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Homem-Aranha # 13

Por Eduardo Sales Filho

Conto de Natal

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Peter Parker está irritado. É véspera de Natal e J.J. Jameson o segurou no Clarim Diário até às três da tarde. O problema não é o trabalho, mas sim o fato de que ele ainda não comprou o presente de sua esposa, Mary Jane.

Saindo apressado do prédio, Parker esbarra em uma criança maltrapilha, um menino de rua pedindo esmolas na tarde fria de dezembro.

— Desculpa, moço. — diz a criança, de aproximadamente dez anos.

— Que porra! — esbraveja Parker — Não olha por onde anda, não? Eu já estou atrasado demais e não tenho tempo pra perder com nenhum moleque!

A criança abaixa sua cabeça, com medo, e Parker segue adiante. Entra na Tifanny’s e, duas horas depois, consegue sair de lá com o presente para sua esposa. Ele lembra que deixou sua câmera no Clarim e decide voltar para buscá-la.

Ao chegar em frente ao prédio, nota que a mesma criança com quem fora estúpido horas atrás ainda estava lá, pedindo esmolas. Arrependido pelo seu comportamento, resolve pedir desculpas e aborda o garoto.

— Oi!

— Olá. — o menino surpreende-se quando reconhece Parker.

— Quero me desculpar pelo meu comportamento mais cedo.

— Tudo bem.

— Não tinha o direito de descontar meus problemas em ninguém, muito menos numa criança.

— Tá tudo bem, tio. Isso vive acontecendo mesmo. Quando chega essa época do ano todo mundo fala de amor, de ajudar os outros, mas isso nunca acontece. Natal é uma coisa que só existe na TV, na vida real não é daquele jeito, não.

As palavras do garoto atingem Parker como dardos acertam um alvo.

— Tá com fome? — pergunta Peter.

— Tô, sim.

— Quer fazer um lanche? Eu pago.

— Claro, tio! Só se for agora! — um sorriso se forma no rosto da criança, inundando sua face e fazendo com que Peter Parker se sinta bem.

Parker e o garoto entram numa das diversas cafeterias localizadas na baixa Manhattan. Eles sentam à mesa e bebem café, enquanto a garçonete vai buscar pedaços de tortas de morango e limão.

— Meu nome é Peter, qual é o seu?

— George (*). — seus pequenos olhos brilham com a chegada da comida.

— Você tem família, George?

— Não... <nhoc> Não sei quem é meu pai... <nhoc> e minha mãe morreu faz uns dois anos.

— E você mora onde?

— Na rua... <nhoc> Antes eu tava num abrigo... <nhoc> mas os guardas de lá viviam me batendo... <nhoc> então eu fugi.

— Me diz uma coisa, George. Você tem algum lugar pra passar a noite de hoje?

— Tem um abrigo...<nhoc> na rua 42... <nhoc> eles dão sopa quente no inverno... <nhoc> acho que vou pra lá.

— Tenho uma idéia melhor. Que tal passar o Natal comigo e minha família?

O convite surpreende o pequeno George que, pela primeira vez desde o início da conversa, pára de comer.

— Por que o senhor tá fazendo isso?

— Isso o quê? Te convidando?

— Sim. O senhor não é um daqueles tarados, é?

— Não! De maneira alguma. Olha aqui... — Peter saca sua carteira e retira algumas fotos — Essa aqui é minha esposa, Mary Jane. Essa é minha tia May, aqui é a tia Anna.

— Tá certo. Então eu vou... <nhoc>!

— Antes vamos resolver uma coisinha.

Peter puxa George pelo braço, deixa uma nota de dez dólares sobre a mesa e sai da cafeteria. Eles entram em uma loja de departamentos e vão direto na seção infantil. Lá compram algumas roupas novas para a noite especial que o garoto está prestes a ter. Depois disso, pegam o metrô em direção ao Queens.

Ao chegarem em Forrest Hills, Peter apresenta George à sua família e diz que o menino é seu mais novo amigo. Após um reconfortante banho, o garoto veste suas roupas novas e desce as escadas da casa da tia May sorrindo, contente com o Natal que terá. Ele senta próximo à lareira e ouve atento às conversas de todos. Mais tarde, tia May pega um embrulho embaixo da árvore de Natal e o presenteia com um carrinho que pertencera a Peter. George está vivendo um sonho.

Após a ceia, o garoto se aproxima da janela e fica lá, parado, com o olhar perdido no horizonte. Vendo aquilo, Peter decide ver se está tudo bem com seu novo amigo.

— E aí, guri? Tá gostando?

— Tô, sim, é o melhor Natal da minha vida...

— Mas...?

— Mas eu fico lembrando de todo mundo que vive na rua e que não tem a sorte que eu tive hoje.

— Você tem razão, mas eu sei o que podemos fazer para alegrar o Natal deles também.

— O quê?

— Vem comigo e presta atenção.

Peter fala com sua esposa e sua tia. Ele diz como George está se sentindo e sugere que peguem a comida que sobrou da ceia e distribuam entre os moradores de rua de Nova Iorque. Em instantes, elas estão falando com outras pessoas, e essas pessoas com outras... em menos de meia hora todos os moradores de Forest Hills estão prontos para começar uma operação que vai varar a madrugada.

Parker e seus vizinhos saem em carreata distribuindo comida e agasalhos a qualquer um que esteja na rua na noite de Natal. Partindo do Queens eles passam pelo Brooklyn, Staten Island, Baixa Manhattan, Chinatown, Little Italy, Cozinha do Inferno, Harlem, terminando no Bronx.

Quase seis horas depois, Peter e sua família voltam para casa acompanhados do pequeno George. Tia May e Mary Jane vão para a cozinha arrumar as coisas enquanto Parker e o garoto ficam do lado de fora observando as estrelas.

— Está uma linda noite, não é?

— Tá sim, Peter. Ainda melhor depois do que você fez.

— Eu não fiz nada de mais, qualquer um faria o mesmo em meu lugar.

— Mas foi você quem fez. Obrigado, Peter, por tudo.

— Bobagem. Se não fosse por você, nada disso teria acontecido. Agora vem, vamos entrar, está muito frio aqui fora.

— Obrigado pelo convite, mas preciso ir agora.

— Ir pra onde? E a uma hora dessas! Deixa de bobagem, guri. Hoje você dorme aqui em casa.

— Sempre soube que você era um homem bom, poucos teriam o desprendimento de vestir uma fantasia para ajudar os outros, arriscando assim sua própria vida.

— Quê? — Peter surpreende-se ao notar que George conhece sua identidade secreta.

— Você vive de uma maneira singular, sempre dando o melhor de si para ajudar pessoas que nem conhece. Definitivamente o Homem-Aranha é um herói!

— Do que você está falando?

— Não precisa ter receio, Peter. Você sabe muito bem do que estou falando.

— Mas... quem é você?

— Você acredita em Espírito de Natal?

Antes que Parker possa responder, o corpo do pequeno George começa a brilhar. Uma luz forte começa a sair pelos seus poros enquanto ele levita alguns centímetros. Peter tenta se adaptar a situação, mas sabe que não há perigo, pois seu sentido de aranha não disparou. O brilho torna-se ofuscante e subitamente desaparece, juntamente com o garoto de onde emanava.

Ainda sem entender o que está acontecendo, Peter é surpreendido por sua esposa.

— Peter! Vamos dormir, já é tarde e aqui fora está muito frio.

— MJ? Você viu o que aconteceu aqui?

— É claro que vi! A gente distribuiu comida e roupas para quem não tinha e fizemos um Natal feliz para muitas pessoas.

— Não... foi incrível, extraordinário foi...

— Ora, Peter, você não sabe que coisas fantásticas sempre acontecem no Natal?

O sorriso de Mary Jane faz Peter relaxar. Ele não sabe o que aconteceu ao certo, não tem idéia de quem é George ou onde ele foi parar. Mas ele tem a sensação de dever cumprido pulsando dentro de si. Definitivamente esse foi um Feliz Natal para todos.

:: Notas do Autor:

(*) O nome George é uma homenagem ao ex-Beatle que faleceu recentemente.

Feliz Natal (atrasado) para todos! E um 2002 repleto de saúde e sucesso!



 
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