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Garota-Aranha # 12

Por Eduardo Regis

Uma Pedra no Caminho
Parte II

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O menino tira uma estranha pedra de um dos bolsos da calça. Quando ele a estende para a Garota-Aranha, a pedra começa a brilhar levemente. May olha bem de perto para a estranha pedra cinza. Mesmo com pouca luz, ela percebe estranhos desenhos na pedra, como se fossem circuitos.

— Circuitos? — a Garota-Aranha pensa em pegar a pedra, mas no momento em que a toca, seu sentido de aranha dispara.

— É isso! É isso que a nave quer! Tim, posso ficar com isso?

— Ei, mas é minha pedra! — o menino reclama.

— Por favor Tim! Sem isso, eu aposto que você poderá voltar pra casa sem problemas. Vamos combinar o seguinte: você me dá a pedra, eu subo e atraio a nave pra longe da cidade, aí você sobe e procura um policial, está bem? — May faz carinho na cabeça do garoto.

Tim olha desconfiado por alguns momentos.

— Tem certeza disso? Você não tá querendo ficar com minha pedra não, né?

— Claro que não! Eu juro! — ela beija os dedos cruzados.

— Certo. — Tim responde.

May pega a pedra e abre o bueiro. Ela dá um tchauzinho para Tim e pula para a rua. Assim que seus pés tocam o asfalto, um raio cai ao lado dela.

"Uau. Não perdemos tempo"

A nave está sobrevoando junto aos prédios. No chão, ao redor do bueiro, May vê várias marcas de raios. Ela corre pela rua e salta para um poste de luz, do poste ela dá outro salto até um mastro, aonde ela faz uma manobra e se joga em meio aos arranha-céus, tecendo sua teia e se balançando.

A perseguição continua por alguns minutos, até que a nave começa a descer por entre os prédios quando eles entram em uma avenida mais larga. Os tentáculos metálicos começam a se aproximar de May. Ela tenta acelerar, mas seu esforço parece inútil. A nave já está muito próxima quando um borrão azul e vermelho passa ao lado da Garota-Aranha. A nave sobe bruscamente. Ao lado da aracnídea, surge uma mulher loira de uns trinta e poucos anos voando. Impossível não saber que se trata da Mulher-Maravilha. O uniforme e a figura são facilmente reconhecíveis.

— Jarvis nos contactou. O que aconteceu pra nave de Brainiac atacar você? — pergunta a Mulher-Maravilha — Deixe-me dar uma carona. — Ela segura a aracnídea e começa a voar carregando-a. Ela passa a voar mais alto para dar espaço para uma nave em forma de morcego que passa no sentido contrário.

— Até a Mulher-Morcego veio! — May se espanta.

— É. Só assim pra ela sair de Gotham. — a Mulher-Maravilha pousa com May em um prédio.

— Mulher-Maravilha, temos que sair de perto da cidade. Essa coisa está atirando pra tudo quanto é lado. Essa nave já deve ter destruído meia Nova York! — a Garota-Aranha se exalta em sua preocupação.

— Calma. O Super tá ganhando tempo pra gente. Me explica o que tá acontecendo.

— Não sei ao certo. Eu tava passando quando vi a nave começar a atacar um garoto, aí ,lógico, fui ajudar o menino. Corri com ele pela cidade toda e nada. A nave continuava atrás da gente. Até eu descobrir que ela tá atrás disso. — May mostra a estranha pedra.

A Mulher-Maravilha se espanta.

— Um pedaço dos circuitos originais de Brainiac. Mas nós o destruímos e recolhemos todos os pedaços...

Uma voz sai de um aparelho preso ao cinto da justiceira.

— Eu disse que não tínhamos resgatado todos. Super-homem, leve a nave para fora da cidade. Mulher-Maravilha, pegue a Garota-Aranha e nos encontre na saída oeste. Temos que entrar na nave e desligar sua bateria central. É a única maneira de desativarmos o programa de reestruturação de Brainiac. Não podemos deixar de maneira alguma que a nave tome posse deste circuito, ou então, a matriz neural de Brainiac irá reiniciar seus arquivos no computador da nave. Mulher-Morcego desligando.

— Ei, um comunicador em alto-falantes! — a Garota— Aranha comenta.

— É. Vamos logo, ela odeia quando a gente demora. E a gente odeia quando ela reclama. — a Mulher-Maravilha dá uma piscada para May e a carrega no vôo novamente.

— Espero que não se importe, mas vamos bem rápido. — A amazona voa em uma velocidade impressionante e em poucos minutos elas já estão chegando à saída oeste da cidade. Ao longe é possível notar a batalha entre os justiceiros e a nave.

— Morcego, como iremos desligar a bateria? — pergunta o Super-homem, e mais uma vez a conversa é transmitida pelos alto-falantes.

— Você fará um buraco na fuselagem da nave e entrará. Eu e o restante vamos conter a nave enquanto isso. Lembre-se que você deve entrar rápido, pois a fuselagem tende a se reconstituir em segundos. Espere as outras chegarem para entrar em ação.— responde a Mulher-Morcego.

A Mulher-Maravilha e a Garota-Aranha chegam ao local da batalha.

— Chegamos, Super. Pode ir! — a Mulher-Maravilha grita para o companheiro enquanto voa para um dos tentáculos da nave.

— É. Vai lá! — May grita e começa a prender alguns tentáculos metálicos com uma rede de teia.

O Super-homem voa até a fuselagem da nave e faz um buraco com repetidos socos. Quando ele se prepara para entrar um dos tentáculos se solta da rede de teia e o atinge, jogando-o para trás.

"Oh-oh! O buraco vai se fechar e essa coisa vai acabar causando mais estrago." A Garota-Aranha salta e joga a pedra para a Mulher-Maravilha.

— Segura aí, Maravilha! — May sobe no casco e mergulha para dentro da nave poucos instantes antes da fuselagem começar a se fechar.

A pedra, porém, nunca chega a cair nas mãos da Mulher-Maravilha. Um dos tentáculos é mais rápido do que ela. A matriz neural de Brainiac começa a ser reiniciada.

A Garota-Aranha cai dentro da nave. O ambiente metálico é coberto de fios e circuitos. Todos os fios parecem convergir para o centro, onde também está uma peça que brilha uma leve aura verde. May acha que essa peça parece ser a bateria. Um chiado baixo pode ser ouvido constantemente, e. às vezes, é possível ver alguns estalos elétricos, quase como sinapses. May vai se desviando dos fios até chegar a bateria. Mesmo com a luta e a nave balançando, andar e manter o equilíbrio não é problema para alguém com poderes de aderência.

"Ok, Ok. Isso brilhando verde parece mesmo ser a bateria. Agora o que eu faço? É só tirar ela daqui? Droga! Eu devia ter um daqueles comunicadores!"

May começa a estender os braços para segurar a bateria. Seu sentido de aranha dispara.

"Bem, vai ver eu vou acionar um sistema de autodestruição se tirar isso, mas o que tem de ser feito, tem de ser feito."

Ela segura a bateria e sente um violento encontrão.

Subitamente, o ambiente ao redor muda de configuração e agora a sala está totalmente verde. O horizonte é definido por uma infinita linha branca, e o chiado não pode mais ser ouvido. Um estranho rosto surge no ar. É a face de Brainiac.

— Carregando arquivos: aranha. Garota-Aranha. Não consta. Procurar similares: aranha. Homem-Aranha. Vigilante. Associado aos Vingadores. Consta como inimigo. Reconhecimento visual: semelhança. O que você deseja? — uma voz sintética ecoa.

— Ahn? Pode ser sair daqui?

— Negativo. Sua matriz neural será adicionada à minha. Não há possibilidade considerável de resistência. Em breve sua matriz original será apagada. Repito: o que você deseja?

— Matriz apagada? Isso não pode ser bom! Acho que eu vou ter que apagar essa sua cara de despertador digital antes! — a Garota-Aranha aponta para o rosto de Brainiac.

— Improvável. Meu intelecto é muito superior ao seu, baseado em tecido animal. Você não deve resistir a minha matriz. — a face não muda de expressão em nenhum momento.

— Foi impressão, ou você me chamou de burra? Eu não preciso de um supercomputador no lugar do meu cérebro. A gente, baseado em tecido animal, tem uma coisa muito mais forte: teimosia!

— Conceito inapropriado para a questão.

— O que você quer? — May pergunta tentando se aproximar da face, mas, ao andar, ela percebe que não sai do lugar.

— Tarefas prioritárias: reiniciar a matriz neural. Adicionar tudo à matriz e apagar as matrizes originais.

— Quê?! Você quer apagar tudo? — ela se espanta.

— Tarefa prioritária. Esse é meu objetivo. Apagar tudo e reconstituir a matriz da maneira que minha configuração demanda.

— Nem vou perguntar que maneira é essa. Como eu faço pra sair daqui?! — May tenta novamente chegar perto de Brainiac, mais uma vez sem sucesso.

— Fuga improvável. — dos três círculos na testa de Brainiac saem três fios que se ligam a cabeça da Garota-Aranha. No momento em que eles se conectam, ela sente um segundo encontrão.

— Sua matriz em breve será apagada. — a voz sintética anuncia.

— Não mesmo, seu robô maluco! Eu tenho que sair daqui, tenho que parar você! A Liga tá lá fora lutando pra que eu consiga destruí-lo e agora eu entendo o motivo. Nenhum palhaço vai apagar a matriz aonde eu vivo! Ninguém vai apagar as pessoas que eu amo! — ela agarra os fios que a conectam à Brainiac e começa a puxá-los. A dor é quase insuportável.

— Esforço inútil — Brainiac fala e uma carga elétrica é despejada em May.

As mãos da Garota-Aranha tremem, mas ela não larga os cabos.

— Eu sei muito bem o que você estava fazendo, me enrolando enquanto seu sistema reinicia. Enquanto você ainda não estiver reiniciado por completo você não tem força total, e sem força total você não vai conseguir me derrotar! — May puxa mais uma vez os cabos. A corrente elétrica atravessa seu corpo deixando-a com uma estranha sensação de dormência. Por um momento ou dois, ela acha que vai desmaiar. A lembrança de seu pai salta à sua mente:

"Com grandes poderes vêm grandes responsabilidades, May. Nunca deixe ninguém morrer porque você não agiu."

— Não. Eu vou agir e pessoas vão viver!! É por isso que eu faço o que eu faço, pai! Não por medo que elas morram, mas por esperança que vivam!!! — May grita e arranca os cabos. Tudo fica negro, e, num piscar de olhos, ela volta a ver a sala como antes. O chiado preenche seus ouvidos novamente. Ela está em pé, parada, e com a bateria nas mãos. A bateria não mais brilha, pois agora está desconectada.

A nave parece pousar lentamente. May escuta barulho de golpes e rapidamente uma fenda se abre no casco da nave. Uma mão amiga se estende para ajudá-la a sair, a mão do Super-homem.

— Uau. Essa foi quase. — ela fala enquanto salta para fora da nave.

— Muito bem feito, Garota-Aranha. Você foi muito corajosa em entrar dentro da nave desse jeito. — Super-homem fala.

— Super-homem deveria ter entrado. Sua ação quase possibilitou que Brainiac se reiniciasse. Jogar o circuito daquela maneira foi imprudente. — a Mulher-Morcego salta de seu jato.

— Ei, ei! Deu certo, não deu? — May se defende.

— Por acaso. — a Mulher-Morcego responde olhando diretamente para May.

— Para de ser injusta. A menina fez bem seu trabalho. — a Mulher-Maravilha toma partido da Garota-Aranha.

— Bem, façam como quiserem. Preciso voltar para Gotham. Meu recado já foi dado. — a Mulher-Morcego retorna para seu jato.

— Não ligue para ela. — a Mulher-Maravilha encosta a mão no ombro de May.

— Tudo bem. Eu já sei como ela é. Foi assim também quando encontrei com ela pela primeira vez. Difícil. — May fala levantando um pouco a máscara para respirar melhorar.

— Não a culpe. Ela não era assim, mas ela teve que assumir uma responsabilidade muito grande. Não é fácil honrar o manto do morcego. Ela perdeu muito da jovialidade que tinha antes... — Super-homem fala olhando para o batjato enquanto este decola.

— Bem, acho que eu devo agradecer a vocês. Me livraram de uma fria!. — May faz um sinal de positivo com o dedo.

— Garota-Aranha, eu queria te parabenizar pela sua atuação contra o tal Jogador Maluco e contra Brainiac hoje. Gostei muito da sua motivação, da sua esperança em salvar vidas. — o Super-homem fala sorrindo — Eu e os outros membros da Liga estamos considerando você para se juntar a nós em caráter de treinamento, o que acha?

May é pega de surpresa pela proposta.

— Eu?!

"UAU! Tão me convidado pra entrar na Liga! Alguém me belisca!"

— É, você! — a Mulher-Maravilha sorri.

"Droga! Vou ter que recusar!"

— É que eu já sou uma vingadora reserva!

— Ora, isso não é um clube fechado com regras tão rígidas assim. Sua associação à Liga não iria atrapalhar em nada sua associação aos Vingadores. É claro que você teria que atuar como membro reserva enquanto mantiver a dupla associação, mas não vejo problema nisso.— diz o Super-homem.

— É! Faz o seguinte: vai pra casa e pensa sobre o assunto. Se quiser conversa com os Vingadores também. Certo? — a Mulher-Maravilha faz um sinal de ok.

— Claro. Você não precisa responder agora — o Super-homem completa.

"Opa! Pode ser! Pode ser! Quem sabe? Um pouco aqui e um pouco lá. Ninguém pode negar que aprender com o Super-homem é uma boa oportunidade. Nem o Mainframe vai poder dizer que é uma idéia ruim."

— Tá bom. Obrigado. — a Garota-Aranha responde ainda um pouco abalada pela surpresa.

— Quer uma carona até a cidade? Não tem muitos prédios por aqui. — a Mulher-Maravilha pergunta.

— Precisa não, Mulher-Maravilha. Obrigada. Daqui eu pego a ponte. — ela aponta para uma ponte próxima.

— Tá bem. Até logo. — a amazona voa.

— Até mais, Garota-Aranha. Quando tiver sua resposta nos comunique. — o Super-homem vai até a nave e a eleva por sobre os ombros, então ele começa a voar, carregando-a.

May fica sozinha entre as árvores e arbustos. Ela abaixa a máscara e vai chegando mais perto da ponte.

"Nossa. Que manhã! E eu perdi a aula, de novo."




 
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