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Titãs # 14

Por JB Uchôa

Morte em Vida
Parte Final

O mesmo caminho feito anteriormente por Mutano é feito por Namorita. Ela precisa ver com seus próprios olhos as evidências do que Mutano a acusara poucos minutos atrás. Quem sabe tudo não passou de um mal-entendido? Mas, ao ver com os próprios olhos o banheiro totalmente destruído, ela entende por que foi acusada. O momento é de provar sua inocência.

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Na Torre Titã, Namorita troca de roupa em sua suíte. Coloca o uniforme negro, feito por Kay Cera. Saindo de seu quarto e entrando na sala de reuniões, dá de cara com pequenos demônios vandalizando os computadores.

— O que está acontecendo aqui? — os demônios notam sua presença e a atacam. Uma pequena horda, oito ou dez, voam para cima da atlante. Com fúria, ela chuta e esmurra os demônios, jogando-os contra as paredes, tornando-os manchas esverdeadas. Um a um, Namorita derruba todos, extermina-os — Demônios são como insetos, nada têm a falar, servem apenas para causar repulsa. Pelo visto, os Titãs foram seqüestrados, e só podem estar em dois lugares: no inferno ou no Limbo. Pelo jeitão das criaturas o segundo é mais provável, eles lembram muito as pestes que infestaram Nova York anos atrás. (*) Então, quem poderá me ajudar?

Mansão X, lar dos heróis fora-da-lei: os X-Men. Alguns minutos depois de Namorita deixar a Torre Titã.

Em meio a lasers e braços mecânicos, o alarme do Instituto Xavier toca exaustivamente. No momento, apenas alguns alunos da Geração X e Kitty Pryde estão na mansão. Alguns se acotovelam na janela para ver quem é o invasor enquanto Kitty abre a porta.

— Computador, encerrar defesa. — diz uma Kitty Pryde confiante — Olá, Namorita, o que a traz aqui?

— Preciso falar com Míssil, Lince Negra. É realmente urgente.

— Bem, o Míssil não está, se eu puder ajudar... — Namorita relata o que aconteceu enquanto entra na suntuosa mansão. Monet e Câmara a observam à distância, enquanto Jubileu baba com o uniforme de grife de Namorita. Alguns minutos de conversa fazem Kitty Pryde e a Geração X perceber a gravidade da situação.

— Pois bem, garotos, é chegada a hora da missão mais arriscada de vocês! — fala Kitty, preocupada — Ainda mais porque vocês terão que ir sozinhos.

— Moleza! Deter uns demônios e salvar alguns heróis... onde será que já fizemos isso antes?? — o humor de Jubileu não contagia a todos — Ih, foi mal, era só uma piada.

— Mas como vamos ao Limbo, chica? — Derme esconde-se em um canto da sala. Teme em ir a um local perigoso demais para sua condição. O maior medo do mutante é rasgar sua pele.

— Katherine irá retirar a espada espiritual de Magia, já que mantém esse elo com ela, mesmo após a sua morte. — Monet fala seriamente, enquanto Kitty só observa — Ela poderá nos transportar, mas não poderá nos seguir.

— Não sei se gosto do seu jeito, M. — responde Kitty.

— Nem eu do seu, Lince Negra.

Katherine Pryde se concentra, torce a boca e cerra os olhos. Em um clarão de luz, algum dos presentes poderia dizer que viu Kitty abrir seu coração e retirar a espada de dentro dele. Lince Negra estende a espada e cria um círculo de teletransporte, como Illyana costumava fazer. Pode se notar que lágrimas saem de seu rosto, como cristais cintilantes.

— É chegada a hora! Como não podemos definir o tempo no Limbo, rezemos para dar tudo certo.

— Como vamos voltar? — pergunta Paige Gutrie. Lince Negra fica em silêncio. Paige, codinome Escalpo, rasga a pele e fica em forma de diamante — É melhor garantir, não é mesmo?

Kitty Pryde ergue a espada e faz um risco no chão ao redor de Namorita e da Geração X. O brilho mostra que o risco ovalado formou um círculo de teleporte, que sobe em direção ao teto, transportando os heróis.

— Seja o que Deus quiser, agora. — Kitty Pryde senta-se e passa a meditar, buscando entrar em sintonia com os amigos.

No palácio de Belasco, localizado no Limbo, o ritual se inicia. Com uma adaga de prata, Belasco traça um corte nos pulsos de Donna Troy. Presa com os braços amarrados acima da cabeça, o sangue desce suavemente pelo corpo da justiceira. Encarcerados e assistindo a tudo estão os Titãs.

— Gar está muito mal! Muito mal! — Jesse tenta conter o sangue tampando o corte com pedaços do uniforme de Asa Noturna.

— Ravena? — indaga Asa Noturna — Eu não gostaria, mas Gar está morrendo...

— Eu sei. — Ravena parece distante e fria — Mas devemos esperar mais um pouco, o Inferno está chegando, e ninguém estará a salvo.

No mesmo instante, os vitrais de adoração a uma besta maior são partidos. Alguns titãs se acotovelam nas grades tentando ver o que pode estar acontecendo.

Sym!! Detenha-os!! — Trigon grita e move a mão, criando uma penumbra ao redor de si e de Tróia — Ninguém vai parar o derramamento de sangue! Ninguém! Somente o sangue puro e imaculado da titã poderá expandir os domínios do inferno.

Pois te prepara, quatro-olhos, a Geração X chegou!!! — Jubileu lança faíscas contra Trigon, enquanto Escalpo, M e Câmara lutam com alguns demônios.

— Essas coisas são iguais a chiclete!! Urgh!! — Escalpo rasga um demônio ao meio, manchando-se com um liquido viscoso e esverdeado — Que nojo!

Enquanto Derme corre para soltar os Titãs, Namorita nota Sym ao encontro do jovem. Imediatamente lança um dos demônios contra o próprio Sym para chamar sua atenção.

— E então, garotão? Como diz um velho amigo meu: tá na hora do pau!!! — Namorita é tão rápida que Sym não tem tempo de tentar ao menos infectá-la com o vírus transmodal. O uniforme novo, criado por Kay Cera, também cobre boa parte do seu corpo, e parece impedir que o demônio tenha algum acesso direto à pele da atlante — Você vai cair! Você vai cair!

— Pronto, chica, pode deixar que eu cuido do teu amigo esverdeado. — Jesse Quick olha para Derme, que estica sua pele e envolve o abdome de Mutano, formando uma cinta e estancando o fluxo de sangue — Só preciso de cobertura.

— Pode deixar, garoto! — Arsenal arma a besta e uma Magnum 45 e começa a atirar nos pequenos demônios que parecem surgir das sombras — Mas, por favor, alguém salve a minha garota!

Jesse Quick corre de encontro a Tróia, mas Trigon a barra com sua mão gigantesca. M e Câmara se concentram para tentar atacar o monstro psionicamente. O que conseguem é um rugido de dor e ira de Trigon.

— Ei, você! — grita Jubileu — Ei, dourado! Você parece ser o mais forte de todos e eu preciso de um favor! — Cyborg ouve atentamente o que Jubileu propõe, sabe de todos os riscos, mas concorda.

— Meu Deus, esse monstrinhos não acabam nunca? — Estelar frita centenas de demônios que iam de encontro a Arsenal, Derme e Mutano.

— Anda, douradinha, não deixa eles chegarem mais perto! Acho que Gar não está muito melhor! — Arsenal acaba de falar e Jesse Quick corre tão rápido em volta da horda de demônios que cria um tornado. Estelar voa e dispara suas rajadas de plasma contra eles. Asa Noturna e Namorita lutam contra Sym, mas Nita chuta Asa Noturna fortemente para sair fora da briga.

— Sem camisa, Romeu, você será uma presa fácil! — Asa Noturna percebe o quão imprudente estava agindo e começa a lutar com alguns demônios que importunam M e Câmara, já que somente Escalpo não está conseguindo bons resultados.

— Vai lá, cara! Um amigo meu chama isso de "arremesso especial"! — Cyborg arremessa Jubileu por sobre Trigon. Ela dispara suas rajadas nos olhos do demônio e, com algumas cambalhotas, cai atrás de Tróia!

— Maldita menina! — Trigon grita e pára, ao perceber que a mutante está próxima demais de Donna — Saia daí para que eu possa matá-la!

— Tem medo de que o sangue dela se misture ao de Tróia, pai? — diz Ravena, aproximando-se.

"Pai? Quer dizer que a Mortícia ali é filha do diabão?" — pensa Jubileu, enquanto solta Donna.

— Eu não tenho medo, Ravena. Eu tenho poder!

— Pois sinta, pai, o verdadeiro poder! O poder das almas de Azurath! O poder da esperança — Ravena coloca as duas mãos em Jonothon e Monet e começa a emitir um brilho azulado. Uma rajada de um azul intenso acerta o coração de Trigon e o demônio começa a diminuir, chegando a proporções humanas. Ravena solta Câmara e M e caminha de encontro ao pai.

— O que diabos...

— O poder da esperança, pai. Da Fé! Do amor! E peguei duas crianças marcadas pelo preconceito, que são odiadas e ridicularizadas por um mundo egocêntrico e falso, e retirei aquilo que há de mais precioso em seu coração: a esperança de um mundo melhor. Um mundo sem pessoas ou criaturas como você. Aprenda, poderoso Trigon, você foi derrotado por duas simples crianças. Seu reinado de terror acaba aqui, e nem que eu tenha que reclamar seu trono, agora e para sempre você morre! — Ravena puxa o punhal com que outrora cortou os pulsos de Donna Troy e rasga a garganta de Trigon. Em seguida, crava no peito do próprio pai a lâmina, e o vê ajoelhar-se a seus pés.

— Como você é... cof, cof... tola, filha.

— Eu renego minha paternidade, Trigon. Renego teu sangue imundo e teu sêmen enojado que maculou minha mãe. De hoje em diante eu serei Ravena, filha apenas de Azur. — com um chute, Ravena crava a lâmina mais fundo no coração de Trigon — Essa lâmina está "suja" com o sangue de Tróia, e uma criatura como você não poderia suportar a pureza dentro de seu coração.

Os Titãs e a Geração X olham petrificados o lugar se tornar mais iluminado com o brilho dourado que Ravena emite de seu ego espiritual. Namorita percebe que Sym e os outros demônios fugiram.

— Agora é chegada a hora para que me guardei. — Ravena aproxima-se de Donna e toca suas mãos espalmadas no rosto da herdeira de Themyscira. As duas brilham intensamente, até que Ravena cai. Tróia se levanta, e Arsenal a cobre com o manto de Ravena.

— Ravena está morta? — pergunta Tróia, com lágrimas nos olhos — Ela se sacrificou...

— Não ainda, princesa... — Victor Stone segura a amiga desacordada nos braços — mas temos que voltar rápido. Alguma idéia?

— É sua vez, Jonothon Starsmore! — fala Monet — Contate Katherine!

No sofá da mansão Xavier, Kitty busca meditar, mas sente uma onda quente percorrer sua espinha. Como se tivesse sido criada para o que vai fazer, novamente ela ergue a espada espiritual e risca o chão. Na medida que o círculo de luz sobe, os heróis vão aparecendo.

— Graças a Deus! — Kitty sorri e Monet sorri de volta — Vamos para a enfermaria!

Namorita pede a Derme para carregar Mutano, o garoto esmeralda abre os olhos e solta um suspiro.

— Desculpa, gata, por ter duvidado de você...

— Sobrevive, garoto, que eu vou te fazer lavar muito prato! — Nita sorri para Gar, que fecha os olhos e sorri levemente.


:: Notas do autor

(*) Na saga Inferno, publicada na revista X-Men em formatinho, da Editora Abril. Se ainda não leu, procure nos sebos que você acha. voltar ao texto




 
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