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Garota-Aranha # 09

Por Eduardo Regis

Cheiro de Problema no Ar
Parte I

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— Por que você nunca me contou sobre isso antes? — May coloca as mãos na cintura e se põe no caminho do pai.

— Porque não era uma boa idéia ficar enchendo sua cabecinha com essas histórias. Você, por acaso, está fazendo noção do quanto isso tudo é confuso? Como eu ia te explicar isso assim? — Peter se explica enquanto empurra May e faz seu caminho até o sofá da sala.

— Claro! O certo era você mentir pra mim sobre meu tio Ben. Deixa a menininha ficar pensando que o titio dela era um cara legal que, por acaso, também tinha poderes de aranha. Tá bom. Ela não precisa saber de nada mesmo! — ela se senta ao lado do pai e olha para ele com cara de poucos amigos.

— Ai, ai! Assim que o Destruidor pisou nessa casa eu sabia que ia dar nisso! May, o quê você quer que eu lhe diga? Desculpe-me? Eu só tentei proteger você de anos de confusão e problemas que, às vezes, nem eu entendo direito. — Peter se levanta do sofá e vai para a cozinha.

— Não, não! Não vai fugindo assim não. O que mais eu não sei, hein? Só falta você me dizer que eu sou filha de um Peter Parker de outra dimensão!— May tenta segurar o pai, mas Peter escapa e bate a porta da cozinha.

"Argh! Humph! Que ódio! Raiva! Por que ele simplesmente não me conta logo tudo?"

Muito bonito, Sr.Parker! Batendo a porta da cozinha na cara da filha! Quer saber? Vou me mandar! Vou sair por aí e torcer pra não topar com um maluco fantasiado prestes a revelar mais um incrível segredo da minha família pra mim!

Alguns minutos depois...

"Maravilhoso! Simplesmente fantástico! Lindo! Eu venho impedir que a sra. Magoo atravesse a rua e dê de cara com um ônibus e aonde eu enfio meu pé? Aonde? Na caca de cachorro mais nojenta da rua! Esse cheiro nunca mais vai sair do meu uniforme, talvez até se entranhe no meu cabelo! Ai! Como que eu vô pra escola fedendo a caca de cachorro?!! Típica sorte dos Parker! Você sai de casa pra evitar confusão e têm que voltar pra casa correndo pra limpar a bota! Porquê a droga do sentido de aranha não me avisou disso?!"

A Sra. Biggs fica parada olhando para a super-heroína tentando limpar a caca de cachorro da bota com um pedaço de jornal que estava voando pela calçada.

— Você está bem, meu filho?! — a gentil velhinha pergunta.

— Filho?! Eu sou a Garota-Aranha, minha senhora! — May responde enquanto procura por uma lixeira pra jogar fora o resto de jornal.

— Ah. Achei que fosse o Super-homem, só consigo enxergar um borrão azul e vermelho.— a Sra.Biggs ajeita os óculos e dá um sorriso.

— Senhora, já pensou em ir ao oftalmologista? Pode ser perigoso andar por aí desse jeito. — A Garota-Aranha joga, com cuidado, o papel sujo em uma lixeira próxima.

— Hein?! Você falou alguma coisa, Flash? Acho que você falou tão rápido que eu não entendi nada.— a senhora coça uma das orelhas.

A mão de May sobe até a testa num tapa. "Ninguém merece".

— Fique aqui que eu vou procurar um policial pra te acompanhar até em casa, certo?— May dispara um fio de teia e se balança a procura de um oficial de polícia.

— Ué! Não sabia que o Robin podia voar.— indaga-se uma confusa Sra.Biggs.

Algumas ruas longe dali...

Um celular toca.

— Alô! tá indo, tá indo! — fala uma voz feminina.

— OK! To me posicionando!— responde um homem claramente afoito.

Voltando para a nossa personagem principal...

May vira algumas esquinas e para no parapeito de um prédio de apartamentos. "Droga. Nenhum policial nessa cidade e aquela velhinha lá. Acho que eu vou ter que levá-la pra casa mesmo."

Vou me jogar!! — um grito de homem ecoa pela rua.

A Garota-aranha procura pela voz e vê, do outro lado da rua, um jovem andando pelo parapeito.

"Ah não! Hoje deve ser o dia mundial do escoteiro!"

Quer parar com isso, rapaz? Entra logo! — grita a Garota-Aranha enquanto se balança para o lado do rapaz, atravessando a rua.

— Não. Você não entende... eu não posso continuar vivendo. Minha vida é um fracasso, eu sou um fracasso e... mas que cheiro é esse?!— ele faz cara de nojo ao sentir um cheiro desagradável por perto.

— Fracasso? Fracasso sou eu que com agilidade de aranha, sentido de aranha, força de aranha, teia de aranha e tudo mais consegui pisar na caca de cachorro! -May se irrita.

— Ah. Então é esse o cheiro. Achei que...

— Achou nada! — a Garota-Aranha interrompe-o antes que ele fale alguma besteira.

— É. Não achei nada. — o rapaz anda um pouquinho para o lado.

— Bem, fedendo ou não, eu ainda sou a super-heroína da história e você não vai se jogar de lugar nenhum enquanto eu estiver por aqui. Por isso, entra logo e, por favor, me deixa ir pra casa limpar essa bota!— ela vai se aproximando do jovem.

Não! — o homem grita.

— Olha não adianta gritar assim, depois que você enfrenta o Rei Dragão você não toma mais susto com tanta facilidade. Pra dentro!— a Garota-aranha manda.

— É que eu sou um fracassado...eu vou ser demitido se não... — o homem exita em continuar a frase.

— Se não cair daqui e morrer! — May o segura pelo braço.

— Se não conseguir uma entrevista exclusiva com você pro Planeta Diário, de Metrópolis!— o rapaz puxa um gravador do bolso e um flash dispara de cima de um prédio próximo.

— Ei! O quê?!— a Garota-aranha se surpreende.

— Dê um tchauzinho para Kathy! Ela que me avisou que você tava chegando. Ela é minha fotógrafa! — o homem aponta para uma mulher loira em cima de um dos prédios.

Peraí!! Você fez esse número todo só pra conseguir uma entrevista? Você percebe que podia ter caído, ou pior, que eu posso estar aqui perdendo meu tempo com você enquanto eu podia estar em casa lavando minha bota?— responde uma Garota-aranha enfurecida apontando o dedo bem próximo a cara do repórter— Qual o seu nome?!

— Er...Charles Benson, prazer. — o jovem estende a mão para cumprimentá-la.

May vira a cara e aponta o lançador de teia para um dos prédios.

Ei!! Não, não! Você não pode ir embora assim! — Charles se desespera, segurando o braço da Garota-Aranha.— Eu vim de Metrópolis pra cá só pra isso. Você tá ficando famosa, depois que teve em Gotham então...nossa! Seu nome se espalhou pela costa leste tão rápido quanto o vento. Todo mundo quer saber quem é a "Garota-Aranha". Seria ela filha do Homem-Aranha? Irmã? Ou melhor, teria ela alguma relação com ele? Ou seria ela somente uma entusiasta, uma fã tentando homenagear o aracnídeo? Ela possui algum poder ou é tudo enganação? Ela realmente está do lado do bem? Ela é uma mutante? É verdade que ela recebeu uma proposta pra entrar na Liga da Justiça? Além do mais...— ele ia continuar, mas é interrompido bruscamente.

— Chega!— fala a Garota-Aranha.

— Isso é um sim?— Charles sorri.

— Não! Eu não vou dar entrevista nenhuma, nem adianta você vir cheio de truques pra cima de mim! E pode ir largando meu braço! — a Garota-aranha abre uma das janelas do prédio.

— Mas você não sabe como isso pode ajudar você. Você vai ter chance de falar tudo e mostrar ao povo quem realmente você é! Ei! Pra quê você abriu essa janela?!— Charles pergunta enquanto aperta mais e mais forte o braço da aracnídea.

— Pra isso! — a Garota-Aranha empurra Charles pra dentro do prédio e repentinamente seu sentido de aranha a alerta de perigo. Perigo vindo do alto. May fecha a janela rapidamente e mergulha do prédio em direção a rua, desviando-se de um ataque que destrói o parapeito onde ela estava.

Um robô humanóide acaba de destruir o parapeito com um soco, assim que ele se termina o golpe, se lança em direção à aracnídea.

Enquanto cai, a Garota-Aranha lança sua teia em um dos prédios próximos, mas o fio é rapidamente destruído por uma rajada laser disparada por outro robô, que está na rua. A heroína ainda tenta lançar outro fio de teia, mas um dos robôs a agarra durante a queda e os dois caem como meteoros em cima de um carro, destruindo toda a lataria do capô e amassando o motor.

"Meu Deus! Isso é matéria de primeira!" Pensa Charles Benson enquanto corre para as escadas do prédio, ansiando por chegar à rua.

A dor é tanta que anestesia. A Garota-Aranha não consegue sentir direito seu corpo, mas ainda assim ela sente os vários golpes do robô que vêm a seguir. Reagindo instintivamente, ela encosta no corpo metálico da máquina e a repele violentamente para trás somente com o toque de seus dedos.

"Ai! O que eu fiz?! Eu joguei ele pra trás sem nenhum esforço!" Quando May começa a se levantar seu sentido a avisa de um outro ataque vindo de trás. Ela se desvia pulando para o lado. Outro robô passa direto por ela. May joga sua teia e prende esse robô, girando-o e jogando-o contra a vitrine de uma loja. Manequins e sapatos voam para todo o lado.

O sentido de aranha enlouquece quando os dois robôs vêm para cima dela novamente, um de cada lado. May nem consegue reparar que seu sentido a avisa de um terceiro perigo enquanto está entre tapas e socos com os robôs.

Os dois robôs a seguram e jogam-na contra um dos prédios. A Garota-Aranha cai em cima de Charles que acabara de chegar na rua tentando não perder nenhum momento da sua "grande matéria". Os dois rolam pelo chão e antes que May possa reagir, algo surge por cima dos dois e tudo fica quase que instantaneamente negro. Eles são sugados violentamente pelo que parece ser um tubo, e acabam caindo em um local ainda sem iluminação. Enquanto May bate contra as paredes, inutilmente, eles podem ouvir o barulho de um ronco de motor e têm a nítida impressão de que estão se movimentando.

— Ótimo! Engolidos por uma baleia mecânica! Só falta encontrar o Geppeto por aqui! — May dá um soco em uma das paredes novamente — E essa droga ainda deve ser de vibranium, ou adamantium, sei lá!

— Ai...ai, ai! Que dor! Parece que eu fui pisado por um elefante. — Charles lamenta sua dor jogado em um canto qualquer da câmara aonde se encontram.

Elefante? Tenha mais respeito, seu jornalista maluco! Fui eu quem caiu em cima de você! E não se esqueça de que eu sou sua melhor chance de sair dessa enrascada! — ela tateia as paredes — Deve ter alguma falha em algum lugar desse troço...

— Onde estamos?— o jornalista pergunta tentando levantar, mas uma balançada (como uma curva) o faz ir de encontro ao chão.

— Boa pergunta, Sherlock! Por que você não entrevista a parede e pergunta? Ai, como eu preferia estar em casa com o papai agora...

— Você tem pai? — Charles procura a Garota-Aranha em meio a escuridão, mas nada vê.

— Que tipo de pergunta foi essa? É uma pegadinha ou algo assim? É claro que eu tenho pai! — a Garota-Aranha começa a subir para o teto da câmara.

— E é o Homem-Aranha?

— Não, não é o Homem-Aranha, nem o Tocha Humana, nem o Tornado Vermelho (Ei! Acho que esse era um andróide), enfim, não é ninguém que você conheça! Aliás ele já morreu! Quando eu falo "papai" quero dizer a foto dele, sabe como é. — ela desconversa.

— Sei. Ainda bem que você não resolveu ser vilã. — Benson solta uma risadinha.

— Hein?! — May não entende.

— Mentindo mal desse jeito. Ahauhauahuaha, não ia durar cinco minutos!

— Acho que você ainda não percebeu que podemos ficar trancados aqui para sempre, ou pior ainda, que estamos trancados em um lugar fechado e eu até agora não consegui limpar minha bota.

— Arghh! Agora que você falou subiu o cheiro. — Charles bota a mão na boca tentando segura a ânsia de vômito.— Acho que não é de cachorro não, esse futum só pode ser de gato!

A prisão dos dois (que parecia nitidamente estar se movendo) agora parece parar. Barulhos de engrenagens e de portões se abrindo recepcionam a Garota-Aranha e Charles enquanto lentamente uma das paredes da câmara começa a se abrir revelando uma fraca iluminação...


Continua.




 
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