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Mulher-Maravilha # 16

Por JB Uchôa

Furacão

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— Esse pode ser considerado o pior de todos os furacões que já assolaram a Flórida. — fala apressadamente a repórter, com os cabelos molhados e segurando firmemente o microfone — Por isso paira no ar a pergunta: criação da natureza ou obra de mutantes?

Trish Tilby já viu muitas coisas na vida que a deixaram aterrorizada. Porém, seus olhos enchem-se de espanto quando visualiza, não tão longe, uma imensa árvore vindo na direção de si e de seu cameraman.

— Corra, Paul!!! — grita ela, com relativo desespero. Paul, um afro-americano de quase dois metros, segura tremulamente a câmera enquanto corre atrás de sua chefe, não deixando escapar nenhum detalhe.

A câmera, propositalmente virada pra trás, visualiza a imensa árvore vindo cada vez mais para perto da dupla. Paul Simmons sabe que aquele pode ser o maior e o último trabalho de sua vida.

Os telespectadores do canal 6, que assistem aterrorizados à fuga de Trish e Paul, sentem um alívio quando vêem o imenso carvalho envolto no laço dourado de Héstia. A Mulher-Maravilha voa contra a tempestade que se aproxima, detendo o avanço da árvore contra a dupla. De repente, gira o corpo e joga a árvore para cima, partindo-a ao meio com um soco e jogando-a nas ondas da praia.

— Senhoras e senhores... telespectadores... acabamos de ver a Mulher-Maravilha em ação! — Trish está sorridente, enquanto vislumbra a guerreira amazona partir no céu com um aceno.

Bana-Mighdall

— Baixem as armas. — ordena Artemis — Hipólita está aqui como nossa convidada. — as amazonas de Bana-Mighdall baixam os fuzis, mas ainda encaram Hipólita e a general Phillipus.

— Chame sua escrivã, Artemis, o tratado que tenho para fazer irá mudar nosso mundo, principalmente o seu.

— Você ainda não disse para que veio, "majestade". Não seria de estranhar que apenas quisesse embargar minha obra.

— Artemis... — suspira Hipólita — Você acha que a rainha das Amazonas iria se deslocar de Themyscira apenas para garantir que você executasse uma ordem? Chame a escrivã e dispense as suas amazonas, o assunto é somente entre nós duas.

— Saiam rápido! Entrem na escola e não saiam de lá até que a tempestade tenha passado! — Diana aponta a entrada para alguns alunos que teimam em ver a amazona desviando carros lançados com a força do vento.

Enquanto Diana luta contra uma carreta que arrasta alguns postes na rua, ela não nota que um dos alunos não entrou na escola. Diana só sente que o garoto corre perigo quando ouve seus gritos, ao correr no meio da rua fugindo de um carro desgovernado. Antes que a Mulher-Maravilha tome alguma providência, um pequeno furacão desvia o carro.

Grande Hera!!!

— Não vanglorie os deuses gregos, princesa. Pois foi Thor, e seu fiel martelo Mjolnir, que deram um basta ao acidente.

— Thor! Fico feliz em poder vê-lo novamente. — Diana sorri e finca os postes no chão, formando uma barreira para parar algum pequeno carro desgovernado.

— São meus olhos que alegram em rever-te, princesa. Continuas tão formosa quanto uma verdadeira deusa da beleza. Agora é hora do deus do trovão dar um basta à tempestade! — ao levantar o poderoso Mjolnir, relâmpagos crepitam no céu e o vento parece uivar de dor. Segurando o martelo com as duas mãos, Thor espanta-se por não conseguir domar a tempestade — Princesa, creio que o mal que aflige Midgard tem origem mística!

— Mas que românitco! O bárbaro e a vagabunda, juntos! Por que não se deita com ele, Diana, e põe fim à sua castidade? — Circe, materializando-se próxima aos heróis, sorri maliciosamente, acompanhada de Vanessa Kapatelis, a nova Cisne de Prata.

— Circe! — esbraveja Thor — Retira o que disseste ou sentirás a ira de Mjolnir! Assim diz Thor, o deus do trovão!

— Não me venha com suas bravatas, deus. Até mesmo o decrépito Odin gargalharia ao vê-lo proferir palavras tão ridículas! Eu sou Circe! E nem mesmo você poderá me derrotar! — a bruxa lança um olhar para sua companheira, que grita em direção a Thor. Este mal tem tempo de erguer Mjolnir para se defender, sendo lançado a metros de distância. Diana arregala os olhos e crê que Vanessa ainda está muito mais poderosa do que por ocasião do ataque em Gateway.

— Nessie...

— Ah, Diana... doce Diana! O seu sangue será meu!!! — Circe voa de encontro à amazona, que se defende do ataque jogando a feiticeira longe. No mesmo instante, a Cisne de Prata grita e acerta Diana, que voa de encontro a uma loja, estilhaçando a vitrine.

Enquanto a luta segue, Thor tenta conter o avanço do furacão, que não responde aos seus comandos por ser de obra mística, criado por Circe.

— Não julgueis errado o poder de Mjolnir!! Ordeno-te que cesse!! Magia nenhuma colocará em risco os mortais de Midgard!! — esbraveja Thor, com o martelo encantado em punho, faiscando relâmpagos, ribombando trovões em meio ao farfalhar do vento forte. No coração da tempestade, Diana luta com Circe, mantendo-a afastada de Vanessa Kapatelis.

— Sua tática não dará certo, princesa. A Cisne de Prata é fiel a mim! Somente a mim!

— É mesmo? Tem tanta certeza assim, Circe? Pois faça-a voar! Mande-a matar-me!! — Diana retira a tiara e a lança contra Vanessa. Rápida e afiada o bastante para cortar qualquer metal, a tiara da Mulher-Maravilha trespassa uma das asas da Cisne de Prata, deixando Vanessa ainda no ar, mas sem equilíbrio. Como um bumerangue, a tiara volta as mãos de sua dona. No mesmo instante, Diana retira o laço de Héstia e envolve Circe, até então surpresa com a reação da Mulher-Maravilha.

— Diga a verdade, Circe. O que você fez com Vanessa?? — antes que Circe possa responder, envolta pelo laço que obriga qualquer um, mortal ou imortal, a dizer a verdade; Vanessa lança um grito contra Diana que a faz soltar o laço, permitindo que Circe escape.

Gateway City — hospital geral

— Olá, capitã Sontoya.

— Olá, Helena. Como vai Cassie?

— Foi para a escola, já estamos normalizando a nossa vida. E Mike?

— Saiu do coma hoje pela manhã, mas ainda está repousando. — Jane Sontoya sorri — E Diana?

— Não sei. Não vejo a Mulher-Maravilha faz dois dias. — Helena sorri de volta — É bom saber que Mike está fora de perigo, é um homem bom.

— Com licença. — interrompe a enfermeira — o paciente pede para falar com a Mulher-Maravilha.

— Acho melhor nós duas irmos falar com ele. Vamos, Helena? — Helena acena com a cabeça e acompanha a capitã Sontoya até o quarto de Mike.

Gateway City — escola Dennis Peterson

É a primeira vez que Cassandra Sandsmark volta à escola depois da surra que deu no seu colega Kenji. Não viu ninguém, não falou com ninguém, não tem a mínima idéia se vai ser aclamada como heroína ou apedrejada como aberração. Cassie caminha calmamente até os portões da escola Dennis Peterson, e não nota que está sendo seguida por uma Mercedes branca, de vidros escuros, que baixam somente até a altura dos olhos.

— Tem certeza que é essa menininha, senhorita Frost?

— Claro, Lykos. Nós sabemos o que certas menininhas podem fazer, não é? Eu vou entrar na escola, descobrir mais sobre a garota, conversar com os pais dela e depois recrutá-la... digo, matriculá-la na Xavier. Aguarde aqui. — a sinuosa loira, vestida em um terno Armani branco, bolsa Prada e grandes óculos escuros Dior desce suavemente do carro e dirige-se em direção aos portões.

— Sim, senhorita Frost.

Pelo sangue do poderoso Odin, darei um basta à tempestade!!! Assim ordena Thor, o deus do trovão!!! — com uma batida do poderoso Mjolnir no chão, a tempestade cessa tão rápido quanto surgiu. Mesmo esgotado, Thor se defende do subseqüente ataque da Cisne de Prata, e com um movimento rápido lança Mjolnir contra a garota, acertando-a no pescoço.

Piedosa Atena!! — Diana esmurra Circe com força. Esta cai ao chão gargalhando do desespero da Mulher-Maravilha. Transtornada, Diana voa de encontro a Thor, e começa um combate de titãs. Por procurar apenas se defender e não atacar, o deus do trovão leva grande desvantagem. Conseguindo se esquivar de alguns golpes da amazona, ele a empurra e voa aos céus. A Mulher-Maravilha o laça e o puxa de volta.

— Não quero lutar, princesa. Cessa os ataques.

— Se você fez algo a Vanessa, Thor, eu o caçarei até o Hades se for preciso!

— Estou envolto no lendário laço de Héstia, princesa. Pergunta se eu desejaria fazer mal a tua amiga, que está sob o domínio de Circe. — a Mulher-Maravilha cai em si e retira o laço.

— Desculpe. A raiva nublou minha mente.

Diana e Thor voam para perto de onde Vanessa Kapatelis está desmaiada. A Mulher-Maravilha a pega nos braços.

— Graças a Zeus ela está somente desmaiada.

— Mjolnir não a atingiu em cheio, princesa. Onde está Circe?

— Deve ter fugido. Ultimamente ela tem feito muito isso. Oh, Nessie, e você?

— Posso levá-la a um de meus amigos, um deles que poderá, quem sabe, devolvê-la ao normal. Henry Pym e Hank McCoy são valorosos cientistas.

— Obrigada, Thor, mas a levarei para John Irons. Já havia conversado com ele antes e creio que algo poderá ser feito. Mas, mesmo assim, pedirei para ele entrar em contato com seus amigos.

— Assim seja, princesa! — Thor levanta vôo e Diana o acompanha com os olhos até sumir de vista. A população começa a sair de suas casas, locais de trabalho e escolas e observa a poderosa Mulher-Maravilha, uma das maiores heroínas da Terra, membro da Liga da Justiça. Diana parece não notar que está sendo observada por centenas de pessoas, apenas fica parada, com Vanessa Kapatelis desmaiada em seus braços.


:: Notas do Autor

Essa história se passa imediatamente antes dos eventos das últimas edições de Vingadores.



 
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