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Mulher-Maravilha # 05

Por JB Uchôa

Sagrado Olimpo

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Gateway City — Hora do almoço

Normalmente neste horário, as principais ruas e avenidas de Gateway City viram um inferno, como em qualquer grande metrópole. Normalmente, a estranha explosão de cores que toma os céus de Gateway City não ocorre todo dia. Normalmente, pessoas de várias nacionalidades, credos e cores vão às suas casas ou ao seu restaurante preferido fazer uma refeição rápida para depois voltar à labuta. Isso normalmente... Mas o brilho intenso que incendeia o céu mostra à população que Gateway que hoje pode ser qualquer coisa, menos um dia normal..

Helena Sandsmark está em sua sala no museu, comendo às pressas, preocupada com a reinauguração da ala greco-romana, com os poderes de Cassie, com a Mulher-Maravilha e com as contas a pagar no final do mês quando o brilho que se assemelha a um segundo sol chama sua atenção.

— Mas que diabos está acontecendo lá fora?

— Professora Sandsmark! Professora Sandsmark!

— Fale, Ed! Você sabe o que é isso lá fora?

— É a Mulher-Maravilha, professora! Ela voltou!

— Diana? E que brilho é esse? Ela está trazendo o sol com ela?

Edward Sales não é um estagiário muito eficiente, embora pareça se esforçar ao máximo. Talvez porque fique intimidado pela inteligência e determinação de Helena. Ou, quem sabe, por poder trabalhar todos os dias com a Mulher-Maravilha e ficar pensando na inveja que fará aos amigos falando que a encontra quase todos os dias no elevador e nas escadarias. Ele liga a televisão e começa a procurar os canais em busca de alguma notícia.

A chegada da Mulher-Maravilha e dos deuses olímpicos causa pânico na cidade. A maioria fica embasbacada quando a princesa amazona precede a chegada dos seus deuses de uma maneira tão... inesperada! Montada em Pégasus, o belíssimo garanhão alado, ela conduz a carruagem de Apolo. Íris e Hermes vêm na frente, deixando em seu rastro um belo arco-íris.

— Estranhos esses mortais... Não vi nenhum deles fazendo nada notório.

— Não se espante, Hades. Certamente demorará algum tempo para que notem nossa presença.

— Não creio, Héstia...olhe!

Dezenas de repórteres correm em busca da notícia mais quente do ano. Todos querem respostas da Mulher-Maravilha, que desce de Pégasus e se mantém à frente dos deuses. Zeus se aborrece com tantas perguntas dirigidas a ele sem qualquer formalidade. Ares apenas zomba dos mortais, lançando sua vil influência para que se engalfinhem uns aos outros na esperança de uma melhor imagem ou de uma entrevista exclusiva.

— Por favor... calem-se! — Diana raramente usa um tom firme na voz querendo expressar ordem, mas os repórteres a incomodam demais. Ficam à espreita, tentando tirar vantagem de tudo, como urubus no deserto. — Terei imenso prazer em explicar tudo, mas não agora. Concederei uma coletiva em frente ao Museu de Cultura Antiga às 16 horas.

— Mas quem são eles, Mulher-Maravilha?

— São os deuses Olímpicos! — Diana dá as costas à multidão e balbucia algumas palavras a Zeus, pedindo que os deuses partam para os bosques, na divisa da cidade.

A aparente paciência do senhor do Olimpo nos últimos dias vinha intrigando a Mulher-Maravilha. Geralmente, o pai dos deuses gregos mantém uma postura superior a tudo, usufruindo de sua condição divina em toda a plenitude. É como se comporta agora. Um pequeno gesto e o chão começa a tremer. Em pleno parque central, um suntuoso palácio, quase uma cópia perfeita do verdadeiro Olimpo, começa a brotar do próprio solo.

— Lorde Zeus... não! Eu deveria...

— Criança, tu deverias nos conduzir até aqui, e o fizeste bem. Agora sua tarefa é ser nossa embaixadora e dizer ao mundo que os deuses voltaram.

A Mulher-Maravilha apenas se cala. Afinal, o que dizer? As ações dos deuses são mais eloqüentes do que qualquer palavra. Seu único receio é que a Liga resolva interferir nesse assunto, pois seu coração não sabe para que lado irá pender.

Museu de Cultura Antiga

Helena Sandsmark já está nervosa com o sumiço de sua filha Cassie, a Garota-Maravilha, que não atende o telefone de casa e, como acaba de descobrir, deixou seu pager (possivelmente de propósito) no próprio museu.* A professora também já atendeu dezenas de telefonemas com as mais idiotas perguntas, desde se o Museu está patrocinado uma nova versão de Fúria de Titãs, se a chegada dos deuses é um golpe de marketing para a reinauguração da mostra greco-romana ou o lançamento de um novo sabão em pó.

— Desculpe, sra. Lane, mas não sei nada do que está acontecendo. A Mulher-Maravilha dará uma coletiva para a imprensa às 16h. O quê? Sim, claro! Assim que eu vir Diana, peço para ela ligar para Clark Kent ou Lois Lane no Planeta Diário, em Metrópolis. — Ao desligar o telefone, Helena pensa se não deve deixá-lo fora do gancho. "Mas... e se Cassandra ligar?"

— Helena? — A voz feminina na porta soa como um bálsamo aos ouvidos da curadora do Museu de Gateway, que não sabe se grita antes ou depois de fazer milhares de perguntas para a Mulher-Maravilha.

— Que roupa é essa, Diana?

— Não quis chamar a atenção. — A Mulher-Maravilha veste um tailleur preto com óculos de grau grandes e os cabelos presos em coque. — Encontrei num velho baú no sótão. Espero que não se importe. — E assim ela conta toda a história, do artefato à convocação de Zeus.

— Mas isso é incrível! Entretanto, se você me diz o que realmente os deuses querem fazer for verdade...

— Eu sei, Helena. É uma idéia tola.

— Talvez não tola, Diana. Eu diria perigosa. As pessoas estão acostumadas a um Deus onipresente, onisciente e não visível aos olhos. Agora, surgem deuses em que elas poderão tocar, falar, recorrer, pedir... Só quero que tome cuidado, a imprensa está em polvorosa! Até de Metrópolis ligaram! — A Mulher-Maravilha agora tem certeza de que a LJA já sabe de tudo, e seu único pensamento é convencer Kal-El de que tudo está sob controle. — Se me dá licença, Helena, preciso fazer uns telefonemas.

Novo Olimpo

— Nossa, Apolo, os mortais estão desesperados para nos ver!

— Claro, Afrodite, não é todo dia que eles podem nos contemplar tão de perto. Talvez eu deva descer e interagir com alguns deles.

Da sacada do suntuoso palácio, os dois deuses de grande beleza gargalham. Como disse Helena Sandsmark, a possibilidade de deuses visíveis e palpáveis mexe com a fé das pessoas. Por toda a Terra surgem dúvidas sobre a fé em um Deus-Uno ou em deuses que satisfarão suas vontades.

Para a Mulher-Maravilha, as coisas ficam bastante difíceis. Mas ela conseguiu ao menos acalmar o Super-Homem e conceder uma entrevista completa para Lois Lane, do Planeta Diário. Sua atenção se acentua quando, na televisão, ela vê imagens que não a agradam. Dionísio criou uma fonte que jorra vinho. O mais delicioso e doce de todos os vinhos, feito da mais tenra e adocicada uva das videiras olimpianas. Os cidadãos de Gateway enchem jarras, bebem e se esbaldam, como se não fosse segunda-feira.

Apolo está "interagindo" com os mortais. Se houvesse um concurso de popularidade, o troféu seria dele. Afinal, quem poderia imaginar um deus grego na praia, surfando e paquerando as gatinhas... Afrodite e Héstia causam o maior alvoroço no shopping center local, o Gateway Mall, com milhares de lojas espalhadas em seus quatro andares. O mais famoso deles abriga apenas lojas de cosméticos e salões de beleza. Os lojistas passam a lamentar a presença de Afrodite no momento em que mortais pedem beleza e jovialidade à deusa e ela concede. Héstia espalha fraternidade entre os concorrentes.

Mas não se pode dizer que a vinda dos deuses seja de todo má. Deméter e Perséfone criam alimentos para os desabrigados, revitalizam áreas antes inférteis para o plantio e as transformam em belos pomares. A mãe dos deuses, Hera, protetora da família, incute em mulheres o desejo de ser mãe e o orfanato de Gateway recebe inúmeros pedidos para adoção.

Os demais deuses permanecem no novo Olimpo, apenas observando. Zeus fita o novo mundo que espera seu reinado. Mas a sombra de uma dúvida começa a perturbar o coração imortal do olimpiano. O mundo passou por tantas transformações em tão pouco tempo, comparado com quem é eterno, que ele próprio se pergunta se essas malditas ciência e tecnologia já não são capazes de subjugá-lo. Mas ele apenas pondera...

Há uma hora, a Mulher-Maravilha pediu a Hermes que convocasse os deuses para estarem presentes na coletiva. A apenas dois minutos para o horário marcado, não há sinal de nenhum deles no céu. Repórteres e câmeras de vídeo aglomeram-se em frente ao museu.

— Cadê eles, Diana? Será que Cassie está com eles?

— Não sei, Helena, não vi Cassie desde que cheguei. Mas do jeito que está a cidade, aposto que ela está se divertindo.

— Esse é o meu medo. Ainda mais se ela estiver com o Ligeirinho e o Supermenino...

— Superboy e Impulso são crianças, Helena, mas são responsáveis e dominam muito bem seus poderes.

— Sei... Acho melhor você começar logo, já passa das quatro — Diana esperava que ao menos Lorde Hermes ou o próprio Zeus estivessem ao seu lado. A situação é muito delicada e os deuses poderiam dar algum apoio. Ela se levanta e abre as portas do museu, provocando a explosão de centenas de flashes e perguntas.

— Boa tarde, senhoras e senhores. Antes de começarmos com as perguntas, gostaria de fazer um comunicado. Como todos sabem, sou uma princesa amazona... — A Mulher-Maravilha se cala quando nota que todos os repórteres estão em silêncio olhando para o céu. Como já foi dito anteriormente, os deuses olímpicos deixam seus atos falarem por si. Descem suavemente, com sua tradicional expressão de superioridade e arrogância. Alguns atrevem-se a esboçar um sorriso. Assim que Zeus e os demais tocam seus divinos pés nas escadarias do museu, flashes e perguntas voltam a tomar o ambiente. A voz do deus dos deuses soa como um trovão.

— Basta! Não responderemos pergunta alguma!

Antes que a situação piore, a Mulher-Maravilha volta a falar ao microfone.

— Os deuses estão de volta... — Antes que possa falar mais alguma coisa, os deuses partem tão suavemente como vieram, deixando a multidão atônita para trás como se não existisse. Para eles, o recado mais importante foi dado. No meio da multidão, Diana vê um brilho prateado familiar. A bela mulher de cabelos negros caminha ao encontro de Diana na medida em que os repórteres seguem em sentido contrário, perseguindo os olimpianos que partem.

— Então é verdade, Diana. Quase não acreditei quando vi na televisão.

— Donna, como é bom te ver! — Duas belas mulheres se abraçam, duas das maiores heroínas da Terra, das maiores equipes do planeta. — Como está a repercussão em Nova Iorque?

— Péssima! Muitos acham que Roger Corman está fazendo um filme trash e outros apostam que a LucasFilm está refilmando um clássico repleto de efeitos especiais. Ainda ouvi burburinhos sobre uma seita e a construção de um oráculo em Hollywood.

Antes que as duas amazonas possam trocar idéias sobre a repercussão da volta dos deuses no mundo, uma mulher corre aterrorizada de uma multidão ensandecida. Tróia e a Mulher-Maravilha voam de encontro à moça, criando uma barreira entre ela e a multidão. A Mulher-Maravilha usa seus braceletes para desviar os objetos atirados pela turba, ao gritos de "prostituta" e "destruidora de lares". Abraçada a Tróia, a moça chora copiosamente.

— Calma, tudo vai ficar bem, Diana sabe lidar com multidões. Como é seu nome?

— Maria Madalena.

A história se repete...

:: Notas do Autor

* Saiba sobre o porque do sumiço de Cassie em Justiça Jovem.



 
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