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Garota-Aranha - Lições de Biologia # 01

Por Eduardo Regis

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Quarta-feira, 16 de Abril — colégio Midtown High, laboratório de ciências.

O professor Lance Tyler está discursando sobre seu assunto favorito: répteis. Ele sabe que é um assunto que não agrada a todos, mas na verdade o velho mestre só tem a intenção de despertar o interesse em alguns poucos, e ele sabe bem quem esses são.

Jimmy Yama sempre foi fascinado pelas aulas de biologia e nada nesse mundo poderia desviar sua atenção de um assunto tão maravilhoso. Nada, a não ser a jovem May Parker. Ela está sentada duas bancadas à frente dele, ao lado de Davida Kirby. Ocasionalmente May passa as mãos nos cabelos, balançando as curtas mechas logo abaixo do queixo, tomando toda a atenção do rapaz. Quando ela olha para trás, Jimmy pode ver seus olhos azuis e brilhantes e ele se perde em pensamentos apaixonados. Desta vez, ele se perdeu tanto que lhe custou caro.

— Jimmy Yama, você quer responder para a turma qual a classificação zoológica do crocodilo do Nilo? — pergunta irritado o professor Tyler, afinal Jimmy é um dos poucos alunos que valiam à pena o esforço.

Ele simplesmente não sabe. Se em alguma hora o professor havia falado na aula, nesta hora certamente ele estava olhando para May. Não tem outra opção a não ser admitir que não faz a menor idéia.

— Não sei, professor. — responde o jovem Jimmy.

— Da próxima vez preste atenção na aula, sr. Yama. E não nas suas colegas.

Esse comentário é o fim. Jimmy fica vermelho e logo começa a gritaria dos alunos. Todos zombam dele e só depois de muitos protestos do professor a turma pára.

Davida já percebeu há tempos que Yama está a fim de May. Não se lembra a razão de nunca ter falado nada para a amiga, mas se antes havia lhe faltado oportunidade, então esta é a hora.

— May, sabia que o Yama passou a aula inteirinha olhando pra você? — diz Davida, bem baixinho, no ouvido da jovem Parker.

May, no entanto, nem ouve. Enquanto o professor fala sobre crocodilos e Davida conta fofocas, ela está pensando no treino da tarde e nos próximos jogos de basquete.

— May, droga, você está surda? — Davida aumenta o tom de voz no ouvido da amiga.

— O quê? — ela responde no susto.

— Acorda, Parker! Eu estou aqui te informando em primeira mão que o Yama ali é l-o-u-c-o por você e você aí com a cabeça na lua!

— Ah, desculpe! Eu estava pensando nos próximos jogos. Nós temos que vencer, Davida; senão o treinador Thompson vai matar a gente.

— Eu é que vou matar vocês, senhoritas, mas somente na prova. Vamos ver se vocês entendem tanto de zoologia quanto entendem de falatório! — diz o professor Tyler, segundos antes de tocar o sinal.

Davida olha para May fazendo cara de desesperada, mas Mayday (como é conhecida) nem está ligando para as ameaças do professor.

Ela e a amiga voltam para casa conversando. Na verdade, só Davida fala, May está um pouco avoada. Repentinamente, May pergunta para Davida:

— É sério que o Yama estava me olhando?

— Tão sério quanto o montão de tempo que vamos ter que gastar estudando biologia!

May faz uma cara de decepcionada, mas sua amiga logo entende o que está acontecendo.

— Já até sei o que está se passando nessa sua cabecinha de vento, Parker! Enquanto o Yama tá aí te dando maior mole, nada de Brad Miller, né?

Ela não responde nada. Davida sabe que é verdade que ela tem uma queda por Brad. May se despede dela virando a esquina em direção à sua casa e quase cai quando tromba com alguém que vinha correndo. Ela olha e reconhece Brad Miller na sua frente.

— Ah, oi. — diz May, olhando para o chão, envergonhada.

— Desculpa, Mayday, mas eu tenho que ir pro flipper. Tchau! — fala Brad, já correndo novamente.

May olha para trás e não acredita.

"Agora estou sendo trocada até por fliperama." — ela pensa, enquanto continua seu caminho.

Quando entra em casa, sobe direto para o seu quarto.

"Estranho." — ela pensa — "Acho que não tem ninguém em casa."

Troca de roupa e desce para a cozinha já arrumada para o treino. Afinal, tem que comer algo antes de fazer exercícios.

A campainha toca. May corre para abrir tão instintivamente que nem olha para ver quem está tocando. Ela abre a porta e vê uma moça de aproximadamente trinta e poucos anos, quase quarenta. É uma mulher muito bonita, de corpo bem feito e de cabelos prateados. Está usando óculos escuros e está toda vestida de branco, sapatos, calça e blusa.

— Boa tarde mocinha, você é May? — pergunta a mulher, observando May de cima a baixo.

— Sim, você quem é? — diz May, um tanto desconfortável com o olhar da mulher.

— Sable, velha amiga de seu pai, Peter, dos tempos agitados. Ele ou Mary Jane estão em casa? — Sable pergunta, enquanto olha para dentro da casa.

— Ahn, acho que não. Você quer que eu ligue para o celular dele? — fala May, se desviando do olhar de Sable.

— Não precisa, May. Nós estamos aqui.

Ela olha para trás e vê seus pais descendo pelas escadas.

"Afinal, onde estavam?"

Sable entra na casa, tirando seus óculos escuros e abrindo um largo sorriso.

— Quanto tempo, P. E você, M.J., continua tão linda! Ainda não entendo como pôde ter largado a vida de modelo! Mas não foi para discutir a vida de vocês que eu vim aqui; na verdade eu venho lhe contar umas novidades. Será que poderíamos conversar?

Peter, Sable e M.J. sobem para conversar e May fica na sala, curiosa, mas mesmo querendo saber do que se trata a conversa, ela não pode. Já está quase na hora do treino. Ela se prepara para sair de casa quando se lembra que esqueceu a toalha no quarto.

May sobe as escadas rapidamente e, graças aos poderes que herdou de seu pai, Peter Parker, que um dia foi o vigilante conhecido como Homem-Aranha, ela quase não faz barulho. Desde que descobriu seus poderes e sobre o passado de seu pai, ela resolveu seguir os passos dele e se tornar a Garota-Aranha. A vida de heroína, no entanto, não muda em nada o fato dela ser uma jovem adolescente muito curiosa.

"Dos tempos agitados, que estranho, isso me pareceu uma indireta." — pensa May antes de se dirigir para o quarto dos pais.

A jovem encosta o ouvido bem perto da porta.

"Se alguém se aproximar, meu sentido de Aranha me avisa." — ela pensa.

— Então, Sable. O que você quer me contar? Não sabia que você ainda estava na ativa! — afirma Peter.

— Não estou. Não como antes. Mesmo assim eu possuo amigos, Parker; e pra sua sorte muitos deles gostam de você, ou melhor, dele. — diz Sable enquanto tira seus óculos escuros.

— Eu e ele fomos a mesma pessoa, Sable. — responde Peter.

— Você sabe que eu sempre tive dificuldade para aceitar esse fato, Aran... quero dizer, Peter. Bem, o que importa é que você fez um bom trabalho quando era ele e até hoje é muito lembrado por isso, lembrado até demais. — Sable sorri enquanto fala.

— Obrigado pela homenagem, mas o que é? Você está me deixando preocupado, para vir até aqui pessoalmente boa coisa não deve ser. — Peter franze a testa.

— Ora, Peter. Não posso visitar um velho amigo? Afinal, quantos serviços em favor da Symkaria você prestou ao meu lado? Nem sei mais. Mas... em uma coisa você tem razão, não é boa coisa mesmo. É Gargan. — Sable fala com olhar de preocupação.

O quê? O Escorpião está morto! Quer dizer, eu achei que ele tinha morrido acidentalmente numa luta contra Matt. Eu lembro de ter levado ele para o hospital, mas os médicos disseram que não havia mais chances. — Peter olha para M.J., espantado.

— Todos achamos isso, Peter. No entanto, parece que Gargan foi salvo por seu traje de escorpião e foi mantido secretamente preso por uma agência do governo que esperava fazer uma lavagem cerebral nele e utilizá-lo de alguma forma. O traje o deixava muito poderoso.

— Por que simplesmente não roubaram a tecnologia do traje? Gargan era um maníaco, se ele estava vivo tinha que ter ido para uma prisão! — Peter responde, claramente nervoso.

— Pelo que me informaram, o traje obedece a comandos mentais do Gargan; é impossível tirar o traje, pois este seria inutilizado no mesmo instante. Pelo menos as ligações neurais, que são a tecnologia que interessa.

— Mas o que isso tem a ver comigo? Eu já parei com essa coisa toda de herói.

— É, mas agora tem outra aranha na cidade. Todos os jornais e revistas estão ligando ela a você, e, escute, eu sei que só pode ser a jovem May! O Escorpião está louco, Peter. Muito mais do que ele era. Você pode imaginar o que esses anos de reclusão e de lavagem cerebral mal sucedida fizeram a ele? Deve ter sido como ficar em um campo de concentração, a tortura, as experiências. Ele vai querer se vingar de você, do Demolidor e de Jameson. Se ele não te encontrar, vai acabar te procurando e eu aposto que ele vai começar pela Garota-Aranha! Eu vim aqui pessoalmente para deixar um comunicador com você, P. Se acontecer qualquer coisa estranha, fale comigo e eu posso mandar uma equipe para ajudá-lo, ou ajudar a menina. — Sable fala enquanto segura nas mãos de Peter e M.J.

Mary Jane arregala os olhos, seu coração dispara:

"May! Ah, não, de novo não! Já sofri demais com isso por Peter, não quero ter que esperar acordada todas as madrugadas por minha filha também!"

Do outro lado da porta, May leva um susto.

"Droga! Era o que me faltava! É melhor eu sair daqui antes que mamãe venha me dar outro sermão." — a garota dá um salto e cai na sala de sua casa. Muito rápida, ela sai de casa antes de sua mãe abrir a porta do quarto.

Ela corre pelas ruas, está atrasada para o treino.

"O treinador Thompson vai me esgolear!" — enquanto corre, pensando no Escorpião e no basquete, algo toca dentro de sua bolsa.

May pára e escuta o toque, tentando se lembrar o que poderia ser e de repente a resposta vem como um estalo: O comunicador que Sonho Americano tinha lhe dado! Se está tocando, devia significar encrenca e que ela perderá mais um treino.

Esconde-se atrás de algumas árvores, Forest Hills ainda tem muitas, e atende o chamado.

— Sonho? Sou eu, sua amiga que sobe pelas paredes! O que foi?

— Aranha será que você podia passar aqui no QG?

— Ai, ai! Posso! Tô indo!

A jovem vai para os fundos de uma casa e acha um lugar entre a cerca e as latas de lixo para se trocar. Em instantes, a Garota-Aranha está saltando entre as casas, e em sua cabeça estão saltando pensamentos sobre o Escorpião.

"Será que ele é perigoso? Não lembro do papai falar muito sobre ele, mas toda vez que ele falava, reclamava de como aquele ferrão doía!"

Logo a Garota-Aranha chega ao QG dos Vingadores. Ela toca o videofone e Jarvis, o mordomo, abre a porta para ela. Como sempre, e como seu pai fazia (ela veio a descobrir depois), ela entra andando pelo teto. Cumprimenta Jarvis e recebe instruções dele para ir encontrar Sonho Americano na sala de vídeo.

May abre a porta da sala. Nunca se acostuma com o tamanho dos monitores daquele lugar. Sentada em uma mesa está Sonho Americano.

— Oi, Aranha! Que bom que você veio rápido! Tava com medo de que você demorasse e acabássemos perdendo o elemento surpresa!

— O que foi? Problemas?

— Não. É que hoje é aniversário da Stinger e eu resolvi fazer uma festinha de meninas pra ela! Ela merece! Ela anda tão estressada com os treinos, é capaz de ter esquecido que hoje é seu próprio aniversário. Como você, eu e ela temos muita afinidade, resolvi que seria bom fazer uma coisinha!

May não acredita no que ouve. Tanta correria por causa de uma festa de aniversário! Acalma-se e pensa que de certa maneira será engraçado um monte de meninas mascaradas cantando parabéns. Ela não pode perder essa festa por nada, nem mesmo por um treino de basquete.

— Ah, Sonho! Aproveitando que estamos aqui: dá pra você baixar os arquivos do Escorpião para mim? — pede a Garota-Aranha, com a voz claramente preocupada.

— Escorpião?

— É. Um velho inimigo do Homem-Aranha! Ouvi dizer que talvez ele estivesse de volta, e sabe como é... melhor prevenir do que remediar! Os jornais têm me ligado muito ao Aranha, óbvio. Não sei se esse maluco pode cismar comigo.

— Eu sei quem é o Escorpião. Vamos ver o que Gargan têm a nos dizer! Ainda temos tempo até Stinger chegar!

Em um armazém qualquer, na zona portuária.

Uma figura verde se move de um lado para o outro, uma cauda longa e afiada balança demonstrando sua inquietação. Gargan é o criminoso conhecido como Escorpião, e por tempo demais ele ficou preso, por culpa do demônio, da aranha e de Jameson.

A porta do armazém se abre. Um homem magro e de compleição fraca entra e se dirige até o Escorpião.

— Já tá tudo arranjado. Vamu fazê um pequeno roubinho no centro que logo, logo eles morde sua isca, chefe!

Gargan abre um sorriso longo e demorado. A cauda do escorpião se balança rapidamente, fazendo giros no ar.

"Sim, hora de esmagar os insetos que me fizeram passar anos trancafiado."

— Bom trabalho, Jackson. Você será recompensado da maneira do Escorpião.

O ferrão do escorpião voa repentinamente em direção ao peito de Jackson, que leva o golpe e cai no chão. Lentamente ele começa a sentir seu peito formigar. Em poucos momentos o veneno o matará.

— Que é isso? Pô, te ajudei, cara! Por quê? — ele fala, chorando.

— Desculpe, mas é a minha natureza. — responde o Escorpião.




 
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