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Homem-Aranha # 14

Por Conrad Pichler, sobre um plot de Eduardo Sales Filho

Nota do Editor: Prezados leitores, na atualização de julho pulamos uma edição do Homem-Aranha. Assim, em setembro publicamos as duas novas aventuras do amigão da vizinhança na ordem e na numeração correta: Homem-Aranha # 14 (inédita) e Homem-Aranha # 15 (publicada em julho). Desculpem a nossa falha.

O Convite

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"A campainha está tocando, quem será?" — pensa Peter Parker, arrumando o aquecedor central da casa da tia May.

— Eu atendo, Peter! — diz Mary Jane Parker, abrindo a porta e dando de cara com um sujeito familiar mas, por mais que force a memória, desconhecido.

— Mary Jane? Você está linda... — ele coça a nuca, sem graça — Digo, grávida...

— Hah! Obrigada, senhor...

— Grant, Paul Grant. MJ, estive no baile de reunião do colégio, lembra?

— Isso significa que você estudou comigo e Peter, não é? — ela acha um tanto engraçada a forma como aquele sujeito fala, mas logo percebe que na verdade é com seu marido que ele quer conversar — Eu vou chamar o Peter, Paul.

— Obrigado, MJ...

MJ sai caminhando pelo corredor, deixando Paul sozinho, quando vibra o celular do visitante.

— Grant. — ele fala secamente, distanciando-se da imagem que passou à MJ — Eu já disse para você não ligar no meu celular... — a voz do outro lado se explica e lhe passa um relatório — Não aceito essa proposta, faça o que te mandei. A Grant Farmacêutica não lhe paga para você fazer corpo mole. E da próxima vez ligue para o escritório. — ele desliga, surpreendendo-se com Peter o observando.

— Você deve andar bem estressado, Paul. — Peter cumprimenta o amigo e o convida pra sentar — O que você veio fazer aqui no Queens?

— Estou tendo muito trabalho na FarmaGrant... Ah! Eu vim te fazer um convite. — Paul puxa uma planta do bolso do paletó — Essa é a nova área de desenvolvimento de produtos. — ele começa a mostrar os desenhos, apontando com o dedo — Tem três laboratórios e aqui ficam duas salas de conferência. Vai ser um centro de pesquisas, desenvolvimento e distribuição de conhecimento e...

Epa! Me desculpe, Paul, mas o que eu tenho a ver com isso?

— Você? Eu quero que você seja meu braço direito neste centro, eu quero que você venha trabalhar comigo. — Peter olha meio descrente para o amigo — Fiz uma pesquisa e descobri que você sempre foi um dos melhores alunos da UES e o dr. Connors já tinha recomendado seu nome várias vezes para receber uma bolsa. — diz Paul, empurrando-lhe um contrato — Você sempre foi uma das pessoas mais parecidas comigo, conheço tuas qualidades. E acho que esse salário é o suficiente para sustentar você e a sua família, que vai ficar maior em breve...

Enquanto isso, em Manhattan, numa garagem de serviços de entrega desativada...

— Esses são os irmão Ota, Octa e esse é Manda, o motorista, sr. G. — diz o "Magricela" apontando para um trio de estatura variável, enquanto o homem atrás da poltrona apenas fumava um cigarro.

— Faça eles carregarem isso até o cais e que tudo corra como planejado. O chefe não gosta de atrasos.

— Ei, sr. G, essa muamba, o que é?

— Isso é pergunta que se faça. — interfere Magricela, cortando Octa — Com certeza isso não é bala de coco...

— Essa é melhor droga já criada... — diz o sr. G, submergindo nas sombras para dentro de uma pick-up Equinox — Mas, se não quer acordar com a boca cheia de aranhas... hah! Aranhas! Faça seu trabalho e já!

Forest Hills, no Queens.

"Paul está certo. O que tiro de fotógrafo não dá pra manter tudo que tenho, ainda mais agora que a MJ vai ter que ficar um pouco parada devido a reação consangüínea que ela está tendo com o bebê. Mas o Grant ficou tanto tempo fora que nem sei mais quem ele é, ele parece tão amargo..." — enquanto Peter pensa, Grant levanta — "Mas eu também já passei meus maus bocados, talvez seja essa a chance desses dois nerds, ex-membros do clube de ciências, darem a volta por cima..." — então Paul quebra o silêncio e diz:

— Eu sei que você tem que conversar com a sua esposa, mas sei, também, que isso vai ser o melhor para vocês. — os dois se cumprimentam mais uma vez e Peter o acompanha até a porta.

Nisso, MJ desce as escadas.

— Ei, gatão, o que o Meleca queria com você? — atônito com o que leu no contrato, Peter coloca MJ sentada e lhe mostra o documento — Uaaauuuu! O cara quer te pagar pra ser trainee ou vice-presidente?

— O contrato diz que eu tenho que passar pelos estágios iniciais da carreira até terminar a pós-graduação, e aí eu assumo como chefe de seção, mas o salário já é "profissional"! E não chama o Paul assim, o cara parece ter seus problemas...

— Tá, desculpa... — MJ dá um beijinho no rosto do marido — Nossa, Peter, que ótima oferta foi essa! Ihhh! Mas e as ceroulas azuis, como ficam?

— O melhor é que, como trainee, eu só trabalharia seis horas e com flexibilidade, já que em teoria tenho atividades acadêmicas a cumprir... mas ninguém precisa saber que o Homem-Aranha vai se dependurar pelos prédios, bater em assaltantes, prender assassinos e...

— Humm! Continua, gatão, continua... estou até gostando desse tal Homem-Aranha... — os dois se abraçam felizes no sofá, enquanto lêem em voz alta o contrato.

Naquela noite, nos becos escuros de Manhattan...

— Ei, Ota, cata logo essa caixa!

— Calma, Octa, eu estou tendo que me aprumá primeiro, esse treco é pesado...

— Cê é mole, né! É uma moça mermo, é só catá desse lado... — sacaneia Octa.

— Falou o sabe-tudo, né Manda!? — questiona Ota.

— Bizarro! — finaliza Manda.

— Fala sério, né?! Nois temo que levá sozinho esse baguio novo pro cais!

— Tamo ficando importante: Manda, Octa e o fabuloso Ota. — entusiasma-se o fabuloso Ota.

— Bizarro!

Subitamente:

— Olha lá, olha lá! Se não são os Três Patetas! — diz uma voz surpreendente, que vem do alto do prédio, enquanto os três tentam captar alguma forma nas sombras.

— Esse aqui é o Curly... — a sombra azul e vermelha acerta o nariz do mais velho — Esse é o Larry... — chuta a boca do estômago do mais magro — E por último o Moe... — com uma teia super-aderente ele prende o baixinho junto aos seus amigos, formando uma estranha bola dependurada no beco — Agora deixa o tio Aranha ver o que essas crianças estão carregando... — o Homem-Aranha abre a caixa e vê um monte de pasta de coca e umas caixas de plástico com umas bolinhas semitransparentes, numa etiqueta o nome... — "Pérola"? Que diabos é isso? — quando o Aranha vai bater um papinho com os "Três Patetas", seu pensamento é invadido por um zumbido. É o sentido de Aranha.

Logo, uma pick-up invade o beco e seus ocupantes atiram para todo lado, com armas automáticas. O beco é estreito e restringe a agilidade do amigão da vizinhança, que, para não ser atingido, invade um apartamento. A mercadoria é recolhida, junto com os três traficantes presos na teia e o carro sai em alta velocidade.

— Caramba, vou ter que pegar eles na ponte, antes de... — nisso o sentido de Aranha zune: o dono do apartamento surge das sombras com um taco de beisebol, rapidamente ele destrói tudo que vê pela frente, inclusive a cabeça do herói teioso.

— Putz, Alice! É o Aranha!...

— Cacete, Cesar! Você quase quebrou a cuca dele...

— Ei, Aranha! Sorry, cara! Não queria te atacar, mas é que o Homem-Moréia anda pela vizinhança fazendo das suas...

— Ungh! Homem... Homem-Moréia? — o Aranha se recupera da pancada.

— Liga não, Aranha, o Cesar anda muito estressado com tantas viagens de trabalho que vem fazendo... deve estar vendo coisas!

— Sei... o cara é maluco... tenho que ir! — ele salta pela janela.

— Falou, Aranha, saúde e paz! — o casal se abraça na frente da janela enquanto o aranha desaparece soltando sua teia por toda parte.

No cais, depois de uma troca rápida de carros, os traficantes entregam a droga que carregavam...

— Sr. G, tu sabia do Aranha, tu salvou nossas vida! — diz Ota, tirando as teias do cabelo.

— Ele sempre se envolve. Sempre está por perto quando eu estou na parada. — diz o sr. G, pegando uma pequena caixa cheia de Pérola — Esse cara pode me farejar, mas agora eu tenho as ferramentas e armas para tirar o nariz dele da reta! — nisso, seu celular toca — Fala, chefe! — ele ouve suas instruções e... — Certo, a droga, a Pérola, vai para as ruas essa noite, fique tranqüilo...

— Ei, magricela, quem é o chefe do sr. G? — pergunta Octa.

— Ele é o Shell. E podem dizer isso para todos os traficantes que vocês conhecem. Hoje, Shell será, não o Rei, mas o Imperador do Crime de Nova York, ele tem tudo para fazer isso. Ele tem a Pérola! — diz fortemente o sr. G.


Na próxima edição: Enquanto sai para um rápido encontro com sua amada esposa grávida, o Homem-Aranha é surpreendido por um de seus velhos inimigos. E um mistério se inicia.





 
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