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Fogo # 03

Por Lucio Luiz

The Book Is On The Table

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A política é desacreditada devido à quantidade de falcatruas protagonizadas pelos representantes da nação. A única coisa que salva a política brasileira da completa bancarrota é a existência de políticos honestos, que sempre ganham presentes de Natal do Papai Noel, além de belos ovos de chocolate do Coelhinho da Páscoa.

Conhecedora de alguns meandros da politicagem nacional, Fogo arquiteta um plano para se vingar de seu inimigo: o general Guilherme Kabikituz, chepoto da Asigob (Agência Secreta de Informações do Governo Brasileiro).

O general enviou três capangas superpoderosos para acabar com a vida de Beatriz da Costa (a Fogo, para quem não lembra), mas eles foram derrotados (*). Contudo, o erro do general foi ter esquecido que Fogo sabe de seu esquema de favores políticos. Será exatamente esse o caminho para sua vingança.

"Após se recuperarem da difícil luta, provavelmente os paus-mandados do general Kabikituz voltarão a Brasília para pôr em prática o plano que visa o beneficiamento um deputado amigo do general." — pensa Fogo, de forma bem didática — "Eles certamente invadirão o Congresso Nacional para destruírem livros-caixa que comprovam o envolvimento desse deputado com problemas sérios investigados por uma CPI."

Ela tem certeza de que isso ocorrerá pois leu no jornal da manhã que essas provas foram arquivadas para análise posterior da CPI exatamente hoje. Uma incrível coincidência bastante conveniente. Contudo, ela tem dois problemas: Como chegar a Brasília? E, não menos importante, como desmantelar esse esquema?

Fogo procura por vôos diretos para Brasília em todo o aeroporto, mas não encontra nada. Metade das companhias aéreas nacionais está falida e a outra metade está trabalhando apenas com a ponte aérea Rio-São Paulo. O desespero começa a bater na heroína brasileira. Ela precisa chegar com urgência no Distrito Federal para ter tempo de se infiltrar no Congresso Nacional.

De repente, ela se lembra que é uma terça-feira. Como o expediente dos deputados começa na segunda, certamente algum deputado do Rio estará viajando hoje para começar a trabalhar na quarta e voltar para casa no dia seguinte.

Beatriz encaminha-se até a área de decolagem de jatos particulares, mas é barrada por um segurança. Ela ainda estava com as roupas rasgadas por causa do embate contra os três vilões. Lembrando-se de uma idéia muito manjada, mas que geralmente funciona, ela vai até o banheiro feminino da área de desembarque e espera que apareça uma mulher com belas roupas para que ela possa se fazer passar por VIP.

Após aguardar um pouco, entra uma senhora imponente, com um belo blazer azul-marinho e óculos escuros. Fogo a derruba com um certeiro golpe na nuca (ensinado por ninguém menos que o Batman) e troca de roupa com ela. Claro que Beatriz sente-se culpada por estar fazendo isso, mas precisa desesperadamente chegar a Brasília e essa é a única forma. De qualquer maneira, a mulher no máximo vai levar um susto e achar que foi roubada.

Por via das dúvidas, Fogo verifica o nome da mulher para que depois possa pedir desculpas pessoalmente por todo o desconforto causado e explicar que aquilo tudo fora por uma boa causa. Nesse momento, ela vê que se trata de uma americana chamada Mary Goodfeelings. Não podendo perder tempo, ela sai do banheiro e corre de volta para a área de jatos particulares mesmo sabendo que essa poderá ser mais uma estrangeira com má impressão da violência brasileira.

— Miss Goodfeelings? — um rapaz jovem com um papel na mão aproxima-se de Fogo.

— Quem? Eu? — espanta-se Beatriz, ao ser chamada pelo nome da mulher que ela derrubara no banheiro feminino.

— Ué? A senhora sabe falar português?

— Er... no... these were just some words I've learned in your language. — tenta disfarçar.

— Ah, que pena. Eu não sei falar inglês então sei lá o que a senhora disse. De qualquer maneira, estão lhe aguardando. Cômi wífi mi, plis.

Fogo continua estranhando, mas resolve acompanhar o rapaz.

— < Bom dia, senhorita Bonssentimentos. A senhora aparenta ser bem mais jovem pessoalmente do que na televisão > (**) — cumprimenta, em inglês, um homem bigodudo de careca pronunciada.

— < Er... obrigada. Mas... o que o senhor deseja? > — Fogo tenta entender o que está acontecendo.

— < Perdoe minha falta de educação. Eu sou o deputado federal Jujuquinha das Candongas, representante do governo no Congresso e fui encarregado de levar a senhora até Brasília. Infelizmente o aeroporto de Brasília teve alguns problemas e a senhora precisou desembarcar no Rio, mas meu jatinho particular a levará diretamente à capital. >

— < Sim, claro. Que cabeça a minha... havia me esquecido... > — Bia tenta disfarçar — < Está tudo... bem... pronto para o que vou fazer? >

— < Claro, senhorita Bonssentimentos. O ministro da fazenda a aguarda ansiosamente. Sei que já tivemos uma visita do FMI há pouco mais de um mês, portanto agradecemos muito que a senhora possa ter feito essa visita especial para analisar nossas necessidades imediatas. >

Fogo finalmente se dá conta do que ocorrera. Ela nem tem tempo de imaginar quando descobrirem que há uma representante do FMI desmaiada no banheiro do aeroporto internacional do Rio de Janeiro, mas não tem como se preocupar com isso agora. Sua missão mais urgente é acabar com o esquema do general Kabikituz. E seu disfarce acabou saindo melhor que a encomenda.

Em Brasília, às 19 horas, Fogo (ou melhor, Miss Goodfeelings) chega e é recepcionada pessoalmente pelo presidente e o ministro da fazenda, além de um séquito de puxa-sacos. Segundo as regras da etiqueta política, um representante de governo só deve conversar com representantes estrangeiros em sua língua-pátria, sendo acompanhado por um intérprete. Claro que essa é uma boa desculpa para eles não mostrarem que não sabem inglês.

— Bem-vinda, senhorita Goodfeelings! — cumprimenta o presidente da República Federativa do Brasil.

— < Bem-vinda, senhorita Bonssentimentos. > — traduz o anônimo intérprete.

— < Obrigada pela recepção, senhores. > — Fogo tenta disfarçar o nervosismo de estar enganando os representantes máximos do governo.

— Obrigada pela recepção, senhores. — novamente traduz o intérprete.

— Intérprete, diz aí pra ela que a gente tem que ir logo resolver essas pendengas.

— < Convidamos a senhorita para debatermos o assunto que lhe traz a nosso país. >

— < Sim... mas... onde que conversaremos? >

— Onde conversaremos?

— Eu preferiria uma churrascaria, ainda mais com umas biritinhas...

— Senhor presidente! — intervém o ministro da fazenda — Não se pode brincar assim com uma representante do FMI...

— Liga não. Se a gente não entende essa língua enrolada, ela também não vai entender a nossa. Há há...

— < Er... o senhor presidente e o senhor ministro a convidam para conversar sobre os rumos da economia no Palácio do Planalto. >

— < Se não fosse incômodo, eu gostaria de conversar no Congresso Nacional. >

— Ela gostaria que a conversa fosse no Congresso Nacional.

— No Congresso? Esse povinho dos Estados Unidos é mesmo babaca. Pra que diabos ela quer conversar logo no Congresso? Que você acha dessa palhaçada, senhor ministro?

— Senhor presidente... ela é do FMI... eles são meio excêntricos. Se lembra quando eu te contei sobre aquela vez que o representante do Fundo mandou o último presidente tirar...

— Ah, não! Essa história de novo, não! Isso foi humilhante demais. Ainda bem que ainda não aconteceu comigo.

— Mas se eles mandarem, o senhor terá que obedecer. Até mesmo isso. Ou coisa pior!

— É... eu sei... bom... dos males, o menor. Até que conversar no Congresso não é tão ruim assim... fala aí pra essa esquisitona que a gente vai obedecer que nem uns cordeirinhos.

— < O presidente fica muito feliz de debater os rumos da economia brasileira com a senhorita no Congresso Nacional. Por favor, acompanhe-nos. >

Fogo nunca foi tão paparicada. Nem mesmo quando visitou certa vez seu fã-clube em Miami, ela teve tanta atenção e carinho. Todos seus desejos são atendidos. Ela chega a pedir para que o ministro pule num pé só, no que é prontamente atendida. Se não estivesse num disfarce, até poderia aproveitar para exigir que fossem feitas duas ou três medidas-provisórias em benefício de super-heróis brasileiros sem emprego.

Contudo, só mesmo uma coisa importa de verdade para ela: desmantelar o esquema do general Kabikituz. Mas, para isso, ela precisa se desvencilhar de todo aquele contingente de políticos que a segue.

Após uma reunião de duas horas a portas fechadas, Fogo promete ao presidente e ao ministro da fazenda que todas suas reivindicações serão atendidas. Ela pensa que com isso conseguirá sair rapidamente da reunião e terá a chance de procurar pela sala onde ficam guardadas as provas das CPIs. Porém, quanto mais ela diz aceitar, mas eles pedem:

— Será que ela poderia acrescentar mais um milhãozinho para a educação?

— < Gostaríamos de mais um milhão de dólares para investimentos em educação. >

— < Sim, claro. Já podemos ir? >

— Ela aceitou com prazer.

— E aí, senhor ministro? Viu como eu tenho moral? A dona está fazendo tudo que eu peço.

— Há algo muito estranho nisso, senhor presidente.

— Claro que não. É que eles finalmente me reconheceram como monumental líder em toda a América Latina.

— Mas acho melhor parar por aqui. Já conseguimos muito mais do que poderemos pagar.

— E isso é algum problema?

— É. Tem razão.

— Diz pra ela aí que também queremos umas bolas oficiais para jogar uma pelada no Alvorada.

— < Ele também gostaria da aquisição de material esportivo de primeira necessidade. >

— < Sabe de uma coisa? Estou de saco cheio! Não vou aceitar mais porcaria nenhuma! > — Fogo se irrita — < Vão todos pra &%$#@ > — levanta-se e sai da sala.

— O que ela disse, intérprete anônimo?

— Er... ela disse que estava meio indisposta e que... bem... ia a pé para o hotel e que não havia motivo de preocupação...

— Viu, senhor ministro? Essa é a prova de que é palhaçada saber inglês. É só contratar um tradutor.

Após muito procurar, Fogo finalmente encontra uma porta em que está escrito "Provas das CPIs". Certamente é o que ela procurava. A tranca não é problema, pois ela lança uma pequena chama que derrete o cadeado. Armada com uma pequena câmera de vídeo, que trouxe escondida no blazer, Fogo procura os livros-caixa que incriminam o deputado amigo do general Kabikituz.

Como a sala está praticamente vazia, é bem fácil encontrar o que ela procura: livros-caixa extremamente comprometedores em nome do deputado Jujuquinha das Candongas, o mesmo que ela conhecera no Rio de Janeiro.

Sem se preocupar sobre as possíveis conseqüências políticas, Fogo posiciona-se atrás de uma bancada preparada para filmar o roubo do material. Ela não precisa esperar muito até a chegada de Ghybsuino e Zé Piolho.

— Onde está esse maldito livro-caixa? — pergunta Ghybsuino bem baixinho para seu cupincha.

— Deve tá por aqui. O general Kabikituz mandou procurar bem e não sair daqui sem o troço.

— Tudo bem. Temos todo o tempo do mundo. Por falar nisso, muito obrigado por segurar seu sotaque perto de mim. Não estava mais agüentando.

— Falou, cara. É que se eu não segurar, você pode acabar desmaiando. E tu é muito grande preu te levar.

— Pena que a Maria Antonieta não pôde vir ajudar. As mulheres terráqueas costumam ser muito boas para encontrar coisas perdidas.

— Eu sei. Mas ela tá com dor-de-barriga depois de todos aqueles brioches que comeu lá no Rio.

— Ainda bem que o general acreditou quando dissemos que a Fogo foi pra bem longe.

— Pois é. Aquela mulé era muito da chata. Quase que ferrou com todo nosso esquema...

— Aqui! Achei!

— Belê! Agora é só levar issaqui pro general. Ele vai dar um fim nisso e vamos livrar o deputado amigo dele dos pobrema que podia ter.

Depois de passar a noite num apartamento funcional abandonado, Fogo vai até a sede da Asigob na Alameda das Agências Secretas.

— A senhorita voltou! Agradeço a nosso padim por ter a chance de ver toda essa formosura novamente! — o porteiro Severino cumprimenta Fogo com muita alegria.

— Ãhn... tá... obrigada. Eu precisava falar com o general Kabuquentúzi ou sei lá o quê.

— Sim. Pode ir. A senhorita já sabe onde é.

— Não vai me anunciar?

— Não precisa. A senhorita já é de casa. Além do mais, o interfone está quebrado mesmo.

— Obrigada.

— Até. Aguardarei ansiosamente pela volta da senhorita por essa mesma porta, quando lhe agraciarei com alguns versos de minha autoria.

— Tá... tá... até...

— General Kabrikruzes! — Fogo arromba a porta da sala do general Kabikituz.

— O que você está fazendo aqui? — assusta-se o general — Ghybsuino! Zé Piolho! Venham correndo para cá!

Os dois paus-mandados do general chegam rapidamente e se posicionam entre ele e Fogo.

— Calma, gente. Não quero brigar. Só vim aqui pra conversar.

— Conversar? Ah, entendo. Finalmente viu que as coisas no Brasil são como são e resolveu se juntar a nós de vez. Podem ficar tranqüilos, rapazes.

— Na verdade, eu só gostaria de mostrar algo para vocês.

— E o que seria?

— Tem vídeo nessa sala?

— Bom... eu tenho um DVD no meu home theater ali atrás...

Home theater? Numa repartição pública?

— Na verdade, é pessoal. Embora tenha vindo com parte do dinheiro do conserto do interfone...

— Um conserto de interfone custando o mesmo que um home theater???

— As coisas em Brasília são um pouquinho mais caras que no resto do país... mas não foi pra isso que você veio aqui! O que você quer mostrar?

— Essa fita! Claro que é apenas uma cópia.

Na falta de um videocassete, Fogo mostra a fita para os três em sua câmera mesmo. O general fica enfurecido e aparenta mudar de cor, atingindo um tom próximo do lilás. Mas Fogo acredita que seja apenas uma ilusão de ótica.

— Então... — o general consegue se acalmar e volta à cor normal — Suponho que você esteja querendo alguma coisa?

— Sim! Você na prisão!

— Não estou com tempo para brincadeiras! Fala logo o que você quer!

— Er... você na prisão.

— Mocinha! Eu sou um homem muito ocupado! Confesso que me descuidei! Diga logo o que você quer e a gente resolve isso de uma vez!!!

— Caraca!!! O que eu quero eu já falei!!! Você!!! Na!!! Prisão!!!

— Você... está falando sério? Hahahahahahahahaha...

— Por que você está rindo?

— Por nada... por nada... haha... — o general enxuga as lágrimas de sua gargalhada.

— Até já chamei a Polícia Federal, que está com a fita original!

— Hahahahahahahahahahahahahaha...

— Ah, aí estão eles!

Hahahahahahahahahahahahahaha...

— Ei, general... Tem uns dez policiais aqui... Você não vai parar de rir?...

HAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHAHA...

— Muito bom trabalho, cidadã! — o delegado responsável pela prisão do general Guilherme Kabikituz cumprimenta Fogo.

— Não fiz mais do que minha obrigação.

— Se todo cidadão agisse cumprindo seu dever, não teríamos mais problemas como esse.

— Que bom. Agora que o general foi levado em custódia, eu fico mais tranqüila.

— Acabei de receber um telefonema do ministro da defesa, que pediu que você voltasse aqui amanhã pois ele tem em mente uma colocação para você aqui na Asigob.

— Que maravilha. Agora eu sei que as intenções são sérias. Prometo que vou me esforçar ao máximo.

— Então, até mais, cidadã.

— Er... seu delegado...

— Pois não?

— Bom... nessa confusão toda...

— O que tem?

— Você teria uns trocadinhos pra me emprestar pro café?

A última noite foi maravilhosa para Fogo. Ela dormiu em outro apartamento funcional abandonado, mas estava feliz por ter finalmente feito algo de bom. Certamente todo seu trabalho não seria em vão, já que, além de ter conseguido se vingar do general Kabikituz, ela ainda conseguiu uma ótima oportunidade de trabalho na principal agência governamental de inteligência.

Antes de seguir para a Alameda das Agências Secretas, Fogo dá um pulinho na Alameda das Bancas de Jornal para verificar o que a imprensa estaria noticiando sobre o acontecimento do dia anterior. Contudo, ao parar em frente a uma das setenta bancas concentradas no local, ela toma um susto ao ler duas chamadas de capa:

GENERAL É NOVO EMBAIXADOR
O general Guilherme Kabikituz foi nomeado novo embaixador do Brasil na África do Sul. Após uma árdua análise, o Itamaraty concluiu que o comandante geral da Agência Secreta de Informações do Governo Brasileiro (Asigob) seria o melhor nome para assumir esse cargo.


CPI ENCERRADA POR FALTA DE PROVAS
Terminou por falta de provas a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) aberta para investigar acusações de sonegação fiscal e tráfico de influências contra o deputado federal Jujuquinha das Candongas, representante do governo federal no Congresso Nacional.


— A senhorita novamente aqui! Que alegria. Gostaria de ouvir agora meu cordel? Uma bela moça de cabelos verd... — Severino é derrubado no chão por Fogo, que entra com toda fúria na sede da Asigob.

Beatriz sobe até o terceiro andar pela escada (o elevador continua quebrado) e entra na antiga sala do general Kabikituz. A porta que ela derrubou no dia anterior continua no chão. Sentado em frente à mesa que pertencia ao general, está um jovem sorridente num terno bastante alinhado.

— Pois não. No que posso ajudar a senhorita?

— Eu... hein? Quem é você?

— Meu nome é Agostinho das Candongas.

— Candongas? Você é parente do deputado Jujuquinha?

— Sim. O titio arrumou essa colocação para mim como chefe da Asigob. Como posso ajudar a senhorita?

— Um minuto... estou um pouco confusa... o delegado ontem falou que teriam um cargo para mim...

— O delegado que cometeu a arbitrariedade de prender o general Kabikituz?

— Arbitrariedade?

— Sim, claro. Onde já se viu? Prender um amigo do presidente sem provas!

— Sem provas?

— Claro. Ele e todos os policiais que estava juntos já foram expulsos da polícia.

— Por causa disso?

— Não. Claro que não. Foi pura coincidência.

— Esse barulho... parecem galos brigando na sala ao lado...

— Esqueça o barulho. Isso não tem nada a ver com o que eu acabei de falar.

— Sim, claro... mas como eu estava dizendo... — de repente, Zé Piolho, Ghybsuino e Maria Antonieta entram na sala — Cuidado!

— Cuidado com o quê? Esses três são meus braços direitos. Isso é, se eu tivesse três braços. Há há há...

— Não estou entendendo mais nada...

— Nem eu. A senhorita quer falar logo que assunto a trouxe aqui?

— Não foi nada. Eu entrei no lugar errado. Foi mal.

Fogo sai da sede da Asigob extremamente chateada sob os "tchauzinhos" dos três agentes de campo e do novo responsável pela agência.

Do lado de fora, Fogo pensa novamente em como conseguir um emprego, já que a oportunidade que tinha acabara de sumir. Ela dá um pulo até a Alameda dos Botequins e senta para comer um ovo colorido com café.

— Sabe... — Fogo começa a se queixar com o dono do bar, que nem dá muita atenção — Eu sou bonita, talentosa, tenho superpoderes e até sou inteligente. Além disso tenho uma bela bunda. Poxa... tenho todos os atributos para me dar bem em qualquer emprego. Será que não existe nenhum emprego que exija meus atributos? Mesmo que não precisasse tanto assim de inteligência...

Nesse exato instante, o barman aumenta o volume da televisão, que apresenta o atualmente mais famoso grupo de axé music do Brasil, o Baixaria de Alto Nível.

— Abertas as inscrições para a nova dançarina do grupo Baixaria. As candidatas devem ligar para a produção do Domingo Maneiro. As únicas exigências são: idade maior de 18, bumbum maior que 80 centímetros e Q.I. menor que 120.

— É... — comenta Fogo, atenta à televisão — Enquanto há vida há esperança. Adoro meu país!


:: Notas do Autor

(*) Isso aqui é o final de um arco em três partes. Se você está começando logo pelo último capítulo, não vai entender quase nada. Portanto, vale a pena ler as duas últimas edições. voltar ao texto

(**) Para quem não conhece a linguagem cifrada dos quadrinhos, quando algo está entre um "<" e um ">", significa que o texto é a tradução de uma conversa em outra língua. No caso, do inglês pro português. voltar ao texto




 
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