hyperfan  
 

Mulher-Maravilha # 19

Por JB Uchôa

Cavalgada da Morte
Parte II

:: Sobre o Autor

:: Edição Anterior
:: Próxima Edição
:: Voltar a Mulher-Maravilha
::
Outros Títulos

Diana e Tróia estão de costas uma para outra, preparadas para qualquer ataque. As valquírias, lideradas por Brunhilda, estão montadas em seus garanhões alados. A área está deserta. Clientes, transeuntes e trabalhadores que passavam por perto correram com medo. As faces das valquírias, embora ternas e belas, dão a sensação aterradora de que a morte está chegando.

— Sai do caminho, princesa das amazonas. — diz Brunhilda, em um tom sério e forte — Levarei Donna Troy a qualquer custo!

— Você poderia ao menos explicar...

Jamais! — grita a Mulher-Maravilha, cortando o apelo de Donna — Você só leva Tróia sobre o meu cadáver! — Brunhilda sorri para as duas companheiras.

— Que seja! — as três valquírias levantam vôo em seus garanhões e os arremetem contra Diana e Donna. Duas delas estão munidas de redes e espadas. Brunhilda possui uma espada dourada e a brande no ar em sinal de ataque — Companheiras, lembrai-vos de que Donna Troy deve ser levada a qualquer custo, até mesmo sobre a cabeça da princesa de Themyscira!

— Donna... levante vôo! — Diana alça vôo e esmurra uma de suas oponentes tão forte que ela desmaia. Senta no corcel alado, que não a obedece, e o prende junto com sua dona, amarrados pelo laço inquebrável de Héstia. Tróia não levanta vôo, e quando pega seu comunicador dos titãs, este é destruído por um golpe de espada. Admirada, levanta rápido o braço e impede com o bracelete que seja decapitada. Brunhilda decide tomar parte do ataque e se dispõe a lutar com a Mulher-Maravilha.

Lar das Sandsmarks, Gateway City, onde o telefone toca insistentemente.

— Droga! — pragueja o rapaz moreno, vestindo uma calça jeans e blusa dos Giants do outro lado da linha — Por que a Cassie não atende ao telefone? Logo hoje que eu queria dar uns beijinhos...

— Terminou de assinar, Helena? — pergunta Emma Frost, a Rainha Branca, enquanto retira o telefone levemente do gancho. Do outro lado da linha, o Capitão Marvel Júnior não entende a ligação muda.

— Tá me evitando, é? Deixa eu ver pra quem posso ligar... hummm... — e passa a procurar em seu palm top nomes de ex-namoradas, enquanto ajeita o cabelo.

— Pronto, srta. Frost. — diz Helena, entregando os papéis — Estamos tão felizes! Cassie sempre sonhou em estudar na Xavier!

— Imagino... — a Rainha branca abre um largo sorriso quando vê a Garota-Maravilha descer as escadas com uma mala — Está pronta, Cassandra?

— Ô! Vamos nessa? — mãe e filha dão-se um longo abraço. Logo, Cassie e Emma saem pela porta da frente. Atento a tudo, um vulto as observa do alto de um prédio, enquanto professora e aluna entram na limusine.

— Tudo pronto, srta. Frost? — pergunta o homem ao volante, cerrando os olhos.

— Claro, Lykos. Eu lhe disse que seria fácil. Dirija para o aeroporto. — enquanto a limusine avança pelos quarteirões, o vulto corre sobre os prédios acompanhando sua trajetória.

No museu de Gateway...

Grande parte do museu foi destruído pelos ataques da Cisne de Prata (*). Durante algumas semanas, o museu vem sendo recuperado com dinheiro levantado pela Fundação Mulher-Maravilha, que além de amparar as pessoas doentes e alfabetizar os que não sabem ler, destina um percentual para o incentivo da cultura.

— Por onde anda a professora Sandsmark? — Natania, assistente do museu, olha para o relógio, enquanto percebe que um dos ajudantes de obra coloca algo no bolso. Certamente, alguma das valiosas peças do museu — Ei, você! — grita ela, fazendo sinal para que o rapaz se aproxime.

— Pois não, senhora. — cumprimenta o rapaz, olhando para baixo.

— Por favor, retire o que você acabou de colocar no bolso. — levantando um pouco a vista pelo boné, o rapaz mete a mão no bolso e retira uma carteira de cigarros.

— Hã... espero que você saiba que não é permitido fumar aqui. — diz uma Natania desconcertada.

— Claro, senhora. Eu estava apenas guardando. — o rapaz sorri gentilmente e volta para a parede que rebocava.

— Ai, meu Deus... acho que estou ficando paranóica!!! Cadê a professora Sandsmark, que me deixou com esse abacaxi nas mãos?

Nova York. Onde duas mulheres igualmente poderosas e belas travam um combate nos céus. Em terra, Donna Troy luta por sua vida, ao mesmo tempo em que ataca e procura respostas.

— Eu só desejo saber o porquê! — grita Donna, segurando com a palma das mãos a espada da oponente.

— Porque Hela não permite que alguém como tu, com alma perdida no tempo e no espaço, tenha o privilégio de gozar da vida inúmeras vezes!

— Obrigada pela informação! — Tróia chuta o rosto da adversária e começa uma sequência de ataques contra a valquíria. Golpes aprendidos com Arsenal e Asa Noturna deixam sua oponente desnorteada. Para terminar o ataque e auxiliar a Mulher-Maravilha contra uma oponente realmente perigosa, Donna salta, e com um chute no queixo coloca sua inimiga a nocaute — Praga, essa mancha de sangue não vai sair nunca do meu sapato!

A outra oponente, que estava desmaiada desde o ataque de Diana, desperta amarrada junto com seu cavalo a um poste. Leva seus dedos à boca e dá um longo assobio. O chão abaixo de Tróia começa a rachar, e a titã mal tem tempo de reagir quando é tragada para os esgotos da cidade. Enormes mãos de pedra tentam sufocar e espremer o rosto de Tróia. Apoiando os pés nas paredes dos esgotos, Donna se joga contra o oponente, assustando o imenso troll, que liberta Tróia, espantada.

— Um troll?? — antes que a surpresa pela imensa criatura estar nos esgotos de Nova York se desfaça, Donna se esquiva de um golpe de clava.

— Desiste, princesa. Viemos muito bem preparadas! — diz Brunhilda, defendendo-se de um golpe de espada de Diana.

— Não! Donna conquistou seu direito à vida, e não vai ser uma deusa tola e fútil dos asgardianos que irá reclamar a alma de minha irmã! Donna é uma guerreira amazona, o único lugar que pode estar destinado à ela são os Campos Elíseos! — as duas guerreiras lutam com fúria. Ambas acreditam estarem certas. Para a líder das Valquírias, Donna Troy já perdeu sua chance e seu lugar no mundo. E, segundo sua lógica, se nenhuma criatura da morte, seja das trevas ou da luz, reclamou a alma de Tróia, ela merece o repouso no Hel. Já Diana não pensa assim, e tenta dissuadir a oponente — Desista você, Brunhilda!

Nunca!! Minha perseverança é tão forte quanto a tua, princesa! — ao levantar a espada contra Diana, a Mulher-Maravilha lança o cabo de sua espada contra sua oponente, derrubando-a de sua montaria. Brunhilda cai de seu alazão, mas movimenta-se no ar, caindo em pé. Diana desce rapidamente para continuar a batalha em terra. As roupas civis rasgadas demonstram que a Mulher-Maravilha não está de uniforme, o que leva o primeiro ataque da valquíria ao ventre da amazona, que está desprotegido. Com extrema habilidade, Diana movimenta-se para o lado e com o cotovelo acerta a nuca da adversária. Porém, Brunhilda não é uma inimiga fácil, e manejo de espada inigualável, consegue acertar de raspão as costas da princesa amazona, que se vira com rapidez e bloqueia com sua espada o ataque da asgardiana.

— Eu conheço esta espada, amazona. Ela é asgardiana, conheço os pontos fracos de sua forja.

— É apenas uma espada, Brunhilda. Com ou sem ela eu posso derrotar você! — Brunhilda sorri e avança contra a Mulher-Maravilha.

Gateway City, cinco quarteirões da casa de Helena Sandsmark.

A limusine se movimenta com velocidade constante. O vulto continua a correr pelos prédios baixos e salta de um telhado para outro com extrema facilidade. Olhos treinados percebem que um semáforo se aproxima, o vulto apressa o passo e, ao chegar à esquina, nota que a grande limusine branca com um "x" estilizado na frente freia. Com agilidade e segurança, se lança no ar, e cai em cima do capô. O barulho faz com que os passageiros se assustem.

— Acelere, Lykos! Estamos sendo atacados! — grita Emma Frost, enquanto tenta fazer uma sondagem mental do oponente. Antes que possa iniciar o procedimento, uma espada rasga o teto do veículo, desconcentrando a Rainha Branca.

— Agora, Lykos!! — enquanto Karl Lykos acelera a limusine pelas ruas de Gateway, Emma Frost sente dificuldade de se concentrar devido às estocadas dadas com a espada contra to teto do carro — Argh! Me acertou no ombro! Pare o carro, quero saber quem ousa enfrentar a Rainha Branca! — enquanto Emma Frost desce do carro, deixando Cassandra, mentalmente controlada, dentro do veículo, o vulto, que revela ser a amazona Ártemis, salta para o chão, ficando frente a frente com a ex-regente do Clube do Inferno.

— Solte a garota, ela está sob minha proteção.

— Quem é você? — pergunta Emma, com arrogância. Lykos desce do lado do motorista e caminha sem ser notado por trás da amazona. Com as duas mãos espalmadas, Lykos toca as têmporas de Ártemis, sugando sua energia e sendo transmutado para Sauron. Com incrível agilidade, Ártemis chuta para trás, empurrando-o, e mesmo zonza ainda acerta a cabeça de Emma Frost, fazendo com que sua inimiga fique tão desnorteada quanto ela. Armando seu arco, ela dispara duas flechas contra os ombros de Sauron. Ainda em um estado meio humano, meio réptil, Lykos cai em agonia, jorrando sangue.

— Eu sou Ártemis, bruxa telepata. E vim resgatar a Garota-Maravilha, que está sob minha proteção. Vim a mando da rainha Hipólita, de Themyscira.

— Essa garota é mesmo pupila da Mulher-Maravilha? — pergunta Emma, escondendo a raiva por ter se enganado.

— Correto. Se quiser partir sem luta, vá em paz, mas o faça agora.

— Humpf. Desculpe, realmente. Pensei que fosse mutante, e com toda certeza, se o fosse, a garota estaria melhor protegida e orientada dentro dos muros da Escola Xavier, não com bárbaros. — Emma joga Lykos no banco de trás da limusine e assume o volante. Assim que partem, libera Cassie do controle mental.

— Ártemis?? O que você está fazendo aqui? E o que eu estou fazendo aqui?

— Bem garota, agora você vai saber o que é o verdadeiro treinamento das amazonas.

— Eu devo gostar disso?

— Se você sobreviver, sim. — Ártemis sorri com o canto da boca ao ver a garota arregalar os olhos — Vamos para a sua casa agora.

Ruas de Nova York.

Um combate épico entre duas guerreiras é presenciado.

— Desiste, Mulher-Maravilha! Desiste! — entre o brandir das duas espadas, Brunhilda avança com fúria.

— Pra quem tem a vitória ganha, Brunhilda, você me pede demais para desistir! Saiba que uma amazona não desiste nunca! — Diana intercepta o ataque com a espada, mas a sua se parte.

— Eu falei que conhecia os pontos fracos da forja desta espada. Espero que estejas pronta para descer ao Hades, princesa!

No subterrâneo, Tróia tem dificuldade em lutar com o troll em um espaço tão apertado. Dono de força descomunal, o ser já acertou Donna Troy algumas vezes. A moça sente que deve ter partido uma costela ou duas, se contar com a sorte.

— Esses subterrâneos... — pensa Donna — Já ouvi falar dos Morlocks, que vivem em instalações antigas do metrô, e que podem passear pelas galerias subterrâneas de toda Nova York! — Donna se deita no chão e grita — Ei, grandão! Vê se me acerta bem aqui!

Assim que o troll levanta sua clava, Tróia se esquiva com rapidez. Quando a arma racha o concreto, Tróia esmurra com força o chão, fazendo com que rache ainda mais. Com fúria, atinge o troll várias vezes e o lança contra o chão, fazendo com que desmorone para o desconhecido. A titã e o troll desaparecem em meio à escuridão. Um breve momento depois, Donna alça vôo pela fenda, onde reconhece novamente a luz do sol e chama por Diana.

— Mulher-Maravilha, o que aconteceu aqui?

— Combatentes valorosas, mas vão levar um recado para Hela. — Diana coloca Brunhilda, desacordada, sobre o cavalo alado, e com um tapa faz com que os três garanhões alcem vôo — Saiam de Midgard, cavalguem por Bifrost, peçam permissão a Heimdall e levem de volta para Niflheim suas guerreiras. Mostrem à deusa Hela, que deve deixar as amazonas em paz! Talvez Odin permita que Munin e Hugin possam lhe dar alguns conselhos. Iááá!! — os cavalos partem rumo ao céus, desaparecendo em instantes — O que aconteceu lá embaixo, Donna?

— Nada que eu também não desse conta! — com uma piscadela, Tróia abraça a Mulher-Maravilha — Onde paramos o papo mesmo?

— Você estava me falando de Roy...

— Ah, cansei de falar de mim! E você, ainda anda naquela tensão com Arthur? — Tróia sacode as mãos enquanto sorri, deixando Diana ruborizada.

— Donna! Não seja indiscreta! Ele é casado!

— Ah, Diana, juro que não conto para ninguém! E ele e Mera não esquentam o mesmo lençol há muito tempo! — as duas riem — Nossa, nossas roupas estão um nojo! Que tal fazer umas compras?


:: Notas do Autor

Mais uma saga se encerra para dar início a novas emoções! Diana continuará em NY, onde terá várias aventuras! Que tal me dizer qual vilão Marvel Diana deve enfrentar? Descubra junto conosco como ficará a parceria com a Garota-Maravilha e que terrível destino aguarda Themyscira! Escrevam-me! uncanny_jb@hyperfan.com.br

(*) Nas últimas edições. voltar ao texto



 
[ topo ]
 
Todos os nomes, conceitos e personagens são © e ® de seus proprietários. Todo o resto é propriedade hyperfan.