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Batman # 24

Por Leonardo Araújo

O Plano Perfeito

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Poucas vezes o planeta Terra presenciou um esquema de segurança tão grandioso. O FBI estava repassando à SHIELD o mundialmente conhecido terrorista Ra's Al Ghul: um tribunal internacional exigia seu julgamento. O avião levaria o prisioneiro internacional com forte escolta para a Europa, mas nada foi divulgado sobre horários, cidade ou país de destino do vôo.

Numa sala reservada, Nick Fury finaliza a conversa com o vice-presidente Mark Colleman e o diretor do FBI Stephen Greene.

— Seus homens assumirão a custódia de Ra's Al Ghul, coronel. Serão responsáveis por ele durante toda a viagem até a Europa. Boa sorte! — diz o diretor do FBI. Fury leva um charuto no canto da boca.

O vice-presidente o cumprimenta e se retira da sala junto com Greene.

"Burocratas!" — pensa Fury. Ele inspeciona rapidamente os papéis que recebeu e, em seguida, sai da sala.

— Coronel Fury. — ele escuta seu nome. O chamado vem do depósito e ele reconhece a voz.

— Estou de saída. — diz o coronel ao entrar no depósito.

— Devo seguir com Ra's. Nenhum dos seus homens o conhece tão bem quanto eu.

— Nada de vigilantes, especialmente você, Batman. — ele acende um fósforo e leva-o ao charuto, iluminando parcialmente o ambiente e seu interlocutor. Em tom autoritário, argumenta — Agradeço sua preocupação, mas faremos o serviço sem sua ajuda.

— Você vai precisar de toda ajuda que puder ter.

Fury cruza os braços, expira forte e olha para o morcego. A seguir, questiona, levantando uma sobrancelha:

— Como entrou aqui?

Usando a penumbra, Batman corta a única fonte de luz ao guilhotinar o charuto de Fury ao meio. O coronel é rápido e solta um soco no ar, passando no vazio. Agilmente, ele abre a porta do depósito para que a luz entre.

"Maldito! Sumiu!" — pensa consigo. Ele observa uma placa deslocada no teto do depósito. A idéia de iniciar uma busca pelo invasor é presente na sua mente, mas suas prioridades são outras.

Batman não se surpreende por Fury o barrar, já esperava. Assim, contenta-se em monitorar o transporte da perigosa carga e intervir se necessário for.

Minutos depois, a algumas quadras dali, um senhor barbudo entra no contêiner embarcado em um caminhão de cargas com aparência desgastada. Computadores e o batmóvel estão dentro da estrutura metálica.

Bruce alivia seu disfarce e passa a digitar comandos em um dos computadores. Um satélite de Waynecorp fornece as imagens em tempo real dos deslocamentos na base da SHIELD. Assim ele pode observar Ra's ser conduzido a um furgão blindado preto, sob escolta de várias viaturas, e se dirigir à base aérea ao lado para embarcar em um avião. Dois helicópteros fazem a cobertura do espaço aéreo local, interditado há horas. Há patrulhas em todas as direções. Os pontos de fuga foram cobertos e há quase cem homens, fortemente armados, para emprego imediato caso haja necessidade.

— Coronel, os radares captaram algo. — diz um sargento no controle da missão da SHIELD.

— Algo?

Fury procura no céu e vê pequenos objetos se aproximando. Um aparente enxame chega mais perto e disparos são feito pelos invasores alados e pela segurança local. O furgão com Ra's faz um rápido giro enquanto as outras viaturas de escolta disparam em direção à zona de impacto.

A fumaça inicia sua dispersão e, apesar do intenso fogo sobre o inimigo, é possível distinguir-se quem fez o ataque: a COLMEIA. Como se já não fosse problema suficiente, o solo estremece: Blob atinge o chão. Ele caiu de algumas dezenas de metros; simplesmente surgiu no céu.

— Mantenham a COLMEIA sob fogo cerrado, não quero esses insetos perto do furgão! — grita Fury no rádio — Vamos separá-los.

Mísseis são disparados pelo enxame, destruindo posições dos agentes da SHIELD. Os agentes recebem apoio das tropas federais da guarda nacional. Blob destrói dois blindados que se aproximavam: seus ocupantes não tiveram chance e estão esmagados nas ferragens. Há um mar de fogo em torno dos invasores, parece um inferno particular.

— Preparem o teletransporte do porta-aviões! — ordena o coronel via rádio.

Uma equipe especial desce de um blindado: são cerca de dez homens usando exoesqueletos. Dois deles carregam um armamento grande, destoando dos demais. Os outros oito avançam sobre Blob e a COLMEIA, disparando lasers de alta freqüência. Alguns invasores são atingidos, mas há uma bela manobra evasiva em execução.

— Estão em condições de travar o alvo? — pergunta Fury no comunicador.

Precisamos de mais dois minutos, coronel. — é a resposta ouvida.

— Que diabos vocês estão fazendo ai? Quero isso pronto agora. Tem muita gente morrendo aqui embaixo! — vocifera o militar contra o comunicador.

Os homens do esquadrão especial ativam suas armas; um sibilo pode ser ouvido. Elas brilham.

Caças surgem e disparam contra o enxame esvoaçante, enquanto a artilharia local alveja Blob. O mutante sente alguns impactos, mas logo lança um resto de blindado contra a posição dos artilheiros, destruindo-a. A COLMEIA responde com violência, derrubando um dos aviões. Felizmente o piloto tem tempo de ejetar antes da queda do caça.

— Engulam isso! — diz um dos homens, ao disparar a arma que sibilava contra os alvos aéreos. Quase uma dezena de membros do enxame sucumbe à potente arma. Outra dezena cai após um segundo disparo.

— Blob está isolado, teleporte-o para o Saara e envie uma equipe de captura para lá! — comanda Fury via comunicador.

Um raio, originado do porta-aviões da SHIELD, atinge a área em que Blob está, levando tanto ele quanto parte do solo para o deserto africano.

— Vamos, levem este verme para o avião! — grita Fury para seus homens — A moleza acabou!

Longe dali, o homem-morcego acompanhou o desenrolar da mal-sucedida e violenta tentativa de resgate.

"Tália... ela deve tê-los contratado!" — pensa Batman. Via vídeo, ele percebe a tentativa de captura de alguns agentes da COLMEIA por três dos homens que usam exoesqueleto.

"Não se aproximem assim!" — Batman prevê o desastre. Subitamente, os integrantes que estavam prestes a serem capturados explodem suas vestes, matando todos num raio de mais de dez metros.

Na base, o coronel Fury reorganiza seus homens, agora já chegando ao aeroporto militar da Força Aérea americana no terreno vizinho.

— Quero todos presos. Contate os Vingadores, Quarteto, a Liga, quem for necessário! — fala o comandante local da operação de transporte em frente a um monitor, com seu subcomandante de operações na base da SHIELD. Fury dá um soco na parede. Sua testa está franzida e sua respiração faz barulho — Ninguém faz isso com meus homens.

Um grupamento de seis caças cruza o céu enquanto três helicópteros permanecem na segurança aproximada. Um esquadrão blindado pesado divide seus carros de combate, espalhando-os em quatro grupos perto da pista onde o avião que Ra's será embarcado se encontra. O prisioneiro é trazido do furgão e conduzido, rapidamente, para o avião.

A decolagem é liberada pela torre de controle e, de dentro do sofisticado aeroplano, Nick Fury ordena que o avião parta com a preciosa carga.

O vôo estabiliza. O coronel Fury libera seu cinto e se dirige à poltrona onde o terrorista está acomodado, vigiado por agentes.

— Você dá trabalho Ra's. — o oficial encara seu prisioneiro — Custou-me alguns de meus melhores homens. Mas lhe asseguro: você será entregue ao tribunal internacional e pagará por todos os seus crimes.

— O que lhe dá esta certeza, coronel? — fala Ra's, com firmeza, mas em tom moderado.

— Sua tentativa de resgate falhou. Estamos preparados para tudo.

Ra's decide não provocar Fury, pelo menos por enquanto. Ele gira a cabeça e observa o céu.

— A humanidade é um câncer, coronel. — Ra's respira profundamente — Preciso impedir que ela destrua nosso belo planeta. Já viu como o dia está belo lá fora?

Fury acende mais um charuto.

— Você é o câncer aqui, um terrorista, nada mais, nada menos. — diz o militar.

— Passaremos próximo à ilha Sable, no Atlântico norte? — estica o pescoço, discretamente, para tentar avistar o oceano.

— Na sua condição, isso pouco importa. — diz Fury, se retirando. O coronel segue até sua poltrona. Dirigindo-se a um capitão, ordena;

— Quero o plano de vôo.

O militar traz o documento. Fury analisa cautelosamente. Por fim, pega o comunicador e chama:

— Pirata para Cão Raivoso. Pirata para Cão Raivoso. — Cão Raivoso é o codinome de um dos grupos reservas que Fury deixou em condições de apoiar a missão.

Cão Raivoso na escuta.

— Verifiquem a ilha Sable e me informe qualquer suspeita.

Durante os minutos em que o vôo permanece sem qualquer alteração, Ra's discretamente observa o horário. Por fim, solicita aos homens que estão ao seu lado:

— Senhores, preciso ir ao toalete.

Um dos homens pega o rádio e comunica o fato a Fury. O segurança passa as algemas de Ra's para frente do corpo, algema os pés dele e o libera da cadeira. Nick Fury vem até o local.

— Acompanhe-o. Vocês dois: — apontando para os homens que permaneceram todo o tempo ao lado do terrorista — fiquem junto à porta. Ao mínimo sinal de perigo, arranquem-no de lá, não me interessa em que estado ele esteja.

— Sim, senhor. — respondem os homens.

O terrorista é conduzido, a passos lentos, devido às algemas, até o banheiro. Tudo é verificado e logo a entrada de Ra's é permitida.

Na caverna, Batman acompanha a movimentação da aeronave da SHIELD pelos monitores que reproduzem toda leitura feita, via satélite, do avião que transporta Ra's. Já decodificada a ordem de Fury, acompanha também as tropas que vistoriam a ilha Sable.

"Como será, Ra's? Dê-me uma dica, uma só!" — Batman pensa. À sua frente, o computador fornece toda espécie de informação telemétrica possível sobre o vôo. Batman programou para que variações mínimas, abruptas, sejam evidenciadas. A tela fica vermelha e dois dados saltam no monitor:

"Variação de altitude repentina, para baixo, poucos centímetros, mas abrupto. Nova variação, agora para cima, também de baixa amplitude, 1 segundo após a primeira. Pulso magnético de baixa intensidade fora do padrão atinge o avião." — lê para si mesmo. O detetive percebe que houve algo importante. Quarenta segundos depois, o evento se repete.

Rapidamente, ele usa alguns programas do computador e calcula o que pode ter causado a variação. Considera que o vôo está em cruzeiro, portanto o piloto automático conduz o avião. A pressão atmosférica é uniforme na zona que houve a alteração. Todos os fatores indicam que não há nada de anormal nas condições de vôo. Só uma coisa pode ter provocado a pequena perturbação na altitude: variação repentina de peso.

Assim, ainda usando o computador, em rápidos cálculos, o detetive conclui que uma variação entre 72 e 108 kg poderia ter causado o efeito detectado. É a provável fuga de Ra's, mas não está claro como isso ocorreu ou para onde ele foi.

Batman observa a trajetória do avião e as comunicações, esperando confirmar o que ele já sabia. Se o avião retornasse, explodisse ou tivesse uma pane, estaria confirmado. Mas minutos passam e nada ocorre.

No aeroplano de transporte, os seguranças gritam para Ra's.

— Saia, seu tempo acabou.

— Paciência, senhores, meu intestino não suporta vôos longos. — responde Ra's.

Um dos agentes confirma que é o mesmo timbre de voz. Aparentemente, tudo normal. Leva mais alguns minutos até Ra's sair do banheiro e retornar à sua poltrona "segura".

Na batcaverna, o vigilante percebe que a fuga passou despercebida. Então, resolve rever quais são os pontos de apoio perto da trajetória onde a fuga ocorreu. As imagens mostram a ilha Sable, um navio, um iate e três pequenos pesqueiros na zona inicialmente considerada. Usando o teleporte da caverna, vai até a base da Liga e usa-a como ponto para chegar à ilha Sable. Ele se disfarça de pescador e investiga a área.

Terminadas as verificações preliminares, recolhido o que o detetive achou de interessante e pertinente ao caso, ele parte para observar as embarcações que relacionou no local. Isso teria de ser feito via satélite, inicialmente, e via internet, para checar a documentação do navio, iate e barcos.

Enquanto isso, o vôo de Ra's chega ao fim. O avião desce, sobre a proteção de um forte aparato militar, em genebra, na Suíça.

Os procedimentos iniciais de desembarque são tensos, mas sem qualquer problema inicial. A certa distância, tiros são percebidos: pessoas caem mortas, como se tivessem envelhecido dezenas de anos em pouco mais de um segundo.

— O que diabos está havendo aqui? — questiona Fury — Levem Ra's, agora!

— É Jones, Rudy Jones. — Batman acusa sua presença.

Fury se espanta com a presença do homem-morcego no aeroporto, mas não faz qualquer sinal de hostilidade.

— Quem é Rudy Jones? Que merda é essa? — pergunta o coronel.

— O Parasita. Mande seus homens sairem de perto dele, temos de isolá-lo. Mais uma coisa: — alerta Batman — você está sem seu prisioneiro.

Fury olha para Ra's, algemado com três de seus homens, e não entende o que o vigilante quis dizer.

Batman corre em direção ao Parasita, enquanto o número de vítimas aumenta.

— Saiam daí, corram para cá! — ordena Fury a seus homens — Chamem o grupo tático especial!

Batman começa a lançar uma chuva de batarangues e cargas explosivas, fazendo Jones recuar.

Homens com exoesqueleto chegam junto a Fury. O coronel orienta um dos homens a disparar contra o sujeito disforme. O Parasita vai na direção de Batman, que tenta mantê-lo ocupado. Saltos e esquivas impedem do Parasita de tocar o detetive, mas a proximidade já compromete o desempenho do vigilante. Batman vê que Fury prepara um disparo e se antecipa, atingindo o Parasita com uma carga elétrica que o paralisa momentaneamente, porém o deixa mais forte.

— Agora, Fury! — grita Batman, ao se distanciar do invasor.

O homem orientado pelo coronel dispara sua arma: um jato de alta pressão atinge o Parasita. Uma espuma branca se forma ao redor de Jones e, pouco a pouco, se solidifica.

Logo, outras armas similares são usadas, fixando o Parasita e o capturando.

Paralelo a isso, Batman se dirige a Ra's Al Ghul. O terrorista, sob o olhar do vigilante, começa a ter o corpo desfeito, como quem está se derretendo. Batman tenta usar uma de suas cargas congelantes, nitrogênio líquido, mas não há mais: usou-a em seu combate com o Parasita.

— Cara-de-Barro!

A criatura de esvai através de uma abertura para águas pluviais. Batman tenta arrancar a tampa, mas já é tarde quando adentra a galeria.

Fury ajuda-o a subir à superfície. A seguir, interroga:

— Como você sabia?

— Durante o trajeto, o peso da aeronave variou entre 72 e 108 kg, por duas vezes, num intervalo de um segundo. Isto ocorreu quando você passava perto da ilha Sable. Quarenta segundos depois, o padrão se repetiu.

— Ilha Sable! Eu mandei uma equipe lá. Estava limpa.

— A ilha era só referência. — o vigilante continua sua explanação — Um segundo: este foi o tempo que Ra's foi levado. Quarenta segundos depois, o Cara-de-Barro estava no lugar dele, perfeitamente instruído.

— Rastreadores... ele tinha rastreadores em três peças de roupas distintas.

— Ele trocou de roupa com seu "dublê". — explica Batman.

— Como? — Fury esbraveja.

— Teleporte. Perto da ilha, havia algumas embarcações. Entre estas, o iate Mebal Din. Pela fita de segurança do porto de onde saiu o iate, é possível notar Tália disfarçada e — o detetive mostra uma impressão dos seus arquivos — Pórtex. (*)

— Um deste Ubus deve ser o Cara-de-Barro. — fala Fury, após se deter em uma das impressões do vídeo de segurança.

— Enquanto vocês não notaram a troca, eles se afastaram o suficiente para Pórtex transportar todos em segurança para longe. Achei o iate à deriva.

— Maldição! — grita Fury. O militar vira e ordena que todas as saídas de esgotos sejam vigiadas.

— Coronel Fury! — grita um soldado, chamando a atenção de seu comandante. O homem indica ao velho combatente uma sombra afastando-se no telhado.

— Deixem o morcego ir. — o coronel vê os arquivos impressos no chão, ao seu lado -Temos outras prioridades de captura no momento.


:: Notas do Autor

(*) Pórtex pode criar portais dimensionais capazes de teleportar qualquer coisa entre longas distâncias. O vilão integra a Irmandade Negra, bastante atuante contra os Novos Titãs na fase de Geoge Pérez. voltar ao texto




 
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