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Homem-Aranha # 01

Por Eduardo Sales Filho

A Teia da Vida

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Forest Hills - Queens 2h15

Mary Jane tenta dormir, mas o calor do verão em Nova Iorque não permite. Ela pensa sobre sua vida, sua carreira, seu casamento, seu marido... A jovem ruiva acostumou-se a passar as noites sozinha. Ser esposa do amigão da vizinhança, o espetacular Homem-Aranha, faz dessas coisas.

Esta noite, no entanto, é diferente. Algo a incomoda. Há uma semana ela vem sentindo enjôos matinais e um mal-estar terrível. Como sua alimentação de ex-modelo é muito rigorosa, dificilmente este seria o resultado da ingestão de algum alimento estragado. Mary Jane tenta não pensar nisso, mas o motivo da sua doença é cada vez mais óbvio. "Eu estou grávida", pensou. "Meu Deus, eu só posso estar grávida!"

Soho 2h25

— Não adianta fazer cara feia, a teia só vai se dissolver em duas horas. Até lá aproveitem a paisagem — diz o espetacular Homem-Aranha enquanto lança sua teia num prédio próximo, deixando para trás dois homens pendurados num poste em frente a delegacia do Soho.

Esta é apenas mais uma noite na vida de combate ao crime do herói aracnídeo. Desde a morte do seu tio Ben, o jovem Peter Parker assumiu como lema de vida uma frase que todos já cansaram de ouvir: com grandes poderes vem grandes responsabilidades. Uma responsabilidade que não se restringe apenas à sua querida tia May e sua amada Mary Jane, mas a todas as pessoas que ele vê enquanto se balança pelas ruas da agora quieta Nova York.

O passeio de hoje já acabou, está na hora de voltar para os braços quentes da ruiva mais sensacional do universo. Um sorriso se forma por baixo da máscara enquanto Peter pensa em Mary Jane. Infelizmente, esse sorriso não vai durar muito.

Uma sensação familiar chama sua atenção. Seu sentido de aranha detecta alguém o observando... "No topo daquele prédio", pensa Peter enquanto solta sua teia e mergulha num beco sem iluminação. Músculos ágeis impulsionam seu corpo contra a escada de incêndio. Usando-a como alavanca, o Homem-Aranha se projeta para o prédio da frente e, aderindo às paredes, cuidadosamente começa a escalada.

No alto do prédio, a jovem Sally Green está desnorteada à procura do aracnídeo. Ele fora rápido demais, ela o perdera de vista. Não conseguiria tirar nenhuma foto dele hoje.

— Ei! Se queria uma foto minha era só pedir.

A fotógrafa iniciante dá um salto para trás e procura a origem da voz misteriosa. Do parapeito do prédio, o Homem-Aranha salta por sobre a garota. Sua agilidade a impressiona, mas pelo seu tom de voz é óbvio que ela não precisa ter medo.

— Ho-homemaranha...desculpa...e-eu não sei o que dizer...sou sua maior fã!

Essa era nova para ele. Uma fã! Parker estava acostumado a ser odiado por todos, fruto dos inflamados editoriais de J.J. Jameson no Clarim Diário. Ele também não sabia como agir...mas francamente, estamos falando do sujeito mais tagarela da história, com certeza ele não vai ficar sem palavras.

— Uma fã? Mas vocês me perseguem até aqui!

— Desculpa...eu só queria umas fotos suas. Sabe, estou montando um fã-clube pra você e preciso de material exclusivo para divulgação...até fui procurar aquele fotógrafo do Clarim, mas não consegui encontrar.

— Tudo bem. — diz Peter, enquanto senta no parapeito e faz sinal para que a moça faça o mesmo.

— Qual seu nome, mocinha?

— Sally. Sally Green...

— Muito bem, Sally, quantos anos você tem?

— Dezoi...tá bom, tenho quatorze.

— Sally, você não acha que é meio tarde para alguém da sua idade estar perambulando por aí?

— Mas eu não tou 'por aí'! Eu moro aqui, nesse prédio. Através da janela do meu quarto te vi, várias vezes, cruzando os céus da cidade. Eu sabia que você ia passar por aqui mais cedo ou mais tarde!

— Sally, já são três da manhã! Vamos combinar assim: prometo voltar aqui e conversar mais com você e até deixo que tire algumas fotos, mas agora é melhor você voltar pra casa e dormir, seus pais devem estar preocupados.

— Eles não devem nem ter percebido que eu saí... Então estamos combinados, te espero amanhã. Meu apartamento é o 9-A, B e C! Meu pai é dono do último andar inteiro! — diz a jovem, antes de correr em direção à escada com um sorriso enorme nos lábios, deixando um estupefato Homem-Aranha para trás balbuciando algo como "mas eu nem disse que dia viria..."

Forest Hills - Queens 8h15

Mary Jane não dormiu mais após a chegada de Peter. Nas últimas quatro horas ela permaneceu deitada olhando para seu marido, pensando em como contar a ele sobre sua gravidez, ou melhor, sua suposta gravidez. Afinal, ela ainda não tem certeza de nada. É hora de pôr um fim à dúvida!

A ruiva levanta-se cuidadosamente da cama — "não quero acordar o Peter" — e trata de se vestir para sair o mais rápido possível.

Descendo as escadas ela ouve ruídos vindos da cozinha. É tia May preparando o café da manhã.

— Bom dia Mary Jane, dormiu bem?

— Oi, tia May. Desculpe...estou com pressa, depois a gente conversa.

May observa a jovem ruiva sair apressadamente pela porta e pensa consigo mesma, com um leve sorriso: "Você não deveria ficar tão nervosa, não nesse estado..."

Clarim Diário - 3h25

O barulho e a confusão na redação do Clarim são de enlouquecer qualquer um, mas não Peter Parker. Ele circula por este prédio desde a adolescência. Conhece todos por aqui, sabe aonde ir para conseguir informação ou um bom café. E sabe reconhecer de longe o mau-humor de J.J. Jameson.

— ...e não volte aqui enquanto não tiver nada melhor!

A porta do escritório de JJ é batida violentamente. Betty Brant sai da sala com cara de poucos amigos e volta para sua mesa.

— Oi, Betty.

— Hã... oi, Peter! O que te traz aqui?

— Vim trazer umas fotos do Aranha pegando uns bandidos ontem à noite, mas pelo humor do JJ acho que vou deixar para depois. E você, o que me conta de novo?

— Tou escrevendo uma matéria sobre uma garota que apareceu morta no Central Park... sem nenhuma gota de sangue e com lesões no pescoço.

— Sem sangue? Lesões no pescoço? Isso tá parecendo coisa de vampiro...

— É o que eu acho, por isso estou pesquisando sobre Morbius.

Ao dizer isso, Betty volta-se para seu computador, buscando nos arquivos do Clarim todas as citações ao nome Morbius. Ela nem nota a expressão séria que toma conta de Peter Parker. "Morbius...ele me prometeu não mais atacar humanos, mas parece que não se pode acreditar na palavra de um vampiro", pensa Peter, enquanto caminha em direção ao elevador.

A seguir: Homem-Aranha enfrenta Morbius... e Peter Parker vai ser papai!

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