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Titãs # 04

Por JB Uchôa

O Amor é Imortal

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Jesse Quick e Mutano chegaram há poucos minutos aos escombros da base dos Titãs. Enquanto Jesse relata para Asa Noturna o que aconteceu, Mutano coloca os demais Titãs a par de toda a situação.

— Por Deus... A Colméia, e agora Sangue? — exclama Dick Grayson, com as mãos na cabeça. — E raptaram Kory! Quantos eram, exatamente?

— Creio que uns vinte, Asa! De acordo com Gar, o Irmão Sangue não deu as caras. Só uma tal de Matriarca do Caos.

— O mais lógico é supor que ele está em Zândia. Lá sempre foi a base central deles, e não deslocariam uma nave tão grande se fosse uma viagem curta. E se Sangue não estiver totalmente recuperado da catatonia que sofreu, o melhor lugar para fazer isso seria seu santuário. — Asa Noturna deixa a emotividade de lado enquanto traça uma estratégia. A boca mantém-se firme, semicerrada, os dentes pressionando os lábios. Os olhar se perde no horizonte do rio Leste, enquanto se coloca no lugar do inimigo, pensando e agindo como ele... como ensinou Batman. — Jesse, você, eu, Cyborg e Arsenal iremos até Zândia. Contatem Tróia em Gateway para ir conosco.

— E eu? — pergunta Namorita.

— Você não é uma Titã, Loirona! A pergunta correta é: E eu? — rebate Mutano, indignado por ter sido posto de lado. A prima do príncipe submarino esboça uma cara de desprezo pro garoto esmeralda, agora na forma de um papagaio, enquanto Jesse conversa com Asa Noturna a fim de agilizar a ação.

— Asa, não sabemos como está Gateway depois do que vimos pelo noticiário. Sabe-se lá onde está Donna também! Namorita voa, é muito forte e possui as habilidades aquáticas de Tempest! Ela correu riscos ao tentar derrubar as naves de Sangue! Além do mais, Estelar está em perigo! Temos de agir já!

— Você está certa. — concorda Grayson. — Deve-se tentar ganhar um jogo com as cartas que se tem. Atenção, pessoal! Gar, você fica com Tempest aqui na Torre. Os operários das indústrias Dayton vêm colocar essa zona em ordem e você aqui, junto com Garth, podem organizar outra equipe, caso nós falhemos.

— Tudo bem, Asa! Você tá certo! — um daschund esverdeado fica com uma cara de pidão, mas conformado.

— Vic, como está a situação das naves?

— Não estão destruídas, mas inoperantes. Fizeram um belo estrago. Talvez o submarino...

— Hã.. tem um rombo no casco, já averiguei. — complementa Tempest.

— Adicione um ponto ao meu placar. Vamos num jato da Oracle! — Namorita toma a frente, meio sarcática.

Uma hora depois os Titãs se encontram a bordo do luxuoso jato da Oracle, onde Asa Noturna traça a estratégia.

— Zândia é uma nação independente. Um ataque dos Titãs pode gerar uma crise internacional, nos trazendo problemas de novo. Por isso eu trouxe uniformes pretos, com máscaras iguais, para garantir nossas identidades.

— Para mim tanto faz, já que minha identidade é pública. E também não sou cidadã americana. Duvido que Zândia tente um ataque contra a Atlântida.

— Se você quer ser uma Titã, não podemos expor sua imagem com a do grupo. — Namorita pega o uniforme em sinal de acordo.

Nas margens da Ilha Titã, no rio Leste...

— Então fica faltando só o hangar e as salas mais superiores. Não houve danos nos quartos. Qualquer coisa, estou lá por baixo. — Mutano dá as ordens aos engenheiros das indústrias Dayton.

— Sim, senhor Logan, pode ficar despreocupado. Em dois dias a casa e os equipamentos estarão nos conformes.

— Meu pai falou muito bem de você, senhor Freire. Mãos à obra! — Mutano desce pelas escadas com Tempest para o andar dos dormitórios. Ao abrirem a porta de emergência, eles se deparam com uma bagunça homérica.

Aaaaaaaaaaaah! Mas o Roy disse que estava tudo bem por aqui!

— Biscoito! Biscoito! Biscoito!

Bebê Gnu? — os dois heróis ficam aterrorizados com o pequeno monstrinho correndo pela sala com uma lata de biscoitos, derrubando tudo, até notarem Pantha sentada no sofá.

— Demoraram, hein? Vou ser rápida! Tomem conta do pivete, eu venho buscá-lo depois!

— Calma aí, Pantha! Isso aqui tá uma zona! Você não estava na Rússia? Cadê o Estrela Vermelha? — Tempest segura forte o braço da ex-Titã, em busca de respostas.

— Me larga, cara de peixe! Aquele país é uma bosta! Eu tenho que resolver umas coisas por aí. O fedelho é um Titã, então ele fica aqui por enquanto! — E Pantha sai tão rápido como deve ter entrado.

— Tchau, manhê! Vô sentir saudade! — enquanto o Bebê acena para a escada por onde Pantha saiu, Garth e Mutano se olham em desespero. O moleque apenas sorri para eles.

— Mamãe disse que vocês iam me levar pra ver o Mickey!

Zândia, uma ilha nação próspera, lar do culto da Igreja do Irmão Sangue

— Pois eu vos digo, fiéis! Sangue está entre nós! Ele corre em nossas veias, assim como fluido vital do qual herdou o nome!

Centenas de jovens aplaudem a Matriarca do Caos. O Irmão Sangue ainda está debilitado e não mostra sua face. Apenas reafirma o poder de adoração que emite. Com passos firmes, a Matriarca entra em um aposento luxuoso, onde encontra Sangue em seu trono e a princesa de Tamaran, seminua e acorrentada. Ajoelhando-se, ela cumprimenta seu mestre.

— Sangue... A fêmea ainda não cooperou?

— Nada que atrapalhe meus planos, amada. Ela irá cooperar.

— Eu não entendo o que querem comigo? Como você pode estar sadio? E porque vocês nunca morrem?

— Você me diverte, alienígena. Nunca ouviu dizer que, por trás de um grande homem, sempre existe uma grande mulher? Como vocês costumam dizer, sangue melhorou porque eu o lembrei de sua herança.

— Eu quero um herdeiro, princesa Koriander. Um herdeiro imortal e mais poderoso do que seu genitor. E, para isso, ele precisa de uma mãe poderosa.

— Por Xhal! — a alma da princesa gela quando ela finalmente se dá conta do que Sangue pretende.

— Você será minha. Por bem ou por mal.

Nunca!

— Matriarca, chame o Confessor.

Na nave da Oracle...

— Asa, estamos chegando! Qual a melhor abordagem? — pergunta Roy Harper ao líder.

— Sobrevoem a igreja, nós saltaremos. Namorita, Cyborg e Jesse podem nos descer sem riscos. Vic, programe a nave para pousar debaixo d'água... Ela é anfíbia, não é?

— A nave é atlante, claro que funciona debaixo d'água. — responde Namorita sorrindo, já percebendo que está entrosada com o grupo.

— Estamos bem acima da igreja, Asa. — avisa Arsenal.

— Vamos, Titãs!

Os cinco heróis se lançam em queda livre sobre a igreja de Sangue. Jesse segura na mão de Asa Noturna e ambos pousam suavemente no telhado. Namorita pega Arsenal nos braços e Cyborg cria asas com o Omegadromo para pousar em segurança.

— Nunca viajei tão bem. — graceja Arsenal.

— Gosto de passageiros comportados, ou eles tendem à aterrissagem forçada.

— Ouch!

— Todos bem? — Asa Noturna confirma rapidamente a situação dos companheiros, antes de prosseguir com a ação — Encontrem Estelar, custe o que custar!

— Como diria um amigo muito próximo: Tá na hora do pau! — Namorita arrebenta parte do telhado, fazendo com que os Titãs caiam na sala do trono, vazia.

— Espalhem-se! Jesse, o subsolo costumava ser a zona de tortura, faça uma busca rápida! — enquanto Asa Noturna dá as ordens, uma tropa de fiéis chega armada. Namorita derruba vários com seus poderosos socos, Cyborg prende outros contra a parede, modificando seu corpo como uma jaula e usando suas mãos para trazer parte dos escombros e criar uma barricada, isolando as tropas dos heróis.

— Não encontrei Kory, Asa! — relata Jesse, enquanto toma as armas dos atacantes em supervelocidade.

— Então ela não está no calabouço. Namorita, Arsenal, me dêem cobertura! — Asa Noturna corre e lança-se em um salto, segurando-se no corrimão da sacada — Vic, Jesse, venham comigo!

Correndo velozmente pelos quartos, Jesse encontra o Confessor torturando sua colega.

Asa! — Antes que consiga avisar ao colega sobre onde Kory está, a velocista é atingida pelas costas pela Matriarca do Caos. Na sala do trono, Arsenal e Namorita tentam dar a cobertura pedida.

— Eles são muitos!

— Nada que a força de uma atlante não dê conta! Precisando de uma mão?

— Garota, eu costumo usar as duas! — as flechas explosivas de Harper zunem pelo ambiente, demolindo outras entradas. Ele usa sua magnum .45 para incapacitar alguns agressores armados.

— O Irmão Sangue reina supremo! — A voz rouca segue com uma poderosa rajada que atinge Arsenal, fazendo-o gritar de dor.

— Você deve ser Sangue! Não tinha um estilista melhor, não? Capas brancas sujam fácil! — Namorita voa de encontro ao vilão, que está na sacada. Ele continua disparando suas rajadas de energia, que parecem não surtir efeito na prima do príncipe submarino.

— Não, ainda estou fraco!

Sangue tenta fugir correndo, mas Namorita o segura pela capa e começa a espancá-lo.

— Morra, Sangue!

— Pare, Nita! Pare! — Arsenal dá um tiro para o alto, tentando atrair a atenção da atlante enfurecida. — Ele já está desacordado! — Quando ela finalmente pára, o Irmão Sangue está caído, inconsciente.

Cadela! — A Matriarca do Caos usa um lança-foguetes para afastar Namorita e Arsenal de seu mestre. Asa Noturna encontra Jesse e Kory: a primeira inconsciente, a segunda à beira da morte.

— Vic, ajude aqui! Oh, meu Deus! Kory, fale comigo! — Cyborg acorda Jesse Quick e transforma-se numa unidade de contenção para tentar manter a alienígena estável. Jesse leva Asa Noturna em supervelocidade de encontro aos demais.

— Vamos sair daqui! — ordena Dick — Todo mundo para a nave!

— Eu quero pegar o maldito!

— Não há tempo, Namorita! — exclama Cyborg — Kory está morrendo!

— Praga!

Ativado por controle remoto, o jato da Oracle emerge do mar e abre as escotilhas para receber os Titãs.

Torre Titã, meia hora depois

— Eu vou deixar um bilhete, Garth!

— Você acha prudente, Mutano?

— Dick avisou que está a caminho. Duvido que ele vá querer ver essa peste destruindo tudo com a Kory doente. E, no mais, já é de manhã. Vamos rápido para pegar a Disneylândia abrindo!

Hospital St. Thomas — Nova York

A dra. Cecília Reyes conversa com um preocupado Dick Grayson.

— Sinto muito, Asa Noturna, mas a fisiologia de Estelar não é humana e nem mutante. Preciso que ela fique em observação, para saber como irá responder aos remédios.

— Não pode me dar nenhuma esperança, dra. Reyes?

— Sinto muito. Sei que é triste, mas não posso. Seu estado é grave.

Depois de agradecer à médica, Dick entra no quarto. Cecília olha pela janela e pergunta o porquê do mundo estar tão violento, caçando quem é diferente. Seu celular toca.

— Ei, Cecília! É a Jen! Você pode comprar Sucrilhos? Estou assistindo a reprise da primeira temporada de Oprah & Josh, não saio de casa pra nada!

— Não posso, estou cobrindo o plantão de uma amiga.

— Nada de emprego?

— Nada! Só esse bicos! O mundo é injusto pra quem é diferente! — e desata a chorar.

Asa Noturna adormece na cadeira ao lado do leito de Estelar. As últimas horas foram de tremendo estresse emocional e físico. Súbito, o cheiro de jasmim permeia o ambiente. A mulher de cabelos negros e gestos serenos abaixa o capuz de sua veste.

— Koriander de Tamaran, não permitirei que parta tão cedo. — Sua mão toca o rosto de Estelar e ela sente uma agonia indescritível. As cicatrizes e hematomas somem do rosto de Kory. Ravena está caída, tomada pelo cansaço. Mesmo assim, encontra forças e põe-se de pé.

— Richard John Grayson, se o amor novamente surgir entre vocês, aceite. — com essas palavras, serenas e cheias de dor, a empata parte em seu ego espiritual. Dick acorda e vê Estelar melhor.

— Kory? Kory?

— Hã...Dick? Onde estou?

— Você está viva! Isso é o que importa!

Os dois se beijam apaixonadamente.

Disneylândia, Califórnia

Mutano e Tempest conversam, relativamente incógnitos entre a multidão que lota o parque.

— Eu te disse, Garth, o moleque tá se divertindo!

— Eu não estou vendo ele...

— Pára de tomar essa água, já é a quinta! Ele tá ali, voando no Dumbo!

— Está quente, vou pegar outra água e já volto. — enquanto Tempest sai, Mutano se distrai com um garoto.

— Você é um dos piratas do Capitão Gancho?

— Não, garoto, sou um dos Titãs!

— Titãs? O que é isso? Você é um X-Men?

— Putz! O garoto tem seis anos e não sabe quem somos nós! Eu sabia que esse vai e vem da equipe nos traria problemas com a mídia!

— Ei, Gar, cadê o Bebê?

— Tá ali, ó, no mesmo canto!

— Onde?

— Ô, diabo, cadê o pivete? Putz, não acredito! Cara, perdemos o Bebê!



 
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