hyperfan  
 

Lobo # 06

Por Alexandre Mandarino

Cê Tá Pensando Que Eu Sou Loki, Bicho?

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Lobo
::
Outros Títulos

— Asgard? — berra o nosso herói.

Sim, Asgard. Terra dos deuses aesires, localizada majestosamente no fim de Bifrost, a ponte do arco-íris, desde tempos imemoriais. É este lugar ancestral que agora chora ao sentir sobre o seu solo os pés do último czarniano. Ao seu lado, Balder, deus da Luz e da Vida, adverte:

— Acautela-te, pálido mercenário. Sinto um leve torpor a rondar minhas narinas.

— Cacilda, que frase mais escrota de se dizer.

— Silêncio, criatura mordaz. Os pássaros me advertem que minha amada Karnilla não está em seu palácio. Isso nos poupa o trabalho de caminharmos até lá. Mas... que me dizes, pequeno melro?

— Puuuuutz...

— Por Vanaheim! Não é possível! Que me contas, pequeno ser alado? A aberração está em Asgard?

— Pô, não precisa ofender.

— Cala-te, Lobo. Não é a ti que me refiro. O panorama é mais diabólico e assustador do que imaginava. A bela e intocada Cidade Dourada está sob ataque. O que todos julgavam impossível aconteceu: uma raça inteira de seis bilhões de seres, banida há muito e justamente por Odin, volta das trevas e das malignas espirais do tempo para assolar a casa sagrada dos aesires.

— ...

— Sim, o reino dourado está sendo atacado por Mangog!

Perto dos portões sagrados que dão entrada à Asgard, a quilômetros de distância de Nornheim, uma multidão de guerreiros voa. Arrebatados por um tapa de Mangog, quatrocentos asgardianos caem a centenas de metros de distância.

— Pelas fossas fétidas de Futunheim! — malogra Fandral, ao lado de seus companheiros de batalha. No seu flanco direito, Hogun, o Severo, arremessa inutilmente sua maça sagrada contra a cabeça do gigantesco monstro.

— Pelas barbas de Odin! Nada será capaz de refrear a fúria colossal deste medonho ser?

— Temo que não, Hogun! Por isso, cuidarei de verificar agora mesmo como estão as mulheres e crianças do reino, nos subsolos de Asgard. Abri espaço para o avanço de Volstagg, o Rotundo!

— "Avanço"? Parece-me que estás fugindo do chamado da batalha, avantajado guerreiro! — observa Fandral.

— "Fugindo"? — contesta Volstagg, já a distância. — Não fujo. Apenas me uno aos meus iguais.
Fandral e Hogun continuam a brandir suas armas contra Mangog, ao lado de uma incontável horda de asgardianos, ajudados por seus vizinhos vanires. Do outro lado do monstro, a 150 metros de distância, a deusa Sif e seu irmão Heimdall lutam bravamente para impedir a caminhada daquele que é a personificação de seis bilhões de seres.

— Onde está Thor nessa hora de desespero? — indaga Sif.

— Mas, Srta. Crawford, conte-nos mais sobre isso.

— Claro, David. O que quero dizer é que o uso de armas como machados e espadas nada mais são do que mera representação fálica; uma tentativa do homem recuperar sua condição de macho viril e reprodutor, ainda que inconsciente. Você pode notar que...

Clic

Thor desliga a televisão, levanta-se do sofá e vai até a geladeira da Mansão dos Vingadores, em busca de mais uma cerveja.

— Certamente está salvando nossos irmãos de Midgard de alguma nova desgraça, minha irmã! — afirma Heimdall — Mas não temei. Já derrotamos esta afronta à criação antes e o faremos novamente!

Neste momento, trazidos por ventos das ninfas do ar, conjuradas por Balder, Lobo e o deus da Luz pousam suavemente no solo asgardiano, ao lado de Heimdall e Sif.

— Acalmem-se, irmãos asgardianos. Balder está de volta à cidade dourada e traz com ele um valoroso guerreiro! — grita o deus da Vida.

— Vocês gostam de falar complicado, hein? E pior, sempre berrando. Bem que dizem que todo viado é surdo...

— Às armas, asgardianos! Por Odin! Pela espada sagrada! Por Bor e Buri! Mangog jamais há de vencer esta contenda!

— Caceta, que coisa mais descomunal! — espanta-se Lobo.

— Sim, mercenário. Mangog é mesmo do tamanho de um palácio! — explica Balder.

— Que mané Mangog, perôba? Tô falando da bunda dessa mulher aí — responde o mercenário, apontando para Sif. — Vem cá, popozão divino! — conclui, apertando as nádegas asgardianas.

— Cão asqueroso! — berra Sif, que se vira e, com um golpe de espada, corta o braço direito de Lobo. Com a mão decepada ainda pendendo de seu traseiro, a deusa retira o membro cortado e o arremessa longe. — Se viestes para ajudar, não me toques sob hipótese alguma, animal!

— Arrrgghh! — grita o mercenário. — Puta sacanagem! Balder, me empresta essa merda aí! — diz Lobo, arrancando uma faixa que pende da túnica do deus da Vida. O czarniano caminha alguns passos, colhe seu braço direito do chão e o prende de volta, amarrando-o com o pedaço de pano.

— Aoietgoaiutyepviketubjnbaçeitiaaaaaaaaarrrrrrrrrrrr!

— Hã? Que porra é essa?

Lobo e os asgardianos se viram e vislumbram uma visão do mais puro terror. Os portões laterais do reino estavam sob ataque, desta vez a cargo de uma multidão de trolls e gigantes do gelo, liderados por Loki, deus do mal, e Fenris, o deus-lobo.

— Agora fedeu de vez. Negada, vai metade pra lá segurar esses bichinhos! — ordena Lobo.

— Por Odin! Que Asgard não tombe neste dia amaldiçoado! — grita Fandral.

A batalha é tremenda. Enquanto Lobo, Fandral e Balder se juntam aos guerreiros que combatem Mangog, Sif, Heimdall, Hogun, metade do exército asgardiano se dirige ao portão lateral, para conter a nova invasão. Trolls tombam como moscas, enquanto Loki gargalha e lança encantos aleatórios. Três guerreiros se transformam em libélulas e saem voando para nunca mais serem vistos. Um ajudante do vizir real, que pela primeira vez levantava uma espada, é metamorfoseado em ganso e logo em seguida pisoteado pelos guerreiros. Depois de mais de uma hora de batalha absoluta, com baixas tremendas dos dois lados, uma voz se faz ouvir nos céus da cidade dourada:

— Basta. Quem ousa perturbar meu sono sagrado?

Odin, deus dos deuses, desperta de seu descanso anual. Levantando um de seus braços, o criador imediatamente teleporta a horda de trolls para seu reino de origem. Fenris é banido de volta ao passado e Loki mais uma vez aprisionado, acorrentado sobre uma pedra nas regiões fronteiriças dos nove reinos.

— Ué? Por que esse velho não deu um jeito nessa merda antes? Neguinho aqui lutando que nem corno e ele lá dormindo? — pergunta Lobo.

— Como se atreve, ser rude? — berra Hogun, que avança contra nosso herói. Odin intervém:

— Não, Hogun. Assim é a natureza deste que nos auxilia. Nosso problema ainda é Mangog. Este monstro nem mesmo eu posso espantar daqui tão facilmente.

— Por Jottunheim, havemos de escorraçá-lo para nunca mais voltar! — grita Balder.

— Espera, deus da luz. Enquanto o exército asgardiano tenta conter a criatura, venha até o palácio real. E traga seu companheiro de aventuras! — diz Odin.

Balder e Lobo sobem as escadarias da magnífica construção e chegam à sala do trono do palácio dourado de Odin. Ao seu lado, o vizir fala:

— Balder, construí um artefato místico capaz de aniquilar Mangog em definitivo. Todavia, existe um risco mortal para quem o utilizar. Conheçam agora o... Meganiquilopacificador!

Atrás do trono de Odin, uma porta se abre e, em meio a uma luz cegante, surge o que parece ser um canhão. Ao seu lado, uma armadura.

— Tá dizendo que essa porra vai matar aquele cruz-credo lá fora, velho? — questiona Lobo.

— É o que digo. — responde o Vizir. — Quer dizer...

— Se entendi bem, um guerreiro deve vestir essa armadura e ser arremessado por este canhão de encontro a Mangog. — aposta Balder. — Tal é seu estratagema, sábio Vizir?

É Odin quem responde:

— Temo que sim, Balder. A armadura foi fundida com Uru, metal místico que também compõe o martelo de meu filho. O lançador criado pelos servos do Vizir permitirá que o guerreiro que a vestir viaje de encontro à criatura a uma velocidade de 400 milhões de quilômetros por segundo. Tal impacto eliminará de vez a besta. Mas temo que também o herói que vestir a armadura. Por isso, não pedirei que ninguém faça isso. Espere... — diz Odin, voltando-se para Lobo. — Vejo que estás banhado por uma película de energia Kundalini, invisível a olhos normais. Devo julgar que foi amaldiçoado pela Eternidade. Posso desfazer tal encanto, guerreiro.

— Sério, matusa? Isso ia ser muito foda. Mas Lobo sempre cumpre seus acordos. Antes de aceitar que me cure dessa tralha da Eternidade, me dá aí essa máquina escrota e essa armadura. Devo ao boiola aqui um favor em troca dele ter me ajudado na caça a Darkseid. Antes de dever mais coisa pra vocês, deixa eu pagar a primeira dívida.

Com essas palavras, nosso herói pega o canhão meganiquilopacificador e a armadura de Uru e se dirige para a entrada do palácio real. Posicionado no final das escadarias, Lobo veste a armadura sobre sua roupa e a enrola com o seu gancho.

— Pronto, já tô parecendo uma camisinha de metal. Balder, seu boiola, me coloca dentro dessa porra e atira contra o monstrengo ali.

— Não posso permitir que tal ato de bravura em prol de Asgard seja realizado por um visitante do nosso reino. — protesta o deus dos deuses.

— Vai à merda, Odin! Atira, Balder!

Um estrondo absurdo e Lobo nem sente a viagem. A velocidade é tão grande que imediatamente nosso herói já está se chocando contra Mangog. Naquele momento, seis bilhões de seres que personificavam a criatura são mortos. Com isso, o Efeito Kundalini volta a agir. Ainda atordoado e em pleno ar, Lobo é envolto por uma nuvem de energia verde e desaparece. No instante seguinte, a poeira que antes era Mangog se transforma em uma chuva, que cai sobre a cidade dourada, selando a paz sobre seus edifícios majestosos. Odin chega aos pés da escadaria real e discursa:

— Asgard está salva e a ameça de Mangog já não mais é. — afirma Odin, sob os olhares de gratidão dos aesires. — Contudo, meu coração chora pelo sacrifício deste ser. De hoje em diante, nesta data será comemorado em Asgard o Dia do Lobo. E que nenhuma alma maléfica ouse maldizer tal mercenário. Por Asgard! Pelo Reino Dourado!

— Por Odin! — respondem os asgardianos.

— Caralho, onde é que eu tô agora? — pergunta Lobo. Ao seu redor, apenas areia e o sibilar do vento. Tufos de vegetação ressecada rolam pelo deserto, impelidos pelo ar. Ao longe, nosso herói vislumbra um vilarejo.

— Porra, tomara que tenha cerveja lá. Putz, essa foi sinistra. O treco soltou um grito muito estranho antes de morrer. Eh, eh, seis bilhões de uma vez só.

Caminhando até a cidade, Lobo sente seu corpo cansado e machucado. O braço decepado já havia se reenraizado, mas ainda sentia cãimbras no local. Na porta da cidade, ele vê uma pequena placa: El Paso -— 472 habitantes.

— Putz, El Paso tem menos gente que o Mangog, eh, eh. Vê se tem cerva decente nessa biboca.

Entrando em um boteco, sob os olhares assustados dos moradores, Lobo chega ao balcão e grita:

— Taberneiro! Uma caneca de cerveja gelada de Tyurcium!

— Errr... Essa marca não temos, señor! Serve outra?

— Serve, mas traz gelada, porra!

Enquanto bebe, Lobo ouve os diálogos abafados e sussurros ao seu redor: ", deve ser amigo daqueles dois que estão em..."; "No, ouvi dizer que esses dois eram mutantes"; "Mutuñas? Bueno, deve haver uma recompensa por esses dois, o governo americano não caça esse pessoal?"

O czarniano bebe a cerveja de um só gole e sai do bar, limpando a boca com as mãos. "Recompensa. Mutantes. Parece ser o meu dia", pensa nosso herói. "Pra onde é que fica esse tal de Novo México?".

Não perca, em Lobo 07, um pequeno massacre de mutantes em El Justiciero Cha Cha Cha.

:: Notas do Autor



 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.