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Garota-Aranha # 11

Por Eduardo Regis

Uma Pedra no Caminho
Parte I

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Mais uma linda manhã no Queens e May Parker está totalmente atrasada para o colégio. É o preço que se paga por levar uma vida dupla, de noite apanhar de vilões com nomes ridículos e, de dia, chegar tarde no colégio e ouvir sermão da mãe e do pai.

A Garota-Aranha dá um salto e pára no jardim de uma casa. Assim que ela aterrisa, começa a correr para pegar impulso e pular para o teto de uma outra casa, mas percebe que está sendo observada.

Tim nunca imaginou que veria a Garota-Aranha cara-a-cara. No alto dos seus 10 anos de idade era quase um sonho realizado ter um super-herói no jardim. Ele simplesmente não estava acreditando, e sua boca aberta não deixava dúvidas quanto a isso.

— Ops! Parece que você está com problemas de controle de aranhas no seu jardim. Não se preocupe, pois essa aqui já está se mandando! — May se prepara para saltar quando seu sentido de aranha dispara loucamente.

"Baita problema!"

Repentinamente, uma sombra se forma sobre a casa de Tim. Os dois olham assustados para o alto apenas para perceberem que uma nave em forma de crânio e com tentáculos está pairando sobre os dois. A Garota-Aranha salta para cima de Tim, pegando-o em seus braços e o jogando para o lado poucos momentos antes de um raio cair sobre o exato local onde o menino estava.

— Garoto, eu não sei quem é você, mas seus problemas vão além de aranhas no jardim! Tem uma caveira voadora gigante te caçando. Olha, acho que nem eu consegui me meter numa fria dessas. — May salta com Tim em seus braços para outro jardim.

— Bem...qual o seu nome?— ela pergunta.

— Tim! — o menino responde desesperado.

— Tim! Olha, Tim, a gente vai pular e rodopiar muito. Se der vontade de vomitar pelo amor de Deus se segura!

A nave começa a se movimentar seguindo os passos dos dois. Diversas rajadas de raios laser são disparados contra a Garota-Aranha e o menino, mas ela consegue se desviar de todos.

"Abençoado seja o sentido de aranha!"

Um raio atinge uma árvore jogando o tronco na rua, quase em cima de um carro que passava.

— Tim, é melhor a gente dar um jeito nessa caveira antes que ela destrua metade da cidade. Ou seja, perdi minha aula.

— Você assiste aula? — Tim se surpreende. Para ele, super-heróis não iam a escola.

— Por isso que é "Garota" e não "Mulher-Aranha", mas eu assisto bem menos aulas do que eu deveria. — May salta para o alto de uma casa e salta novamente, dessa vez para um poste de luz. A nave continua atrás, perseguindo e atirando.

Uma rajada atinge a base do poste.

— Se segura, Tim! — A Garota-Aranha se joga para trás. Com uma das mãos ela segura o garoto e com a outra tece um fio de teia que se prende ao poste. Jogando o corpo para trás no ar, ela puxa o poste para o lado oposto da rua, evitando um acidente. Porém, a manobra os deixa expostos. A nave lança outro raio, este atinge o peito da Garota-Aranha, que é jogada para trás. A heroína voa para trás sem largar do menino e o coloca contra seu corpo, rolando por cima dele sobre o chão.

— Ai, ai, Tim! Essa doeu.

— Você tá bem? — Tim se preocupa.

— Tô. — A Garota-Aranha se levanta com Tim no colo e começa a correr, desviando de mais raios.

— Será que não acaba a pilha desse treco? E será que só eu vi uma caveira voadora? Cadê os Vingadores? Quinteto? Qualquer um?

A nave começa a subir e desaparece entre as nuvens.

A Garota-Aranha para um pouco e coloca Tim no chão.

— Tim. Essa foi por pouco. Acho que aquela nave finalmente desistiu de pegar você.

— Será?— o menino se anima com a possibilidade.

— Saber mesmo não dá né, mas pra que ela ia subir? — May responde enquanto olha o uniforme queimado pelas rajadas laser.

— É.— Tim concorda.

— Pois é, Tim. Hora de levar ...

A Garota-Aranha perde a fala ao sentir seu sentido de aranha. Ela salta e agarra Tim novamente, mais uma vez salvando-o de um raio que atinge o chão implacavelmente. A nave se revela novamente, dessa vez logo abaixo das nuvens.

Ela, então, percebe a razão da manobra da nave. Logo à frente começam os prédios.

"Droga. Ela subiu pra não bater nos prédios. E eu achando que ela tinha ido embora."

May segura Tim e dá o salto mais alto que pode. Quando ela atinge o ápice do pulo, dispara um fio de teia que acerta com precisão a quina de um prédio próximo. A Garota-Aranha começa a balançar carregando o garoto.

— Temos que arranjar um jeito de sair da cidade. Essa coisa vai ficar jogando raios pra todos os lados!

A Garota-Aranha dá uma pirueta e Tim escorrega. O garoto começa soltar o pescoço da aracnídea, mas ela o agarra e o coloca de volta.

A estranha nave lança um outro raio em direção a Garota-Aranha, ela desvia, mas o raio acerta uma caixa de correio na rua abaixo e começa a puxá-la. Uma seqüência extremamente rápida desses raios é disparada e a aracnídea é presa por um deles. May tenta se soltar desesperadamente, mas a força do raio é imensa. Ela começa a disparar várias teias e se segura nelas, impedindo seu avanço, mas já é tarde demais e um dos tentáculos da nave os envolve. O raio é desarmado.

O tentáculo de metal que os envolve exerce uma força incrível. May protege Tim encobrindo-o com seu corpo, mas mesmo assim o menino começa a sufocar. A nave rapidamente sobe e muda de direção.

"Droga! Tenho que sair daqui. O Tim não vai resistir. A pressão é muito forte."

Ela tenta abrir o tentáculo, mas a falta de apoio torna a tarefa muito difícil. May tenta girar o corpo para se apoiar no próprio tentáculo, mas ele a envolve mais e impede a manobra. A Garota-Aranha então encosta suas mãos no metal e usa seu poder de repulsão para empurrá-lo. Funciona. O golpe é forte e a pressão cede. Ela e Tim entram em queda livre, mas a nave tenta agarrá-los novamente, desta vez, sem sucesso.

VOOOOOOOOOOOOOOOOOM

É o barulho que passa pelos ouvidos de Tim enquanto ele cai. As ruas e os prédios de Nova York vão ficando cada vez maiores, ele procura pela Garota-Aranha no ar, mas não a acha. De repente ele é agarrado. A Garota-Aranha o segura novamente e começa a cair junto dele. Ela vira seu corpo de maneira que ela fique por debaixo de Tim e usando seus dois lançadores de teia faz um pára-quedas. A violência do mergulho é brutalmente reduzida.

Assim que chegam à altura dos prédios, a Garota-Aranha lança sua teia e se balança com Tim até o chão.

— Vamos nos esconder dela por enquanto. — May fala enquanto abre um tampão de bueiro de esgoto.

"Ai! Bem que o Reilly me disse ontem que era para eu parar de ir pra escola me balançando! Olha no que deu!"

Os dois entram apressados no escuro túnel.

— Ok. Ok. Estamos no esgoto. Fede e é escuro, mas é melhor do que levar tiros daquela nave esquisita. — May fala tateando sua barriga.

— Sorte que eu tenho uma lanterna no meu cinto — ela aperta um botão e sua lanterna ilumina o túnel.

— Achei que fosse morrer quando caímos — Tim tapa os olhos com as mãos.

— Ei, Tim. Não precisa ter vergonha. É normal sentir medo. Eu também morro de medo dessas coisas. — May abraça o garoto, tentando confortá-lo.

— Mas você tem esses poderes todos aí.

— É verdade, Tim. Eu tenho poderes, mas isso não faz eu me sentir diferente de você quando estou numa situação ruim. Nessas horas a gente deve... ei! Peraí! — ela tira um cartão do cinto — Mansão? Mansão dos Vingadores? Alguém responde!!

— Srta. Aranha, quem fala é Jarvis.— responde o experiente mordomo.

— Jarvis, meu querido! Dá pra avisar pro pessoal aí que tem uma nave gigante me perseguindo pela cidade?!

— Sinto informar, senhorita, mas os Vingadores não se encontram nem mesmo na Terra neste momento. Posso contactar os outros reservas e tentar acionar a Liga da Justiça. — Jarvis sugere.

— Faz isso então! Obrigada!

A tampa do bueiro treme e ouve-se um estrondo. Os dois olham para cima.

— Chamei reforço! Alguém deve chegar logo. Agora, me conta uma coisa...o que aquela nave quer com você?

— Não sei, não sei mesmo. — Tim abraça a Garota-Aranha mais forte.

— Tim, eu sei que é difícil, mas você tem que tentar lembrar de alguma coisa. Só assim eu vou poder te ajudar.

— Mas eu não sei! Eu tava brincando no meu jardim desde de manhã cedinho. Eu vou viajar hoje à tarde pra casa do vovô, e aí não fui à escola. — Tim procura por algo nos bolsos.

— Que foi? — May pergunta

— Achei que tinha perdido, mas tá aqui.— Tim coloca a mão em um dos bolsos.

— Que isso?

— Uma coisa que eu achei no jardim...

Outro raio parece explodir na rua acima dos dois.


Continua!




 
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