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Garota-Aranha # 10

Por Eduardo Regis

Cheiro de Problema no Ar
Parte II

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A porta se abre e revela uma grande sala de chão e tetos metálicos e paredes espelhadas. Os dois saem da câmara onde estavam presos apenas para descobrir que sua prisão se tratava de um estranho caminhão de lixo.

— Um caminhão de lixo? — a Garota-aranha coça a cabeça.

— E robôs e uma sala esquisita. Tá tudo muito estranho! — Charles fala enquanto olha ao redor.

— É! E eu tô com a impressão de já ter visto aqueles robôs em algum lugar, mas sei lá. Depois de ver tanta coisa estranha a gente passa a confundir algumas.

— É verdade. Acredite, o Planeta Diário têm tradição em publicar coisas estranhas. Super-Homem, Brainiac, Lanterna Verde, essas coisas que você conhece bem. Todos esses personagens fantasiados e incomuns.

— Obrigado pelo elogio. — ela começa a se aproximar das paredes espelhadas.

— Não foi bem isso que eu quis dizer. — Benson tenta se retratar.

— Quer saber? Acho que temos coisas mais importantes no momento. Por exemplo: sair daqui desse buraco! — May dá um soco na parede para testar sua resistência e nem mesmo consegue uma rachadura.

— Acho que isso é uma má notícia.— o jornalista conclui.

A Garota-Aranha apenas vira a cara para ele.

Uma das paredes começa a brilhar chamando a atenção dos dois. A luz se torna mais e mais intensa até que pisca umas duas ou três vezes e uma imagem fora de foco se forma. Aos poucos a imagem se torna mais e mais nítida.

Nas residências Novaiorquinas...

Todos os canais saem do ar deixando milhares de Nova Iorquinos irritados. A programação retorna como um estalo, mas ela está um pouco diferente...

De volta a ação!

A imagem se revela sendo a cara sorridente de um jovem homem loiro usando óculos escuros.

— Boa noite, Aracnídea, bicão e Nova York! — a imagem fala em alto e bom som.

— Nova York?! — a Garota-aranha e Charles se entreolham.

— Sim, sim! Nesse momento toda a cidade está assistindo ao fantástico show do Jogador Maluco! Estrelando: você, Garota-Aranha!!!

— Ah não! — May abaixa a cabeça — Que dia! Que dia!

— Cidadãos!!! Neste momento temos uma vítima prestes a entrar no reality show mais alucinante dos últimos trinta anos! A Garota-Aranha será guiada a um corredor com seis portas e cada uma delas leva a um lugar diferente. O jogo é muito simples: ela escolhe uma porta e entra e todos nós assistimos ela morrer! Milhões já foram movimentados em aposta só nesses momentos iniciais. Qual porta ela escolherá? Quanto tempo ela vai durar?! O que o bicão fará enquanto isso? Aliás, quem é você? — o jogador maluco abaixa um pouco os óculos escuros e olha direto para o repórter.

— Charles Benson, repórter do Planeta Diário. — ele responde temeroso.

Ótimo! Ainda por cima teremos cobertura da imprensa ao vivo! Charles, pode pegar seu bloquinho e começar a anotar tim-tim por tim-tim da morte da chata-aranha! — ele ajeita os óculos — Garota, isso é por ter atrapalhado meu esquema e por ter destruído minha gangue "game-over"! Agora vou montar na grana em cima do seu cadáver! Ahahahaha! — a imagem desaparece.

— E agora? — Charles pergunta.

Uma das paredes se abre para um corredor bem iluminado aonde pode-se ver seis portas.

— Agora você fica aqui enquanto entro nesta porcaria de corredor e tento dar um jeito de tirar a gente dessa doideira.

Casa dos Parker

Peter tira a televisão da tomada quando vê Mary Jane se aproximando.

— Pete, tá na hora daquele programa que eu gosto, daquele cara que vai nas festas das celebridades, o John Edwards. Hoje a Crawford vai aparecer!

— Ihh, M.J. A televisão pifou. — Peter aperta o botão do controle remoto repetidamente e, é claro, a TV não liga — Amanhã de manhã eu chamo um técnico pra dar uma olhada nela.

— Putz! Que azar...

No corredor do Jogador Maluco

A Garota-Aranha entra no corredor e para assim que chega ao meio dele.

"Sentido de aranha, vamos lá! Nunca precisei usar você pra isso, mas acho que vai funcionar! Diga-me em qual porta eu vou encontrar menos perigo!"

Ela se concentra deixando o sentido de aranha se tornar seu único guia. Seus olhos estão fechados e sua mente focada somente no tilintar incessante da aranha. É como se uma teia mental se expandisse de seu corpo e seus fios tocassem todas as portas. Os fios vibrariam, cada um em um ritmo diferente dizendo a aranha o quanto de perigo cada uma oferece.

"Opa! A porta número quatro. Essa é a que faz o meu sentido disparar menos. É a porta que eu devo abrir."

Ela toca na porta número quatro e a voz do Jogador Maluco volta a preencher o ambiente.

— Não... Não! Se eu fosse você escolheria outra porta. Você não sabe dos perigos horríveis que estão aí dentro! Ah! Pensando bem, escolha essa mesmo! Pena que sua morte vai ser tão rápida que não vai ter a menor graça!

A Garota-Aranha abre a porta e se depara com uma grande sala coberta por fios que a atravessam em todas as direções.

— Hein?! — ela se espanta.

Beeeem viiindaaaa! Bem vinda à sala "por um fio". A brincadeira é muito simples: encostou em um fio, levou uma descarga suficiente pra matar toda a China! Todos os fios têm uma sensibilidade fantástica a qualquer toque.É um jogo eletrizante! Apostem! Apostem! Qual a cor do fio no qual ela morrerá? Quanto tempo ela durará? O que o bicão estará fazendo agora? Ahaha!

"Há! Qualquer toque, né? Com meu sentido de aranha isso vai ser moleza!"

A Garota-Aranha começa a pular e se desviar de vários fios até que finalmente um clarão toma conta do salão, seguido de um forte barulho e um grito da Garota-Aranha. Ela cai no chão e tudo se silencia.

Ahhhhhhh!!! Ela morreu! Senhoras e senhores! A aracnídea mor-reu! E morreu no fio roxo! Ahuauahuahauha! Eu não acredito! Sr. Chambers, desligue a armadilha da sala imediatamente, eu mesmo vou lá retirar a máscara da aranhazinha!

Charles Benson estava de olho na porta da sala. Lágrimas vêm aos seus olhos. Ele não pode acreditar que aquele seja o fim da Garota-Aranha e da única esperança dele sair de lá vivo.

Uma portinhola se abre em uma das paredes da sala. O jogador maluco aparece com seu terno branco e cabelos presos. Ele vem rindo e, quando chega junto do corpo da heroína, retira os óculos escuros e cerra os olhos.

— Povo de Nova York! É hora da grande revelação do show! Quem está por trás da máscara da Garota-Aranha?! Será uma figura conhecida? Será uma anônima qualquer? Será que ela tem quelíceras? Será que é linda? Feia? Velha? Nova?

O jogador se abaixa para retirar a máscara quando a Garota-Aranha se vira e toca nele, se aderindo, e o levanta por cima de seu próprio corpo.

Eiii! Mas você não pode ter sobrevivido àquele choque!— o jogador se debate.

— Isso porque, seu doido, eu não encostei no fio. Foi minha teia, que por sinal é um ótimo isolante. E desviar dos outros fios foi moleza pra quem pode pressentir o perigo.

Pressentir o perigo?! Isso não vale! É contra as regras! — reclama o jogador.

— E agora pra virar o jogo é hora de usar um truque novo em você! — May o repele de seu corpo arremessando o Jogador contra os fios. Ele vai arrebentando todos até se chocar violentamente contra o teto e começar a cair. A Garota-Aranha apenas espera e o agarra antes que ele atinja o chão. Agora ela o tem em mãos, e ele está totalmente abalado pelo golpe.

Charles vibra da porta da sala.

Yeah!! Mandou muito!

— Hora de ir pra cadeia! Você me escapou uma vez, mas não escapa duas! — May fala enquanto o deita no chão e começa a cobri-lo de teia. — Valeu pelo apoio, Charles!

— Sr. Chambers! Sra. Locke! — o Jogador grita.

Quando a Garota-Aranha acaba de enrolá-lo na teia os dois robôs passam pela mesma portinhola que o vilão havia usado.

— Ah não! Esses robôs chatos de novo, não! — May salta pelos fios para se desviar da investida dos inimigos — Ei! Charles, ainda quer ganhar aquela entrevista exclusiva?

— Claro! — ele grita.

A Garota-Aranha desvia de um soco do Sr. Chambers e dá um chute na Sra. Locke.

— Irgh! Com a bota suja! Ainda bem que você é só um robô! Nada que um ajax não limpe! Não o marciano, o desinfetante!

O sr. Chambers desfere um chute que acerta a Garota-Aranha jogando-a alguns metros pelo ar.

— Ai, ai! Charlie, então faz o seguinte: abre todas as portas do corredor e se manda pro caminhão de lixo. Agora!

— Tá bom! — Charles faz exatamente o que a Garota-Aranha pede enquanto a luta continua dentro da sala dos fios.

Quando ele começa a correr para o caminhão de lixo, dá o recado final a Garota-Aranha:

— Pode mandar ver!

May se adere a Sra. Locke e a usa como escudo contra os golpes do outro robô. Aproveitando-se de um breve momento de distração, que ela ganhou ao acertar um chute bem colocado no Sr. Chambers, a Garota-Aranha se vira e atira a Sra. Locke direto na sala oposta a sala na qual estão.

Charles vê um dos robôs voando de uma sala para a outra e, logo depois, uma enorme sucessão de explosões.

"Menos um!"

Nossa heroína se livra de um oponente, mas abre a guarda para o outro e é atacada ferozmente. O robô a acerta um poderoso soco, jogando-a no corredor.

Ela começa a se levantar quando seu sentido de aranha a avisa do ataque fulminante do Sr. Chambers. O Robô salta e cai com todo seu peso sobra a aracnídea. Ossos estalam.

"Ai!" — Charlie começa a ficar apreensivo com o rumo da luta.

— Vai, Aranha! Eu sei que você pode com esse robozinho meia-boca!

O inimigo da aracnídea desfere uma seqüência de socos que acertam em cheio o rosto de May. A lente do visor direito se quebra.

A Garota-Aranha reage segurando com força o "pescoço" do robô. Ela faz uma força incrível e, então, a peça se parte. A "cabeça" do inimigo fica nas mãos de May, enquanto o resto da máquina cai, sem força.

"Ainda bem que eu desconfiei que o pescoço dele fosse a parte mais fraca do corpo. Tava difícil tirar aquela coisa de cima de mim."

Ela se levanta e anda até o jornalista.

— Ei! Olhos azuis,é? — Charlie brinca apontando o dedo para o olho direito de May, que está à vista.

Apartamento de Charles Benson, na manhã seguinte

"...e assim a Garota-Aranha nos levou em segurança para fora do covil do Jogador Maluco e entregou o maníaco as autoridades competentes. Um final digno para uma aventura estonteante com a super-heroína símbolo de uma nova geração."

— Gostou da matéria, Clark? Espero que sim, afinal foi você quem me deu a idéia de ir atrás de uma exclusiva com a Garota-Aranha. — Charlie rodopia com a cadeira.

— Grande matéria, Benson. Gostei muito da entrevista, muito mesmo. — Clark para a cadeira de Charlie — Quer dizer que essa Garota-Aranha é incrível?

— Incrível? Ela é demais! Detonou os caras com tranqüilidade, e ainda demonstrou uma baita inteligência e capacidade de raciocínio rápido! Além do mais, tem um olho azul lindo! Deu pra ver quando parte da máscara rasgou. — Charlie dá uma piscadinha para Clark. — Quer saber? É o tipo de pessoa que a gente quer que esteja por aí ajudando a gente! Pena que o Clarim vive pegando no pé dela, mas acho que é meio que tradição por lá, né?

— É. É sim. — Clark Kent coça o queixo — Achei muito interessante essa Garota-Aranha, muito mesmo.

— Que bom! Bem, minha opinião é: recomendada! — Charlie dá uma piscada para Clark.




 
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