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Mulher-Maravilha # 17

Por JB Uchôa

Realeza

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Vanessa Kapatelis está desacordada, mantida sob sedativos para evitar mais destruição e mortes. Na opinião de Diana, Vanessa está presa e sedada para não fugir novamente, e assim perder a única chance de voltar a ser... normal? Julia Kapatelis está com os olhos inchados de noites sem dormir e de chorar. Ao seu lado estão Helena e Cassie Sandsmark, que mostram com apoio e solidariedade o peso da amizade. John Henry Irons olha ao redor da suntuosa base da Liga da Justiça na lua, um palácio moderno de tecnologia, e sorri ao pensar que acreditava não pisar tão cedo nesse local desde que foi contratado pelas Indústrias Wayne.

— Não tema, Julia. Diana falou que o dr. Irons irá cuidar de Vanessa. — fala Helena, calmamente.

— Minha filha não deveria passar por esse sofrimento, Helena. — as palavras atingem Diana, que olha de relance para sua antiga mentora.

— Senhoras e senhoritas... — fala Irons, enquanto termina de ler alguns exames passados por fax — Creio que temos boas notícias. Uma junta médica composta pelos renomados dr. Pym, dr. Richards e dr. McCoy analisaram a jovem Vanessa. Os processos tecnológicos utilizados para a transformação em Cisne de Prata podem ser parcialmente revertidos...

— Parcialmente? Quer dizer que Vanessa não poderá...?

— Espere, Diana. Deixe-me concluir. O metabolismo de Vanessa foi drasticamente alterado. Capacidade de planar e gritos sônicos não fazem parte de sua estrutura genética e podem sem removidos, mas a empatia com animais alados, as aves, parece ter... bem, parece ser um dom latente.

— Por Deus, obrigada! — Julia leva as mãos ao rosto com expressão de alívio — Quer dizer que minha filha vai ficar curada?

— Bem... sra. Kapatelis, verificamos que o processo inicial demorará alguns meses. Depois iremos encaminhar a jovem Vanessa aos cuidados do dr. Samson, já que psicologicamente Vanessa foi seriamente afetada.

Enquanto Julia e Helena conversam, Diana olha para o tanque em que Vanessa está mantida sedada e presa. Suas mãos se espalmam no vidro e seus olhos buscam algum sinal da menina que Vanessa foi outrora.

— Não se culpe, Diana. — fala Cassie, abraçando a amiga.

— Não me culpar é impossível, Cassandra. Vejo todo o sofrimento de Julia e o constrangimento que sua mãe está passando em não saber se me defende ou se me manda embora. Não posso me culpar pelo que aconteceu com Vanessa, mas me culpo por ser parte de sua vida, é inegável que se eu nunca tivesse morado com ela as vidas de Nessie e Julia seriam diferentes. Assim como a sua e de sua mãe. — os olhos azuis de Diana não cintilam. Sua face está angustiada por se sentir causa de um sofrimento. A Mulher-Maravilha não pode deixar de pensar que as dádivas que lhe foram dadas pelos deuses deveriam ser trocadas pela busca de paz de espírito. É o que seu coração almeja nesse momento, paz.

Ilha Paraíso, cidade de Bana-Mighdall

— Sei que para vocês eu fui, por muitas vezes, displicente. — afirma Hipólita, olhando firmemente para Ártemis — Mas vocês são amazonas e também possuem amplo direito por fazerem parte da Ilha Paraíso, desde que obedeçam as leis que regem nossa morada.

— As leis que regem vocês, Hipólita. Leis antigas e decrépitas, criadas no alvorecer da humanidade e que em nada podem nos englobar, mulheres criadas na maturidade do mundo. — em seu discurso firme, Ártemis sabe que são suas palavras que podem mudar seu destino, basta saber tocar o coração e consciência da rainha — Não queremos tirar seu trono, nem de suas herdeiras. Queremos viver como sempre vivemos, e para isto estamos dispostas a batalhar por uma constituição justa, fortemente baseada em um código de ética.

— Como já havia dito antes, Ártemis, a decisão de sua rainha será soberana.

Residência de Helena Sandsmark, Gateway City.

Helena Sandsmark chama Diana para comer algo, enquanto pede que Cassandra espere para fazerem a refeição juntas. A volta do aeroporto, onde deixaram a professora Kapatelis, foi muito tensa. Julia deixou para Diana apenas um olhar triste, ao invés de um caloroso abraço. A Mulher-Maravilha voltou calada durante a viagem no carro, ao som de músicas melancólicas como More Than Words e Starway to Heaven. Cassandra também não soltou uma só palavra, limitava-se a cantarolar baixinho todas as músicas que tocavam na rádio.

— Diana está demorando, mãe. Será que aconteceu alguma coisa? — Helena nota a filha preocupada — Mãe? Mãe?

— Vamos subir, Cassandra. Talvez Diana esteja somente no banho. — As duas sobem silenciosamente as escadas. Nada dos ruidosos passos de Cassie ou os atribulados vôos da Garota-Maravilha dentro de casa. As duas sobem calmamente, como se esperassem encontrar algo ou alguém à espreita.

Na cama de Diana encontra-se um lírio e um bilhete.

Queridas Helena e Cassie,

Que o amor dos deuses esteja com vocês nesse momento de partida. Não tive coragem o suficiente para despedir-me, para dizer a vocês o quanto são especiais para minha vida. O quanto eu seria considerada menos "mulher" ou "maravilha" se não tivesse pessoas como vocês para guiar-me nessa missão. Obrigada.

Relutei em tomar essa decisão, pensei em todos os momentos maravilhosos e no quanto fui abençoada pelo nosso convívio diário e fraterno. Não pensem que parti para me excluir de uma responsabilidade, mas para dar maior segurança a vocês. Continuarei monitorando Cassie, para que use seus poderes com sabedoria.

Prometo mandar notícias em breve.

Que Gaia as abençoe,

Diana


Nem mesmo Helena ou Cassie esperavam essa atitude da Mulher-Maravilha. Por mais que saibam que suas vidas foram profundamente afetadas e mudadas do que poderia ser considerado normal, foi uma escolha consciente quando trouxeram Diana para morar com elas. No momento se sentem tristes, mas possuem a certeza de que a partida de Diana não é definitiva, mas necessária para o amadurecimento e ponderação dos eventos ocorridos. As três mulheres sabem que não importa o lugar ou quanto tempo passe, existem laços forjados pelo coração, pela força, pelo amor e pela fé. Cassandra e Helena descem as escadas, agora com passos ruidosos e vôos não autorizados. Sentam-se à mesa e lancham em silêncio. Em determinado momento a campainha toca, Helena e Cassandra se olham. A mulher mais velha se levanta para atender à porta. Uma loira e alta moça, vestida de terno branco, retira os óculos escuros.

— Professora Sandsmark, eu presumo. Olá. Eu sou Emma Frost.

Ilha Paraíso, Bana-Mighdall

Uma conferência é presenciada pelas amazonas de Bana-Mighdall. No centro estão Ártemis, Hipólita e Phillipus.

Amazonas, atenção! A rainha Hipólita tem algo a pronunciar. — mesmo com o tom forte da general de Hipólita, as amazonas continuam a conversar, curiosas sobre o que há dias sua líder e Hipólita conversam.

Silêncio!! — o grito de Ártemis parece ecoar pelo recinto. As centenas de mulheres se calam e passam a escutar atentamente — A rainha Hipólita tem algo a pronunciar.

— Obrigada. Ártemis. Amazonas! Por muito orei aos deuses por orientação e sabedoria. Abençoada por Atena, procurei conversar com Ártemis para que possamos dar um novo passo na história da Ilha Paraíso. Vocês são mulheres valorosas, criadas na guerra e possuem uma fé devastadora. Herdeiras de minha amada irmã Antíopa, e, portanto, possuem direitos igualitários. São amazonas! Bana-Mighdall será considerada cidade-estado, poderá possuir leis próprias, desde que estejam de acordo com um código de ética que será elaborado por duas representantes suas, juntamente com duas themysciranas. — existe um clamor na voz de Hipólita, e as amazonas parecem gostar da idéia — Porém, Ártemis sairá dos muros de Bana-Mighdall e irá para Themyscira, onde governará ao meu lado, como primeira-ministra. Já Bana-Mighdall será governada por Phillipus.

As palavras de Hipólita causam revolta a algumas das amazonas, enquanto outras sentem um certo alívio e esperança de que melhorias serão instauradas. No meio do clamor das discussões, três flechas são disparadas contra a rainha. Bravamente, Hipólita ergue sua espada e rebate as setas, que caem inertes ao chão. Dois zumbidos passam por seus ouvidos, e o baque surdo de dois corpos jazem no chão da arena.

— Qualquer ato de rebeldia contra a decisão da rainha será punida pelas leis que regem Bana-Mighdall! — Ártemis faz com que todas as amazonas se calem, e com o arco em riste ela fala firmemente — Aceitem a general Phillipus como regente. Eu, como primeira-ministra, irei trabalhar por uma vida digna para todas nós. Fátima, leve a general até seus aposentos. A Ilha Paraíso irá prosperar. Viva as amazonas! — gritos e aplausos são ouvidos em toda a Arena. Ártemis e Hipólita se dão as mãos e as erguem, em sinal de vitória.

Nova York.

Frank Sinatra imortalizou a "grande maçã" como a cidade que nunca dorme. Diana desce do ônibus com sua bagagem em mãos. Ela optou por viajar dessa forma para repensar em suas ações e ter tranqüilidade durante a viagem. As luzes da cidade mostram como A Voz estava certo ao cantar melodiosamente New York New York. Ao sair da rodoviária, Diana começa a ouvir Strangers in the Night, e passa a cantarolar enquanto caminha pela noite.


Na próxima edição:

A Garota-Maravilha irá integrar a Escola Xavier?
A Mulher-Maravilha irá mesmo abandonar Gateway City?
Tudo isso e muito mais! Não perca!



 
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