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Batman # 28

Por Leonardo Araújo

O Assalto
Versão 1

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Gotham, cinco e meia da manhã. Delegacia central da cidade.

O policial Brian Smith Linson, tenente Linson, caminha pelo corredor em direção a sua mesa a fim de lavrar uma ocorrência no centro da cidade: a tentativa de assalto de uma joalheria.

— Sr. Harry Atwater Dekker?

— Sim, sou eu. — responde o rapaz algemado na cadeira em frente a sua mesa.

— Você está fedendo, minha nossa.

— Se cê quisesse trabalhar com uma galera cheirosa, devia trampar em agência de modelos. — responde o preso, arrancando risos de um sargento na mesa ao lado.

— Muito bem, engraçadinho. — diz o policial, enquanto liga um gravador — Me diga o que você tava fazendo naquela joalheria às três da madrugada.

— Eu sô homem e assumo que tava descolando umas pedras pra vender. — ele olha para as algemas — Cê tem um cigarro ai?

— Não. Continue.

— Cara chato. Bom, eu cortei os fios do telefone e arrombei a porta dos fundos. O alarme funcionava junto dos fios do telefone. Sou profissa. — ele sorri — Era limpeza: eu teria uns 15 minutos pra fazer o serviço.

— Carl, traz um café pra mim! — pede o tenente.

— Dois, chefia, dois.

— Traz mais um pra esse vagabundo aqui!

— Vagabundo? Sou não. É a necessidade que me levou a isso.

— Sei, sei. Vamos lá, continue sua história. Tenho outros para ouvir antes do fim do meu serviço.

Dekker olha para o policial e diz:

— Cê quer saber do morcego, né? Cês se pelam de medo do cara. Eu sei.

— Ô, palhaço, continua sua história.

— Bom, eu tava limpando a loja, pegando tudo de bom, quando percebi que não tava sozinho. Ninguém me pega distraído.

— Sei. Continua. — diz o policial, pegando o café que lhe trouxeram.

— O cara chegou de mansinho, na encolha, doido pra me pegar. — uma xícara de café é posta na sua frente — Como eu vou tomar café algemado?

— Carl, leve o café dele. Ele não consegue tomar. — ordena o tenente ao auxiliar.

— Filho da puta. — Dekker fica remoendo palavras e olhando para a mesa do policial.

Subitamente, uma pancada seca e forte irrompe no ambiente: o tenente Linson golpeia fortemente a mesa com o cassetete.

O prisioneiro olha assustado para o policial que, de forma tranqüila, guarda o cassetete.

— Tinha uma barata na mesa. — diz o oficial para os colegas nas mesas ao lado — Desembucha. — fala, voltando, novamente, sua atenção para o preso.

— Eu tava dizendo que o cara tava tentando me pegar pelas costas, mas quando ele chegou perto, ah, aí o bicho pegou. Cara, a gente saiu no tapa, mano a mano, eu e ele. Sabe cumé? Ele pensava que podia me ferrar, mas eu sentei a mão no desgraçado. Pow, porrada comendo solta, eh!

— Você saiu no tapa com o Barman? É isso que você está me falando?

— Claro. Desci o bambu no desgraçado.

O tenente olha e aponta para o gravador.

— Teve uma hora que ele tentou pegar algo no cinto. Eu saquei que ele tava armando uma. Daí, eu grudei com ele e não deixei o cara relar no cinto.

— Tu tá drogado? — o policial faz cara de bonzinho — Pode falar pra mim.

— Não curto essas merdas não. — diz o marginal, profundamente ofendido — Sou geração saúde.

— Meu filho, você está falando do mesmo Batman que eu estou pensando?

— É, aquele da Liga, amigo do cara lá de Metrópolis.

— Incrível. Eu podia jurar que era outro. Achava que era o apelido de algum amigo teu.

— Eu quase arranquei o cinto dele. Mas a fivela era resistente, da boa mesmo.

— Você já foi internado, ou alguém da sua família, em clínica psiquiátrica?

— Já fui interno de uma parada, uma casa de menores lá...

— Internado, fazendo tratamento pra cabeça. — explica o policial.

— Nada. Lá em casa, até onde sei, todo mundo é legal. — ele gira a cabeça em negativa — Tem doido não.

— Tem não, sei. — agora é o oficial que acena com a cabeça, positivamente — Sempre tem o primeiro caso.

— Tá me tirando?

— Nem pensar. Mas... uma curiosidade: você mal tem arranhões. Acho que o Batman não conseguiu te acertar, certo?

Dekker se olha, buscando por algum sinal no corpo.

— Sabe que eu nem tinha percebido? Pelo jeito o cara não conseguiu me acertar. É, eu sou rápido.

— Tô curioso. Continua.

— Acho que ele tava doidão.

— Tu não, mas ele sim? Batman drogado, é? — o policial insiste.

— Caralho, vou ter que desenhar?

— Tipo maconha, cocaína...

— Éééé.

— Hum-hum. — ele mexe o nariz de um lado para outro.

— Acertei a cabeça dele nuns mostruários e o cara cambaleou, aí meti o pé no peito dele, uma voadora, sabe, que nem... Chuck Norris.

— Sei, Chuck Norris. — o policial coça o queixo e olha para alguns outros colegas que, sorrateiramente, escutam a história — Prossiga, senhor Chuck Norris, por favor.

— Dava pra ver que ele tava numa pior, estava se segurando em tudo que encontrava: mesa, cadeira, balcão, tudo.

— Alguém me traga uma caixa de rosquinha. Preciso adoçar isso pra engolir.

— Chefia, eu tô falando a mais pura verdade. Cá entre nós, eu quase vi o rosto dele.

O policial arregala os olhos, como quem está muito surpreso. Ele se inclina para frente e diz:

— Você arrancou a máscara dele? Melhor, você é vidente?

— Cê... — faz um ar questionador — tá me tirando sarro!

— Não, imagina. Foi só expressão. Continua!

— As porradas que eu dei na cara dele afrouxaram o homem e as roupas, inclusive a máscara.

— Mal posso esperar pra saber como ele conseguiu te prender. Deixa eu adivinhar, foi pura...

— Sorte, pura sorte.

— Ele jogou a algema para o alto — o policial joga suas mão para cima — tentando fugir da tua surra e ela caiu nos teus braços?

Os policiais riem.

— Engaçadinho, he-he-he. Tive uma câimbra na hora de fugir...

— Não acredito que estou ouvindo isso. — diz o oficial, com os dois cotovelos na mesa e a cabeça entre eles.

— Minha perna doía muito. Aí, bom, ele me algemou.

— Acabou?

— Pra dizer a verdade, não.

— Vai dizer que o Super-Homem apareceu e tu acabou com a raça dele também.

— Vai zoando. Cês encontraram o Batman lá?

— Não, nós raramente encontramos o Batman após ele efetuar uma pri...

— Pois, é. Algemado, eu ainda dei umas porradas no boçal. O fantasiado se mandou. Acho que ele voa. Sumiu rapidinho.

O tenente Linson fica de pé e pergunta em bom som:

— Alguém bateu na cabeça desse desgraçado aqui? Olhem bem, com cuidado, sem precipitações. Vamos lá, colaborem. — os policiais riem e olham para o tenente — Pode dizer, eu não vou pôr nos relatos da madrugada.

— Desencana, general. — o preso mostra-se confiante — A parada é toda séria.

— Sabe, uma vez prendemos um bêbado aqui por agressão a uma freira de quase 70 anos.

— Gente malvada... o bêbado, lógico.

— Escuta. — adverte o tenente — A freira disse que estava passando e o cidadão, completamente embriagado, a chamou. Ela, pensando que o rapaz precisava de ajuda, parou e se voltou para ele, tentando apoiar o cara. Foi quando recebeu o primeiro soco no nariz.

— Uuui! — exclama o preso, com certo espanto.

— Ela caiu, e ele continuou batendo nela até que um guarda viu a cena e o prendeu. — o policial cruza os braços.

— Tem que prender mesmo. Sujeito covarde.

— Mas o surpreendente foi o que ele falou quando o policial o segurava e ele encarava a freira.

— Mandou o policial pro inferno, hehehehe!

— Não. O bêbado disse pra freira: "Pô, tô decepcionado. Hic... pelo que diziam, esperava mais de você, hic... Batman!"

Alguns risos correm pela sala enquanto Dekker retorce parte do rosto, como quem despreza a história.

— Sargento Fernandez, passe este arquivo gravado para texto e pegue a assinatura do Chuck Norris aqui, junto com as digitais. — diz o tenente, entregando o gravador para o sargento — Aproveita e faz um exame de sangue nesse cara.

— Tenente, — fala Fernandez, já conduzindo o preso — deixo ele trocar as calças por uma que feda menos a mijo?

Já passa mais de duas horas após o depoimento de Dekker. Ao chegar na delegacia, o comissário Gordon recebe o tenente Linson. O oficial, após relatar sucintamente as ocorrências principais, arremata:

— Se eu fosse o senhor, leria o caso da quinta pasta. Nunca li uma história tão furada. Um bom dia pra o senhor.

— Bom dia, Linson.

Gordon vai direto à pasta: assalto à joalheria.


Na próxima edição: A segunda versão para este caso!




 
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