hyperfan  
 

Garota-Aranha # 07

Por Eduardo Regis

Fuga Negra — Parte II
Renascimento

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Garota-Aranha
:: Outros Títulos

Após longos anos, ele está livre. Com sua velocidade espantosa, mesclando-se às sombras e guiado somente pela sensação da fome, ele percorre as ruas de Nova York. Ele o deseja como sempre desejou! Só aquela pessoa pode dar a ele tudo o que precisa! Somente aquela pessoa é especial o bastante para satisfazê-lo agora! A cada homem pelo qual passa nas ruas, ele se excita, qualquer um pode ser a pessoa que procura. Ele não sabe mais onde achá-lo, nem como achá-lo. Passaram-se muitos anos, muita coisa mudou, ele está muito fraco.

Subitamente ele vê alguém. Um homem tão parecido. Muito parecido. A fome grita como uma besta, a fome se torna sua mestra e ele acata sua vontade! Ele ataca!

O Destruidor acaba de desferir um golpe na cara de um dos capangas do Rei do Crime com seu bastão flamejante. O homem cai desmaiado após revelar tudo que sabia para o demônio. O herói guarda seu bastão e se vira para o outro bandido, que está amarrado.

— Sua vez de me falar alguma coisa diferente. — ele fala, com sua sinistra voz que parece arder como as chamas do inferno.

O homem nada responde. O Destruidor percebe o terror nos olhos do bandido. Porém, seus olhos parecem atravessar o herói e ir mais além. Para o Destruidor, isso só pode significar uma coisa: há algo aterrorizante no telhado, e não é ele.

Rapidamente, saca seu bastão, e usando seus poderes, inflama-o enquanto se vira para encarar quem quer que seja essa terceira pessoa. Nem mesmo o Destruidor estava preparado para o que vê. Uma sombra gigante parece tomar conta de todo o telhado. Tentáculos começam a sair dela. Além disso, a criatura está de boca aberta, exibindo dentes afiados. No corpo da coisa, o Destruidor reconhece um símbolo familiar: uma aranha branca.

— O simbionte. — o Destruidor fala, enquanto salta para se desviar de alguns tentáculos, na verdade projeções do corpo do simbionte, que vêm em sua direção.

Ele salta e se teletransporta para um outro telhado, tentando fugir da criatura, mas assim que aparece no outro prédio, o simbionte surge novamente, e dessa vez consegue prendê-lo. O golpe é mais do que físico. Por alguns instantes, o simbionte cria um elo mental com o Destruidor e rouba um pouco da energia vital do herói para si. Os pensamentos dos dois se tornam um só, e o herói escuta em sua mente uma voz sinistra.

"Você parece tanto com ele! Parece tanto com o primeiro! Eu preciso da energia! Junte-se a mim! Junte-se! Deixe-me tomar o que preciso. Eu quero! Eu preciso!"

O Destruidor fica em choque por algum tempo, cada vez vai ficando mais e mais fraco, e o simbionte mais forte. Numa última tentativa de se livrar da criatura, se teletransporta o mais longe que consegue: para o topo de um prédio quase a perder de vista.

O herói demoníaco cai sem jeito em cima de um telhado, escorrega e entra em queda livre. Por instinto, se teletransporta para o chão e de lá vai se teletransportando até o lugar mais seguro que consegue pensar.

Casa dos Parker, agora.

Peter escuta o grito da filha e sai de seu quarto correndo. Assim que abre a porta, encontra May assustada e olhando fixamente para o Destruidor, que está desmaiado no chão do quarto.

— May? O que é isso? Como o Destruidor veio parar aqui? — Peter chega perto do vigilante caído.

Mary Jane entra pela porta logo atrás e também se espanta ao ver a cena.

— Deus! O Destruidor? — MJ fala — Peter! Isso é culpa sua! — ela aponta o dedo na cara de seu marido — Droga! Você jurou por tudo que era mais sagrado que jamais traria esses malucos pra casa de novo!

— Minha? — Peter olha incrédulo para Mary Jane.

— Parem de discutir! Eu quero saber por que ele me chamou de irmã! — May olha séria para o pai.

Peter e Mary Jane param de discutir na hora e se entreolham.

Peter Parker! O que isso quer dizer? Se eu souber que você me traiu com alguém... com a Felícia, com aquela Rainha da Colméia, com qualquer uma... eu mato você! Mato! — Mary Jane se descontrola — É melhor ter uma boa explicação pra isso!

Peter abraça a mulher com força.

— Claro que eu não fiz nada disso. Quando o Destruidor acordar, vai explicar tudo. Talvez tenha sido só um delírio. Calma, MJ. Por favor!

May fica sem ação. A noite se transformou em um pesadelo mesmo, ainda mais agora com seus pais brigando.

— MJ, temos que ajudar esse homem. Ele pode morrer... — Peter começa a falar e é interrompido.

— Eu vou para o meu quarto, e você só ouse entrar lá novamente com uma boa explicação! — MJ sai abruptamente. Ela sabe que Peter jamais deixaria de ajudar qualquer pessoa e, por isso, ela não espera ouvir explicações dele agora.

May chega perto de Peter. A jovem sente-se péssima por toda a situação.

— P-pai! Eu não queria...

— Depois conversamos sobre isso. Precisamos ajudar esse homem. — Peter o levanta e o coloca na cama de May.

Por longos momentos, Peter faz os primeiros-socorros no Destruidor. Primeiro ele tira a camisa do uniforme. Os dois se espantam com o estranho corpo do Destruidor. Sua pele é pálida e coberta por diversas tatuagens. Peter checa a pulsação e procura por ferimentos, mas não acha nada além de contusões.

— Não sei o que houve com ele, mas parece que ele só precisa de descanso. Vamos dar a ele algumas horas, e enquanto isso vou tentar conversar com sua mãe. Se ele acordar, me chame. Só isso! Nada de ficar de conversa com ele! — fala Peter, mostrando-se bastante nervoso.

— Pai, como ele soube quem eu era? — May pergunta, preocupada; afinal, seu segredo é muito sério.

— Já faz algum tempo que ele me revelou saber também o meu segredo. Achei que ele realmente era o fantasma de Matt, como dizem por aí, mas ele me garantiu que não. — Peter fala, mas passa certa inquietação em sua resposta.

— Ele sabe nossos segredos! Não sei se dá pra confiar assim nele e também... — May começa a falar, mas Peter a interrompe.

— Não queria falar nisso agora, mas acho que é melhor você saber logo. Ele vai acabar falando quando acordar, que seja por mim então. Eu sempre soube que ele estava te ajudando. — Peter fala, se atropelando.

— O quê?! Como assim?! — May não entende bem as palavras do pai.

— May, ele veio até mim preocupado com você, me disse que sabia quem éramos, que tinha um grande respeito por mim e, por isso, um carinho especial por você. Eu o disse que você não precisava de babá, mas ele já vinha olhando por você antes. Quando perguntou se eu queria que ele parasse... eu... pedi para que ele continuasse. — Peter conta, enquanto se apóia no criado mudo.

— Ei... peraí... então isso quer dizer que... droga! Você nunca confiou em mim! — May fica furiosa.

— Não é nada disso! May, esse mundo é perigoso! Você é tão nova, tão inexperiente... eu não posso sequer olhar por você! Eu sou um inválido! Não tenho uma perna! Imagine se algum inimigo chegasse perto de matá-la! Eu não seria páreo para ninguém, não poderia salvá-la! Não poderia salvar minha própria filha! Você não faz idéia do quanto isso me envergonha. — as lágrimas caem do rosto de Peter.

— Eu... eu... — May fica sentida pelo pai e o abraça.

— No dia que você derrotou Killerwatt no shopping, ele veio até mim e eu pedi que ele parasse. Ele também não via mais necessidade em continuar a controlar você como antes, mas ele jurou que nunca deixaria de ajudá-la. — diz Peter.

— Tem certeza de que isso é tudo? Ainda não entendi a razão dele se preocupar tanto comigo. — May desconfia de que ainda há mais para o pai contar.

— Não... tem mais uma coisa...

A janela do quarto de May se quebra. Os estilhaços voam enquanto May e Peter se desviam e se protegem como podem. A sombra negra do simbionte entra.

— O simbionte de Venom! May, saia daqui! — Peter salta para a frente da filha, mas se atrapalha com sua perna mecânica e acaba abrindo a guarda. O simbionte o abraça, envolvendo-o com seu manto negro. Em poucos instantes, eles se tornam um só. Peter levanta como se estivesse usando seu uniforme negro novamente, exceto pela boca e dentes afiados. O ataque do simbionte foi muito poderoso, ele não conseguiu resistir.

— Nós vamos sair daqui! Agora que somos um de novo, ninguém é páreo para nós! Vamos provar que somos mais fortes, que ainda somos os melhores! Vamos provar que podemos proteger quem quisermos! Que podemos vencer quem quisermos! — e Peter e o simbionte saltam pela janela do quarto de May.

Da porta do quarto, MJ só consegue ver a criatura saindo.

— May! — ela grita.

— Mãe! É o Venom! Papai foi tomado pelo Venom! — May fala, desesperada.

MJ não acredita no que escuta. Venom é o único vilão que realmente a assusta. Vê-lo novamente atacando e dominando Peter é demais para ela. Mary Jane entra em choque, e corre para as escadas.

— Mãe! Aonde você vai?! — May pergunta. Ela está extremamente confusa e perdida com a situação.

— Vá atrás dele! Impeça-o de fazer qualquer bobagem! Eu vou procurar ajuda! Sei quem chamar! — e MJ desce, procurando as chaves do carro.

May se vira para o Destruidor. O vigilante continua desmaiado e parece claro para ela que ele é a peça que conecta todos esses acontecimentos. Ela precisa que ele acorde, de qualquer jeito.

"Que inferno!" — May pensa, enquanto tenta descobrir um jeito de acordar o Destruidor. Desesperada, ela sacode o vigilante várias vezes até que ele começa a dar sinais de consciência e abre os olhos.

— May. Eu estou muito cansado. Ele sugou muita energia. Ele virá pra cá. Não aguento ficar acorda... — e o Destruidor desmaia.

"Não dá pra ficar nessa! O Destruidor vai sobreviver se eu sair! Preciso correr atrás do meu pai e é já!" — May pensa, pegando um novo uniforme no armário.

O novo Venom se balança pela cidade fazendo acrobacias e urrando:

— Já sabemos pra onde vamos! A baleia vai pagar! Vamos mostrar para May que ainda somos os melhores! — o Venom se balança até parar nas docas, onde entra em uma lancha da guarda costeira. Dois guardas estão na lancha, e tentam reagir, mas são derrotados facilmente pela criatura. Venom os prende em seus tentáculos e diz:

— Quem quiser sobreviver vai nos levar para a Ilha Ryker! Agora!

May chega ao centro da cidade rápida como nunca. O problema agora é achar seu pai. Ela procura, procura, procura e nenhum sinal dele.

A criatura chega à Ilha Ryker. Ela escala as paredes da prisão e salta até o pátio central. Os guardas detectam a invasão e começam a atirar, mas o simbionte repele as balas com suas projeções em forma de tentáculos. Venom adentra o prédio dos prisioneiros e vai quebrando todas as celas, uma a uma, até achar a cela que deseja.

A Garota-Aranha percebe uma enorme movimentação de viaturas e helicópteros da polícia indo para as docas. Sem pestanejar, é para lá que se dirige.

Finalmente ele acha a cela, pára, e a toma por completo com sua grande compleição alienígena. Então diz:

— Careca! Você hoje vai pagar pelas mortes que carrega nas costas! — e arranca as grades.

O Rei do Crime salta de sua cama king size apenas para ver o Venom quebrando sua televisão, seu aparelho de som e sua poltrona.

— Você tem regalias demais para um assassino! — grita Venom.

— Você não é Eddie Brock. Quem está aí? — pergunta Wilson Fisk, avançando.

— Advinha só, balofo! Seu amigão da vizinhança...

— O Homem-Aranha! — o Rei completa.

— Vem, rolha de poço! Vamos pro pátio brincar! Vamos fazer você pagar pela morte de Matt! Vamos provar pra uma pessoinha especial que ainda podemos! — fala Venom, enquanto arrasta o Rei do Crime para fora da cela com os tentáculos do simbionte.

— Então é disso que se trata. Vingança e orgulho. — fala o Rei.

— Não! Trata-se do mais forte destruindo o mais fraco! Assim como naqueles documentários da Discovery que seus companheiros elefantes protagonizam. — e Venom atira Wilson Fisk no chão do pátio.

Assim que os policiais percebem que o Rei é refém de Venom, é dada uma ordem para que cessem os tiros. Ninguém quer correr o risco de acertar um homem poderoso como Wilson Fisk.

— Que seja, Homem-Aranha! Vamos lutar! — o Rei fala, tirando a blusa do presídio.

O novo Venom pula para cima de Fisk e os dois começam a se socar. Mesmo velho, Fisk está longe de ser um homem frágil e despreparado, e prova ser um desafio até mesmo para o simbionte e seu espetacular hospedeiro. O Rei consegue empurrar Venom para longe e desferir uma série de socos que abalam a criatura. A criatura, porém, se recupera com uma rapidez impressionante, e volta a aplicar duros golpes em Fisk. A luta se estende por vários minutos até que, finalmente, Fisk não consegue mais suportar, e a superioridade de Venom fica clara. A criatura ergue Fisk e vai andando até os muros da prisão.

— Agora é hora da boa ação ecológica! A baleia encalhada vai voltar para o oceano!

Nesse momento, helicópteros da polícia surgem sobre a ilha, jogando várias luzes no pátio.

Vocês! Parados! Aqui é a polícia de Nova York! — diz um policial, do alto de um helicóptero.

Venom apenas ri e continua caminhando com o Rei em suas mãos.

A Garota-Aranha sai de baixo de um dos helicópteros, e salta para o pátio, caindo em frente à criatura.

Não! Você não vai fazer isso, pai! — a Garota-Aranha grita.

— Filhinha do papai! Não estrague seu presente! — Venom fala. Ele parece estar realmente se divertindo.

— Seu alien nojento! Eu sei que você está no controle! Meu pai jamais faria uma coisa dessas! — May empurra a criatura.

Venom joga Fisk no chão e aperta o dedo indicador na testa da Garota-Aranha:

— Você não sabe quem é seu pai! Ele também tem um monstro dentro de si, e advinha só: somos esse monstro! E somos um monstro muito feio, garotinha! Daqueles que o cavalheiro na armadura brilhante não consegue vencer, muito menos a donzela! Então... sai fora! Cansamos de você! Aliás, achamos que você está desobediente e mimada demais! Duvidando do papai e, ainda por cima, esnobando nosso presente. Hora da surra! — o Venom dá um tapa nela. Com sua força descomunal, ele joga a heroína contra o muro. Rapidamente, May se levanta. Ela sente o gosto de sangue na boca, e um pouco de dor nas costas. Ela agora sabe que não resta outra opção, vai ter que lutar.


Conclui no próximo número.




 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.