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Por
Eduardo Regis
Fuga Negra Parte II Renascimento
Após longos anos, ele está livre. Com sua velocidade espantosa, mesclando-se às sombras e guiado somente pela sensação da fome, ele percorre as ruas de Nova York. Ele o deseja como sempre desejou! Só aquela pessoa pode dar a ele tudo o que precisa! Somente aquela pessoa é especial o bastante para satisfazê-lo agora! A cada homem pelo qual passa nas ruas, ele se excita, qualquer um pode ser a pessoa que procura. Ele não sabe mais onde achá-lo, nem como achá-lo. Passaram-se muitos anos, muita coisa mudou, ele está muito fraco.
Subitamente ele vê alguém. Um homem tão parecido. Muito parecido. A fome grita como uma besta, a fome se torna sua mestra e ele acata sua vontade! Ele ataca!

O Destruidor acaba de desferir um golpe na cara de um dos capangas do Rei do Crime com seu bastão flamejante. O homem cai desmaiado após revelar tudo que sabia para o demônio. O herói guarda seu bastão e se vira para o outro bandido, que está amarrado.
Sua vez de me falar alguma coisa diferente. ele fala, com sua sinistra voz que parece arder como as chamas do inferno.
O homem nada responde. O Destruidor percebe o terror nos olhos do bandido. Porém, seus olhos parecem atravessar o herói e ir mais além. Para o Destruidor, isso só pode significar uma coisa: há algo aterrorizante no telhado, e não é ele.
Rapidamente, saca seu bastão, e usando seus poderes, inflama-o enquanto se vira para encarar quem quer que seja essa terceira pessoa. Nem mesmo o Destruidor estava preparado para o que vê. Uma sombra gigante parece tomar conta de todo o telhado. Tentáculos começam a sair dela. Além disso, a criatura está de boca aberta, exibindo dentes afiados. No corpo da coisa, o Destruidor reconhece um símbolo familiar: uma aranha branca.
O simbionte. o Destruidor fala, enquanto salta para se desviar de alguns tentáculos, na verdade projeções do corpo do simbionte, que vêm em sua direção.
Ele salta e se teletransporta para um outro telhado, tentando fugir da criatura, mas assim que aparece no outro prédio, o simbionte surge novamente, e dessa vez consegue prendê-lo. O golpe é mais do que físico. Por alguns instantes, o simbionte cria um elo mental com o Destruidor e rouba um pouco da energia vital do herói para si. Os pensamentos dos dois se tornam um só, e o herói escuta em sua mente uma voz sinistra.
"Você parece tanto com ele! Parece tanto com o primeiro! Eu preciso da energia! Junte-se a mim! Junte-se! Deixe-me tomar o que preciso. Eu quero! Eu preciso!"
O Destruidor fica em choque por algum tempo, cada vez vai ficando mais e mais fraco, e o simbionte mais forte. Numa última tentativa de se livrar da criatura, se teletransporta o mais longe que consegue: para o topo de um prédio quase a perder de vista.
O herói demoníaco cai sem jeito em cima de um telhado, escorrega e entra em queda livre. Por instinto, se teletransporta para o chão e de lá vai se teletransportando até o lugar mais seguro que consegue pensar.

Casa dos Parker, agora.
Peter escuta o grito da filha e sai de seu quarto correndo. Assim que abre a porta, encontra May assustada e olhando fixamente para o Destruidor, que está desmaiado no chão do quarto.
May? O que é isso? Como o Destruidor veio parar aqui? Peter chega perto do vigilante caído.
Mary Jane entra pela porta logo atrás e também se espanta ao ver a cena.
Deus! O Destruidor? MJ fala Peter! Isso é culpa sua! ela aponta o dedo na cara de seu marido Droga! Você jurou por tudo que era mais sagrado que jamais traria esses malucos pra casa de novo!
Minha? Peter olha incrédulo para Mary Jane.
Parem de discutir! Eu quero saber por que ele me chamou de irmã! May olha séria para o pai.
Peter e Mary Jane param de discutir na hora e se entreolham.
Peter Parker! O que isso quer dizer? Se eu souber que você me traiu com alguém... com a Felícia, com aquela Rainha da Colméia, com qualquer uma... eu mato você! Mato! Mary Jane se descontrola É melhor ter uma boa explicação pra isso!
Peter abraça a mulher com força.
Claro que eu não fiz nada disso. Quando o Destruidor acordar, vai explicar tudo. Talvez tenha sido só um delírio. Calma, MJ. Por favor!
May fica sem ação. A noite se transformou em um pesadelo mesmo, ainda mais agora com seus pais brigando.
MJ, temos que ajudar esse homem. Ele pode morrer... Peter começa a falar e é interrompido.
Eu vou para o meu quarto, e você só ouse entrar lá novamente com uma boa explicação! MJ sai abruptamente. Ela sabe que Peter jamais deixaria de ajudar qualquer pessoa e, por isso, ela não espera ouvir explicações dele agora.
May chega perto de Peter. A jovem sente-se péssima por toda a situação.
P-pai! Eu não queria...
Depois conversamos sobre isso. Precisamos ajudar esse homem. Peter o levanta e o coloca na cama de May.
Por longos momentos, Peter faz os primeiros-socorros no Destruidor. Primeiro ele tira a camisa do uniforme. Os dois se espantam com o estranho corpo do Destruidor. Sua pele é pálida e coberta por diversas tatuagens. Peter checa a pulsação e procura por ferimentos, mas não acha nada além de contusões.
Não sei o que houve com ele, mas parece que ele só precisa de descanso. Vamos dar a ele algumas horas, e enquanto isso vou tentar conversar com sua mãe. Se ele acordar, me chame. Só isso! Nada de ficar de conversa com ele! fala Peter, mostrando-se bastante nervoso.
Pai, como ele soube quem eu era? May pergunta, preocupada; afinal, seu segredo é muito sério.
Já faz algum tempo que ele me revelou saber também o meu segredo. Achei que ele realmente era o fantasma de Matt, como dizem por aí, mas ele me garantiu que não. Peter fala, mas passa certa inquietação em sua resposta.
Ele sabe nossos segredos! Não sei se dá pra confiar assim nele e também... May começa a falar, mas Peter a interrompe.
Não queria falar nisso agora, mas acho que é melhor você saber logo. Ele vai acabar falando quando acordar, que seja por mim então. Eu sempre soube que ele estava te ajudando. Peter fala, se atropelando.
O quê?! Como assim?! May não entende bem as palavras do pai.
May, ele veio até mim preocupado com você, me disse que sabia quem éramos, que tinha um grande respeito por mim e, por isso, um carinho especial por você. Eu o disse que você não precisava de babá, mas ele já vinha olhando por você antes. Quando perguntou se eu queria que ele parasse... eu... pedi para que ele continuasse. Peter conta, enquanto se apóia no criado mudo.
Ei... peraí... então isso quer dizer que... droga! Você nunca confiou em mim! May fica furiosa.
Não é nada disso! May, esse mundo é perigoso! Você é tão nova, tão inexperiente... eu não posso sequer olhar por você! Eu sou um inválido! Não tenho uma perna! Imagine se algum inimigo chegasse perto de matá-la! Eu não seria páreo para ninguém, não poderia salvá-la! Não poderia salvar minha própria filha! Você não faz idéia do quanto isso me envergonha. as lágrimas caem do rosto de Peter.
Eu... eu... May fica sentida pelo pai e o abraça.
No dia que você derrotou Killerwatt no shopping, ele veio até mim e eu pedi que ele parasse. Ele também não via mais necessidade em continuar a controlar você como antes, mas ele jurou que nunca deixaria de ajudá-la. diz Peter.
Tem certeza de que isso é tudo? Ainda não entendi a razão dele se preocupar tanto comigo. May desconfia de que ainda há mais para o pai contar.
Não... tem mais uma coisa...
A janela do quarto de May se quebra. Os estilhaços voam enquanto May e Peter se desviam e se protegem como podem. A sombra negra do simbionte entra.
O simbionte de Venom! May, saia daqui! Peter salta para a frente da filha, mas se atrapalha com sua perna mecânica e acaba abrindo a guarda. O simbionte o abraça, envolvendo-o com seu manto negro. Em poucos instantes, eles se tornam um só. Peter levanta como se estivesse usando seu uniforme negro novamente, exceto pela boca e dentes afiados. O ataque do simbionte foi muito poderoso, ele não conseguiu resistir.
Nós vamos sair daqui! Agora que somos um de novo, ninguém é páreo para nós! Vamos provar que somos mais fortes, que ainda somos os melhores! Vamos provar que podemos proteger quem quisermos! Que podemos vencer quem quisermos! e Peter e o simbionte saltam pela janela do quarto de May.
Da porta do quarto, MJ só consegue ver a criatura saindo.
May! ela grita.
Mãe! É o Venom! Papai foi tomado pelo Venom! May fala, desesperada.
MJ não acredita no que escuta. Venom é o único vilão que realmente a assusta. Vê-lo novamente atacando e dominando Peter é demais para ela. Mary Jane entra em choque, e corre para as escadas.
Mãe! Aonde você vai?! May pergunta. Ela está extremamente confusa e perdida com a situação.
Vá atrás dele! Impeça-o de fazer qualquer bobagem! Eu vou procurar ajuda! Sei quem chamar! e MJ desce, procurando as chaves do carro.
May se vira para o Destruidor. O vigilante continua desmaiado e parece claro para ela que ele é a peça que conecta todos esses acontecimentos. Ela precisa que ele acorde, de qualquer jeito.
"Que inferno!" May pensa, enquanto tenta descobrir um jeito de acordar o Destruidor. Desesperada, ela sacode o vigilante várias vezes até que ele começa a dar sinais de consciência e abre os olhos.
May. Eu estou muito cansado. Ele sugou muita energia. Ele virá pra cá. Não aguento ficar acorda... e o Destruidor desmaia.
"Não dá pra ficar nessa! O Destruidor vai sobreviver se eu sair! Preciso correr atrás do meu pai e é já!" May pensa, pegando um novo uniforme no armário.

O novo Venom se balança pela cidade fazendo acrobacias e urrando:
Já sabemos pra onde vamos! A baleia vai pagar! Vamos mostrar para May que ainda somos os melhores! o Venom se balança até parar nas docas, onde entra em uma lancha da guarda costeira. Dois guardas estão na lancha, e tentam reagir, mas são derrotados facilmente pela criatura. Venom os prende em seus tentáculos e diz:
Quem quiser sobreviver vai nos levar para a Ilha Ryker! Agora!

May chega ao centro da cidade rápida como nunca. O problema agora é achar seu pai. Ela procura, procura, procura e nenhum sinal dele.

A criatura chega à Ilha Ryker. Ela escala as paredes da prisão e salta até o pátio central. Os guardas detectam a invasão e começam a atirar, mas o simbionte repele as balas com suas projeções em forma de tentáculos. Venom adentra o prédio dos prisioneiros e vai quebrando todas as celas, uma a uma, até achar a cela que deseja.

A Garota-Aranha percebe uma enorme movimentação de viaturas e helicópteros da polícia indo para as docas. Sem pestanejar, é para lá que se dirige.

Finalmente ele acha a cela, pára, e a toma por completo com sua grande compleição alienígena. Então diz:
Careca! Você hoje vai pagar pelas mortes que carrega nas costas! e arranca as grades.
O Rei do Crime salta de sua cama king size apenas para ver o Venom quebrando sua televisão, seu aparelho de som e sua poltrona.
Você tem regalias demais para um assassino! grita Venom.
Você não é Eddie Brock. Quem está aí? pergunta Wilson Fisk, avançando.
Advinha só, balofo! Seu amigão da vizinhança...
O Homem-Aranha! o Rei completa.
Vem, rolha de poço! Vamos pro pátio brincar! Vamos fazer você pagar pela morte de Matt! Vamos provar pra uma pessoinha especial que ainda podemos! fala Venom, enquanto arrasta o Rei do Crime para fora da cela com os tentáculos do simbionte.
Então é disso que se trata. Vingança e orgulho. fala o Rei.
Não! Trata-se do mais forte destruindo o mais fraco! Assim como naqueles documentários da Discovery que seus companheiros elefantes protagonizam. e Venom atira Wilson Fisk no chão do pátio.
Assim que os policiais percebem que o Rei é refém de Venom, é dada uma ordem para que cessem os tiros. Ninguém quer correr o risco de acertar um homem poderoso como Wilson Fisk.
Que seja, Homem-Aranha! Vamos lutar! o Rei fala, tirando a blusa do presídio.
O novo Venom pula para cima de Fisk e os dois começam a se socar. Mesmo velho, Fisk está longe de ser um homem frágil e despreparado, e prova ser um desafio até mesmo para o simbionte e seu espetacular hospedeiro. O Rei consegue empurrar Venom para longe e desferir uma série de socos que abalam a criatura. A criatura, porém, se recupera com uma rapidez impressionante, e volta a aplicar duros golpes em Fisk. A luta se estende por vários minutos até que, finalmente, Fisk não consegue mais suportar, e a superioridade de Venom fica clara. A criatura ergue Fisk e vai andando até os muros da prisão.
Agora é hora da boa ação ecológica! A baleia encalhada vai voltar para o oceano!
Nesse momento, helicópteros da polícia surgem sobre a ilha, jogando várias luzes no pátio.
Vocês! Parados! Aqui é a polícia de Nova York! diz um policial, do alto de um helicóptero.
Venom apenas ri e continua caminhando com o Rei em suas mãos.
A Garota-Aranha sai de baixo de um dos helicópteros, e salta para o pátio, caindo em frente à criatura.
Não! Você não vai fazer isso, pai! a Garota-Aranha grita.
Filhinha do papai! Não estrague seu presente! Venom fala. Ele parece estar realmente se divertindo.
Seu alien nojento! Eu sei que você está no controle! Meu pai jamais faria uma coisa dessas! May empurra a criatura.
Venom joga Fisk no chão e aperta o dedo indicador na testa da Garota-Aranha:
Você não sabe quem é seu pai! Ele também tem um monstro dentro de si, e advinha só: somos esse monstro! E somos um monstro muito feio, garotinha! Daqueles que o cavalheiro na armadura brilhante não consegue vencer, muito menos a donzela! Então... sai fora! Cansamos de você! Aliás, achamos que você está desobediente e mimada demais! Duvidando do papai e, ainda por cima, esnobando nosso presente. Hora da surra! o Venom dá um tapa nela. Com sua força descomunal, ele joga a heroína contra o muro. Rapidamente, May se levanta. Ela sente o gosto de sangue na boca, e um pouco de dor nas costas. Ela agora sabe que não resta outra opção, vai ter que lutar.
Conclui no próximo número.
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