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Garota-Aranha # 03

Por Eduardo Regis

Pontos de Vista
Parte II

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9:15 da manhã, aeroporto JFK, Nova York.

"Odeio meu emprego. Odeio ser segurança desse babaca. Olha a cara dele de almofadinha, se eu pudesse daria um tapão nesse sorriso só pra..."

— Jerry, verifique se o carro já está lá fora me esperando. — diz o senador Lewis.

— Claro, senhor, só um instante. — Jerry fala no seu ponto — 022, tudo certo?

Tudo certo, 011. — responde a voz no fone.

— Podemos ir, senhor senador.

— Ótimo! Odeio quando esses caras se atrasam. Ainda não sei por que não me providenciaram um helicóptero...

Subitamente, Jerry cai no chão, na frente do senador. Ele se vira e recebe uma bola de teia na boca — um presente da Garota-Aranha, que em seguida o pega no colo e, dando saltos, sai do aeroporto.

— Não se preocupe eu providenciei um transporte muito mais rápido: eu!

Os seguranças do aeroporto e o pessoal do FBI não conseguem fazer nada, pois qualquer tentativa de resgate neste momento poderia ferir o senador.

Assim que sai do aeroporto a Garota-Aranha coloca o político no ombro esquerdo e começa a se balançar.

— Te disse que ia feder, pirralha! — fala um baixote fumando um charuto enquanto olha a Garota-Aranha saindo do aeroporto com o senador.

— Como assim "feder"? É a Garota-Aranha que tá com o cara! Provavelmente ela está salvando-o ou qualquer coisa assim! — responde uma menina que está acompanhando o baixinho.

— Tu é carne nova no negócio. Confia no papai. Aí tem treta. Tô sentindo o cheiro dela, é raiva! Faz o seguinte, guria, segue tua amiga que eu vou dar uma checada num negócio aqui.

A menina se livra do sobretudo e coloca uma máscara que estava amassada no bolso. Wild Thing fareja a aracnídea e assim que acha seu rastro sai correndo pelas ruas de Nova York.

Wolverine sentiu o cheiro dele. Por mais que ele tenha se esforçado pra esconder o cheiro, e ele está ficando bom nisso, ainda não dá pra enganar o experiente mutante. Calmamente, o canadense vai circundando o aeroporto até chegar a uma parte mais deserta.

— Moleque, tu acha que pode se esconder de mim? Tu tem que comer muito e beber muita cerva pra ter os colhões iguais aos meus. — Wolverine fala enquanto fuma seu charuto e ajeita o chapéu de cowboy.

Do alto do prédio do aeroporto, o Garra-de-Sabre salta para perto do baixinho.

— Papai. Que surpresa! Eu realmente não o esperava por aqui. Não era pra você estar em Hudson? Você e a minha irmãzinha?

— Pára com esse papo pra boi dormir, moleque. Tu vive com a pata enfiada na bosta mesmo, né? Tá de treta com a Enthralla de novo! Dá pra sentir o fedor dela em você. Não vai dizer que além de tudo, agora tu tá trepando com aquela doida?

— Não precisa se preocupar, se tu for avô eu te mando um postal! Ahahahah!

Wild thing finalmente acha o local onde a Garota-Aranha está com o senador. É um enorme arranha-céu. Ela entra pela portaria e começa a subir correndo pelas escadas.

Enquanto isso, no topo, a Garota-Aranha prende o senador no parapeito.

— Muito bem. A teia dissolve em uma hora, esse é o tempo que você tem pra mudar sua opinião sobre os mutantes. Uma hora! — ela diz para o senador, enquanto se senta no parapeito.

— Você é louca! Não pode fazer isso comigo! Eu sou um senador e...

— Ah, cala a boca! Só quero ouvir você falar quando for pra dizer que vai mudar essa sua idéia idiota! Aí, eu te deixo ir pra casa e dizer pra todo mundo como repensou sua posição, senão, você se esborracha no asfalto e vira patê de senador babaca!

De repente, o sentido de aranha tilinta. Ela se posiciona e vê quando a porta do terraço é arrombada. Das escadas sai uma figura conhecida: Wild Thing.

— Aranha, o que é que tá acontecendo? Solta o cara!

— Wild Thing, que bom que você veio! Nós temos que mostrar pra esse cara que ele não pode simplesmente fazer o que ele quiser com os mutantes! Nós temos nossos direitos! Nós somos a evolução e não eles! Nós estamos no topo! Nós!

— Aranha, tu tá louca! Essa aí não é você! Tu tem que sair dessa! Aranha, tu tem que acordar! Não é assim que as coisas funcionam e tu sabe bem disso!

A Garota-Aranha fica tonta.

"Realmente tem algo estranho... muita raiva, muita dor. E por que eu não consigo parar de pensar naquela mulher de ontem e no seu filho? Tá tudo estranho... não... não tem nada estranho! Ela se vendeu pra esses porcos! Ela quer me confundir!"

Wild Thing se desvia de um soco desferido pela Garota-Aranha. A aracnídea passa direto pela outra mutante e dá um chute para trás, atingindo-a. WIld Thing rola e se levanta, já em tempo de bloquear outro chute da Garota-Aranha. Ela revida com dois socos no estômago que fazem a Garota-Aranha cambalear.

"Hora de usar um truque que minha madrinha me ensinou." — pensa Wild thing — " Ela usava suas adagas psiônicas pra nocautear os inimigos, talvez se eu usar minhas garras psiônicas ela acorde!"

A filha de Wolverine se concentra e faz suas três garras psiônicas aparecerem nas mãos. Aproveitando o momento certo, ela se desvia de outro golpe da aracnídea e crava suas garras em sua nuca. A Garota-Aranha grita de dor e cai desmaiada no chão.

Wolverine levanta Garra-de-Sabre com uma mão e o ameaça com suas garras.

— Escuta, fedelho, vai logo falando qual é a da Enthralla!

— Se liga, velhote! Já que tu é tão fodão, então vai te catar!

O canadense se irrita e joga Garra-de-Sabre longe.

— Moleque abusado. Da próxima tu leva uma sova. Agora tu vai me contar onde ela tá, e o que vocês querem com a Aranha!

Wolverine pisa no peito dele e encosta uma das garras no pescoço.

— Não se mete, porra! Os negócios da Enthralla tu vai resolver com ela, meu negócio era só dá uma mãozinha! Só tô aproveitando a chance pra dar uma surra na Aranha, afinal ela já me ferrou antes e agora tô a fim de retalhar aquela babaca!

A Garota-Aranha começa a recuperar a consciência. Lentamente, começa a escutar os sons da rua, a sentir o cheiro da máscara e, por último, sua visão volta. Primeiro, só consegue distinguir as luzes, depois as cores e então, as formas. Quanto tudo volta ao normal ela vê Wild Thing à sua frente.

— Wild Thing, o que aconteceu? — ela pergunta com uma voz fraca, quase um sussurro.

— Acho que tu foi hipnotizada pela Enthralla, pelo menos essas coisas assim têm a cara dela.

— Eu tô me lembrando... eu vim conferir se não ia dar confusão na chegada desse senador. Tinha alguma coisa me dizendo que alguém ia aprontar. Quando eu cheguei no aeroporto, vi a Enthralla e o Garra-de-Sabre e depois.. bem, não lembro de mais nada.

— Tá na cara que ela te hipnotizou. Ela te colocou pra apagar o senador.

— Pode ser. Eu me lembro de uma mulher muito parecida com ela, mas só vagamente... que engraçado... eu lembro dessa mulher e de uma criança. — a Garota-Aranha coça a cabeça.

— Deve ser resquício da hipnose. Vambora daqui, Aranha, a gente ainda tem que achar a maldita. — Wild Thing começa a andar para a escada.

Ei! Socorro!! Socorro!! — grita o senador, que está preso no parapeito.

A Garota-Aranha vai até o político e arrebenta a teia que está presa ao prédio, libertando-o e colocando-o no terraço.

Sua alucinada! Você vai pagar muito caro pelo que fez! Vai se arrepender pelo resto dos seus dias! Sua louca! Desgraçada!

May olha para Wild Thing, e diz:

— Vou balançando. Vou deixar o senador com o pessoal do FBI no aeroporto.

Não toque em mim, você não... hummphh! — a Garota-Aranha pega o senador com um dos braços e se joga por entre os prédios.

Em pouco tempo, a Garota-Aranha passa pelo aeroporto e gentilmente desce o senador por um fio de teia até o pessoal do FBI.

— Desculpe, pessoal! Confusão desfeita, o senador está a salvo! — ela diz, enquanto volta para procurar Wild Thing.

— Não deixem ela escapar! Essa desgraçada tentou me matar! Parem essa louca! — grita o senador, dando pulos de raiva, mas já é tarde para o FBI tentar qualquer coisa.

As duas mutantes se encontram próximo ao estacionamento do aeroporto.

— Até que você veio rápido, Wild. — a Aranha brinca.

— Sempre fui rápida. — responde Wild Thing, farejando algo.

— Sossega o nariz que sou eu, pirralha. — fala Wolverine, acendendo seu charuto e andando na direção das duas.

— Onde você estava? — pergunta a filha do canadense.

— Resolvendo uma treta. Tô sabendo da Enthralla, vem comigo que eu tô no rastro dela. — assim como Wild Thing estava fazendo, Wolverine começa a cheirar o ar e a seguir a trilha de cheiro deixada pela vilã.

— Ei! Tô sentindo o cheiro do meu irmão em você! — Wild Thing afirma, com um claro tom de surpresa.

— Relaxa, guria. Se concentra no teu lance com a Aranha aí e me deixa trabalhar. Teu irmão quis dar uma de espertão e topou com o papai aqui. Amanhã, quando acordar, ele vai pensar bem antes de fazer bosta de novo. — Wolverine responde, seguindo a trilha.

Um tempo depois, os três estão andando pelas ruas de Nova York, quando Wolverine pára.

— Achei a vadia!

— Cadê? — pergunta a Garota-Aranha.

— Nesse furgão azul que acabou de cruzar a esquina. — ele responde.

Wild Thing corre e pula para cima do furgão. Na última hora ela consegue se agarrar à porta de trás e vai sendo arrastada pelas ruas. A Garota-Aranha se prepara pra saltar, mas Wolverine a segura.

— Guria, manda um abraço pro Parker. Quem sabe um dia desses eu não dou as caras lá na tua casa?

May sorri por debaixo da máscara e salta para cima do furgão. Ela lança um fio de teia, se balança para ganhar distância e com um impulso chega ao teto do veículo. Assim que pára no teto, ela estende a mão para Wild Thing e a ajuda a subir. Enthralla percebe o que está acontecendo e começa a andar em zigue-zague com o carro.

— Se segura em mim! — fala a Garota-Aranha.

Wild thing se segura na Aranha, que graças a sua aderência, não se abala com o zigue-zague. A aracnídea lança dois fios de teia no chão e faz força, parando o furgão. Rapidamente Enthralla sai correndo, tentando fugir das duas. Ela corre pelas ruas, se jogando na frente de carros e empurrando pessoas.

Por mais que corra, Enthralla não é páreo para a velocidade de Wild Thing e de May. Em instantes, Wild Thing agarra a vilã pelas costas, jogando-a no asfalto quente. Com um rápido movimento, ela encosta seu punho cerrado no queixo de Enthralla.

— Me dá um motivo pra eu não te esfolar aqui mesmo, sua cadela! — Wild Thing grita.

Enthralla responde com um contragolpe, conseguindo se libertar.

— Queime! — a vilã grita, enquanto olha nos olhos da heróina.

Wild Thing dá alguns passos para trás, seu corpo está ardendo em chamas. É uma dor indescritível, mesmo para ela...

"Ah não, a Wild Thing caiu no transe dessa doida!" — pensa a Garota-Aranha quando vê a filha de Wolverine gritando.

May fecha os olhos e pula para cima de Enthralla.

"Agora só posso confiar no sentido de aranha, sem olhar pra ela talvez eu não caia nessa de novo!"

O sentido de aranha avisa a Garota-Aranha dos golpes da vilã. Valendo-se de sua agilidade, ela desvia e acerta seguidos golpes na inimiga.

— Droga, como você consegue?! — Enthralla grita — Durma! Durma!

— Dormir?! Você não tinha nada melhor aí não? Tipo... dance?! — a Garota-Aranha segura Enthralla com sua aderência e a joga para trás. — OK! OK! Agora que você já sabe que mexeu com a aranha errada e você já se arrependeu de tudo eu tenho uma notícia pra você: tarde demais! — May desfere um chute na cara de Enthralla, fazendo-a cair. Ainda no chão, a vilã puxa uma arma de seu cinto e aponta para a Garota-Aranha, atirando. May se desvia e joga teia nos olhos de Enthralla.

— Não! — Enthralla tenta inutilmente tirar a teia dos olhos, enquanto é presa ao chão por May.

— Agora você vai ficar aí quietinha enquanto a polícia não chega! — a Garota-Aranha corre para perto da companheira, e diz — Wild Thing, acorda! Você tem que acordar! Não tem fogo nenhum! — May balança Wild thing incessantemente.

— Ahn?! Droga! Eu odeio essa desgraçada! — Wild Thing se enfeza, fazendo suas garras psiônicas saltarem de seus punhos — Eu vou arrancar o cérebro dessa porca!

— Ei! Ei! Calma! Ela já tá muito enrolada! Relaxa aê, Wild! — a Garota-Aranha segura Wild Thing.

— Tu tem razão, Aranha! — Wild Thing concorda.

— Ainda bem que a gente conseguiu impedir esses dois malucos! Aliás, o que o Wolverine fez com o Garra, hein?! — pergunta May.

— Vai saber, mas se foi meu velho que fez, tá bem feito! — Wild Thing sorri.

— Bom, Wild, eu tenho que ir! Ainda tenho um compromisso! — a Garota-Aranha salta — Ah, obrigada mesmo! — e lança sua teia.

"Droga. Vou chegar superatrasada na aula, minha mãe vai me matar!"

Wild Thing vai saindo da rua até se encontrar com Logan, parado com sua moto.

— Sobe aí, guria.

— Pô, pai, aonde tu tava?! — Wild Thing pergunta, subindo na garupa.

— Ih, garota, tu nem sabe. Só aqui em Nova York nego vende uns charutos cubanos bons pra cacete!

Logan dá partida na moto e os dois saem pelas ruas, deixando só fumaça para trás.


Continua...




 
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