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Por
Eduardo Regis
Fuga Negra Parte III Contos Proibidos
A luz dos helicópteros a ofusca por alguns instantes. Ela está de pé, próximo ao muro da penitenciária da Ilha Ryker, e à sua frente está seu pai, Peter Parker, tomado pelo simbionte alienígena. O Venom pisa no corpo desmaiado do Rei do Crime e começa a se aproximar da Garota-Aranha.
Desista, menininha! Você não pode conosco! Vamos te ensinar a ser mais boazinha e depois você vai voltar pra sua casinha de uma vez por todas e vai mimir! Ah, e não espere por papai, ele vai chegar tarde hoje! Venom gargalha.
A jovem salta em direção ao oponente e o acerta com um chute em cheio no peito, fazendo-o cambalear. Assim que os pés da Garota-Aranha tocam o chão, ela toma impulso e se joga para o alto, evitando o abraço mortal de Venom.
O orgulho do papai! Ahahah! o simbionte joga uma de suas projeções na direção de May e a agarra pelo pé direito. Com uma enorme força ele a puxa para baixo, jogando a heroína contra o chão.
Você está de castigo! E o seu castigo será rolar pelas pedras até o mar! o Venom agarra-a pela cabeça com apenas uma das mãos.
A Garota-Aranha ainda está um pouco tonta, mas consegue reagir e gira um chute no queixo do Venom, jogando seu corpo para trás com o impulso e se livrando das mãos da criatura.
Nem que eu tenha que machucar muito você, eu juro que você vai largar dele! May desfere uma seqüência de socos na cara do inimigo, mas é interrompida por um soco no estômago. Ela vai para trás com o impacto do soco. O gosto de sangue sobe à boca novamente.
Aí que tá, garotinha. Você não pode nos machucar. Nós somos demais pra você! o Venom se lança em direção à May, que gira o corpo e se desvia da investida. Usando o impulso do próprio Venom a seu favor, ela o joga contra a parede do pátio e para longe de Fisk.
A situação se faz favorável e, então, os guardas da penitenciária começam a disparar contra a criatura. As balas ricocheteiam nos tentáculos e no simbionte.
A gargalhada de Venom é alta e assustadora. Todos os guardas param. Agora eles têm certeza de que nada podem fazer para deter a criatura.
May pressiona o gatilho em seus lançadores-de-teia e faz uma rede gigante com a qual prende Venom. Em poucos instantes, porém, o simbionte começa a rasgar a prisão de seda.
May, May...pequena May. Você pediu por isso! ele corre em direção a heroína, projetando uma boa parte do simbionte para cima dela. May é mais rápida e salta para longe da investida do inimigo.
Sem chance de você me pegar nessa! a Garota-Aranha dá varias piruetas e vai parar próximo a vários halteres que estão colocados em uma parte do pátio. Ela agarra alguns e começa a atirá-los no Venom. Um dos halteres atinge violentamente o peito da criatura, que solta um grito de dor.
"Droga! Assim eu vou acabar machucando meu pai! Como eu vou fazer pra dar um jeito nesse simbionte sem feri-lo?" May pensa enquanto atira o último dos halteres, que acerta uma das pernas do Venom.
Agora nós vamos arrancar seus braços! o Venom atira de volta um dos halteres, mas a Garota-Aranha salta para se desviar. O Venom atira outro halter. Este último também passa direto pela aracnídea, mas acerta um dos helicópteros da polícia fazendo-o rodopiar no ar e começar a perder altitude. May olha preocupada para o helicóptero, que agora começa a se dirigir perigosamente para as rochas que ficam na costa da ilha. Ela dá um enorme salto e se adere à parte de fora do muro da penitenciária, de onde rapidamente começa a tecer uma grande teia entre duas torres de vigilância próximas. A teia ainda não está completa quando o helicóptero atravessa os limites dos muros e já fica perto de se chocar com o chão. May termina a rede e lança um fio de teia que se prende na traseira do helicóptero. Ela o puxa com um forte impulso e ele voa em direção a grande teia. O helicóptero se prende a rede, mas o impacto faz com que a estrutura das torres de vigilância ceda e as duas comecem a rachar.
Saiam daí agora!! May grita para os homens que estão nas torres. Enquanto os homens correm, ela salta em direção ao helicóptero e começa a descer, com a ajuda de suas teias, os dois tripulantes. Assim que os homens são colocados em segurança, as torres e parte do muro começam a ruir e tudo desaba no pátio. Antes, porém, a Garota-Aranha salta para um local seguro. May já cai procurando por Venom, mas ele não está mais lá.
"Argh! Ele me enganou! Me distraiu! E agora ?!" A Garota-Aranha mal termina o pensamento e é atingida por um violento soco nas costas. Ela é jogada para cima das ferragens do helicóptero e acaba se cortando sériamente nas costas.
A aracnídea se levanta zonza. "Meu sentido-de-aranha?! Ele não me avisou!" Repentinamente, Venom aparece na sua frente.
Mais um dos nossos talentos, nos tornamos um só com o ambiente. Você pode chamar de camuflagem, se quiser! a criatura a levanta pelo pescoço. Agora é só quebrar esse pescocinho e... mas o Venom é interrompido por May.
Acorda pai! Sou eu! Você não quer fazer isso comigo, não comigo! ela fala com uma voz rouca e baixa.
Por alguns instantes o semblante de Venom muda.
Jogo barato! Não caímos nessa! A criatura atira May para o outro lado do pátio. Ela desliza pelo chão ralando as costas feridas e deixando um rastro de sangue.
Falando em jogo...o jogo acabou pra você, queridinha! Você vai pra casa mimir ou vai apanhar mais?
May está sentindo suas costas pegarem fogo, sua visão está um pouco embaçada, mas mesmo assim ela se levanta.
Quer saber bocudo, eu já apanhei demais essa semana! Tá na hora de revidar nessa sua cara de meleca alienígena!
Os dois avançam ferozmente um em direção ao outro. Os corpos se ajeitam em posição de batalha e quando, finalmente, se encontram ocorre uma sucessão rápida e sobre-humana de socos e chutes. É uma batalha assustadora. May Parker tem que lutar e vencer o simbionte, mas ela também tem que manter ao máximo a integridade de seu pai. No entanto, ela não sabe se conseguirá. Ela só sabe, no momento, é que Venom está tentando assassinar um homem, e isso ela não pode permitir.
A luta continua por alguns minutos até que se ouve um barulho quase ensurdecedor e o Venom grita. May, por instinto, pula para longe da criatura. John Storm chega carregando consigo uma arma. Ele está acompanhado de um ser híbrido entre uma ave e uma skrull, que só pode ser Lyja (sua esposa), que volta a sua forma normal enquanto pousa.
Hora de largar do pé do meu amigo, Venom! Não sei como você fugiu das mãos da SHIELD, mas você não vai durar muito tempo contra a arma sônica que eu trouxe comigo. John fala apontando a arma para Venom.
Fósforo, você nos pegou de surpresa! Não vamos cair pela milésima vez nesse velho truque. Espero que tenha aprendido algo novo! o Venom salta em direção ao Tocha Humana. John o atinge com mais uma rajada da arma e nada acontece. O Venom soca o Tocha-Humana, parecendo ignorar as chamas, e o herói é lançado em direção ao mar.
John! Lyja grita enquanto se transforma novamente numa criatura alada e voa em direção a seu marido.
May se joga em direção ao Venom e o segura pelos braços, virando o corpo e jogando-o contra o chão.
Chega! Chega! a Garota-Aranha grita enquanto acerta a cara da criatura com vários socos.
O Venom segura os braços da aracnídea.
Você ainda não percebeu que é inútil? Somos muito mais poderosos do que você, garotinha. Não vai ter jeito de você nos vencer. Nem mesmo o Quinteto Fantástico pode conosco. ele gargalha deixando espirrar sua estranha saliva.
Você que ainda não percebeu. Eu não vou desistir nunca! Vou tirar meu pai daí nem que... May hesita em completar a frase.
Você não tem o que é preciso pra fazer isso, garotinha. O velho Parker te ensinou muito bem pra que você sequer realmente considere a possibilidade. Venom força o corpo de May, tentando afastá-la.
Tem razão, ele me ensinou muito bem. May se desvencilha de Venom e dispara várias teias de impacto dentro da boca da criatura.
O monstro se levanta enlouquecido. Sua boca e boa parte de sua cabeça e tronco estão cobertos por uma forte camada de teia que se abriu de dentro para fora dele.
May aproveita a chance e o ataca violentamente. Sua mente se concentra em seu objetivo: livrar seu pai daquela prisão viva. Ela não pensa em nenhum instante que aquela criatura possua qualquer traço da personalidade de Peter e, sabendo que não há outro jeito de ajudá-lo, ela o golpeia como nunca. O Venom tenta reagir, mas, com sua visão bloqueada, suas tentativas são infrutíferas. A criatura vai arrancando a teia, aos poucos, mas sempre com dificuldade. A Garota-Aranha continua golpeando. Socos no estômago e no peito, chutes nas pernas e nas costas. Mais e mais teia cobrindo o rosto. Venom lança seus tentáculos para prender May, e ela se desvia. Algumas vezes ela é presa, mas se solta e volta a golpeá-lo. Finalmente o monstro cai desmaiado.
John e Lyja se aproximam. Os dois estão molhados.
Vocês estão bem? a Garota-Aranha se vira para John e Lyja.
Sim. Devemos nos preocupar com Peter. Lyja se aproxima dos Parker com um estranho aparelho em mãos. Ela o liga e o aparelho começa a "sugar" o simbionte, aprisionando-o. Venom está preso novamente. Acabou. ela completa.
Não se preocupe. Ele provavelmente só está desmaiado. O contato com o simbionte sempre exaure as energias dos hospedeiros. Não é a primeira vez que acontece. John fala para May enquanto veste uma máscara do Homem-Aranha em Peter. Achei que ele ia precisar disso.
Tem certeza de que ele vai ficar bem? pergunta a Garota-aranha muito preocupada e abraçada a Peter.
Quase absoluta. Mesmo assim seria bom levá-lo conosco para Reed examiná-lo com mais calma. John responde.
Como vocês chegaram aqui? May pergunta.
Sua mãe, querida. Ela nos avisou do que tinha acontecido. Depois foi só seguir os helicópteros. Lyja responde.
Obrigado. Vocês dois ajudaram muito. Eu não sei como agradecer e...
Nem precisa. Esse homem é um dos meus melhores amigos John fala enquanto se abaixa para ajudar May a levantar Peter. Venha conosco, o Fantasticarro está parado logo ali e, além do mais, parece que você precisa de cuidados médicos também.

Algum tempo depois, na casa dos Parker.
John Storm foi muito bacana em deixar o papai aqui em casa e em me arranjar essas bandagens para as costas! May fala para M.J enquanto as duas velam o sono de Peter.
Ainda bem que tudo está ótimo. Ele vai acordar só um pouco cansado. Já você, senhorita, tem que ficar de olho nesse machucado! Mary Jane abraça a filha.
Graças a você que tudo está bem, mãe. Sabe, eu talvez tivesse conseguido parar o Venom, mas certamente eu machucaria o papai. Ainda bem que você chamou o quinteto...
Nós duas fizemos o que estava ao nosso alcance, querida. M.J a interrompe e se senta na cama, ao lado do marido.
É, acho que você tem...
May?! a voz sinistra do Destruidor corta a conversa.
Ele acordou, filha. Vá que eu fico com seu pai. M.J faz carinho na cabeça de Peter.
May fecha a porta do quarto dos pais e se dirige ao seu quarto.
Assim que ela entra, a face demoníaca do destruidor muda para a face de um jovem de uns vinte e tantos anos, sua pele assume uma tonalidade normal e as tatuagens somem. Estranhamente, May acha que aquele jovem lembra muito seu próprio pai. Ela não consegue esconder o espanto que está estampado em sua face.
Não se assuste, May. Meu nome é Reilly Tyne. Pode me chamar assim agora.
Reilly? May se espanta ainda mais.
Sim, como Ben Reilly. A semelhança não é obra do acaso. ele responde.
Mas Ben Reilly era meu Tio. Ele morreu anos atrás durante uma batalha contra o Duende Verde e...
Eu sou filho dele, May. Reilly responde se ajeitando na cama.
Mas então...você é meu primo?! May pergunta para si mesma.
É complicado. Pelo visto Peter não te contou a história toda...
Ahn? May fica cada vez mais perdida.
May, de certa maneira nós somos filhos do mesmo homem. Eu jurava que Peter já tinha te contado isso tudo, mas...agora que eu já comecei. Ben Reilly era um clone de Peter Parker. Eu sei que é difícil de acreditar, mas é a verdade!
Clone?! Mas meu pai nunca me disse que meu Tio Ben era um clone! Peraí! Você quer dizer...clone? Tipo uma cópia exata dele? May se atrapalha com as perguntas.
É, May. Eu não sei se tinha o direito de te contar isso, mas você precisa de uma explicação para tudo o que aconteceu. Reilly se arrepende de ter falado demais, mas continua. Ben Reilly era uma cópia idêntica de seu pai, até cada molécula.
Não. Tudo bem. Você fez o certo, confiou em mim. Ao contrário de outras pessoas. É que eu acho que a ficha ainda vai demorar pra cair. Vou precisar de uma longa conversa com meu pai pra saber direito essa história de clone. May se vira para a janela e enxuga os olhos com as mãos Não sei, é tão difícil acreditar que isso seja verdade. Quer dizer, é o tipo de coisa surreal que você não acredita que possa acontecer. Mesmo que seja com alguém como o Homem-Aranha. E é mais difícil acreditar que meu pai não tenha me contado. Tudo bem que realmente isso não é o tipo de coisa que sai por aí se contando, mas...Ah, eu já não sei de nada. Isso é muito estranho. Muito estranho!
"Meu Deus! De quem ele herdou os chifres e as parafernálias demoníacas? Segura a onda May. Não é hora!"
Eu sei. Desculpe por trazer tudo isso à tona. Eu vim aqui para tentar alertar Peter da volta do Simbionte e não para revelar segredos de família assim, mas o ataque do simbionte me deixou alterado. Acabei falando demais. Chamando você de irmã. Reilly tenta se justificar.
É. Foi um baita susto! Mas é...então, você é meio que meu irmão mesmo né. May se vira para Reilly enquanto pergunta.
É. Algo parecido com isso. Por isso que o simbionte me atacou, ele me achou muito parecido com Peter e, enquanto não achava o original, usou-me para recuperar suas forças. Ele me esgotou quase que completamente em pouquíssimo tempo de contato. Reilly se olha procurando ferimentos. Pelo que eu pude ouvir da sua conversa com sua mãe, já está tudo bem, não é? Quer dizer, Peter se livrou do simbionte.
Já! John Storm aprisionou o simbionte e meu pai está bem, mas...Ai! Eu não consigo não perguntar!E essa sua aparência? Esses chifres? Essa coisa toda? Da onde veio isso?! Isso não me parece herança de família! Ai, desculpa! Eu perguntei demais! Tenho que me controlar! É um problema! Minha mãe diz que é a idade, ela acha que passa. May se envergonha.
Tudo bem, May. Reilly sorri Quando eu era mais jovem eu descobri que era mais rápido, mais ágil e mais forte do que as pessoas normais. Além disso, eu sempre sabia dizer quando o perigo estava próximo. Eu, assim como você, sou um mutante. Esses poderes que você vê hoje, no entanto, vieram depois...
Depois? May interrompe.
Sim! São as marcas do demônio Zarathos. Ele tentou tomar meu corpo, mas essa é uma história que eu prefiro contar uma outra hora, para você e seu pai. Reilly sorri enquanto se ajeita novamente na cama.
Nossa! Zarathos?! Um demônio? May pergunta intrigada.
Ah, essa é um longa história...mas demônios existem sim!
Bom, parece ser uma história e tanto mesmo! Tenho certeza de que você vai poder contá-la melhor depois (mesmo que eu já esteja morta de curiosidade), afinal, você é meio que da família! Acho que vamos ter muito tempo pra conversar e aposto que você ainda deve estar muito cansado! Além do mais, preciso de um tempo pra digerir toda essa história. ela se aproxima da cama.
Reilly segura a mão de May. No passado, ele conheceu somente abrigos para jovens órfãos e violência. Agora, parecia que o futuro reservava ótimos momentos para ele. Ele tem um estágio no escritório de advocacia de Franklin Nelson e, May Parker, sua quase-irmã está disposta a aceitá-lo como um deles. Pela primeira vez ,ele sente que está perto de ter uma família.
"Finalmente um pouco de tranquilidade na minha vida".Reilly pensa.
May o ajuda a se sentar na cama enquanto promete vasculhar a casa procurando algumas roupas de seu pai e alguma coisa para comer. Ela ainda estranha um pouco que aquela figura, que a lembra tanto seu pai, possa ser o demoníaco Destruidor. Aos poucos, porém, ela vai esquecendo do vigilante e prestando cada vez mais atenção somente em Reilly, filho de seu tio e, praticamente, seu irmão. Uma coisa, no entanto, não consegue se ajustar em sua cabeça: o clone!
"Eita historinha difícil de engolir." May desliga a luz do quarto e desce para a sala carregando seu cobertor.
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