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Aquaman # 08

Por Eduardo Regis

Nadando com Tubarões - Parte II
Promessa

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Namor se levanta e soca Attuma.

— Orin, vá atrás do Arraia...

Attuma devolve o soco, mas Namor se desvia.

— Nossos caminhos se separam... aqui... por enquanto... (*)

Orin amaldiçoa Namor.

"Terei mesmo que ir sozinho atrás do Arraia!"

O rei de Poseidonis nada em direção aos atlantes. Os trabalhadores olham espantados para Aquaman.

— Homens de Atlântida, serei direto: para onde foi o Arraia Negra?

Os trabalhadores olham com um pouco de desconfiança para Orin, mas um atlante se destaca dos demais e fala:

— Senhor, ele se dirigiu ao sul.

— Obrigado.

Aquaman se dirige ao seu veículo e ruma em direção ao pólo sul. No meio do caminho, ele tenta uma manobra.

"Vai ser muito difícil descobrir onde exatamente o Arraia está se escondendo, mas se o meu código de acesso à torre da Liga ainda estiver funcionando, posso conseguir acessar os satélites deles e fazer uma varredura procurando pelo submarino do Arraia Negra."

Orin começa a acessar o painel de controle da torre e entra com seu código de acesso. Funciona perfeitamente. Rapidamente, ele começa a programar os satélites para varrer a área.

"Agora vamos tentar de outra maneira."

Ele liga o piloto automático do veículo e se concentra com sua telepatia no Arraia Negra.

"Nunca tentei isso antes, mas pode funcionar."

Aquaman tenta se conectar à mente do Arraia Negra através dos resquícios evolutivos de quando os ancestrais dos humanos viviam no mar. Essa parte da mente não deve reter nada além de instintos e informações muito simples, mas talvez seja o suficiente para que Orin possa rastreá-lo.

O veículo submarino para, tendo chegado ao seu destino. A varredura do satélite da Liga ainda pode demorar alguns minutos e Orin continua se esforçando para sentir a presença do Arraia Negra, até que finalmente seus olhos se abrem e ele vira o veículo para oeste.

Não demora mais do que dois minutos até que Orin encontre a nave submarina do Arraia parada próxima à costa. Pensando em eliminar rotas de fuga, Aquaman descarrega a artilharia de sua nave contra as turbinas e a escotilha do veículo inimigo, comprometendo-o seriamente. Ele, então, para sua nave e continua a perseguição, primeiro a nado e depois a pé pela paisagem desolada das geleiras.

Ele anda por cerca de uma hora. O frio em nada o incomoda, pois está acostumado às temperaturas das grandes profundidades do oceano, mas andar pelo terreno inconstante das geleiras retarda seu avanço. Após perder a noção do tempo, ele avista o que parece ser um precipício, que dá em um vale gelado e lá, em algum lugar do vale, ele sente forte a presença de seu inimigo. Ao chegar ao topo da parede de gelo, Aquaman enxerga uma construção baixa e larga. Do lado de fora, estacionados, diversos veículos de neve denunciam a presença de vários capangas do Arraia Negra.

Orin passa a mão pelas bandagens que envolvem seu tronco e reza para que sua energia seja suficiente para dar fim a este plano insano. Por um momento, seu bom-senso o diz que é a hora de chamar a Liga da Justiça, que eles jamais permitiriam que o Arraia levasse esse plano adiante. No entanto, ele precisa restaurar sua fé em si mesmo e decide que aquele problema é só dele para ser resolvido. Antes de descer, contata Vulko pelo comunicador e deixa instruções claras para que o professor chame a Liga caso ele não retorne até o dia seguinte.

A porta lateral da construção é rasgada ao meio pelo gancho de Aquaman. Uma dúzia de capangas se assusta e corre para suas armas enquanto o monarca dos mares adentra o local. Aquaman, no entanto, não lhes dá o tempo e com um impulso poderoso se joga no meio dos homens, nocauteando-os um por um com socos e chutes.

O ambiente no qual se encontra parece ser uma sala de acomodação. Sofás, cadeiras, algumas camas e uma cozinha compõem o ambiente. Uma grande porta de correr figura numa parede mais adiante. Ela possui um grande cadeado, mas dá para perceber que está destrancado.

Orin empurra a porta com toda a força, revelando um grande ambiente com uma maquinaria gigante que parece adentrar pelo solo. Alguns guardas, o próprio Arraia Negra e um homem vestindo jaleco branco,que Aquaman supõe ser o dr. Wallace, se chocam com a entrada repentina do herói.

— Então Namor o deixou vivo, Aquaman! Aquele idiota.

— Eu vou destruir cada centímetro deste lugar, Arraia.

— Eu acho que não. Não mesmo. — o Arraia Negra toma a dianteira do cientista e dos guardas — Homens, levem o doutor embora daqui com segurança. Eu preciso descamar um peixe.

O Arraia Negra aponta seu tridente para Orin. Um raio vermelho é disparado e acerta Aquaman em cheio. Orin grita enquanto é jogado alguns metros para trás.

— Levante, Aquaman! Vamos ver: você prefere morrer queimado ou de hemorragia?

O gancho de Aquaman voa e se enrosca no tridente. O Arraia segura sua arma com todas as forças, mas Orin continua puxando. Finalmente, o tridente é puxado para a mão de Aquaman.

— Acho que agora só lhe resta tentar me matar por hemorragia. — Orin entorta o tridente e joga-o num canto.

Sem se deixar abater, o Arraia coloca um de seus punhos em posição de tiro e começa a disparar diversos dardos. Orin corre para se desviar dos disparos. O herói se refugia atrás de uma maquinaria.

— Você não pode fugir por muito tempo aqui dentro! — grita o vilão.

— E você não pode atirar dardos para sempre. — Orin retruca.

Com um surpreendente salto por sobre a máquina que o protegia, Orin cai em cima do Arraia Negra, atingindo seu peito com os dois pés.

— Você melhorou sua armadura! — Aquaman fala, após sentir que seu ataque nem amassou a placa peitoral.

— Ah, sim... — Arraia faz uma corrente elétrica poderosa correr seu corpo. Orin é tomado pelo choque e o vilão o empurra contra canos de metal.

Impiedoso, Arraia Negra levanta-se já mirando um de seus punhos para Aquaman. Um raio de energia corta o ar e atinge Orin em cheio, queimando suas ataduras e revelando os ferimentos passados ainda não totalmente cicatrizados.

— O que você está tentando fazer aqui, Aquaman? Você está ferido, eu vou matá-lo! O dr. Wallace já fugiu! Vou ligar essas máquinas e tudo estará acabado antes que o mundo perceba!

— Não sei o que você pensa que eu sou, Arraia. Depois de tantos anos, devia me conhecer um pouco melhor!

Apontando o gancho para o Arraia, Aquaman o dispara. Dos visores do capacete do vilão saem dois poderosos raios explosivos que acertam o gancho ainda no ar, fazendo-o desviar sua trajetória e ficar preso no teto. Aquaman olha surpreso para Arraia.

— Armadura nova, novo sistema de mira. Estava guardando para uma ocasião especial.

Os olhos brilham mais forte ainda em vermelho e dois raios poderosos atingem a corda metálica que liga o gancho ao aparato no braço de Orin. A explosão faz a liga metálica se partir. Aquaman observa descrente enquanto a corda de metal partida retorna para seu braço.

— Foi uma das especificações pelas quais mais procurei no modelo. Raios capazes de partir essa porcaria de gancho! Imagina o que eles farão à sua cabeça! Agradeça ao Consertador por isso.

Aquaman reage rapidamente, agarrando um dos canos de metal e jogando-o contra o Arraia. A armadura reage novamente e raios explodem o cano, mas a explosão projeta fragmentos de metal para todos os lados. Um pedaço adentra a perna esquerda de Aquaman.

Eu sou uma ameaça real! Não um assaltante de terceira, Orin. Eu sou muito mais perigoso do que qualquer um jamais imaginou!

Novamente, os olhos da morte fitam Aquaman. Orin se joga no chão, procurando desviar. Uma máquina explode atrás dele.

"Preciso fazer algo, ou esse louco vai realmente conseguir..."

Um novo raio passa raspando por Aquaman. Um computador é atingido.

— Você vai destruir esse lugar, muito obrigado.

— Eu construo novamente, se for preciso.

Aquaman se levanta e pula para cima da grande máquina que parece adentrar nas entranhas da calota polar. Ele observa o abismo até onde ela se estende e vê a água do mar lá embaixo.

Outro poderoso raio é disparado. O Aquaman se abaixa na hora, e o disparo passa acima de sua cabeça. Dessa vez, uma parede atrás dele explode. Quando o frio e a neve invadem o local, Aquaman tem uma idéia e corre como pode para o lado de fora.

Enquanto salta, um raio o atinge nas costas. A explosão queima sua carne, e o impulsiona para a neve com muita força. Aquaman vai parar muitos metros para fora do prédio.

Com a cabeça tonta e as costas ardendo, Orin junta forças para se levantar.

— Esse será seu túmulo. A imensidão branca. O gelo. Mas não vá muito longe, quero sua cabeça empalhada decorando meu salão do trono!

Orin se levanta e corre pela neve em direção à muralha de gelo que circunda o vale.

— É assim que você será lembrado, Aquaman, como um covarde incapaz!

Aquaman tropeça e cai. Ele rapidamente se vira para fitar o Arraia.

Os olhos vermelhos da armadura brilham como nunca, um barulho irritante, como de estalos elétricos, ecoa enquanto dois raios se juntam em um feixe rubro que voa em direção a Orin.

Calculando o tempo exato, Orin salta por sobre o raio e cai por cima do Arraia. O vilão pensa em acionar o sistema de choque elétrico da armadura, mas um barulho atordoante chama sua atenção. O raio quebrou parte do gelo da muralha, e agora, uma imensidão de gelo e neve se aproxima para soterrá-los.

— Você nos matou, Aquaman! — o Arraia grita.

— Faz as contas, Arraia. São dois contra o mundo. Quem você achou que ia vencer?

A neve e o gelo tomam conta de tudo. Primeiro se dá uma sucessão de confusão e destruição e, por fim, reina o sossego.

Orin desperta. Ele e o Arraia estão dentro de uma "bolha de ar" dentro do gelo e da neve.

"Mas... como?"

A dor é muito forte. Por todo seu corpo, ele vê marcas roxas e está certo de que pelo menos algum osso deve estar quebrado. O impacto foi muito forte.

Ele se esgueira para o Arraia. A armadura do vilão está apagada, os olhos vermelhos não estão mais lá. Orin se aproxima mais dele e então se lembra... no último minuto o vilão acionou um campo de força que acabou englobando os dois e os manteve a salvo. Por isso eles estavam dentro daquela "bolha", ela tem a circunferência exata do campo. A bateria da armadura deve ter acabado após horas com aquele campo de força ligado.

Orin arranca o capacete do Arraia e as luvas da armadura. Ele solta seu gancho e com o restante da corda de metal prende o vilão.

"Agora só tenho que pensar em como sair daqui. Bem, o vale era próximo da água, acho que posso tentar."

Um bom tempo depois, Aquaman começa a escutar barulhos de fortes pancadas e o gelo tremendo. O Arraia desperta.

— O que está havendo?

— Estou nos tirando daqui. Prenda a respiração. Sua armadura já não está mais funcionando.

— O quê? Coloque o capacete em mim! Devo ter oxigênio reserva ainda!

Em meio aos tremores, Aquaman coloca o capacete no Arraia.

— Que barulho é esse? Porque você não morreu? — o Arraia fala com a voz abafada, uma vez que os alto-falantes do capacete estão desligados.

— Eu estava...

BUUM

Um estrondo e um tremor muito forte os atingem.

— Eu estava tão perto de você que seu campo de força acabou me protegendo também.

BUUUUM!

Outro enorme estrondo, e as paredes começam a se rachar em volta deles.

— Não... seremos engolidos pela neve e pelo gelo!

BUUUUM!

Outro estrondo e o teto de gelo desaba sobre os dois, mas, logo em seguida, o chão se quebra e os dois caem no oceano.

Aquaman se desvencilha do gelo enquanto o Arraia, preso, afunda por entre incontáveis baleias e toda a sorte de animais marinhos colossais. Aquaman havia convocado os maiores dentre os maiores, e sua força os havia libertado da prisão da "bolha".

Orin agarra o Arraia e se segura nas costas de uma grande baleia.

"Nade, minha amiga, nade para minha nave."

Aquaman se agarra à baleia, se esforçando ao máximo para não desmaiar de dor e cansaço.

O capitão da guarda se aproxima de Namor.

— Meu rei, vossa majestade não vai acreditar em quem está em nossos portões...

— Mande-o entrar.

— Senhor, ele não deseja entrar, mas deixa um prisioneiro para o senhor. O Arraia Negra, acorrentado e indefeso.

Namor se levanta.

— Ele ainda está aqui?

— Não sei, meu rei, suas ordens foram para deixá-lo livre.

— Está bem, capitão, traga o Arraia. Orin virá a mim quando for a hora.

— Devo colocar o Arraia junto de Attuma?

— Por hora, sim. No entanto, somente Attuma será julgado. Tenho outros planos para o Arraia. Arranquem a armadura dele e apliquem uma dose do soro que temos para os visitantes da superfície.

— Está certo, meu senhor.

— Nós vamos morrer, Arraia. — diz Attuma, dentro da cela.

O Arraia sorri.

— Lembra-se de quando eu disse que tinha um plano de emergência?

— Pelo visto não existe mais plano nenhum! — Attuma se agita.

— Você não poderia estar mais enganado. Eu e você voltaremos como krakens furiosos e esmagaremos os dois com nossos tentáculos. Eu prometo.

— Você está louco... louco...


:: Notas do Autor

(*) Lembra-se dessa cena na edição anterior? voltar ao texto




 
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