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Batman # 45

Por Leonardo Araújo

Realidades — Parte Final
Dia D

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Apokolips (em um universo paralelo ou num futuro não tão distante).

Dentre os planetas que possuem vida inteligente, Apokolips é o mais próximo ao conceito de inferno formulado pelo homem. As imensas fossas de fogo se interligam no centro do planeta e expelem, permanentemente, gigantescas labaredas. As crateras na superfície de Apokolips são provas de que a descrição dada não é um exagero de linguagem. Piorar as condições que vigoram no planeta é algo que margeia o impossível. No entanto, o momento atual corrobora um velho ditado terrestre: nada é tão ruim que não possa piorar!

Há três dias, Apokolips é alvo de uma chuva de asteróides. (*) Alguns chegam a acreditar que o universo tenha, finalmente, se voltado contra o planeta do deus tirano. Os asteróides variam em tamanho, desde algumas dezenas de metros até centenas de quilômetros. O céu é iluminado pelos disparos dos canhões que, de forma contínua, defendem as cidades. Ao atingir as imensas rochas no espaço, as explosões são visíveis a olho nu pelos habitantes locais, mesmo durante o dia.

Na capital Armagetto, no alto de uma imponente torre que se destaca no palácio sede do governo, Darkseid observa o sinistro espetáculo que se desenrola. Sua visão, no momento, está sendo atrapalhada por espessas nuvens e uma forte tempestade eletromagnética que chega a cidade.

— Meu senhor, como prevíamos, a tempestade chegou à nossa cidade.

— Desaad, quero saber se a tempestade é conseqüência desse bombardeio. — fala o soberano de Apokolips — Descobriu a origem dos portais que estão trazendo os asteróides?

— Terra. Algumas assinaturas de teleporte são idênticas às que registramos anos atrás. Mas temos outro problema: um terceiro Apocalypse acaba de ser avistado no planeta.

— Terceiro? E os outros dois?

— O primeiro está morto, o segundo, bom, os parademônios o detiveram na zona leste da cidade. Mas há muitas baixas.

Os olhos de Darkseid brilham num tom de vermelho conhecido por seus inimigos. Ele pergunta:

— Quantos?

— Somando as baixas das tropas que combatem Apocalypse e as provocadas pelos destroços dos asteróides maiores que atingiram alguns alvos, são 1092 mortos e 2401 feridos. — Desaad abaixa a cabeça e dá um passo para trás, como que esperando uma reação violenta.

— Os humanos pagarão caro por esta afronta. Vamos arrasar o que sobrou daquele planeta. — grita, com ira, Darkseid.

A alguns quilômetros dali, entre escombros fumegantes, o segundo clone do alienígena guerreiro conhecido por Apocalypse é atacado por Cães de Guerra. Tropas procuram cercar a mais temível máquina de guerra viva, para um ataque conjunto. Vêem-se baterias de artilharia pesada sendo posicionadas para melhorar a visão sobre o alvo.

— Fogo! — ordena Kanto aos seus comandados enquanto se dirige a um segundo grupo de guerreiros.

Vários disparos são efetivados. Observa-se Apocalypse receber oito impactos diretos das baterias da artilharia, enquanto mais nove explodem em sua volta. São quase dez segundos de ininterrupta sinfonia bélica. O guerreiro invasor resiste de pé aos quatro primeiros golpes, mas os demais o derrubam. Kanto novamente se pronuncia:

— Atiradores prontos? Façam minha obra-prima: fogo!

Agora são armas manuais, de potência nunca vista na Terra, que disparam contra Apocalypse enquanto ele tenta se levantar. A destruição local é imensa: escombros, destroços e ferro retorcido compõem a paisagem local. O fogo ilumina o palco onde a batalha se desenvolve, explosões e gritos compõem uma macabra sinfonia ambiente.

Num ponto localizado na face oposta de Apokolips, o terceiro clone investe contra uma base militar. Cruzadores estelares já estão no céu: disparam contra o alvo que se aproxima velozmente da base. No rastro do avanço de Apocalypse, máquinas destroçadas e soldados mortos formam o cenário de guerra.

Há três cruzadores enormes fazendo frente ao invasor, ou, pelo menos, tentando. De forma surpreendente, saindo da bola de fogo provocada pelo impacto de uma das rajadas de laser das naves, Apocalypse emerge num gigantesco salto, rumo à nave mais próxima. A criatura atinge o casco da máquina e rompe a estrutura blindada com os punhos. As outras duas naves manobram para ficar fora do alcance de um novo salto. O clone, rasgando o metal que recobre o cruzador, adentra-o.

Tubos de explosão irrompem a estrutura do espaço, trazendo a Vovó Bondade e as Fúrias. Lashina e Stompa correm na frente do grupo. As Fúrias logo estabelecem um padrão tático perceptível: aguardam o desenrolar da luta de Apocalypse no cruzador para atacar o invasor.

Gotham City (em um universo paralelo ou num futuro não tão distante).

— Não há qualquer sinal de que tropas de Darkseid se deslocam para a Terra. — diz Victor Stone.

— A distração lá é bem grande! — fala Kitty, com um sorriso nos lábios.

Victor entra num portal com destino a um dos cinturões de asteróides que supre o bombardeio a Apokolips.

Pelas minhas estimativas, temos mais 12 horas de bombardeio. Depois disto...

— Acabam os asteróides que marcamos. OK! Estou controlando esta variável. — diz Luthor a Roy, que está no espaço teleportando as imensas rochas.

— Então é hora de entrar com o plano C. — fala Batman — Mandem o último Apocalypse para o combate. Preciso da caixa materna.

E a outra caixa que você pegou? — pergunta Cassandra, líder de uma das equipes de teleporte.

— Já está em ação, segundo meu plano. Quero um uniforme idêntico ao que Tim usa. Vou gravar uma mensagem para que Darkseid capte e a ouça.

Nova York, Four Freedoms Plaza.

— E então, Reed: como vão indo os trabalhos? — pergunta Super-Homem ao entrar na sala em que o Batman Escarlate (Tim Drake) e o líder do Quarteto Fantástico trabalham.

— Há uma boa chance. Estou ajustando alguns parâmetros das variáveis de cálculos que usei em algumas viagens interdimensionais.

— Um momento. — fala Batman ao pegar um objeto em seu cinto — É interessante: meu comunicador está recebendo avisos do computador da caverna, mesmo aqui nesta realidade.

— Algo grave? — pergunta Clark.

— Hera Venenosa fugiu. Ao que tudo indica, Gordon está no rastro dela. É bom saber do comissário após tantos anos.

— Terminei. Seria muito bom se eu tivesse dados do teleporte usado por Tim. — diz o Senhor Fantástico.

— Posso recalcular a freqüência que usei para acelerar os táquions no meu equipamento. — fala Tim.

— Ótimo! Isto pode direcionar a outra extremidade do portal que abriremos. Vejamos se há resíduos de íons na sua roupa, após o transporte. Vou precisar analisar você e seu informe num dispositivo de ressonância que construí.

Falando isso, Reed se dirige a um computador ligado a uma câmara metálica. Tim, após um sinal de Reed, se dirige à porta da câmara.

Apokolips.

A tempestade é ferrenha: raios riscam o céu do planeta a todo o momento. Alguns atingem construções, principalmente as mais altas.

— Isto não é comum. — conclui Darkseid no seu centro de comando de guerra. Desta imensa sala, o soberano verifica, em vários monitores, as batalhas que se desenrolam. Ele pode ver quando o que sobrou de suas guarda pessoal, finalmente, pára o segundo clone de Apocalipse.

Em outra tela, ele observa as carcaças de três imponente cruzadores serem consumidas em chamas, enquanto o terceiro clone, mesmo ferido, arrasa o que sobrou de uma base militar. Vê Mad Harriet atacar Apocalypse com seus ferrões, que, ao se chocarem com as escamas ósseas do braço da criatura, arranca parte destas. Enfurecido, o clone puxa a guerreira pelo próprio ferrão, ergue-a e a rasga ao meio. Vovó Bondade, pessoalmente, desfere um chute nas costas de Apocalypse. O soberano de Apokolips observa, com atenção, a batalha.

— Perdemos mais duas usinas. Agora 62% de nossas tropas operam com grupos geradores de emergência. — relata um parademônio a Kalibak, ao lado de Darkseid.

— Senhor... — fala um outro parademônio.

Um dos presentes no recinto chama a atenção de Darkseid para uma imagem preocupante: sensores identificaram um campo carregado de íons e a subseqüente abertura de outro portal trazendo mais um clone de Apocalypse.

— Mandem uma esquadra de interceptação agora. Quero apoio aéreo, mas mantenham distância. — ordena Kalibak — Pai, pessoalmente, irei acabar com ele.

— Vá.

O filho de Darkseid sai da sala. Ainda há muitas informações sobre as frentes de batalha e a preparação de reforços a serem consideradas. Mas, em meio à análise de mensagens e visualização do deslocamento das tropas, por alguns instantes, percebe-se muita interferência nas imagens: várias chegam a deixar de serem transmitidas. Uma forte luz vermelha brilha em um dos painéis.

— O que significa esta luz? — indaga o tirano.

— Falha das baterias de artilharia ao sul da cidade. — responde o operador que está à frente do painel.

— Vamos ser atingidos. — conclui Desaad.

— Quanto tempo? — Darkseid questiona.

— Dois minutos e trinta e sete segundos. — responde o operador do sistema.

— Então não seremos atingidos.

Darkseid usa sua caixa materna e se desloca para o alto de uma das torres. Observa a região onde espera que o meteoro apareça na atmosfera. Após vários segundo, uma colossal bola de fogo rasga as nuvens negras que cobrem a cidade. Os olhos de Darkseid brilham num vermelho intenso e, em seguida, liberam a força ômega.

Parte da população em umas das periferias da cidade, apavorada, vê quando um risco vermelho, saindo da torre do palácio de governo, segue em rota de colisão com a rocha que brilha no céu. É a última coisa que testemunham: a explosão que se segue após os raios ômegas atingirem o meteoro devasta centenas de quilômetros da periferia. Em volta do palácio, um campo de força minimiza o impacto da onda de choque que vem arrasando parte da cidade, quarteirão a quarteirão. Edificações são arrancadas do chão, junto com o solo, como se uma lâmina estivesse se levantando no terreno.

Já de volta ao centro de comando, Darkseid ouve Desaad relatar:

— As tempestades eletromagnéticas estão fazendo as usinas entrar em colapso. Interferem em toda nossa tecnologia, inclusive em algumas armas.

A sala está agitada, mas há uma organização imposta pelo temor.

— Meu senhor, chegou uma mensagem há pouco da Terra.

— Repasse. — ordena o soberano de Apokolips.

A imagem de Batman aparece em uma das telas: Bruce Wayne vestido como o Batman Escarlate.

Como você já deve ter apurado, somos os responsáveis por este ataque. Sei que os asteróides foram dizimados por sua artilharia e cruzadores antes de atingir a atmosfera de Apokolips. Acompanhamos, também, as tempestades eletromagnéticas gigantescas que começaram há cerca de trinta horas. Elas estão se espalhando por seu planeta. E vão piorar.

Desaad olha para seu soberano que, atentamente, escuta a mensagem.

Doze horas após o início da chegada dos asteróides, junto com o primeiro Apocalypse a pisar no seu planeta, mandamos uma caixa materna para uma das fossas de fogo. Elas esquentam e equilibram a órbita de Apokolips. Os detalhes do porquê a caixa resiste a fornalha eu não vou passar, mas digo que, pelos meus cálculos, de 15% a 20% da energia da fornalha está sendo drenada.

— Impossível! — exclama Desaad.

Os efeitos, como você já percebeu, são evidentes: Apokolips teve sua órbita e temperatura levemente alteradas, o suficiente para provocar mudança no clima. Essa é a origem das tempestades, além, obviamente, do fato do planeta estar ligeiramente fora de órbita. Há outros efeitos, como a alteração do campo eletromagnético natural do planeta, o que o expõe as tempestades estelares. Seus cientistas vão relatar os problemas.

Com um soco, Darkseid destrói a tela, mas o som ainda é ouvido pelos presentes.

Neste momento, uma segunda caixa materna está atuando em outra fossa. Estimo que em algumas semanas o planeta esteja mergulhado no que chamamos aqui de "era do gelo". Você tem cerca de um mês antes de Apokolips colidir com a estrela que orbita. Para desativas as caixas, nossos termos são: declare a rendição incondicional de suas tropas, permita que uma força de ocupação liderada por Nova Gênese atue como tropa de pacificação ai, forneça toda a matéria-prima para a reconstrução de nossas cidades e transfira tecnologia de defesa aos nossos cientistas.

Gotham City.

— Bruce, como as caixas maternas resistiram ao calor da fossas de fogo de Apokolips? — pergunta Cassandra.

— As programei para abrir um tubo de explosão com destino a uma região distante no universo. Todo o calor que chega nela é transportado. A nossa principal arma, o transporte de energia, mantém a si mesmo em segurança.

— Eu ainda não consigo acreditar que temos uma real chance de paz.

— Paz, Kitty? Nós vencemos a guerra. É o fim de Darkseid. — comemora Roy.

— Meus cálculos mostram que a gravidade da estrela destruirá Apokolips em 528 horas. — Luthor mostra uma simulação, por meio de uma projeção, numa tela branca.

Batman se retira do ambiente festivo no qual a sala está se transformando. Ao chegar ao quarto em que se viu pela primeira vez na realidade na qual convive, ele observa a máquina em que Tim trabalhava vibrar e percebe que seu corpo brilhar. Uma vertigem o incomoda, faz seu estômago revirar, sua vista borrar, por uma fração de segundo. Súbito, como começou, tudo termina.

O ar é poluído, mas não da forma que acostumou respirar nos últimos dias: parece a poluição urbana de uma grande cidade, sem resíduos de destruição provocada por bombardeios e o cheiro de fumaça de incêndios. O som de carros acusa um tráfego local, o que ele desacostumou a ouvir. A visão da estátua da liberdade mostra onde o homem-morcego se encontra. Ele observa o enorme número quatro embaixo de seus pés: sabe que está no Four Freedoms Plaza. Há mais gente no alto do edifício.

— Bem-vindo, Batman. — os cumprimentos são do Senhor Fantástico e do homem de aço.


:: Notas do Autor

(*) Na última edição de Batman. voltar ao texto




 
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