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Titãs # 16

Por JB Uchôa

Assassina por Natureza

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Interior da nau-capitânia shiar

Dick Grayson vislumbra um pedaço da Terra pela imensa janela de seu quarto. O aposento é para hóspedes da realeza de vastos impérios em toda galáxia. Embora Asa Noturna não esteja preocupado com o luxo dos aposentos e sim com sua colega de equipe. Ela está sendo mantida presa em outro local certamente bem menos agradável, já que é uma prisioneira, embora ainda não condenada.

Ele olha para o uniforme confeccionado pelos shiars, em cima da cama após o banho. As cores parecem mais fortes e é fielmente baseado no seu uniforme atual.

— Realmente, essa roupa é magnífica. — balbucia, enquanto veste as calças — Não sinto frio ou calor e parece ser feita de um material que nunca vi. — imediatamente coloca a máscara e pega os braceletes. Volta pra janela, dessa vez sentando em uma poltrona e com a mão esquerda no queixo contempla o infinito.

Vossa majestade imperial saúda o convidado! — a voz metalizada vinda da porta indica que Lilandra estará presente assim que as portas se abrirem.

— Não esperava um encontro tão rápido, Imperatriz! — Dick curva-se rapidamente em sinal de reverência — Ainda não estou devidamente vestido para recebê-la.

— Sem cerimônias, Asa Noturna, por favor. Não vim em nome do império Shiar ou do Conselho Intergalático, vim apenas como uma amiga, defensora da humanidade. — Lilandra senta-se próximo ao titã — Também não se envergonhe, seu torso nu não me incomoda. É um sinal de virilidade. Seu uniforme lhe agrada?

— Muito... apesar de terem retirado certos itens de meu uniforme original. — responde, mostrando os braceletes sem compartimentos.

— Não podemos nos arriscar. Suas armas serão devolvidas se você puder sair. — Lilandra apóia a mão nas vestes imperiais — Como rainha e como conselheira com a galáxia, eu tenho um dever para com meu povo. Entretanto, meu jovem, como nutro grande admiração pelos humanos, vim advertí-lo que, ao solicitar prestar defesa à tamaraniana, selou seu destino com o dela. — Lilandra levanta-se e caminha em direção à porta.

— Meu destino, Imperatriz, será decidido pela justiça! — Asa Noturna fita a monarca com austeridade e ela apenas sorri.

— Meu desejo é que seja tão honrado como Charles Xavier. — a porta se abre e Lilandra é escoltada por dois andróides que a aguardavam no lado de fora. Asa Noturna veste o roupão e aguarda o chamado fitando o cosmo.

Torre Titã, horas depois da "visita" dos shiars.

— E então, Donna? Vamos ficar aqui esperando? — Nita está impaciente, sentada no sofá e olhando Tróia com relutância.

— Fazer o quê, Nita? Eu, você e Jesse contra uma frota intergalática? Contatei novamente os X-Men, mas não consegui falar com Tempestade ou Ciclope. Lince Negra me passou alguns arquivos sobre os shiars.

— É verdade que os X-Men derrotaram a Guarda Imperial? — Jesse folheia rapidamente os documentos — Ah, foi a Fênix! Será que ela ainda tem todo esse poder? A mulher não pira, não?

— Nem eu sei o que aconteceu por lá. Dizem que a mulher morreu, renasceu... — Tróia esmurra uma coluna e estrala os dedos — Por Cronos!!! Será que só nos resta esperar?

— Eu sei quem pode nos ajudar... eu acho. — Namorita fita as amigas e leva a mão à orelha pressionando o brinco — Oráculo? Os Titãs precisam de ajuda! — na tela do computador da torre, a imagem virtual de Barbara Gordon aparece.

— Me deixem a par da situação, meninas. Oráculo vai entrar no comando!

Asa Noturna veste a camisa do uniforme, fecha os braceletes e novamente ajeita a máscara. Do outro lado da Nau, guardas escoltam Estelar, que está vestida com uma túnica amarela e algemada.

— Os Titãs devem estar impacientes. — pensa Dick — Espero que Tróia não tente nenhuma loucura.

Uma leve campainha anuncia que alguém irá entrar nos aposentos de Asa Noturna. Cerise sorri calmamente e observa o Titã.

— Vejo que já está pronto. O julgamento começará em alguns minutos.

— Cerise... — indaga Asa Noturna — Você já esteve na Terra, não foi? — ela afirma positivamente com a cabeça — Seja sincera, Estelar tem chance?

O silêncio toma conta do recinto durante alguns momentos. Asa Noturna fita firmemente os olhos de Cerise aguardando uma resposta.

— Não. — responde, enfática — Não vejo nenhuma chance para a princesa de Tamaran.

— Vamos logo, então. Kory precisa de mim. — Asa Noturna toma a dianteira mas é segurado pelo braço por Cerise.

— Entretanto, não existe força maior do que o amor. — Cerise solta o braço do Titã e fica ao seu lado — Nem na Terra nem em nenhum lugar do universo.

Terra. Torre Titã

— É complicado mesmo, Tróia. Você sabe que estaremos violando leis intergaláticas! — Oráculo pondera cada uma das palavras, pois embora saiba o risco que está correndo, sabe que quem pode ser preso ou morto é seu antigo namorado e velho amigo Dick Grayson — Estou tentando contato com a Liga, para buscar apoio do Caçador de Marte ou do Super-Homem.

— É claro que sei que vamos violar leis! E também sei que a Liga da Justiça não vai apoiar isso. Precisamos de gente da pesada, foras-da-lei! — Tróia encara a face virtual de Barbara Gordon — Por Zeus, Babs, estamos falando do Dick! — Donna balbucia tão baixo que somente Oráculo pode escutar pelo microfone no painel de controle.

Uma interferência no monitor tira Oráculo do campo de visão. Jesse e Namorita se levantam e se aproximam da enorme tela quando a imagem começa a clarear. Primeiro dois grandes olhos brancos aparecem na tela, seguidos por uma voz firme.

— Tróia, quero que aguarde qualquer contato de Asa Noturna na Torre. — a imagem do Batman faz Nita arregalar os olhos surpresa e Donna coloca as mãos na cintura, desafiadora.

— Isso aqui não é o seu "super-grupo", Batman! — esbraveja Tróia — Me admira que você esteja tomando esse partido de ficarmos impassíveis!

Aguarde na Torre. — a voz fria do Batman encerra o contato, dando lugar novamente a transmissão de Oráculo.

— Uau. — exclama Jesse — Ele é assim mesmo?

— Donna... — tenta explicar Barbara — Temos que confiar no Batman. Aguarde! — a transmissão é encerrada, na imensa tela da Torre Titã aparece a mensagem em fonte gótica: Você sabe com quem está lidando. Confie.

Grande Netuno!! — exclama a Atlante — Estamos de mãos atadas!

Nau-capitânia shiar

Asa Noturna adentra o enorme recinto e senta-se em um local destinado a ele. Cerise fica em pé ao seu lado.

— Silêncio, membros dessa tribuna! — Diken fala tão gravemente que silencia os burburinhos nas arquibancadas — Estamos reunidos para julgar a acusação contra a princesa de Tamaran, Koriander. — ao terminar as palavras, Estelar é escoltada até o centro do salão, guiada por dois guerreiros Shiar. O silêncio dá lugar a burburinhos até que Diken torna a falar — Princesa Koriander é acusada do assassinato de Otrebilg Bul, pacifista do Conselho Intergaláctico.

— Posso saber em que são fundadas as acusações? — esbraveja Estelar, furiosa — Eu não conheço esse homem de que vocês estão falando!

Silêncio!!! — Diken levanta um bastão dourado que dispara um raio em direção à Estelar, que se contorce. Asa Noturna faz menção de levantar-se, mas é contido por Cerise — Os eventos que culminaram na morte de nosso nobre colega Bul serão mostrados em seguida. Aconselho a ré a falar somente quando questionada.

No centro do tribunal aparece uma imagem tridimensional de uma mulher que relata os acontecimentos. À medida em que vai narrando, fotos surgem para deixar os presentes a par dos acontecimentos. Estelar se vê novamente na condição de escrava, lutando por sua liberdade. Ao final, aparece a imagem do conselheiro Bul e o relato de sua morte. De acordo com a fonte, o homem pereceu de um disparo direto de Estelar.

— Creio que o relato dos fatos são eloqüentes demais para ouvirmos o herói terrestre Asa Noturna em defesa da tamaraniana. — Diken levanta o bastão — Peço então aos membros do júri que...

Não! Eu não vim até aqui para assistir impassível uma condenação tão injusta! Nem da Estelar e nem de qualquer outro ser que tenha cometido qualquer ato! — Dick Grayson se levanta e retira a mão de Cerise do seu ombro. Diken cerra os olhos e com um sinal faz com que guardas contenham o titã.

Parem! Se Asa Noturna veio em defesa de sua companheira, ele deve falar. — ordena Lilandra, pondo-se de pé no palanque — Está ciente de que, ao partilhar da defesa de Koriander, terá seu destino selado juntamente com o dela, jovem herói?

— Sim, majestade. E por acreditar que Kory é inocente, entrego a minha vida às mãos desse Conselho. — os membros do conselho conversam entre si e Lilandra senta-se, sorrindo.

— Dick... não!! — grita Koriander, tentando energizar suas mãos para livrar-se das algemas.

— Tenha fé, Kory. — Dick sorri para ela — No relato apresentado, caros conselheiros, foi enfatizado que a princesa de Tamaran era mantida cativa e que as circunstâncias da fatalidade ocorreram quando a mesma fugia do cativeiro.

— Se me permite, meu jovem... — fala um ancião kree — Podemos ter certeza de que é movido pela análise dos fatos ao invés das emoções?

— Sim, evidentemente. — após a afirmação, o ancião pede que Dick sente-se em um trono azulado. Dele se emite uma estranha luz de um tom de azul mais claro, liberando esferas amarelas que se posicionam sobre seus chakras.

— As esferas douradas irão nos assegurar que as emoções não guiarão suas palavras. A luz azul permitirá que fale apenas a verdade em qualquer circunstância. — o ancião senta-se e é aplaudido pelos presentes. Diken pede silêncio.

— Antes de começarmos, terrestre, é verdade que você e a acusada partilham de laços conjugais? — pergunta Diken, enquanto as esferas brilham intensamente.

— Não, não é verdade. Já namoramos... tivemos um relacionamento... mas o sentimento que nutro por Estelar é apenas de amizade. — ao responder, as esferas perdem o brilho, ficando amarelas e opacas.

— Ele diz a verdade. — afirma o ancião.

— O que me chamou mais a atenção foi que Bul não foi morto acidentalmente. — os burburinhos começam a se tornar mais altos até que Diken pede silêncio. Estelar olha para Dick com desconfiança — Concordo com o conselho de que ele foi assassinado, mas não por Estelar. As imagens mostram claramente, ainda mais apoiada pelos relatos, que a fuga de Koriander e sua luta com seus captores foi no céu. Kory em momento algum pousou em terra. Não poderia em momento algum direcionar o raio no ângulo que atingiu as costas do conselheiro Bul. Quem quer que tenha disparado, o fez em terra firme.

— A assinatura energética é da tamaraniana! — protesta um guerreiro alado vindo de Thanagar. Diken uma vez mais pede silêncio e demora alguns momentos até que todos se calem. Estelar está mais nervosa de que quando entrou no tribunal, mas sente-se confiante devido ao tom de voz que Asa Noturna emprega contra todos os argumentos.

— Estelar tem uma irmã, Estrela Negra. Que, como vocês devem saber, é foragida, assassina e ladra. Aposto que metade das forças intergaláticas aqui presentes possuem mandado de apreensão ou execução contra Estrela Negra! — Diken fica surpreso ao notar que o júri está em silêncio prestando atenção nas palavras de Dick Grayson. Lilandra sorri ao ver o ímpeto do jovem herói na defesa — Estrela Negra não voa e somente ela poderia ter atirado no conselheiro Bul, formando o ângulo do disparo como vimos nas fotos da autópsia. — Asa Noturna se levanta e eleva a voz em um timbre mais alto — Então eu peço ao poder do império Shiar que Koriander seja libertada até que os fatos sejam novamente averiguados!

Gladiador! Acompanhe a princesa Koriander e Asa Noturna até seus aposentos. Eu, Lilandra Neramani, herdeira do império Shiar, declaro a acusada inocente e a questão encerrada! — Lilandra não torna a sentar-se e se encaminha de encontro a Asa Noturna, que abraça Estelar — Como sempre, os terráqueos são formidáveis.

Terra. Torre Titã

— Mas, como assim... levados??? — pergunta Arsenal, que chegara há poucos minutos com Mutano.

— Teleportados, Harper — informa Namorita — Estamos esperando ordens do Batman para que...

— Ordens do Batman? Pro inferno com o morcego! Nós vamos agora surrupiar uma nave do Quarteto ou dos Vingadores para... — Arsenal cala-se ao ver que os amigos materializam-se na sala.

— O que aconteceu por lá? — pergunta Jesse, aflita e apoiando-se em Asa Noturna.

— É uma longa história, Jesse. — responde Dick, com um sorriso.

— Foi maravilhosa a forma como Dick me defendeu! Eu não sei como você conseguiu enganar as esferas de chakra em dizer que não me amava! — Estelar sorri, soltando o abraço de Tróia e olhando para o amado.

— Eu disse a verdade, Estelar. — Asa Noturna responde em um tom sereno — Eu não te amo mais como antigamente.

— Você... não me ama? — Kory pergunta novamente e obtém apenas o silêncio de Dick Grayson. Frustrada, ela dispara uma rajada nas janelas da Torre, que se estilhaçam, e em seguida alça vôo.

Kory! — grita Donna, já levantando vôo.

— Donna, não. — Asa Noturna a segura pela mão — Por favor, deixe Estelar sozinha. Ela precisa reconhecer que o que havia entre nós dois já acabou.

Putz! — exclama Roy, olhando para a janela — Eu acho que você pegou pesado...



 
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