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Homem-Aranha # 12

Por Eduardo Sales Filho

Encontros Elétricos

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First National Bank
Wall Street — 2h15


Electro, após aprisionar os últimos vigias do banco, começa a destravar o cofre principal da agência. Segundo estimativas dele mesmo, devem haver cerca de 20 milhões de dólares em seu interior. Este não é um roubo comum. O vilão sabe muito bem quanto encontrará aqui. Conseguiu essa informação de um funcionário recém-demitido e disposto a se vingar dos ex-patrões. Foi com ele também que Max Dillon ficou sabendo sobre os horários dos guardas e a localização dos alarmes. "Fazia tempo que não assaltava um banco", pensa. "Mas desta vez vai valer a pena".

Com a ajuda de seus poderes, Dillon desliga as travas elétricas e consegue abrir o cofre. Esboça um sorriso ao analisar seu conteúdo. A informação estava correta. Tudo que precisa agora é retirar aquela vultosa quantidade de notas dali. Sozinho.

O Morsa entra no prédio e dispara todos os alarmes. Ele conseguiu convencer um dos policiais a deixá-lo tentar deter Electro sozinho. Assim, nenhum inocente seria ferido. Ao ouvir o soar das sirenes e campainhas no interior do prédio, o oficial Medeiros se arrepende por ter concordado com isso.

Max Dillon reverte a polaridade das estantes de metal no cofre através de descargas elétricas e, fazendo do seu corpo um imã, as arranca das paredes. Começa então a se dirigir para o porão quando é interceptado pelo Morsa.

— Parado aí, vilão! O Morsa está aqui para prendê-lo!

— Morsa? Isso é uma piada, não é? Com tantos heróis nesta cidade e me vêm um palhaço que se auto-denomina Morsa?

— Não adianta me ofender, vou te prender de qualquer maneirARGH! — um disparo elétrico atira Hubert Carpenter à distância. Electro continua seu caminho para o subsolo, arrastando magneticamente consigo as estantes do cofre carregadas de dinheiro.

"— ... esperando agora qualquer sinal de Electro ou do vigilante conhecido como Morsa. O ex-criminoso e agora herói mascarado entrou na sede do First National Bank há cerca de dez minutos. Os alarmes soaram mas ninguém tem certeza do que está aconte... <CLICK>

Peter Parker desliga a TV e caminha até a janela do 29º andar do Four Freedoms Plaza. Em seu íntimo ele sabe que está certo ficando ao lado de sua esposa, mas sua consciência não pára de gritar 'grandes poderes trazem grandes responsabilidades'.

— Peter?

— Estou aqui, Reed. Ao lado da janela.

— Está tudo tão escuro. — o Senhor Fantástico acende as luzes. — Não estava conseguindo te ver.

— Gosto do escuro. É reconfortante.

— Se você diz... bem, tem alguém na outra sala querendo falar com você.

— Mary Jane? Ela acordou?

— Consegui estabilizar os sinais vitais da Sra. Parker com uma droga que utilizei no passado tentando... — Reed Richards pára de falar ao perceber que está sozinho na sala.

Peter Parker corre alucinadamente pelo corredor. Só consegue pensar em sua esposa, seu filho, sua família. Não saberia o que fazer se os perdesse.

— Mary Jane? Você pode me ouvir? — sussurra enquanto senta ao lado da sua esposa.

— Oi, gatão... — abre os olhos e responde com uma certa dificuldade. — Você tá um caco.

— E você está linda como sempre.

— Mentiroso. — sorri.

— Quase enlouqueci achando que tinha te perdido.

— Eu não iria a lugar nenhum sem você. Não sou doida de te deixar sozinho dando sopa pra mulherada. — ela tosse, revelando uma feição de dor.

— Pra mim, você sempre será a única.

— Eternamente galanteador, não é?

— Faço o melhor para te ver feliz.

— Você me faz feliz. Agora vá fazer o seu trabalho!

— Hã?

— Eu vi na TV que estão precisando do Aranha.

— Não vou sair do seu lado. Algum outro herói pode cuidar disto.

— Electro é responsabilidade sua. Sempre foi. Além do mais, o doutor Richards pode cuidar de mim muito bem.

— Reed? Parker volta-se para o Senhor Fantástico, que acabara de entrar na sala.

— Não se preocupe com sua esposa, Aranha. Está tudo sob controle por aqui. Vá salvar o dia!

— Obrigado, Reed. — olha para Mary Jane, beija sua testa e diz: — Não saia daí, eu volto já!

No porão do First National Bank, Max Dillon usa seus poderes e destrói a saída para o esgoto. Quando a poeira se dissipa, uma pequena escada pode ser vista. Lá embaixo um veículo similar a um hovercraft, específico para a limpeza das galerias subterrâneas de Nova Iorque, o aguarda.

Um pouco mais fino que um automóvel, o transporte foi modificado por Electro para aumentar sua capacidade de carga. Dillon começa a montar algumas rampas e escorregadores saindo da escada e indo até o veículo que lhe servirá como fuga. "Agora é só atirar a grana pelo bueiro e dar no pé daqui", pensa.

Ao subir as escadas, após a montagem de toda a estrutura, Dillon depara-se novamente com o Morsa.

— Você de novo? Já não tinha acabado contigo antes?

— Nunca subestime o Morsa, vilão! — Carpenter parte para o ataque e acerta um soco em seu oponente, levando-o ao chão. — Agora estamos empatados. Já podemos concluir com a vitória dos mocinhos!

— Pra você tudo isso é uma grande brincadeira, não é? — Electro fala enquanto se levanta. — Uma diversão, um passatempo... Pois pra mim isso é trabalho, e pro seu azar, sou muito bom nele. — Dillon dispara sucessivas rajadas elétricas, atingindo o Morsa em cheio. Mesmo com o herói derrotado, ele continua a disparar, cada vez mais rápido. O corpo de Carpenter não consegue assimilar tantos choques e fica à beira da morte.

— Solte-o, Electro! — o espetacular Homem-Aranha invade o porão e interrompe a luta.

— Aranha? Pensei que não viesse mais. Melhor assim, acabo com dois heroizinhos de merda em uma só vez.

O vilão solta o desfalecido Morsa e dispara um potente raio contra o Aranha, que desvia com certa facilidade.

— Isso é o melhor que pode fazer, Dillon? Então se entregue logo, porque tenho coisas mais importantes pra fazer em casa.

— Aracnídeo desgraçado! Ousa zombar de mim? Então zombe disto!

O ar se enche de eletricidade. A partir do corpo de Electro, raios vêm e vão, formando uma teia impossível de ser transposta por qualquer um. Qualquer um que não seja dotado de um sentido de aranha. Saltando mais rápido do que os olhos humanos são capazes de acompanhar, Parker dança entre as correntes elétricas, atravessando o emaranhando da teia e chegando cada vez mais perto do vilão. Enquanto salta, ele recolhe um pedaço de tijolo caído no chão e, com sua teia, fixa-o em sua mão direita, formando uma espécie de luva de boxe.

— Sabe, enguia...

— O nome é Electro!

— Que seja! Sabe, Electro, se hoje fosse uma dia qualquer, em que eu não tivesse nada melhor pra fazer, até poderia ficar brincando contigo. O problema é que vai passar uma maratona de Friends no canal Sony e eu esqueci de programar o vídeo pra gravar. Por isso me faz um favor e cai logo! — Parker desvia-se do último raio e se projeta para seu adversário. Usando o impulso do salto e mais a sua força, ele soca Dillon. O tijolo no interior da luva se esfarela. O criminoso cai desfalecido, derrotado.

Minutos depois...

A polícia está limpando a sujeira. Alguns paramédicos atendem o Morsa, que a esta altura já recuperou a consciência. Electro continua desmaiado, enrolado pelas teias do Aranha.

— Aranha? — chama um dos paramédicos. — O Morsa quer falar com você.

— Oi, Carpenter. Você fez um belo trabalho aqui.

— Que nada! Você derrotou o vilão sozinho... — murmura.

— Mas só porque você conseguiu segurá-lo aqui por tempo suficiente.

— Então foi um trabalho em equipe?

— Mais ou menos isso. — Parker sorri sob a máscara.

— A gente devia fazer isso mais vezes. Que tal formarmos uma dupla? 'Morsa e Aranha'! Acho que daria certo e ... — é interrompido por Parker.

— Muito obrigado pelo convite, mas eu trabalho melhor sozinho. No entanto, sempre que precisar pode me chamar. Tou sempre disposto a ajudar um amigo. Preciso ir agora, Carpenter. Continue no caminho certo.

— Você viu? — O Morsa se dirige para um dos paramédicos. — Ele me chamou de amigo! Eu! O amigo do amigão da vizinhança! Gostei disso! Já te contei como conheci o Aranha? Bem, foi o seguinte...

Peter Parker deixa o quarto onde Mary Jane repousa no Four Freedoms Plaza. Sua esposa adormeceu à pouco. Ela havia ficado acordada, esperando pela conclusão da batalha entre o Aranha e Electro.

— Finalmente ela adormeceu. O que você fez para curá-la, Reed?

— Na verdade não foi bem uma cura, e sim uma vacina.

— Vacina? Como assim?

— O bebê que a senhora Parker carrega é um mutante. Por esta razão, o sistema imunológico dela estava combatendo o feto como se fosse uma infecção. Criei uma vacina que induziu o corpo da sua esposa a aceitar a gestação. Como em um transplante de órgãos, eu tratei de evitar a rejeição. Agora basta que este medicamento seja ministrado mensalmente até o nascimento da sua filha.

— Muito obrigado, Reed. Não sei o que faria sem a sua aju.... Você disse filha? — surpreende-se Parker.

— Sim. Mary Jane espera uma menina. E como ela no sexto mês de gestação, vocês têm noventa dias para escolher o nome da criança.

— Uma menina... Cara, a tia May vai ficar louca de felicidade quando souber!

— "Tia May"?

— Desculpa, Reed. É mais uma parte da minha vida que você não sabe ainda. Mas não esquenta, vou te contar toda a minha história agora. Tudo começou quando meus pais...

Peter Parker abraça o Senhor Fantástico e narra toda a sua vida. Sucessos e fracassos. Alegrias e tristezas. Derrotas e conquistas. O faz de maneira minuciosa, sem esquecer nem um reles detalhe. "Eu e minha maldita curiosidade! Quem mandou perguntar o que não devia?", pensa Reed. "Onde está Galactus
quando precisamos dele?"



 
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