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Justiça Jovem # 09

Por Josa Jr.

Eu Acredito em G'Nort

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— Resumindo: meu nome é Lorde Mangá Khan e eu sou um comerciante intergaláctico. Tive a excelente idéia de extrair kryptonita dos restos do planeta Krypton e vender como souvenir para colecionadores e como arma para os inimigos do Super-Homem. Eu teria conseguido, não fosse pela Justiça Jovem e Snapper Carr... e se o maldito Superboy não tivesse explodido minha nave com sua telecinésia táctil! Agora estamos caindo em direção aos destroços de Krypton, caminhando para a morte certa. Por que estou falando isso? Não sei, de repente senti um desejo intenso de resumir os eventos de alguns minutos atrás... estranho.

— Já acabou, palhaço? Então ajuda a gente aqui!

Ted Kord, o Besouro Azul, sempre foi famoso entre os super-heróis por seus grandes conhecimentos científicos (e por suas piadas infames), mas a tecnologia usada na nave de Khan lhe é quase desconhecida. Desesperado, ele aperta todos os botões do teclado à sua frente.

— Ei, Khan! Como faz pra esse troço se teleportar daqui?

— Excelente idéia, hã... Bisonho Azul. Rápido! Preparar para entrar em hiperespaço!

— Tá dando ordens pra quem?

— Hmmm... Não estou em posição de ordenar algo, não é?

— Não...

— Mas ainda posso gritar! Salto em hiperespaço!

— Não seria dobra espacial?

— Acho que, nesse caso específico, é salto no hiperespaço, porque a velocidade padrão em dobra espacial é superior ao limite astrogaussiano por mol energético incrementado de...

— Ei, vocês dois, dá pra parar com o papo nerd?

— Hã... Foi mal, Gladiador.

A nave é envolvida por um intenso brilho amarelado e os pontos luminosos no espaço tornam-se linhas retas. Toda a estrutura treme e as paredes começam a desabar. Os heróis se seguram onde podem e torcem para saírem com vida dessa. Cassie segura Superboy nos braços, pedindo aos deuses gregos que salvem seu amigo. Em menos de um segundo, não há mais nada nas proximidades de Krypton.

Em um planeta muito distante, o cometa de fogo em que se transformou a espaçonave parte-se em incontáveis pedaços, que atingem o chão com força.

Após horas delirando, Superboy finalmente acorda. O garoto de aço não entende o que está acontecendo. Lembra-se apenas de uma nave e de ter vomitado. Agora ele se encontra no meio de um deserto, que não parece ser da Terra. O jovem tenta levantar vôo, mas os efeitos da kryptonita ainda são fortes em seu corpo, fazendo-o cair no chão, ao lado de Mary Marvel.

"Argh... hmmm... A Mary tá desmaiada. É a deixa pra eu levantar a saia dela um pouco e dar uma olhada na sua calcinha. Que estranho, isso parece coisa de desenho japonês. Deve ser todo esse papo de Lorde Mangá me afetando. Bom, não custa..."

— Superboy! Que bom que já está se recuperando!

— Hã... Oi, Garota-Maravilha...

— Pode me chamar de Cassie. O que estava fazendo?

— Er... Nada...

— Precisamos procurar os outros! Tente acordar a Mary! Não sei em que planeta viemos parar.

— Ok... Ei, Mary?

— Hmmm...

Mary Marvel abre os olhos e, aos poucos, vê os dois companheiros de equipe. Superboy estende a mão para a garota, que se levanta e limpa seu uniforme, sujo de fuligem e areia.

— Obrigada, Super. Bem, alguém pode me dizer aonde estamos?

— Sei lá, fiquei desmaiado um tempão...

— Bom, como nós três voamos, acho que podemos fazer um reconhecimento da área.

— Deixa eu ver se os efeitos da radiação de kryptonita já passaram... Yes! Estou bom de novo!

Os jovens levantam vôo, procurando seus companheiros entre os destroços da nave de Khan. Só então se dão conta de que apenas parte dela está nesta região. Portanto, os demais podem estar vivos em outro lugar. O grupo resolve não se separar, pois não há qualquer indício de quão hostil é o ambiente em que caíram. De longe, Mary avista uma cidade, com uma grande estátua à frente. Ela já ouvira seu irmão, o Capitão Marvel, falar de Thanagar e da grande estátua de seu maior guerreiro, Kalmoran, mas nunca imaginou que finalmente conheceria o mundo natal do Gavião Negro.

— Vejam, pessoal! Deve ser a capital de Thanagar! Vamos lá!

— Thanagar? O Mundo Gavião? Terra de Katar Hol? Não acredito! Eu adoro essas aventuras!

— Pois é, Cassie. Reconheci graças a essa grande estátua de...

— ...um cachorro? Mary, tem certeza de que estamos no planeta do Gavião Negro?

— Bom, Superboy... de longe...

A imponente estátua de um cachorro usando um emblema de Lanterna Verde cobre toda a cidade com sua majestosa sombra. Ao avistarem os visitantes voadores, os moradores do local — cachorros de aparência humanóide — correm para presenciar sua chegada. Os heróis permanecem quietos até que um dos moradores aponta para o Superboy.

— Vejam! Aquele no centro usa o símbolo do Super-Homem, aliado do maior Lanterna Verde!

— Ei, galera! Esses cachorros falam nossa língua, e estão apontando pra mim!

— Então eu estava enganada. Aqui não é Thanagar, e sim G'Newt. Meu irmão também comentou desse planeta habitado por... hã... cães.

— E eles conhecem o Hal Jordan, é?

— Na verdade, Cassie, acho que eles se referiam a G'Nort.

— G'Nort?

— Que G'Nort?


Ao ouvirem Garota-Maravilha e Superboy gritarem o nome do ex-Lanterna Verde canino, todo o povo de Moitasseca se enche de júbilo. Alguns apontam para a gigantesca estátua de G'Nort. O prefeito da cidade, G'Nando, faz um sinal para que os heróis o acompanhem até uma pizzaria. Chegando lá, a surpresa: uma multidão em torno de uma mesa, enquanto garçons servem pizzas sem parar. O prefeito pede para os cachorros se afastarem um pouco, e os três jovens finalmente encontram Besouro Azul e Gladiador Dourado.

— Estes homens são nossos convidados de honra, pois eram aliados de G'Nort na grande Era Heróica de seu planeta!

— O quê?

O prefeito explica os motivos das mordomias para os dois, mas Mary Marvel sente-se contrariada em ver que os pretensos mentores da Justiça Jovem se empanturram de pizzas feitas por cachorros enquanto seus amigos podem estar mortos naquele momento.

— Onde estão Impulso, Flechete e Robin?

— Devem estar por aí, Mary. Senta e come uma pizza de ração!

— Gladiador, eles são nosso amigos! Podem estar mortos, ou sei lá, terem sido vendidos como escravos pelo Mangá Khan! Cassie, Superboy, vamos procurá-los! Cassie? Superboy?

— Prova a pizza de papita, Cassie. É uma delícia!

— Deixa eu ver, Super...

— Idiotas!

A irmã do Capitão Marvel resolve tratar do problema sozinha e conversa com o prefeito da cidade.

— O senhor não viu mais visitantes como nós? Três pessoas mais ou menos deste tamanho, assim? E um da minha altura?

— Acho que os vi, sim. São seus companheiros?

— São! Onde eles estão?

— Bem, como não sabíamos quem eram quando caíram desmaiados em cima do depósito de lixo, nós os trancafiamos na prisão...

— Sério?

— Seríssimo!

— BWAHAHAHAAHAHAHAHAHAHAHA!

Minutos depois, com os ex-presidiários livres, a Justiça Jovem está finalmente reunida. Em volta de uma mesa, o prefeito G'Nando conta a grandiosa saga de G'Nort para Cassie, Superboy, Flechete e Impulso, que jamais tinham ouvido falar de um cachorro Lanterna Verde. Em outro canto do restaurante, Robin, Mary, Besouro, Gladiador e Snapper Carr conversam sobre seus últimos problemas.

— Pessoal, temos que voltar à Terra, mas antes precisamos saber o que aconteceu com Lorde Mangá Khan. Alguém faz idéia de onde ele está? Lucas?

— Sei lá, Robin! Pode ter sido destruído na queda da nave, ou então pode estar em forma de energia por aí. Ele tem esse poder...

— Acho melhor ficarmos algum tempo por aqui até Khan reaparecer.

— Putz! E eu esqueci de deixar o vídeo gravando!

— Sinto muito, Besouro, é nossa obrigação. Não podemos deixar que Mangá crie uma Pet Shop espacial.

— Putz, Ted, o Robin fez uma piada!

— Depois que a Mary soltou uma gargalhada, eu espero qualquer coisa...

— Eeeeeeiiiiii!

— tsc...

Robin se pergunta se Batman também passou por isso quando era líder da Liga da Justiça Internacional, mas duvida que algo parecido com essa situação tenha acontecido com o Homem-Morcego. "O Besouro e o Gladiador nunca agiriam dessa maneira na frente de Bruce", acredita Tim. O menino-prodígio prefere esquecer tais reflexões e senta-se à mesa, onde demais membros do grupo escutam atentamente mais um conto sobre G'Nort.

— Ouçam atentamente: esta é a saga que transformou G'Nort em mártir. Houve uma época em que Parallax, o maior vilão do Universo, precisou devorar o Sol para que pudesse sobreviver e reconstruir todo o continuum temporal. Ele derrotou todos os heróis que viviam na Terra, e estava quase terminando o serviço. Surgiu, então, o maior dos Lanternas Verdes, em sua insaciável fome de justiça! Com seu anel, G'Nort criou uma bola de fogo verde maior que o Sol! Confuso, Parallax engoliu a estrela falsa, que explodiu dentro dele, destruindo-o por completo! G'Nort, porém, estava perto demais da explosão e foi tragado por ela... mas deu sua vida para salvar todos nós.

A Justiça Jovem permanece em um silêncio constrangedor, pois sabe que não foi bem isso o que aconteceu. Na verdade, ninguém sabe ao certo o que houve com o ex-Lanterna. O Gladiador Dourado tenta imaginar qual o destino daquele simpático cãozinho que tantas vezes se aliou à Liga (mesmo que mais atrapalhasse do que ajudasse). Jon Michael Carter divaga se seria interessante iniciar uma busca pelo amigo assim que chegasse à Terra ou se seria melhor manter-se longe de mais problemas.

Mas problemas são algo que não se pode evitar. Eles sempre aparecem. Neste caso específico, sob a forma de Mangá Khan, montado num gigantesco inseto intelectualóide e vegetariano, destruindo as paredes da pizzaria e tudo em seu caminho.

— Malditos terráqueos! Preparem-se para enfrentar a fúria de Lorde Mangá Khan, o maior comerciante das galáxias!

— Ei, Robin! Se a gente derrotar ele em menos de sete minutos, eu não perco CSI!

"O Bruce me paga...", pensa Robin, desconsolado.

A seguir: A Ira de Khan!

:: Notas do Autor

Quem é G'Nort? Por favor, você nunca ouviu falar em um dos maiores Lanternas Verdes de todos os tempos (na minha opinião, perdendo apenas para Hal Jordan e Guy Gardner)? Para saber mais sobre G'Nort e ler sua fantástica origem secreta, procure em algum sebo Super-Homem 70 (1ª série/ Editora Abril) e edições antigas da Liga da Justiça Internacional. Criado por Keith Giffen e J.M. deMatteis, G'Nort era um cãozinho pouco brilhante que conseguiu uma vaga na Tropa dos Lanternas graças ao QI (Quem Indica) — seu tio era um renomado Lanterna e arrumou uma vaga para ele na polícia intergaláctica, fazendo G'Nort colaborar (?) com os heróis da Terra várias vezes. Depois do fim da Tropa dos LVs, o destino de G'Nort é desconhecido, duvidando-se até que ele esteja vivo atualmente. (Mas que tá vivo, tá!)



 
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