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Garota-Aranha # 13

Por Eduardo Regis

Joguinhos — Parte I
Um Namorado Para May

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Davida Kirby vê sua amiga May sentada em um dos bancos do refeitório. O olhar de May parece atravessar Brad Miller.

— Não sabia que ele tinha voltado, né?

— Ai! Que susto! — "Difícil se acostumar com alguém chegando perto de você de surpresa quando se tem um sentido de aranha". May quase deixa seu copo de suco cair.

— Parece que ele ficou um tempão numa clínica, e mesmo que ele vá perder esse ano, resolveu voltar. Sabe como é, tentar reestruturar a vida. — a amiga senta-se ao lado de May.

— Ele tá certo. Eu que devia sair dessa. — May dá um gole no suco.

— Ei. Não fique assim, menina! A Davida aqui tem uma idéia genial pra você! Sabe a Sra. Stone? Minha vizinha? Então, você tem que ver o sobrinho dela! O cara veio para cá fazer faculdade e é simplesmente M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O!

— Tipo? — May se interessa e se vira para Davida.

— Tipo uma coisa meio Deus grego misturada com galã de filme, sabe? Um cara gatíssimo! Olha, vou te falar menina, todas as mulheres da rua estão loucas pelo cara. — Davida ri.

— E você tá aí achando que ele vai se interessar por mim?

— Acordar Parker! Você é filha de Mary Jane Watson! Sua mãe comandou as passarelas! Sua genética só diz ao seu favor! Você tem lindos olhos azuis, cabelos negros estonteantes e um rostinho daqueles de parar trânsito!

— Ahhhff. — May ignora a amiga e se vira para seu suco novamente.

— Presta atenção sua boba: a Sra.Stone é amiga da minha mãe, e ela e o gato vão jantar lá em casa hoje! Como eu e você temos uma prova daquelas de geografia amanhã, você vai estudar lá em casa! — Davida sorri.

— Droga. Meu suco acabou. — May se levanta.

— Isso é um sim?

— E tem jeito? — May bate com os ombros.

— Yeah! — Davida comemora.— Ei! As 7 lá em casa! Ah! Se der leva o gato do Reilly!

May acena fazendo que entendeu e continua andando em direção a cantina.

"Assim ninguém vai acreditar que a gente vai estudar..."

Mais tarde...

— Ah não! Sem condições! Mas eu não vou usar essa roupa nem que a vaca suba pelas paredes! — May reclama enquanto passeia pelo seu guarda-roupas.

— Cuidado. Nessa casa é bem capaz dela subir. — a voz de Reilly surpreende a jovem Parker.

— Reilly?! Veio jantar conosco? — May pula para abraçá-lo.

— Não, mas é uma boa idéia. Na verdade eu vim falar sobre uma coisa com seu pai. — Reilly começa a olhar o guarda-roupas também. — Vai sair com um menino?

— Vou! Quer dizer, mais ou menos. Mas me conta o que você veio falar! — ela fica curiosa.

— Usa essa blusa daqui ó. Muito bonita. — ele tira uma blusa do cabide e joga na cama. — Bem, meu assunto com Peter não é segredo, mas também não é nada demais. Segure sua curiosidade, menina! — Reilly vai saindo do quarto.

— Chato. — May dá lingua quando ele vira de costas.

— E para de me dar lingua! — ele grita das escadas.

"Nossa. Estou ficando previsível."

Demora um bom tempo, mas finalmente May fica pronta. Ela desce as escadas e surpreende Mary Jane, que estava arrumando algumas coisas na sala.

— Uau! Estamos lindas! Vai pra onde? — M.J ajeita a blusa de May. — Essa blusinha verde ficou ótima em você.

— Vou na casa da Davida estudar! Esqueceu? — May responde meio envergonhada.

— Estudar? Com essa produção?! Solta a verdade, mocinha.

— Tá bom. Tem um jantar na casa da Davida e ela insistiu em me apresentar o sobrinho da vizinha...

— Já entendi tudo. A senhorita não tem uma prova amanhã?

— Já estudei antes! — May sorri.

— Ótimo. Então depois do jantar direto pra casa. Nada de rondas. — Mary Jane abre a porta para a filha.

— Valeu, mãe! — May sai em direção a casa da amiga.

Enquanto isso em outra dimensão...

O fogo queima as almas dos que foram tolos o suficiente para confiar nele. Os gritos de agonia se misturam ao estalar incessante das chamas. Essa é a dimensão de Mefisto, e como todo rei, ele está em seu trono.

— Malditos tempos modernos! Quase nenhum humano acredita no diabo para fazer um pacto, que saudade dos anos 70. — Mefisto reclama enquanto mexe com seu tridente.

Subitamente uma voz lhe fala:

— Entediado também? — Hades aparece em frente ao trono rubro.

— Hades , meu caro amigo. Que honra! Posso saber o motivo da sua visita? — Mefisto sorri.

— Estive um tanto nostálgico esses dias e lembrei-me do tempo no qual os Deuses jogavam para se divertir. Gostaria de participar de um jogo?

— Mas é claro! — o regente da dimensão se levanta.

— Acontece que eu acabo de me lembrar de um demônio que aprisionei há alguns séculos. Um demônio poderoso, muito poderoso. Gostaria de libertá-lo na Terra, e queria que você escolhesse um campeão para derrotá-lo. Se meu demônio ganhar você irá me dar a alma de Victor Von Doom, se o seu campeão ganhar eu lhe darei a posse da alma de cem cultistas do leste Europeu.

— Há! — Mefisto gargalha — Mas é muita ousadia. A alma de Doom não tem preço!

— Claro que tem. — Hades retruca.

— Então você sabe que ofereceu uma ninharia. — Mefisto se senta.

— Não custa tentar. — Hades sorri — Que seja, faça seu preço.

— Não. Eu lhe faço uma outra proposta. Se o seu campeão ganhar eu lhe darei a alma de Danny Ketch. Que tal? E se você perder eu me apossarei do demônio também.

— O homem que já foi o motoqueiro-fantasma? — Hades pensa — Que seja. Eu aceito.

Os dois apertam as mãos.

— Ótimo. Eu escolho como minha campeã a Garota-Aranha. — Mefisto fala.

Hades gargalha.

— Obrigado, Mefisto. Você acaba de me dar Danny Ketch de graça.

No Queens...

"Ai, ai. Tomara que esse sobrinho da Sra. Stone seja um gato mesmo. Senão..."

— Eiii!

May toma um susto ao ver um homem desmaiando do outro lado da rua. Ela corre para ajudá-lo. O homem, que aparenta ter seus 40 anos, está suando frio e tremendo.

"Caramba, deve ser uma infecção das brabas. Melhor levar esse cara pro hospital antes que..."

O sentido de aranha vem violentamente, e May dá um salto para longe do homem. O senhor se levanta e grita, sua pele começa a descascar e ele começa a tomar uma aparência demoníaca. Escamas vermelhas e chifres começam a crescer, assim como um par de asas. Com uma voz grave e rasgada o demônio fala:

— Aranha. Matar a Aranha.

"Mate a aranha, demônio. Mate-a e eu lhe darei a liberdade" Hades fala na mente da criatura.

"Oh-oh! Boa coisa não podia ser."

May corre para um canto para vestir o uniforme.

"Ai, minha blusa tão novinha." Ela olha para a roupa antes de amassá-la atrás de uma cerca e fazer um casulo de teia.

O demônio vai até o meio da rua urrando e assustando a todos.

Aranha!!

Um fio de teia cobre os olhos do monstro.

— Serve teia de aranha? — a Garota-Aranha salta para perto do demônio — Olha, eu não sei de que buraco você saiu, mas definitivamente não foi de um salão de beleza.

— Matar a aranha! Ganhar liberdade — ele começa a bater as asas e, então, alça vôo. Com uma de suas garras ele corta a teia.

— Tá bom, você voa. Bem que eu desconfiei. — May salta em direção a criatura, mas o demônio a acerta um soco, jogando-a contra uma árvore.

— Já vi que você também não é a favor da ecologia. Matando aranha e tentando derrubar árvores. — ela joga sua teia nos pés do monstro e o puxa para o chão.

Mais uma vez, ele corta a teia com suas garras. Porém, esse movimento o deixa vulnerável, e a Garota-Aranha o acerta com um chute na cara. Com um golpe muito rápido, o demônio agarra o pé da heroína e a joga no chão.

— Meu campeão irá esmagar sua campeã, Mefisto. Pensei que você era mais cauteloso nas suas escolhas — Hades fala enquanto observa a luta, que passa em um espelho, na dimensão das chamas.

— Aguarde, Hades. Aguarde. — Mefisto volta seus olhos para o espelho. Um sorriso de canto de boca aparece.

— Ai! Essa doeu! — a Garota-Aranha rola pelo asfalto, se desviando dos socos sucessivos do demônio.

Dragaard quer liberdade! — a criatura grita e agarra May pelo pescoço, alçando vôo.

— Unghhh... — a aracnídea se debate e acerta um chute no tronco do monstro. O golpe é muito forte, e Dragaard solta a heroína.

"Ainda bem!"

May dá uma cambalhota e cai em pé na calçada, enquanto observa o demônio cair em uma árvore próxima.

"Essas coisas só acontecem comigo. Acho que dá azar ter aranha no nome, vou mudar para menina-que-escala-paredes. Argh. Parece nome de índio."

A Garota-Aranha corre para baixo da árvore.

— Psiu, ô da árvore! Dá pra descer? Eu tenho que acabar com a sua raça em menos de 10 minutos!

A copa da árvore começa a tremer e, de repente, arde em chamas. Um jato de fogo voa em direção a May, que desvia com um salto.

— Eeeii! Cara, o que você anda comendo? Para de ir no Tio Pança! Uma amiga minha foi lá, arranjou uma Salmonela, coitada...ficou três dias no soro!

— Aranha fala demais, Dragaard gosta do silêncio dos túmulos. — o demônio sai da árvore em chamas e pousa na rua.

— Silêncio dos túmulos? E eu que achava a Mulher-Morcego mórbida... — May tece uma rede teia em cima da criatura.

— Dragaard fará você conhecer o real significado de mórbido, assim que te mandar para o inferno! — o monstro rasga a rede de teia e salta em direção à May.

Dessa vez ele é muito rápido e suas garras rasgam o ombro da heroína.

— Dragaard matou muitos. Quanto mais tempo passa, mais Dragaard se acostuma a sua nova forma e mais poderoso ele fica! — ele acerta um poderoso soco na cara de May, jogando-a para longe.

— Você não me assusta. Eu e você não somos tão diferentes, afinal. — Dragaard é agarrado pelas asas e jogado para trás pelo Destruidor.

— Não! Entrou outro peão em jogo. As regras devem mudar! — Hades olha irritado para Mefisto.

— O quê?! Como eu poderia saber? — Mefisto sorri.

— A luta deve ser realizada em outro lugar. — Hades impõe com um tom de voz duro.

— Certo. Aonde? — o regente da dimensão se levanta do trono.

— Eu acho que tenho o lugar perfeito para isso. Queira me acompanhar, Mefisto.

— Garota-Aranha! Você está bem? — o Destruidor corre em direção à aracnídea, mas assim que ele está prestes a tocá-la, ela desaparece.

— Destru... — a voz da heroína some.

O Destruidor olha ao seu redor. Nenhum sinal de May, nem do demônio.


Continua.




 
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