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Batman # 43

Por Leonardo Araújo

Realidades
Parte III

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— Impossível! — a palavra escapa da boca de Cassandra.

Mesmo quem não tem a menor experiência em análise de expressão teria rapidamente identificado o caos que se estampou na face dos presentes. Incredulidade, medo, esperança, surpresa: múltiplas emoções impressas nos rostos de poucas pessoas, em um tempo não superior a um segundo.

— Um clone! — acusa Lince Negra.

— Ou um transmorfo. — conclui Cassandra.

— Lhes asseguro: sou eu. — fala o homem vestido de morcego na sala.

— Impossível. — retruca a Moça-Maravilha — Eu estava lá quando o Batman voltou de Apokolips. Eu o vi morrer!

— Alfred me passou todos os dados: este é Bruce Wayne, o Batman. — fala Victor Stone, o Cyborg, apontando para o cavaleiro das trevas.

— Victor, sabemos que Bruce morreu.

— Lince, os dados não mentem. — reafirma Cyborg.

— Alfred também me passou os dados. Todos os testes indicam que é Bruce. — opina Arsenal.

— Como? Mortos não voltam. Diana, Dick... — Cassandra, verte uma lágrima ao olhar para o intruso na sala — e Bruce... todos mortos.

— Acalmem-se. — fala, em tom de advertência, para interromper o debate — Ao que tudo indica, ou sou de um universo alternativo, ou uma anomalia temporal me trouxe até aqui.

— Difícil, muito difícil de acreditar. Eu quero, mas... — Lince olha intrigada para Batman.

— Digitais, DNA, retina ocular, tudo diz que é Bruce. — volta a afirmar Arsenal — Cá pra nós, eu sei que é ele. Nenhum transmorfo ou clone se moveria e falaria como Bruce sem que eu notasse.

— Mas Roy...

— Kitty, eu lutei ao lado dele muitas vezes. Algum transmorfo ou um clone a confundiria, por exemplo, se alguém se apresentasse como Logan?

Um silêncio constrangedor domina os presentes. Batman apenas observa a discussão, avaliando e estudando a dinâmica interativa daquele grupo.

— Bruce... — Cassandra o abraça e Arsenal se junta a ela, embora Batman permaneça imóvel. Lince Negra senta, ainda boquiaberta. Victor exclama:

Esperança!

— Mãe, promete que a dor vai passar... urhhh ... — um velho, no leito da cama, fala a uma moça, de não mais de 35 anos, ao seu lado.

— Calma, filho, ela vai passar, eu prometo. — a mulher pega uma agulha que brilha num tom verde floresta.

— Por favor, mãe, faz parar. Dói muito!

Lex Luthor, com um olhar triste, lábios cerrados, passa às mãos da mulher uma seringa.

— Calma, filho, só mais alguns segundos.

A mão esquerda do ancião empunha parte da armação de ferro da cama onde está. Numa crise de dor, ele contrai os dedos, esmagando a travessa metálica.

— Calma. — ela pede enquanto termina de rosquear a agulha no corpo da seringa.

— Desculpem-me, eu não sou quem vocês esperavam! — diz o velho enquanto uma solução lhe é injetada na veia do braço direito — Eu queria ter podido ajudar.

— Shhh! Descanse, meu filho. Não fale mais. — diz aquela a quem ele chamou de mãe.

O velho silencia e parece adormecer. Luthor dá alguns passos e se senta junto ao leito.

— Pobre criança. — lamenta olhando o corpo inerte a sua frente — Falhei novamente: a clonagem do Super-Homem não foi bem sucedida. — ele fala, registrando sua nota num arquivo de voz.

A tela do monitor que exibia este quadro se apaga.

— Esta foi a última tentativa?

— Sim. Usamos todo o material genético do Super-Homem nesta clonagem. — explica Arsenal ao Batman — Durou quase dois anos.

— Não há estabilidade a nível celular: elas envelhecem muito rápido. Há muitos efeitos colaterais. — completa Victor — Sem falar no problema do aprendizado, de dar uma formação aos clones.

— Vocês sabem...

— Sim, sabemos, Bruce. Sabemos que a essência do Super-Homem, todas as experiências dele, não podiam ser clonadas. Mas tínhamos esperança de que, sei lá, uma sugestão hipnótica, um tratamento revolucionário, pudesse transformar este clone numa sombra do que ele foi. — diz Cassandra.

— Mais alguma outra clonagem?

— Hulk, Thor e... — Cyborg cita.

— Diana. — diz Cassandra.

Batman tem sua expressão alterada. Seu olhar os atinge em cheio, como um torpedo.

— Cara, antes de qualquer sermão... — Arsenal é interrompido.

— Saiam, deixa que eu falo com ele sozinha.

— Não há o que ser falado, Cassandra.

Dizendo isto, Bruce se retira da sala. Ao se dirigir pelo corredor, um puxão pelo braço o coloca contra a parede, quase o imobilizando.

— Você não tem o direito de fazer isso. Sabe o que passamos? Não sei se veio do passado ou de outro universo, não me importa: nunca fui fã do namoro de vocês. Sua frieza... mas se há algo remotamente humano em você, — seu tom de voz se modera — então me entenderá. Não ache que a amava mais do que eu... — ele olha para a mão dela que prende seu braço contra a parede e a encara. Ela, imediatamente, o solta — Não tem o direito de... nos censurar...

— Não é justificativa. — ele replica, com certo tom de advertência.

Cassandra desaba num choro convulsivo e fala:

— Por que ela? Não é justo... não é justo.

Ele desarma a feição rude em seu rosto.

— Uma guerra nunca é justa. — memórias de tiros e seus pais caídos aparecem e se vão — Crianças são forçadas a amadurecer muito cedo, nem sempre com a orientação correta. — Batman a ampara enquanto ela continua chorando. Por fim a Moça-Maravilha desabafa:

— Queria ela aqui, só mais uma vez!

Dentro da sala, Cyborg seleciona alguns arquivos.

— Mais alguma coisa que eu deva saber? — diz Batman ao retornar a sala.

Arsenal, sorrateiramente, chega junto a Cassandra:

— O que você falou pra ele que o convenceu a voltar?

Ela limpa uma lágrima, mas as palavras ainda engasgam na sua garganta.

— OK, entendi. Deixa pra lá.

— Estas imagens são da lua, — diz Cyborg ao executar um comando no computador — o lado escuro. Aqui — ele aponta num ponto da tela — tem destroços de uma base.

— Nossa ou de Darkseid?

— Deles.

— As marcas de destruição são compatíveis com uma forma humanóide, mas muito grande. — observa o detetive — Quem causou?

— A clonagem de Apocalipse foi bem sucedida.

— Sim, é esperado: a criação dele foi um processo de sucessivas clonagens. — conclui o homem-morcego.

— Exato. Luthor disse o mesmo.

— E como o controlaram?

— Bom, Batman, aí está o problema. — comenta Cassandra.

— Não o controlamos. — diz Lince Negra.

— Lançamos ele na lua. — fala Victor — Mas, pra ele, tudo era inimigo. Inclusive nosso posto avançado.

— Não pensaram no controle dos danos?

— Pra dizer a verdade, não, mas o contivemos. — diz Kitty Pryde.

— Como? — pergunta Batman.

— Zona Fantasma. Não podíamos deixar ele descobrir um meio de vir para a Terra.

— O Victor só esqueceu de dizer que esta base — aponta para os destroços no monitor — era numa cabeça-de-ponte das tropas de Darkseid. — fala Arsenal — Uma nova invasão estava a caminho.

— Era tudo ou nada. — diz Cassandra.

— Como o trancaram na Zona Fantasma.

— Fui até a lua. Usei uma caixa materna para me teleportar. — diz Victor.

— Recolhemos dos trecos da Fortaleza da Solidão. O dispositivo que abre o portal estava intacto. — relembra Lince.

— Ainda funciona? — indaga Batman.

— Sim. — responde Cassandra.

— Tem uma perna fazendo companhia ao monstrengo na Zona Fantasma: antes de despachar o bicho, quase que ele arrasta o Victor. — diz Arsenal, sorrindo com o canto direito da boca.

— Arrancou minha perna direita assim que acionei o aparelho. Apocalipse é muito rápido. Foi por muito pouco.

— Como conseguiu uma caixa materna? — o cavaleiro das trevas questiona Cyborg.

— Antes de morrerem, Barda e Scott me entregaram a deles. Prefiro não lembrar as circunstâncias. — Victor desvia o olhar para um dos cantos do cômodo.

— Elas ainda estão ativas?

— Sim, Batman. — responde Lince Negra.

— Mas algum recurso de teleporte?

— Bom, o pessoal recuperou três teleportes do satélite da LJA. — lembra Arsenal — O satélite foi destruído.

— Qual o poderio bélico disponível?

— É melhor você ver o último relatório no monitor, Batman. Há um resumo que ajuda entender.

— Quero também uma estimativa das tropas inimigas, seu poderio de ataque e as informações que deram origem aos relatórios. — Batman solicita aos seus anfitriões — Nos reunimos em seis horas.

Novamente, o cavaleiro das trevas sai da sala.

— E Tim? — pergunta Cassandra aos demais.

— Recuperei alguns dados e a conversa entre Bruce a Alfred. Tim trabalhava num projeto novo. Pelo que entendi, era um dispositivo de teletransporte em massa. — diz Victor.

— É! Ele sempre dizia que tínhamos que levar essa guerra para o quintal do Darkseid. — observa Kitty.

— Acho que alguma variável, algo, fugiu ligeiramente do controle. Uma fenda no tempo, ou entre dois universos, trouxe Batman para cá.

— E levou Tim pro outro universo? Ou no tempo?

— É provável, Cassie. — diz Cyborg.

Horas depois, o quarteto está reunido à espera de Batman.

— Acha que ele encontrou algo que faça real diferença? — pergunta Cyborg a Arsenal.

— Cara, se tem alguém que é capaz disso, é ele.

— Acha que Tim pode ter deixado passar alguma coisa? — pergunta Kitty.

— É difícil, mas... — Arsenal responde.

— Ele está atrasado? — indaga Cassandra.

— Estaria se demorasse mais 15 segundos. — responde Batman, de forma súbita, ao entrar na sala — Tenho um plano.




 
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