelhos eletrônicos, por isso quando passa sua mão através da porta oculta no chão do posto de gasolina, surgem faíscas, assustando Gambit, cujos pés quase são queimados pelas pequenas labaredas.

Uma vez que a entrada foi descoberta, todos os X-Men seguem por ela. Abaixo do posto, uma pequena rampa escondida atrás da porta secreta os leva a um longo corredor. Um a um, todos os mutantes chegam ao nível inferior. Colossus toma a frente, sendo seguido de perto por Cable e Wolverine. Tempestade começa a se sentir tonta, seu pavor de lugares fechados nunca foi um problema fácil de ser contornado. Arcanjo e Gambit vêm fechando a fila, logo atrás de Banshee, Noturno e Lince Negra.

— Algum problema, mon ami? — Gambit questiona Arcanjo — Você parece perturbado.

— Nada de mais, Gambit. Apenas algumas lembranças ruins vindo a tona.

Warren Worthington III não comenta, mas estar naquele túnel indo enfrentar Sinistro o faz lembrar de um dia, há muito tempo, quando suas asas foram arrancadas por dois Carrascos nos túneis dos Morlocks (**).

Os X-Men continuam a percorrer o longo túnel às escuras até alcançar uma porta de metal fundido. Apesar do aspecto malfeito, ela se mostra muito resistente. Colossus usa toda sua força mas mal consegue arranhá-la. As garras de Wolverine conseguem penetrá-la, mas se mostram ineficazes uma vez que não conseguem chegar até a outra extremidade da porta. Vendo que todas as tentativas estão se provando sem resultado, Tempestade toma a frente.

— Afastem-se. — diz ela.

Os mutantes vão para trás de sua líder. Ororo Monroe já foi considerada uma deusa por uma tribo africana. Quando a vemos usando seu poder em tal magnitude, é possível entender o porquê de ela ter sido venerada.

Tempestade pára em frente à porta. Seus olhos tornam-se brancos. O ar começa a estalar à sua volta, gerando faíscas cada vez mais intensas. Um vento assustadoramente forte começa a surgir no túnel, forçando os demais X-Men a se segurar firmes.

Ororo se concentra e então, com um movimento brusco dos braços, joga toda a ira da natureza contra a porta. Rajadas de vento gelado vão aos poucos cristalizando a estrutura. Quando acha que já é suficiente, Tempestade movimenta seus braços novamente e deles saem relâmpagos, com a fúria de mil furacões. O ferro cristalizado não é forte o bastante para resistir, e arrebenta em milhares de pedaços. Um desses fragmentos vai de encontro à mutante, atingindo-a em cheio e deixando-a inconsciente.

— Ororo! — grita Wolverine, quando parte ao socorro da amiga — Cê tá legal? Fala comigo, guria!

Mas Tempestade não responde. Logan pega a mutante em seus braços e avança para a sala aberta por ela. A luminosidade que vem de lá pode ajudá-lo a avaliar melhor os ferimentos de sua amiga. É seguido pelos demais X-Men.

— Ora, ora... os X-Men finalmente chegaram. Já estava começando a me preocupar com sua demora.

A voz rouca vem do alto da enorme sala em que estão. As luzes, quase cegantes, não permitem aos X-Men ver direito quem está lá, mas na verdade não é preciso ver. A voz do Sr. Sinistro é inconfundível.

— Agora que vocês estão aqui, permitam-me chamar alguns amigos. Carrascos, acabem com eles!

Os X-Men olham desnorteados quando começam a surgir pelos quatro cantos da sala dezenas e mais dezenas de cópias dos Carrascos originais. Em uma rápida olhada, Wolverine conta pelo menos uma dúzia de clones de cada carrasco. Arco Voltaico. Arrasa-Quarteirão. Caçador de Escalpos. Maré Selvagem. Vertigo. Embaralhador. Arpão. Excetuando-se Dentes-de-Sabre, todos estão ali.

— Droga! Esses caras de novo, não. — resmunga Kitty Pryde. No último confronto com os Carrascos, ela e Noturno ficaram gravemente feridos.

— Não se preocupe, Katya. Desta vez não os deixarei chegar perto de você. — com estas palavras, Colossus avança contra seus inimigos.

Banshee ainda está atordoado com os acontecimentos quando olha em volta e percebe que Remy Le Beau desapareceu.

"Gambit." — pensa o irlandês — "Eu estava certo, aquele desgraçado nos entregou de bandeja pra Sinistro e fugiu."


A seguir: Carrascos contra X-Men!


:: Notas do Autor

(*) Em X-Men #05. voltar ao texto

(**) Isso aconteceu durante a clássica saga Massacre de Mutantes, publicada pela editora Abril a partir da revista X-Men #31. voltar ao texto



 
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