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Mulher-Maravilha # 20

Por JB Uchôa

Novos Inimigos

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Na saída do prédio das Nações Unidas, Steve Trevor abre a porta do táxi para que Etta Candy Trevor, sua esposa, e Diana possam entrar. O motorista porto-riquenho Luiz arregala os olhos pelo retrovisor quando nota a beleza da princesa amazona, em trajes civis. Abaixa um pouco o espelho para focalizar melhor o decote da blusa lilás de Diana e sorri maliciosamente. O trio, alheio aos pensamentos do motorista, manda seguir em frente.

— Oh, Steve! Que bom você e Etta virem a Nova York! — exclama Diana, travando as portas.

— Não podia deixar de ver como ficou sua nova sala, ainda mais que Etta e eu não viajamos faz algum tempo. Unimos o útil ao mais que agradável.

— É verdade, querido. Boston, Gateway, NY, se sempre visitarmos Diana, um dia conheceremos o mundo inteiro! — Steve cutuca a esposa com o dedo indicador — Oh! Desculpe, Diana, não foi minha intenção...

— Tudo bem, Etta. Não sei ainda se continuarei aqui, voltarei para Gateway, Themyscira ou até mesmo Boston. Talvez vá para uma cidade diferente ou fique um tempo na lua... não sei. Tenho rogado a Atena para que me ilumine em minhas decisões. — a Mulher-Maravilha ajeita o cabelo e segura a mão da amiga.

— Sabedoria e paciência. Duas virtudes que minha mãe dizia que eram imprescindíveis! — Etta sorri e aperta a mão de Diana.

— Senhor? Para onde mesmo? — pergunta Luiz, ajeitando o retrovisor, buscando um melhor ângulo para o decote. Diana ergue um pouco a manga da blusa e leva o bracelete próximo aos seios, fazendo com que um facho de luz ofusque o motorista e o faça modificar a posição do espelho.

— Park Avenue, em frente ao Astoria. — responde Steve, alheio ao sorriso de sarcasmo de Diana confrontando o olhar do motorista.

— Na sede da fundação Mulher-Maravilha?? — pergunta Luiz, assustado.

— Isso mesmo. — Diana abre um largo sorriso e continua a conversar com Etta.

Gateway City, bosque Dickson.

— O nome desse bosque é uma homenagem a Emile Dickson, que foi...

— Cassandra, não estou interessada em histórias agora. Cubra os olhos! — Ártemis joga uma venda nas mãos da Garota-Maravilha (*).

— Foi mal, toda-poderosa! Estava só querendo te enturmar pela cidade! — Cassie termina de ajeitar as tranças do cabelo e venda os olhos — Cadê o arco e a flecha? Vai colocar uma maçã na sua cabeça?

— Você vai ficar por uma hora em pé, identificando os sons, depois vai me descrever quais você identificou. — Ártemis senta na relva e encosta-se a uma árvore.

— O quê?? — Cassandra ergue um pouco a venda — Você quer que eu fique feito uma banana durante uma hora...

— Cubra os olhos Cassandra. Você tem uma hora. — o tom firme de Ártemis termina a frase imperativa. Cassandra cobre o olho esquerdo e relaxa os ombros, levanta um pouco o queixo e o silêncio reina na pequena clareira.

Fundação Mulher-Maravilha, NY. Segundo andar.

— Ficou muito bonita a fachada do prédio, Diana. Parece mármore carrara! — elogia Steve, encostado na janela enquanto Diana assina papéis em sua mesa e Etta verte uma xícara de chá — O seu escritório também é de muito bom gosto, mas aposto que você quase nunca vem aqui.

— É mármore carrara mesmo, Steve. Este foi um dos templos de Hera, que apareceram quando os deuses retornaram (**). Paguei o valor do terreno, já que o dono sabia que não poderia utilizar o templo. Sempre que posso, procuro passar aqui umas duas vezes na semana. — a Mulher-Maravilha termina de assinar os papéis e abre uma caixinha de bombons — Quase nunca, realmente. Quer um chocolate, Etta?

— Não, obrigada. Em Boston apareceu um templo lindo de Apolo. Soube que em Cancún o mais bonito deles era o de Posêidon, que apareceu no meio do mar. — mudando repentinamente a conversa, Etta olha para os docinhos e tenta decidir se come ou não. A mulher observa Diana comer alguns doces e pensa "como é que ela consegue?" Entretanto, os pensamentos da sra. Trevor são interrompidos com leves batidas na porta. Um homem magro vestindo um jaleco branco abre a porta timidamente.

— Pois não? — fala Diana, carinhosamente, enquanto se levanta — Entre, senhor, posso ajudar em alguma coisa?

— Mulher-Maravilha... ajude-me! — com lágrimas percorrendo a face e com aspecto de que há dias não dorme, o dr. Bonner ajoelha-se na porta da sala. Etta e Steve olham assustados, enquanto Diana corre de encontro ao homem, ajoelhando-se e segurando seus ombros para confortá-lo. — Piedade, adorada, piedade!! Livre-me desse mal, por favor!!! — atônita, a princesa de Themyscira ergue a face do doutor delicadamente.

— Que mal terrível é esse? Não suplique, por favor. — com extrema ternura pelo gesto, o dr. Bonner engole o choro e fala mansamente.

— Contraí AIDS, princesa. Não nego. O sucesso de minhas pesquisas para isolar o fator-x e o mutagene me trouxe muitas regalias. Os laboratórios clandestinos para os quais eu trabalhava mandavam mulheres para satisfazer minha luxúria enquanto trabalhava. Quando soube que estava com a doença, larguei tudo e me dediquei ao trabalho voluntário em sua fundação... até que hoje a vi chegar e vim aqui suplicar.

— Suplicar pelo quê? — os olhos azuis de Diana fitam firmemente os olhos um pouco esquálidos do doutor David Bonner — Está acontecendo alguma coisa?

— Vim suplicar por minha cura!

Gateway City, bosque Dickson.

— Pronto, Cassandra, pode retirar a venda. O que você escutou? — Ártemis está em pé, com as mãos na cintura. Cassie retira a venda e abre um largo sorriso.

— Passarinhos, um avião... você roncando...

Cassandra! — o olhar firme da amazona mostra à Garota-Maravilha que realmente seu humor não é nada parecido com o da Mulher-Maravilha.

— Desculpe. Como disse, passarinhos. Acho que um era um bem-te-vi, o som dele ficou durante um bom tempo em meus ouvidos. Passou um avião comercial, pela demora do barulho. Se fosse um jato seria mais alto e rápido.

— Muito bem, somente isso?

— É. E então, como me saí?

— Péssima. Você não ouviu o sibilo da serpente e muito menos o silvo de minha flecha. — Ártemis aponta para o chão e mostra uma serpente morta, com uma flecha encravada na cabeça — Aliás, Cassandra, antes de um exercício de audição, este deveria ser de visão. A cobra já estava aí quando chegamos, e ficou visivelmente irritada quando você pisou em sua cauda. — Cassie torce a boca e levanta os olhos — Mas não se preocupe, ainda temos a semana toda para praticar. Deverei ir a Themyscira no começo da próxima semana e deixarei alguns exercícios para você realizar.

Fundação Mulher-Maravilha, NY.

Após o doutor David Bonner ter revelado sua real intenção de procurar Diana, a Mulher-Maravilha se pergunta o que a humanidade pensa dela. Deusa? Super-heroína? Um ícone?

— Oh, Deus! — Steve Trevor encara a Mulher-Maravilha, que se vira em direção aos amigos, visivelmente abalada — Levante-se, homem! Você acha que se essa mulher fosse capaz de tamanha maravilha ela já não teria curado o mundo de todos os seus horrores? — Steve segura firme o braço de David — Por que você acha que ela seria tão egoísta a ponto de gaudar para si um dom tão precioso? Se a Mulher-Maravilha fosse capaz, o mundo não teria doenças ou fome!

— Lamento, doutor. — interfere Diana — Realmente, tenho dons especiais, mas não posso operar milagres... infelizmente. Rogo aos deuses que o protejam, mas pense que sua sina pode ajudar muitos mais. Sei do trabalho que tem feito aqui, absorva-o, ajude os outros e com certeza será recompensado. — com o final das palavras, ouve-se um grande estrondo no andar inferior — Por Gaia!! O que foi isso??

Parte do teto da fundação racha, Diana e Steve correm em direção à porta vendo o tumulto dos voluntários, pacientes e funcionários da fundação Mulher-Maravilha. A princesa amazona segura com firmeza o laço da verdade e, voando em paralelo por cima da multidão, faz em ziguezague uma rede, capaz de suportar o peso do teto, caso a estrutura venha abaixo. O laço sagrado de Héstia foi forjado do cinturão de Gaia, um presente inestimável do deus Hefestos. Etta levanta o dr. Bonner e juntos vão atrás da Mulher-Maravilha. Steve Trevor corre e abre uma porta da saída de emergência.

Por aqui! Não tumultuem as escadas e nem o elevador! — guiando as pessoas através da saída de emergência, o coronel Steve Trevor não percebe o vulto por trás de si. Com rapidez, um tentáculo perfura o tronco de Steve, fazendo que com que seus gritos firmes se tornem urros de dor. Ouvindo os gritos do filho de Diana Trevor, a corajosa piloto da qual a Mulher-Maravilha herdou o nome, a princesa arremata o laço e voa em direção a Etta.

Steve! — Diana e Etta gritam, tentando enxergar algo no meio da fumaça. Com a poeira baixando, percebem uma figura familiar aos cidadãos de Nova York aparecer, com o coronel sangrando em seu poder.

— Li um artigo que dizia que um certo doutor poderia me livrar para sempre de meu amigo aracnídeo. — um sorriso sarcástico assusta Etta Trevor.

— Dr. Octopus? — grita Diana, afastando o dr. Bonner para dentro de sua sala.


:: Notas do Autor

E então, gostaram do primeiro grande inimigo que a Mulher-Maravilha enfrenta em NY? Escrevam: uncanny_jb@hyperfan.com.br

(*) Apesar de a Panini ter utilizado a clássica tradução Moça-Maravilha para Wonder Girl, os autores responsáveis por Cassandra Sandsmark no Hyperfan (JB e Josa) decidiram manter a tradução adotada desde que o site foi lançado, Garota-Maravilha, por acreditarem ser bem melhor! Se você também não gostou da mudança, envie um e-mail para dc@panini.com.br com a reclamação. voltar ao texto

(**) Durante a saga O Retorno dos Deuses, iniciada em Mulher-Maravilha #05. voltar ao texto



 
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