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Batman # 44

Por Leonardo Araújo

Realidades
Parte IV

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Metrópolis.

— Melhor você desabafar. — na sala de seu apartamento, Lois Lane se dirige ao homem na sacada, de semblante tenso, busto nu, com o olhar perdido em meio aos prédios da cidade. Ele respira fundo e, em seguida, olha para esposa.

— Você me conhece bem.

— Clark, não pode salvar todos. Foi aonde desta vez: Haiti, Somália...?

— Zimbábue. Um grande incêndio no campo se aproximava de um depósito de combustível. — relata o homem mais poderoso da Terra.

— Isto eu tenho certeza que você resolveu. Mas...

— Mas as pessoas, a fome estampada em cada face daqueles que formaram a multidão, os ossos marcando toda a pele, a extrema pobreza. — ele dá alguns passos, cabisbaixo, em direção ao centro da sala — Contra tudo isto, meus poderes são praticamente inúteis.

— Políticos desonestos, indiferença das nações, ganância, nada disso pode ser resolvido com sua velocidade. — ela fala, enquanto pega nas mãos dele — Ou desentortado por suas mãos.

— Queria poder fazer mais.

Clark levanta a cabeça e olha imediatamente para a janela.

— Você faz. — um homem, de uniforme praticamente idêntico ao do Batman, mas em tom escarlate, adentra a janela — Você inspira bilhões a serem melhor todos os dias. Mesmo que não possa ajudar a todos, para aqueles a quem ajuda, a diferença não pode ser medida.

— Obrigado. Mas isto não lhe dá o direito de invadir minha casa. Mesmo sendo Tim Drake.

— Notável. Foi o tom da minha voz, ou foi...

— Seu ritmo cardíaco e algumas fraturas antigas. Por que esta roupa e, o principal, por que está pelo menos quinze anos mais velho em relação ao Tim que conheço?

Gotham City (em um universo paralelo ou num futuro não tão distante).

A sala de reuniões se encontra à meia-luz. Victor Stone, Roy Harper, Cassandra Elizabeth Sandsmark e Kitty Pryde estão sentados ao redor de uma mesa. A atenção dos quatro está voltada para o homem que detalha um plano de ação para acabar com uma guerra interplanetária: o Batman.

— Analisei o teletransporte no qual Tim trabalhava. Está na fase final. Alfred me mostrou os testes preliminares. O equipamento está pronto para transportar qualquer coisa inorgânica.

— Mas como levaremos as tropas? — pergunta Arsenal.

O homem-morcego olha Roy por uma fração de segundos e Arsenal percebe que não deveria ter interrompido a explicação. A seguir, Bruce prossegue:

— O equipamento nos permitirá, após alguns ajustes, transportar grandes volumes. Estimo que algo em torno de 500 quilômetros cúbicos e, até 1,5 bilhões de toneladas.

— Ninguém pode dizer que você não tá pensando grande. — Lince observa, num tom moderado.

— É possível realizar um teleporte deste nível a cada hora.

— Ainda não estou entendendo. Não temos nada tão pesado ou grande assim. — Cassandra comenta com Roy.

— Temos duas caixas maternas que podem levar alguns de nós pelo espaço, além de alguns equipamentos. Temos os três teletransportes da LJA em funcionamento.

— Bruce, sem querer ser chato, planejamos várias ações. Mas, em todos os cenários, nosso poder de fogo e a quantidade de tropas possíveis de deslocar, via os teletransportes disponíveis, inviabilizava qualquer ataque.

— Então ouça meu planejamento até o fim, Victor.

Na tela de fundo, há uma projeção com o cinturão de asteróides onde alguns destes estão destacados. (*)

— Marquei certos asteróides, — ele aponta para a projeção — como podem ver. Cerca de 16 tem mais de 240 km. Podemos fragmentar em pedaços menores, com 10 km. Precisamos identificar o máximo deles que possuam dimensões compatíveis com o teletransporte em que Tim vinha trabalhando. Vamos fazer o mesmo no Cinturão de Kuiper. (**) Uma característica é preponderante: quanto mais velozes, melhor.

Roy se levanta.

— Vai bombardear Apokolips?

— Exato. Por este motivo, a velocidade é tão importante quanto a massa dos asteróides.

— É isso! — exclama Kitty.

— Usaremos os teletransportes da LJA para levar três equipes, lideradas por Cassandra, Roy e Victor, para os cinturões de asteróides. Vocês irão detalhar o mapeamento dos asteróides que nos interessam. Termos de sincronizar os teleportes: todos os meteoros terão de chegar a Apokolips ao mesmo tempo.

— Isso vai impedir que as defesas deles abatam todos.

— Certo, Victor. Temos de escolher várias direções para os impactos.

— E as caixas maternas? — pergunta Cassandra.

— No meu planejamento, elas desempenharão um papel vital.

Metrópolis

— Esta é toda a história, Super-Homem. — conclui Tim Drake, o Batman Escarlate, após apresentar os fatos ocorridos na Terra em que vive — Não sei se estou no passado do meu planeta, numa linha de tempo alternativa, em outra dimensão, mas o que te contei são fatos.

— Beira o inacreditável. — diz Lois.

— Bilhões de mortes. — reflete o homem de aço.

— Procurei Bruce, mas não o encontrei. Vim aqui por achar que você pode ajudar minha realidade. Talvez seja o único.

— Sem saber de onde você vem, não podemos dar qualquer passo.

— Sei disto. Mas acho que sabemos a quem procurar neste caso, não?

— Viagens dimensionais, deslocamentos temporal, linha de tempo alternativa... suponho que a melhor opção que temos é Reed Richards. — sugere o kryptoniano.

— Concordo.

Gotham, em outra realidade.

— Temos dados suficientes para iniciar os cálculos de trajetória, da quantidade de asteróides transportados por dia e onde cada um deles deve surgir. — Lex Luthor analisa alguns gráficos num grande monitor — Tudo proto, Cyborg?

Victor usa uma versão espacial da sua contraparte robótica. O mesmo se aplica a Arsenal.

— Sim, Luthor. Vamos verificar mais alguns asteróides e você refaz os cálculos na medida que transmitimos os novos dados.

— Batman, sei que ainda não deve confiar em mim, mas acho que verá que a auto-sobrevivência me faz colaborar com o grupo. Tenho certeza...

— Luthor, dispense o discurso. — fala o cavaleiro das trevas, enquanto revisa alguns cálculos e programas — Continuarei a checar todas as funções-chave nas quais você estiver envolvido.

Arsenal e Cyborg estão prontos para partir para o Cinturão de Kuiper. Os antigos teletransportes utilizados pela LJA já estão ativos na grande sala em que o grupo se encontra. Antes de ser teletransportado, Roy fala, em tom baixo, com Bruce:

— Cara, desencana. Luthor já nos salvou várias vezes. Não há motivos pra neura.

— Boa sorte! — Batman exclama ao ativar o equipamento, interrompendo a conversa.

Em seguida, Victor e uma pequena equipe também são enviados ao espaço. Cassandra, vestindo traje de astronauta, adentra o salão.

— Tudo pronto? — ela pergunta.

— Sim. — Batman digita coordenadas no teletransporte — Assim que os scanners capturarem os dados dos asteróides, envie as informações. Dependendo da sequência, podemos trazer vocês mais cedo.

— Mas isto dependeria de sorte, — observa Luthor — o que é um luxo nos dias de hoje.

Os trabalhos se estendem por horas. Cassandra, Roy e Victor fornecem a telemetria de vários asteróides. Cada um é mapeado e os dados, principalmente o peso, diâmetro e velocidade, são bases de cálculos para a montagem de uma complexa rede de bombardeio.

Batman simula a complexa rede que está sendo formada numa maquete eletrônica tridimensional. Nesta imagem, Apokolips está cercada por manchas marrons, as quais representam os múltiplos asteróides. O acionamento do teleporte, trazendo Roy, desvia a atenção de Bruce.

— Roy, leve o aparelho que Tim desenvolveu e inicie a teleporte dos asteróides. Já calibrei o equipamento para cada uma das rochas. Você deve conferir a telemetria do asteróide — Batman entrega um scanner especial ao Arsenal — e ajustar o feixe de teleporte para o mesmo. As coordenadas de destino serão selecionadas automaticamente.

Nesta rotina, Batman e Luthor seguem coordenado as equipes de rastreio e de transporte dos asteróides. Tropas de elite auxiliam a equipe inicial, devido à extensão do trabalho. As horas se transformam em dias. Ao todo, a operação leva oito dias. Obviamente, os combates na linha de frente são constantes: o inimigo não deve saber que uma grande operação secreta está em andamento.

Já é noite, no oitavo dia, quando Roy, Cassandra e Lince se reúnem novamente com Batman.

— Onde está Victor? — pergunta Lince.

— Estamos a pouco mais de vinte horas para, teoricamente, ocorrer o primeiro impacto de um dos asteróides em Apokolips. Quero uma distração lá, para minimizar as chances de Darkseid eliminar nossos meteoros antes que alguns atinjam seus destinos.

— Você não mandou Victor... — Cassandra não completa sua frase. Olha para o homem-morcego e silencia.

— Victor não está em Apokolips. Neste momento, ele está coordenando a abertura da Zona Fantasma com um teletransporte.

— Ah, a distração será o Apocalipse em Apokolips. — conclui Roy.

Luthor entra na sala e fala:

— Teremos mais três clones de Apocalipse com duas, quatro e seis horas.

— Serão, portanto, quatro distrações que Darkseid terá de lidar. — arremata o cavaleiro das trevas.

— Pegamos aquele filho da ... — Roy é interrompido.

— Não contemos com a vitória ainda. Tenho mais uma linha de ação que nos envolve. — Batman apóia seu tronco com as duas mãos sobre a mesa — Escutem com atenção!


:: Notas do Autor

(*) Localizada entre Marte e Júpiter. voltar ao texto

(**) http://pt.wikipedia.org/wiki/Cintura_de_Kuiper voltar ao texto




 
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