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Hellblazer # 08

Por Délio Freire

Com um pequeno sinal do dedo indicador, o mais violento dos filhos de Eva pede silêncio e cautela à sua amiga para não acordar seu irmão insone. Pé ante pé, Cain sai do quarto de Abel, ladeado pela gigantesca e disforme gárgula de nome Gregory. Com muita dificuldade, o desajeitado monstro caminha na ponta dos pés. Ambos já estão na sala, quando, desajeitadamente, a gárgula esbarra em um jarro de flores murchas. Cain joga-se, estica o corpo e as mãos para interromper sua trajetória e agarrar a peça, mas fracassa, afugentado o silêncio.

Kablam

— Q-que f-fo-foi isso? — Abel acorda de sobressalto, em meio às suas cobertas e travesseiros.

Lançando um olhar furioso sobre sua mascote, que fica estática e sentada com as patas sobre a própria cabeça, Cain caminha pesadamente de volta para a companhia de seu irmão, abrindo a porta do quarto violentamente.

— C-ca-ca-in!? — a voz gaguejante é, ainda por cima, hesitante — qua-quase que a gen-gente consegue, não é, irmão? Acho que terá que a-acabar a his-história que havia começado... Tal-talvez assim, meu sono vo-volte...

— Sabe o que eu acho que falta pra você dormir, irmão?

O rosto de Abel demonstra uma atenção acima do normal, como um doente prestes a ouvir a prescrição médica. Sua mão está sob o queixo, em um ar pensativo.

— Uma mulher! O que falta a você é uma mulher pra esquentar sua cama! — ele berra, pegando de volta o livro e abrindo exatamente no ponto onde parou — E essa gagueira insuportável! E essa insônia incurável? Tudo culpa daquele alemão maníaco por sexo!

— O F-f-f-f...

— Freud! Você tinha que ouvi-lo?

— B-bem... Co-confesso que e-ele me as-assustou...

— Mas e daí se tivéssemos dormido com nossa mãe pra povoar o mundo? — o sorriso dele se alarga, as possibilidades perversas invadindo-lhe a mente — Afinal, era uma possibilidade, entendeu bem? Imagine se o Adão simplesmente não pudesse ter dado conta?

— Is-so seria e-errado...

— Errado por que? Ela era a única mulher que havia...

— N-não g-gosto de le-lembrar dessa su-sua idéia... Nem do di-dia em que a di-disse. — Abel balança a cabeça, sucessivas vezes — Te-tenho ma-maus so-sonhos só de ima-imaginar...

— Bem, seu bebê chorão, se me permite dizer, a idéia me delicia.

— C-ca-cain!!!

— Mas antes que você comece a perder o sono definitivamente, vamos voltar à nossa narrativa. Você já conheceu os nossos personagens, não é verdade? O diabólico Darkseid, com o amaldiçoado terçol a lhe incomodar a vista, acaba descobrindo por intermédio de Desaad que o único remédio para seus olhos será a queda das calcinhas de Lois Lane diante de um intruso. — Cain aperta os olhos, maliciosamente — O senhor de Apokolips escolheu, para tão doce missão, o mais canalha entre os magos da Terra e o mais infame dos homens: John Constantine. No contato inicial entre John e Lois houve um cabo de guerra entre os sexos, na forma de um vai e vem de palavras que, infelizmente, demonstraram a aparente vitória da mulher. Digo infelizmente, caro irmão, não por tomar partido, mas por saber que na cama não há espaço para os vitoriosos, apenas para os derrotados pelas artimanhas do amor. E após um pequeno beijo entre os dois, é chegada a hora de entrar um novo personagem na trama. Agora que foi apresentado aos dançarinos, você pode ouvir o som de um forte trovão, indicando o início do próximo ato de nossa dança folclórica e divertida. Estamos sendo levados para

O Olho de Darkseid
Parte Final *

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"Em uma mesa de refeição farta, com as mais inimagináveis delícias, reúnem-se Lois Lane, seu marido Clark Kent e seus pais, Jonathan e Martha; além do estranho convidado, de sobretudo e cigarro nos lábios, que teima em manter-se calado à mesa, observando."

— Mas eu sou muito agradecido a você, John! — com o rosto vermelho pelo vinho, Jonathan não cansava de se repetir, ao lado de uma constrangida Martha — Se não tivesse surgido no meio da estrada, na melhor das horas, eu ainda estaria perdido no meio daquele fim de mundo! E te digo que jamais vi alguém consertar um carro tão rápido! Que mecânico!

— Foi um pouco de mágica; abracadabra e outras coisas mais... — responde Constantine, absorto entre o tédio e o cinismo.

— Hahahahaaha! Veja, Martha, que homem espirituoso! Mágica! — bêbado, o velho fazendeiro sai do riso à seriedade, passando a olhar para seu filho à sua frente — Mágica mesmo são as maravilhas que vi neste mundo.

"Com o sangue impregnado do melhor dos vinhos e se levantando para servir mais um pouco a seu misterioso amigo, Jonathan nem deu ouvidos para a pequena discussão que acontecia entre o casal à sua frente. Martha, distraidamente, jogou um pedacinho de peixe para o gato preto que acompanhava Constantine, sem saber que por trás de tal disfarce se escondia Desaad, o mais sábio dos conselheiros de Darkseid."

— Quer que eu acredite nisso? — disse um irritado Clark Kent.

— Eu não liguei para você, já disse. Nem tinha motivo — a jovem esposa dizia.

— Mas eu falei com você por telefone. Era a sua voz.

— Claro que não.

— Deus, Lois! Acha que não reconheceria sua voz?

— E você quer dizer que estou ficando louca? — ela tentou se acalmar — Fico feliz que tenha vindo me ver, mas eu não fiz a ligação. Deve ter sido um trote!

Trote! — Clark Kent levantou-se, retirando-se da mesa.

— Talvez seja hora de eu... — John Contantine também faz alusão de ir embora, mas é contido por um gesto de Jonathan Kent.

"Com o peixe na boca, o nosso gato preto retoma sua forma original; porém, o gesto é discreto e revestido de invisibilidade, deixando Desaad passar desapercebido entre os convidados. Ele esgueirou-se atrás de Lois Lane, observando a cena entre o casal e soprando suavemente sobre a nuca da mulher, deixando-a mais agitada e nervosa, tal como faria um demoniozinho travesso."

— Lamento se minha presença lhe incomodou tanto. — colocando o terno para ir embora, Clark Kent mal olhou para sua esposa.

— Não seja infantil, Clark. Não é por causa de um mal-entendido que vamos brigar, não concorda?

"O conselheiro perverso, como até meu bobo irmãozinho pode perceber claramente, era o dono da voz por trás do telefonema causador da confusão. Não satisfeito, ele ficou a instigar mais ainda a ambos"

— Vamos, fale! — a voz de Desaad, soprada ao ouvido do repórter, não se calava.

Você é vazia e egoísta! — esbravejou, meio surpreso consigo mesmo, o jovem caipira.

"O que se seguiu foi um choro insuportável, meio fingido e meio verdadeiro, como só as mulheres conseguem fazer e que você ainda não conhece, meu imaculado mano. Clark Kent a amparou, meio arrependido; Lois se esquivou, orgulhosa e insensível. John Constantine a tudo assistiu, agraciado com as possibilidades que poderiam se abrir. Para Martha só restou amparar Jonathan, levemente bêbado e meio distante com o vinho."

"Com um gesto rápido e um pouco cansado da cena fútil e degradante da qual estava participando, Clark Kent saiu da casa de seus pais sem dizer uma palavra mais, seus pensamentos bastante longínquos."

Eu não suporto ele! — na verdade, ela queria dizer que o amava, mas jamais iria se sentir à vontade com seu jeitão solitário e interiorano.

— Espere! — Martha subiu as escadas, acompanhando sua nora, que desejava se isolar em seu quarto.

— É casado, John? — pergunta.

— Tenho aversão ao Inferno.

— Ah, quem me dera ter essa sua coragem para a solidão. Me desculpe pelo tumulto.

— Não foi culpa sua. — Constantine aproveitou a volta do gato negro para apertar o seu pêlo com força, fingindo uma carícia no felino que, com um miado, saiu correndo para a sala.

— De qualquer forma, vamos para a sala beber um pouco. Não sei o que houve comigo, mas estou bebendo tudo o que não bebi a minha vida inteira.

— M-mas que coisa, Cain... Esse Desaad está jo-jogando e fa-facilitando tudo p-p-para o m-mago.

— Sim, mas não por muito tempo... Nosso amável conselheiro de Apokolips teve uma grande surpresa ao entrar na sala dos velhos Kents. Algo que fez suas diabruras acabarem.

Os olhos de Abel arregalam-se.

— O-o q-que foi?

— Um vício e uma lenda.

— N-não en-entendi...

— Que surpresa! Com essa sua agilidade mental, é surpreendente que não entenda!

— N-não zombe. Deixe de mi-mistérios.

— Assim que John Constantine e Jonathan Kent entraram na sala, foram seguidos pelo felino tão escuro como a noite. Houve algumas bebericagens e um pouco de conversa, mas em poucos segundos Constantine estava bocejando e indicando que precisava ir para seu quarto e dormir. Obviamente, tratava-se de um ardil. Vendo o estado pouco sóbrio do velho, o mago não tinha dúvidas de que era o momento para uma nova investida.

— T-tentar ... err... co-como di-digo... — Abel parece estar sem jeito.

— Traçar. Comer. Foder. Sim, sem muita dificuldade, nosso anti-herói apressou-se para seu quarto de hóspedes e, em alguns minutos, foi bater à porta de Lois Lane.

— E-e então??

— E então que você está muito curioso quanto a sorte dele... Até parece que vai sentir o gostinho também, caso ele consiga. Antes você deve saber que nosso caro Jonathan Kent estava tão bêbado quanto um gambá.

— E-estranho... ele me-me p-p-pareceu não ser di-disso.

— Tome — com um gesto rápido, Cain entrega o livro à seu irmão, levanta-se e fica de costas como uma criança birrenta — Se não confia em mim, não conto mais a história.

— De-desculpe...

— Sua ansiedade não me comove.

— E-eu...

— Está bem! Está bem! Eu continuo — Cain, sem pegar o livro de volta, continua a narrativa, começa a fazer mímicas e a representar o velho Kent bêbado — Ele não se agüentava em pé, estava bêbado e, se levantasse, ficaria tropeçando sobre os próprios pés bem assim. — a imitação perfeita, com trejeitos e tropeços, arranca risos de Abel — Então ele ficou esparramado no sofá, sem saber pra onde ir. Até que, em voz alta, disse:

— Não... há nada pior... do que beber assim. Ter um bom vinho... e beber sozinho.

— Mas você não está sozinho.

— Quem disse isso? — Jonathan Kent procurou, sem achar, o dono da voz.

— Aquele que tem muita sede e que gostaria de beber um pouco com você. As bebidas de onde vim são amargas e quentes.

— Mas... eu não vejo você... — o velho fazendeiro se abaixou pateticamente, levantando o sofá.

— Olhe ao seu lado.

"Coçando o próprio bigode com uma das patas, o gato preto encarava o velho com um ar de deboche aterrorizante"

— Não tenha medo. Só estou querendo provar um pouco de seu vinho. — disse o gato.

— Que... diabo... é você?

— Não sou um diabo, fazendeiro. Apenas um mensageiro de alguém que faria o próprio Satanás ficar corado. — Desaad voltou à sua forma natural com muita agilidade, para temor de Jonathan Kent — Pare de fazer essa cara e consiga algo pra eu beber.

— Eu bebi demais... Eu bebi demais...

— Pois eu também quero... Eu também quero... — Desaad não se cansava de debochar do velho — Mas deixe que eu mesmo me sirvo. Aonde está o vinho?

— Ali — com o coração acelerado, o velho apontou para o maior armário da sala.

— Aqui? Mas esse armário é enorme!

— Eu... te ajudo... Vamos lá... — com muito cuidado, Jonathan abriu o armário e deu passagem à Desaad — Entre!

— Mas eu não estou vendo vinho algum... — de joelhos sobre uma das enormes estantes, Desaad começou a buscar o vinho em meio a escuridão do móvel.

— Você... tem que ir mais à direita!

— Minha sede está aumentando... Pra lá?

— Isso!

"Com um gesto rápido, Jonathan Kent fechou o armário com Desaad dentro e o trancou, encostando as costas no móvel e respirando com dificuldade. Seu velho sonho estava realizado. As batidas do conselheiro de Apokolips eram incessantes, acompanhada de berros."

— Me tire daqui, velho desgraçado! Me tire daqui!

— Mas nunca! Eu sempre quis... ter um demoniozinho trancado em meu armário... O velho pastor que morava nesta... casa me disse que ele tinha e... que era preciso só um pouco de bebida e muita artimanha. Finalmente, hoje sei... que ele falava a verdade!

"Enquanto Jonathan Kent riu, sentado ao chão, John Costantine saiu de seu quarto para ir ao encontro de Lois Lane. Aqui, caro irmão, o autor do livro descreveu várias coisas como o clima, a ansiedade do mago, o estado emocional da jovem e outras bobagens que achei melhor passar por cima para irmos direto ao assunto"

"Constantine encontrou a porta propositalmente destrancada, abriu-a sem fazer barulho e entrou no quarto semi-escuro. O mago enxergou as encantadoras formas de Lois Lane em suas roupas íntimas, o cobertor deixado de lado e os olhos bastante convidativos."

"O mago se aproximou e a beijou, segurando com força sua cintura. A resistência oferecida o excitava ainda mais. Ela desvencilhou-se, falando:"

— Você pode fazer o que quiser comigo, se isso acabar com seu sofrimento. Sua dor me aflige e muito, mas eu não te amo e nem te desejo. Você me assusta, Constantine. A ferida que você quer abrir em mim machucará apenas a nós dois e não atingirá Clark. Ele é mais forte do que isso.

"De alguma forma, as palavras da mulher calaram fundo no homem. Ela parecia conhecê-lo tão bem a ponto de desejá-lo e de temê-lo. Ele se afastou, aproximou-se da saída, mas voltou em seguida. Hesitante, ele segurou as mãos macias, quase suplicando por um carinho."

— Há algo que eu preciso dizer a você — disse o mago — Não sei como conhece a minha dor, mas se a conhece, sabe também que eu preciso de seu consentimento e de seu perdão. Eu te desejo! Preciso de você! Deixe-me acreditar em seu carinho e me dê um pouco de seu amor; minta e eu acreditarei. Cegamente!

— Não posso!

— Eu estou me humilhando!

— Não me importa. Eu sei porque está aqui... E porque eu deixei a porta aberta... Sua violência e sua frieza me excitavam, mas agora não mais. — o frio a obriga a se abraçar, os braços envolvendo os próprios seios — Pensei que apenas o amor de Clark iria me proteger de tipos como você, mas ontem seu sofrimento me incomodava, me furava, Constantine... Como fui infantil! Mas sobrevivi a meus próprios desejos e meus sonhos... E acho que, recusando-os, me tornei mulher, finalmente.

— Sua performance acabou, John! — a voz estrondosa de Darkseid anunciou sua própria derrota, chegando apenas aos ouvidos do mago, que saiu do quarto de Lois Lane rapidamente e, magicamente, chegou ao salão principal do soberano de Apokolips.

— Nossa maldade foi vencida pela Nova Gênese! Acho que vou me aposentar e deixar tudo isso para o Pai Celestial... — a dor de Darkseid, causada pelo terçol em seu olho, aumentou ainda mais ao ver Constantine à sua frente — Envio para o sacro ofício um homem sem sentimento e ele volta cheio de uma ardorosa paixão, identifica-se com a força da mulher e a deseja mais do que tudo. E ainda por cima, meu conselheiro se deixa aprisionar em um armário. Quem, pelos cabelos brancos da Vovó Bondade, concebeu esse plano frustrado?

"Um pouco tarde, a ficha caiu para o maligno ser e ele se reconheceu como sendo um dos idealizadores da fracassada investida. Ele pegou, com uma de suas pétreas e gigantescas mãos, um espelho e continuou a olhar sua ferida"

— Acho que tive uma idéia para ter um pouco de prazer. Você é ciumento, Constantine?

"Com o estalar de dedos de Darkseid, um homem magro, todo de preto e com uma cartola, saiu deslizando de uma espécie de chaminé, como uma cobra, para se juntar ao gigante do mal e ao mago."

— Você tem um dos melhores ouvidos do meu reino, não é verdade?

— É o que costumam dizer, excelência — elegantemente, o homem de preto retirou a cartola, deixando mais ainda em evidência suas enormes orelhas.

— Qual o seu nome?

— Não me lembro, excelência...

— Isso não importa, meu servo — ele se aproximou de Constantine de modo a irritá-lo — Acha que poderia ouvir o que se passa em um determinado quarto de Smallville, na Terra? O quarto de Lois Lane?

— Mas com certeza, excelência. Acho que já estou escutando... — uma das mãos do servo foi colocada próxima ao ouvido; seu rosto fazia expressões, acompanhando o que ouvia — Deixe-me apenas sintonizar... Há uma voz feminina... Ela está dizendo que pode estourar. É champagne. — a boca do servo pareceu salivar, como se sentisse o gosto da bebida.

— Está parecendo uma pequena festa íntima — observa Darkseid — Sim, sim. E eu posso ouvir a mulher... Ela está rindo, rindo muito, enquanto seu marido, Clark, está ao lado dela. Ele parece respirar com dificuldade — o servo de orelhas grandes se aproxima de Constantine, imitando a respiração difícil do homem — Ela parece que quer falar algo para ele... Ah, mas ele a impede com beijos... Smack, smack, smack... — enquanto o irritante servo estalava os lábios sobre a própria mão, Constantine permanecia imóvel — Uhhhmm. Estranho... Não estou ouvindo mais nada... Espere... É o som de farfalhar de um vestido em uma cama; será possível que estou tendo uma ilusão auditiva? Ela está ofegante! Aufhn... Aufhn...Aufhn... — o servo ficou quieto por um segundo — O silêncio voltou. Agora ela está gritando.

— Ele a está machucando? — pergunta Darkseid, malicioso.

— O grito não é de dor, altíssimo... Não sei bem como descrever o som, mas acho que os cavalheiros podem imaginar do que se trata. Oh... Ela está chorando de alegria.

"Darkseid retomou o espelho e observou seu terçol."

— Posso ouvir os dois conversando. Ela pede para o marido não beijar com força. Ele fica curioso e pergunta o porque... Ela responde que tem uma ferida no lábio. 'Acho que eu sei como ocorreu', diz Clark Kent, brincando. 'Acho que outro te beijou'. Ambos começam a gargalhar e Lois Lane o chama de estúpido, dizendo que devia saber que ela nunca beijou outro homem. E eu consigo ouvir que Lois Lane está mentindo!

"O som de um forte trovão invadiu a sala, enquanto o homem de preto recolocava sua cartola e Darkseid praguejava alto para todos ouvirem que seu terçol havia ido embora"

— Posso ir? — perguntou Constantine.

— Claro! — respondeu Darkseid, satisfeito e livre da dor.

— Boa noite!

— Antes, diga-me... E a sua dor? É tão forte quanto ela disse?

— Você ia adorar saber que estou sofrendo, Darkseid, mas não sou o tipo de cara que desmorona fácil. Eu sofro porque você e o Pai Celestial são um absurdo. Detesto os dois da mesma forma e nunca, nunca, em toda a eternidade, vou aceitá-los. Mesmo se me torturassem em Apokolips, eu jamais deixaria de ser John Constantine, o que despreza Deus e o Diabo. E por isso eu cuspo aos seus pés. — Constantine cospe, cheio de nojo — Desejo para você e o Pai Celestial todo o sucesso em suas pequenas e maldosas ações. Boa noite!

"Darkseid curvou-se, cumprimentando o mago"

— Meu caro irmão, chegou ao fim a nossa comédia. Não há epílogos ou continuações e, acredite, para esse seu sono que teima em não chegar, só me resta fazer uma coisa.

Levantando-se com raro bom humor, Cain aproxima-se do instrumento conhecido como cravo e senta-se para tocar uma música que domina todo o ambiente. Uma música melancólica e triste, que encerra a história e, finalmente, põe Abel para dormir.

O Feiticeiro

"Um Feiticeiro, pelo poder de sua mágika, tem submetido todas as coisas a si.
Ele viajaria?
Ele poderia voar através do espaço mais rapidamente que
as estrelas.
Ele comeria, beberia e tomaria seu prazer?
Ninguém havia que
não obedecesse instantaneamente ao seu comando.
Em todo o sistema de dez milhões vezes dez milhões de esferas, sobre
os vinte e dois milhões de planos, ele obteve seu desejo.
E, com tudo isso, ele era apenas ele mesmo!"

Aleister Crowley


A seguir: Começa a saga em dois números Entre a Cruz e a Suástica. John Constantine envolve-se com vampi-nazistas em uma Londres atormentada pela violência urbana e o caos social. Participação especial de Union Jack e Blade, o Caçador de Vampiros.

:: Notas do Autor

* Livre adaptação
do filme O Olho do Diabo de Ingmar Bergman



 
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