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Titãs # 05

Por JB Uchôa

Ninguém Segura Esse Bebê!

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Disneylândia

Em meio à multidão que lota o local diariamente o parque de diversões mais famoso do mundo, um rapaz se destaca. Por incrível que pareça, não pela cor verde de sua pele, mas pela expressão de pavor em seu rosto...

Eu não acredito! Perdi o maldito pivete! Tempest, a Pantha vai me matar! Pior, ela vai me estripar vivo e depois me matar!

— Hã... Gar, pára de dar bandeira! Já liguei pro Vic, ele vem direto pra cá. — Tempest tenta acalmar o amigo, que está atraindo mais atenção com seus gritos do que com sua aparência peculiar.

— Ótimo! Vão dizer que o incompetente do Mutano não consegue fazer nada direito! Aposto que a Kitty Pryde não tem esses problemas! O que o Asa vai dizer? "Você deveria ter nos reportado em um relatório, Garfield!", imitando aquele jeito sombrio do morcego quando quer dar uma bronca em alguém! Eu tô ferrado, Garth!

Próximo dali, o bebê Gnu faz pose para fotografias em frente ao teatro do Rei Leão, onde alguns turistas pensam ser mais um dos irritantes bonecos que circulam pelo parque.

— Rei Lião! Bebê gosta do Pumba! Bebê também sabe arrotar! BURP! — Imediatamente todos aplaudem, pensando ser uma imitação. — Bebê gosta de aplauso!!

Hospital St. Thomas, onde a princesa Koriander sai acompanhada do seu colega de equipe Asa Noturna.

— Srta. Anders! Srta. Anders! Poderia nos conceder uma entrevista? — o repórter Josh Jr. chega já com microfone em punho acompanhado do cameraman Raphael Luppi, para o noticiário de Vic Sage.

— Claro, desde que não tome muito tempo. — responde Estelar.

— Quem lhe atacou? Quando volta para as passarelas?

— Eu fui atacada por um velho inimigo dos Titãs, Irmão Sangue. Poderei conceder uma coletiva outro dia para esclarecer melhor o assunto. Semana que vem estarei no Brasil para um desfile.

— O Irmão Sangue não estava morto? O que aconteceu realmente?

— Garoto... — diz Asa Noturna cobrindo a lente da câmera — ela disse "depois". No momento, Estelar precisa descansar.

— Vocês estão namorando... de novo? — A resposta para a pergunta é um baque surdo da porta da limusine que espera Estelar em frente ao hospital, enviada pela agência de modelos com a qual tem contrato. O silêncio impera dentro do veículo por alguns minutos...

— Hã... Kory? — Enquanto Dick começa a falar, a princesa alienígena apenas o observa com seus olhos verdes, parecendo duas esmeraldas na pele dourada. — A última pergunta...

— Shhhhh — Ela pousa suavemente o indicador na boca de Asa Noturna. — Eu quero viver o agora, nada mais. — Os dois se beijam, protegidos da multidão pelos vidros escuros da limusine.

Ilha Titã, às margens do Rio Leste

Tróia, a princesa amazona, se dirige aos andares inferiores.

— Alguém em casa? Olá-á! Ai, Zeus, vou ter que começar o maldito relatório pelos dias que passei em Gateway!

— Ou então você poderia ficar comigo, no meu quarto. — fala Arsenal, soturno, surgindo aparentemente do nada.

— Roy? Que susto! Você não tem... — Arsenal vai ao encontro de Tróia e a olha com firmeza.

— Eu sempre te desejei, Donna! Fica comigo. — Donna Troy fica muda. Não consegue dizer "sim", pois não tem certeza, e nem "não", porque ficar longe dele é a última coisa que seu corpo deseja.

Disneylândia

Garfield Logan está sentado em um banco, mãos espalmadas no rosto, suando frio e maldizendo o dia em que teve a estúpida idéia de vir para cá. Ao seu lado, Tempest, embaixador de Poseidonis e colega de equipe, toma sua oitava ou nona água mineral. Recém-chegado está Victor Stone, completamente vestido para não atrair atenção para seu novo corpo, o Omegadromo, que o deixa parecido com um Oscar ambulante.

— Eu ainda não entendi porque vocês me chamaram. Ainda tinha muito serviço para fazer na Torre. — fala Victor.

— Eu pensei que você pudesse localizar o pestinha! Para que servem esses seus computadores? — grita Gar.

— Você quer que eu me transforme em quê? Naquela nave do X-Factor que cobriu Manhattan anos atrás? Só dá pra localizar esse peste na base do "olhômetro" mesmo!

— Eu tô ferrado...

Olha ele ali, Gar! — grita Tempest, apontando para a Splash Mountain.

Vamos lá, Titãs! — Os três heróis correm de encontro ao pequeno peludo. Mutano pensa em se transformar numa jibóia, mas desiste ao perceber que poderia gerar pânico nas crianças presentes.

— Ele está indo em direção ao Castelo da Cinderela! — aponta Tempest.

— Você parece conhecer bastante os lugares aqui...

— Sem comentários, Cyborg! — Ultrapassando as carruagens, derrubando alguns turistas, cortando filas e atrapalhando grupos de excursões de adolescentes, eles finalmente conseguem segurar o Bebê... ou é o que parece.

— Que porra é essa? — grita o anão, preso pelos braços de Cyborg.

— Ei, olha o linguajar, moleque! Ei, esse não é o Bebê! É um maldito Ewok! — grita Mutano, desesperado.

— Pega leve, Gar, a gente vai encontrar o Bebê! — Tempest segura Mutano, tentando impedi-lo de esmurrar o bicho de pelúcia ambulante de Star Wars.

— Maldito seja George Lucas!

Apartamento de Kory Anders, onde ela está com Asa Noturna, seu colega de equipe, e quem sabe futuro ex-namorado.

— Cansada?

— Nem um pouco. É como se eu nunca tivesse sido atacada.

— Estranho, você não tem esse poder! O que poderia ter acontecido? Talvez Oráculo possa ter uma pista...

— Oráculo não vai me espionar, Dick! — fala Kory, em tom severo.

— Eu não quis dizer isso...

— Nem ela e nem ninguém da LJA fará exames em mim. Estou bem, já basta! — Kory levanta-se do sofá e caminha em direção à cozinha, com um ar bastante transtornado.

— Foi porque eu falei no nome da Babs, não foi? — Estelar gela. Um misto de raiva e rancor percorre seu corpo só em ouvir o maldito apelido que ele usa ao referir-se a Barbara Gordon, a Oráculo.

— É, Dick! Gostaria que não, sinceramente. Barbara é uma mulher maravilhosa, tem muito mais em comum com você do que eu. Pensei que tivesse superado, mas não superei. Nosso... meu amor por você sempre foi forte demais. Passei por dois casamentos políticos, a queda de meus pais, enfrentei a louca da minha irmã... para sempre estar ao seu lado. Mas te amar não adianta, não é? Não posso amar sozinha!

— Kory, eu...

— Não precisa dizer nada, Dick! Nada! Posso entender porque me beijou, foi o "calor do momento", não foi? Pode ser que um dia eu supere, parta pra outra... mas no momento eu só penso em amar você!

— Como foi que você disse no carro? Viver o agora! Não posso dizer que não gosto da Babs, mas eu ainda te desejo, ainda gosto de você, e muito!

Dick Grayson está sentado no sofá. Ela caminha até ele e se abaixa. O casal troca um longo beijo. Logo, o roupão que cobria seu corpo dourado está no chão e ela começa a desabotoar a camisa que ele veste.

— Kory?

— Você falou em viver o momento, Dick. Acho que ainda tenho um dos seus velhos uniformes de Robin no armário. — Os dois riem como adolescentes, buscando conforto nos braços um do outro. Estelar apaga a luz.

De volta a Disneylândia...

— Ai, meu Deus! — desespera-se Mutano. — Vai anoitecer, vão fechar o parque e nada do pivete!

— Acho que você podia ter chamado alguém da indústria do seu pai. — fala Cyborg, pensativo.

— Só agora você diz isso? Só agora me lembra que as indústrias Dayton podem ter algum bom detetive? Só falta você achar que o Batman podia dar uma mãozinha pra nós!

— O Batman, eu não sei... — pondera Tempest. — Mas o Asa teria vindo com prazer!

Ao ouvir esse comentário, Mutano senta na calçada e chora. Ele se pergunta porque foi tão burro e irresponsável em não ter ao menos ligado para o líder dos Titãs! Talvez a ânsia de ser auto-suficiente tenha nublado sua mente para essa idéia.

— Poiquê você chora, alface?

— Bebê? — Mutano abraça forte a pequena e estranha criatura, que surge praticamente do nada ao seu lado. Embora feliz por ter encontrado o monstrinho, Gar tem vontade de esfolá-lo vivo. — Vamos pra casa, pirralho! Você já passeou demais por hoje!

Duas horas depois, na Torre Titã...

— Ele dormiu, finalmente! — comemora Mutano.

— O dia foi estressante, não foi?

— Ô... Nem brinca, Vic!

— E então, alfacento, cadê o pirrralho? — Uma mulher surge das sombras.

— Pantha! Por onde você andou?

— Já disse que fui resolverr uns assuntos! Cadê o moleque, tenho que irr embora!

Manhêeeee! — o Bebê acorda e, ao ver Pantha, corre ao seu encontro.

— Não sou sua mãe... Bah! Deixa pra lá, você nunca aprende! Vamos logo embora!

— Eu queria ficá mais! Posso?

Argh! — Mutano desmaia, enquanto Tempest e Cyborg riem com a mulher felina. Pantha se despede e leva o Bebê Gnu consigo. Logo que ela sai, Cyborg lembra de algo.

— Diacho... Esqueci de perguntar se ela ainda está na Rússia!

— Vic, conhecendo Pantha... Você acha que ela ia prestar conta de alguma coisa?

Madrugada. Nova York nunca dorme, mas hoje a noite está calma. Da Torre Titã não dá pra escutar nenhum barulho que pudesse pertubar o sono dos presentes. A mulher chamada Ravena caminha pelos aposentos. Sua pele exala o cheiro de jasmim, seus pés mal tocam o chão. Ela se sente pura e saudosa. Tempest se contorce na cama. Levanta-se e observa Ravena. Talvez tenha notado sua presença pelos poderes místicos recém-adquiridos. Quando a filha de Trigon nota que está sendo observada, parte em seu ego espiritual.

— Ravena... Espere! Pelo tridente de Poseidon, será que ela está possuída de novo?



 
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