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Justiça Jovem # 08

Por Josa Jr.

Porque Mangá é Um Sucesso

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— Quem é você, cara?

— Eu que pergunto: quem são vocês? Quer dizer, eu reconheço o Besouro, o Gladiador, Mary Marvel e o Robin... Quer dizer, parece ser o Robin... mas esse moleque com o símbolo do Super? Essa arqueira? Aconteceu alguma crise enquanto estive fora?

Lucas Snapper Carr passou tempo demais longe da Terra. Só agora ele percebe isso. Num gesto impensado de desespero, o antigo mascote da LJA se teleportou para a Caverna da Justiça e, ao encontrar um grupo de heróis por lá, transportou todos para uma nave espacial — que se encontra agora numa galáxia bastante distante da Terra.

O problema é que Snapper procurava a Liga da Justiça para deter uma ameaça ao Universo. Em vez disso, ele teleportou a Justiça Jovem. Mas é como dizem: quem não tem cão...

— Bom, já que vocês me parecem confiáveis, acho que podem me ajudar com o Mangá Khan. Quem está na liderança?

— Eu... — O Gladiador Dourado aponta para si e, em seguida, para o colega Besouro Azul, que dá um soco em seu braço. — ...e ele estamos no comando.

— O quê? Que diabos houve com a Liga?

— Não precisa ficar tão temeroso, Snapper. Nós somos a Justiça Jovem, uma subdivisão da LJA. Eu sou Robin, líder do grupo. Se quiser nos explicar o problema...

— Bem, é o jeito, né?

Snapper, Besouro, Gladiador e Robin se afastam dos demais membros da JJ, para que possam entender melhor o problema que enfrentarão. Enquanto isso, os outros conversam sobre a estranha situação em que se encontram.

— Hã... Superboy? Quem é esse tal Snapper?

— Sei lá, Bart. Ele é tipo um Rick Jones de segunda. Foi mascote da primeira Liga, ganhou poderes de teleporte e... ARGH!

— Quer dizer que ele trabalhou com meu avô? Ei, porque você caiu no chão?

— Não sei... acho que vou vomitaaaARGH... Urkk...

— O que é aquele barulho que ele faz com os dedos? Será que eu consigo?

Próximo a uma janela, Snapper aponta na direção de um enigmático corpo celeste, de cor verde.

— Vêem aquilo?

— Parecem os restos de um planeta, mas tem algo estranho neles...

— Bem observado, Besouro. Este planeta foi destruído há uns 60 anos. O que vocês está vendo são os destroços dele. Lorde Mangá Khan, o dono desta nave, quer coletar fragmentos para vender como souvenirs ou como armas.

— Então, este é...

— Isso mesmo. Estamos diante de Krypton.

— Essa não! Superboy!

— O que foi, Robin?

— Simples, Gladiador. Ele é vulnerável a kryptonita!

Quase ao mesmo tempo, a Garota-Maravilha grita o nome do Menino de Aço ao vê-lo caído no chão. A jovem Cassie segura o garoto, tentando descobrir que mal o aflige. De longe, Mary Marvel, Flechete e um enciumado Impulso assistem a tudo.

— Será que ele não tá fingindo pra ela fazer respiração boca-a-boca?

— 'Té parece. Superboy não gosta da Cassie. Eu tenho pena da coitada, porque ela é louca por ele. E ele não larga do meu pé...

— Que burro...

— Do que vocês dois estão falando?

— Nada não, Cissie.

— E porque você está estalando os dedos desse jeito? Tá nervoso?

— Não.

— Hmmm... — Flechete pensa em falar algo, mas prefere não comentar. Por enquanto.

— Mas como você conseguiu invadir a nave e descobrir os planos de Khan? — Robin pergunta, enquanto tenta bolar um ataque eficaz ao comerciante espacial.

— Haviam rumores de que Lorde Mangá estaria tentando voltar aos negócios. Resolvi investigar e descobri que era pior do que imaginava. Me disfarcei como um dos robôs dele e, quando notei que estávamos chegando a Krypton, me teleportei para a Terra... daí pra frente você já sabe.

— O que a gente vai fazer, Ted?

— Sei lá! Eu sabia que a gente não deveria ter pego esse emprego!

— Eu tenho um plano. Acho... hã, vamos falar com o resto da equipe.

Enquanto a Justiça Jovem tenta tomar uma iniciativa em relação a esta viagem inesperada, Lorde Mangá Khan grava, em seus aposentos, mais um de seus vídeos do Curso de Dramaticidade Teatral Mangá Khan® — disponível em www.lordemanga.org ou pelo telefone 1800-MANGA-KHAN.

— Em frente ao espelho, repita: "Eu sou um gênio do mal", caso você queira seguir a carreira de vilão. Ou de advogado, evidentemente. Agora vamos à lição de entradas triunfais...

— Senhor! Senhor!

— Hã? Quem ousa atrapalhar a gravação? Esta era uma cena de 20 minutos e agora está completamente perdida! Oh, Senhor! Como são tolos estes mortais!

— Eu sou um robô, milorde.

— Hã... bem... o que o traz aqui?

— A nave foi invadida, mestre! Ligue os monitores!

— Deixe-me ver. Reconheço alguns deles, de tempos idos. Mas a grande maioria me é desconhecida. Maldição! São heróis terráqueos! Esses porcos só trazem prejuízo!

— E o ser que acaba de expelir um líquido estranho da boca usa o emblema do Super-Homem.

— Estamos perdidos! Precisamos expulsá-los daqui, ou a operação irá toda por água abaixo!

— Essa tática de se fazer de coitadinho pra menina sentir pena é a coisa mais velha que existe...

— Cala a boca, Bart! Como você pode ser tão insensível? O cara tá mal!

Cassie se enerva com as palavras de Impulso. Ela nunca tinha visto Superboy fraco desse jeito e se preocupa muito com a saúde de seu herói favorito. Contrariado, Bart Allen se afasta do resto da equipe.

— Cassie tem razão, pessoal. Estamos nas proximidades dos vestígios do planeta Krypton, ou seja, toneladas de kryptonita estão afetando Superboy. Temos de agir rápido. Deixem-me explicar meu plano.

Os heróis se posicionam ao redor de Robin. Com a planta da nave memorizada, Snapper informa a Impulso sua primeira missão — trazer alguns trajes espaciais. Em menos de trinta segundos, Bart cumpre sua parte e Robin explica o resto do plano aos demais.

Enquanto isso, na cabine de comando...

— ...o maior comerciante das galáxias observa cada invasor e tenta encontrar formas de derrotá-los. Ele segura a capa firmemente, encobrindo parte de sua máscara dourada. Ao mesmo tempo, se deleita com a excelente técnica de autonarração que criou...

— Senhor! Senhor!

— ...porém, é interrompido pela chegada de...

— Senhor! Senhor!

— ...um de seus servos mais...

— Senhor! Senhor!

— ...insistentes...

— Senhor! Senhor!

— ...o robô R-Lom, um substituto de...

— Senhor! Senhor!

— Basta! Quem ousa me interromper? Ah, claro! Deveria imaginar! É você, R-Lom!

— Hã...

— Diga o que quer, infeliz!

— Os invasores acabam de roubar dois trajes espaciais!

— Maldição! Onde eles estão agora?

— Porque não vê nos moniBZZKtttttt_

O pequeno robô cai no chão. Lorde Mangá percebe um líquido viscoso em seu servo, ao lado de uma estranha flecha. O vilão vira seu rosto na direção de onde a seta veio e surpreende-se com a presença de Robin, Flechete, Impulso, Besouro e Gladiador.

— Pessoal, atenção pro plano.

— Vamos lá, galera! Justiça Será Servida!

— Hã... acho melhor você pensar em outro grito de guerra, Flechete.

O grupo se espalha pela sala de Khan. Enquanto Robin e Besouro tentam tomar o controle da nave usando seus conhecimentos em computação, os demais distraem Lorde Mangá. Entre um comando e outro, Tim Drake observa os monitores da nave, especialmente dois — a tela que mostra Superboy desmaiado e o monitor que calcula a distância até Krypton.

Enquanto cuida de Superboy, Snapper estala os dedos para tentar teleportar o jovem para longe. Infelizmente, o esforço para trazer toda a JJ foi grande demais, então só lhe resta esperar. A situação piora com a chegada de guardas-robôs. Carr segura a pistola que carrega consigo e torce para a munição não acabar tão cedo.

No espaço, Mary e Cassie tentam deter o avanço de Khan aos restos de Krypton. As duas garotas não conversam — apenas usam seus poderes mitológicos contra a gigante nave de Lorde Mangá. Mas talvez nem os poderes de Zeus e Shazam sejam o bastante.

— Flecha-Xampu? Flecha-Xampu?

— Minha mãe nunca bateu bem, Sr. Gladiador.

— Bem, pelo menos deu certo com aquele robôzinho. Agora com o chefão aqui...

Por mais ridículo e alegórico que pareça, Mangá Khan é um adversário perigoso, como Flechete e Gladiador Dourado podem comprovar em combate. Com Impulso ocupado derrubando guardas-robôs e Robin e Besouro tentando invadir o sistema, a luta se torna mais difícil.

— Santa proteção, Robin! Só falta uma senha!

— Até que não foi difícil entender os sistemas. Tente "Conclave".

— Não...

— "Mangá". "Khan". "Terceira pessoa". "Dramaticidade".

— Não. Não. Não. Não.

— Saco... essa não!

— O que foi, garoto?

— Snapper foi nocauteado. Estão atacando Superboy! Impulso, venha cá!

— Quê?

— Ajude Superboy.

— Nãoeunãovouenfrentaressesrobôsdeixaaquelebabacapralá!

— O que ele disse?

— Sei lá, guri. Mas acho que o Superboy tá numa fria...

Em um planeta estéril e sem emoções, um jovem tenta escapar de um dos Bancos de Clones. O rapaz é o clone de Kal, da casa El. Não tem um nome, mas tem consciência de seus atos. No momento, ele se esconde nas sombras dos prédios da capital de Krypton. Alguém toca em seu ombro. O clone o reconhece — é Jor-El, o maior cientista kryptoniano. O homem faz um sinal para que um exército de erradicadores capture o jovem fugitivo. As máquinas liberam um ataque radiativo de kryptonita, que faz o clone cair de dor. Institivamente, ele segura com força o solo árido de seu planeta. Em segundos, tudo ao seu redor explode. Krypton é destruído. Em desespero, ele grita.

— Você ouviu isso? Acho que foi Superboy.

— Não, guri. Espere!

— O que foi? Conseguiu?

— Veremos... Ahá! Eureka!

— O que você tentou?

— "qwerty".

— Usuários são idiotas em qualquer lugar do Universo.

— Deve ser culpa desse teclado ociden...

Súbito, um barulho de explosão cessa momentaneamente a conversa dos dois heróis, além de interromper a batalha contra Khan. Do lado de fora, Mary e Cassie se apavoram ao ver partes da nave serem destruídas. Sem pensar, as duas tentam retornar para dentro. Na sala de comando, Robin analisa cada um dos monitores, para descobrir a causa da explosão. Seus olhos se fixam na tela que mostra um Superboy delirante arrancando pedaços da nave com sua telecinésia táctil.

— Krypton... Não! Preciso... destruir... Krypton! Argh...

— Ele está destruindo minha nave! Se usar seu poder nos tanques de combustível, estaremos perdidos para sempre! Maldição! Malditos sejam, terráqueos!

— Então, alguém tem de ir lá e... — ordena Robin.

— Hã... na verdade, ele destruiu os tanques. Falei aquilo apenas para aumentar a dramaticidade e a tensão da cena.

— Você quer dizer que...

— Estamos perdidos há aproximadamente dois minutos.

A seguir: A nave irá tombar! Mas será em Krypton? Ou num planeta mais... hã... peludo?

:: Notas do Autor

Lucas Snapper Carr era um jovem com grande talento científico e a irritante mania de estalar os dedos (fazendo o som "snap"), que se tornou mascote da primeira LJA. Você pode conferir seu primeiro contato com a Liga na mini-série LJA: Ano Um, publicada recentemente na extinta Os Melhores do Mundo. Durante a saga Invasão! Snapper ganhou poderes de teleporte que se acionam quando ele faz (adivinhe!) "snap" e passou a fazer parte do grupo Blasters. Mais recentemente, nos EUA, tornou-se coadjuvante da revista (já cancelada) do Homem-Hora. No Hyperfan, estou desconsiderando esta série do Homem-Hora, já q
ue ninguém leu isso por aqui e eu precisava de alguém para levar a JJ ao espaço :P.



 
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