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Hulk # 03

Por Otávio Niewinski

Tales to Astonish
Parte III

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"Dizem que nossa vida toda passa diante dos nossos olhos, como um filme, quando estamos para morrer. Não sei quem foi o estúpido que disse isso. Veja só: eu estou em um boteco de uma cidadezinha nos confins dos Estados Unidos, próxima da instalação militar chamada Área 102. Estou cara a cara com o Hulk, que está furioso e parece prestes a me esmagar. E não tem nenhum filme passando diante dos meus olhos. Aliás, as únicas coisas que estão passando diante deles agora são gotas de suor, escorrendo da minha testa. Suor frio, diga-se de passagem."

"Eu sou Jack McGee, repórter do Planeta Diário. Estou nesse fim de mundo em nome de uma reportagem muito importante. Alguém está chantageando políticos para que uma lei que incentiva a produção de bombas gama seja aprovada. Até há meio minuto atrás, tudo me levava a crer que o Hulk era esse alguém. Mas agora, vejo que estava completamente errado."

"Tem dois soldados aqui comigo. Eles tinham ordens de me capturar e me levar à Área 102, e me acusaram de espionagem. Achei ridículo, mas eu decidi ir com eles para ver no que dava. Foi quando entrou um mendigo no bar, e esses milicos jogaram o infeliz pra trás do balcão. Só que quem levantou não foi um vagabundo qualquer, mas sim o Hulk. E, se ele está aqui, não pode estar apavorando políticos do outro lado do país. Beleza, McGee, você não matou a charada e ainda encontrou mais perguntas. E, se o verdão ali decidir atacar, não vai poder contar isso pra ninguém. Nunca mais."

"Os soldados, que até agora estavam me segurando, soltam meu braço, puxam suas pistolas e disparam contra o Hulk. As balas ricocheteiam nele e o monstro nada sente. Eu deveria aproveitar e sair correndo, mas não consigo. Estou paralisado. De medo."

— Rhhhhhhhhhhhhhhh...

"O rosnado sai por entre os dentes do Hulk. Ele dá um passo para frente e os valentes homens da lei quase mijam nas calças. É a hora de eles tomarem uma decisão: enfrentam a fera ou fogem com o rabo entre as pernas."

— Vamos sumir daqui! — grita um deles.

"Foi o que eu pensei. Eles simplesmente esquecem que eu estou ali e saem correndo. O Hulk não vai atrás deles. Agora, pensando bem, olho para a criatura e vejo um quê de... desorientação?"

"Realmente, ele não me ataca. Olha para os lados, como se não soubesse onde está. Leva as mãos à cabeça. Rosna mais um pouco. E, lentamente, começa a caminhar para fora do bar."

"É quando me dá um estalo. É uma idéia maluca, arriscada e insensata. Eu já me arrisquei muito na vida. Talvez por isso tenha me tornado um dos melhores repórteres do país, no ramo das reportagens sobre meta-humanos. Mas nunca me arrisquei tanto. Olho para o Hulk, que já está de costas para mim e..."

— E-ei... Ei, Hulk!

"Ele pára. Cacete, agora não posso voltar atrás!"

— Eu... eu sei onde você está!

"Ele se vira e olha direto para mim. Será que entendeu o que estou dizendo ou vai simplesmente me matar?"

— Onde? — ele pergunta, com uma voz gutural.

— P-posso te dizer, mas não aqui. Logo este lugar vai estar cheio de soldados. Vamos sair daqui e então conversamos.

"O monstro faz silêncio por alguns momentos. É o que basta para que eu possa reparar melhor nele. É realmente um gigante. Mais de dois metros de puro músculo. Seus braços, pernas e tórax, de tanta musculatura, são bizarramente deformados, como os de um fisiculturista na décima potência. E a cor verde o concede um aspecto ainda mais horrendo. A barba cerrada e os cabelos já com bom tamanho, que o suposto mendigo ostentava, mantiveram-se após a transformação. Poucas pessoas puderam ficar a esta distância do Hulk. E todas devem concordar que é uma visão aterradora. Então, ele se aproxima de mim."

— Adeus, mundo...

— Venha.

— ...cruel? O que você disse?

— Venha.

"O Hulk agarra o meu colarinho e me arrasta para fora do bar sem o mínimo esforço. Olho para os lados e vejo uma multidão que começa a se aglomerar nas proximidades. O gigante fala:"

— Segure-se.

— "Segure-se"? Mas por quêUAAAAAARGHHHH!!!!

"Um salto espetacular propulsiona o monstro a dezenas de metros de altura. E, como ele me segura firmemente, vou junto. As pessoas lá embaixo vão ficando pequenas, parecem formigas. Com apenas esse salto, estamos fora da área da cidade. Acho que eu vou vomitar."

Interlúdio

Los Angeles, Califórnia. Rick Jones e sua esposa, Marlo Chandler, chegam em casa, após uma consulta médica.

— Prontinho, amor. Lar, doce lar. — diz a bela ruiva, enquanto empurra a cadeira de rodas do marido para dentro da residência.

— Finalmente. Já disse que não agüento mais exames? — responde o rapaz.

— Ora, amor, você já passou por coisa bem pior. Além disso, o médico falou que a recuperação vai bem. Em breve, quem sabe, você não vai ter uma agradável surpresa?

— É, quem sabe... — fala Rick, enquanto sua esposa vai até o banheiro. Apesar de jovem, Rick Jones já perdeu a conta das aventuras por que passou, com Capitão América, Hulk, Vingadores, Rom, Capitão Marvel e vários outros heróis. Infelizmente, essa vida de perigos às vezes cobra seu preço. E é por isso que hoje Rick enfrenta as dificuldades de ser paraplégico. Ele aproxima sua cadeira de rodas do telefone e ativa a secretária eletrônica. Em meio a muitos recados, um chama sua atenção.

— Alô, sr. Jones, aqui é Jack McGee, do Planeta Diário. Gostaria de agendar uma entrevista com você para uma reportagem que estou fazendo. Talvez seja do seu interesse, é sobre o seu velho amigo verde. Ligue de volta quando puder, o número é 555-6734. Obrigado e até logo.

Rick pára e olha para o vazio. Ele não vê Bruce Banner desde a morte de Betty. E não esperava vê-lo de novo tão cedo, depois do que aconteceu na Área 102, dias após a morte da moça. Ele não concordou com o que fizeram com seu amigo, mas não pôde impedir. E agora pensa se realmente deve se envolver. Então, toma uma decisão. Sem saber que, lá fora, um vulto se aproxima, sorrateiramente, da porta da frente da casa.

"Elevador expresso. Andar em um deles é a única sensação que pode se comparar à de saltar com o Hulk. A subida é extremamente rápida, a pressão é incrível. No ápice do salto, procuro não olhar pra baixo, para que o meu medo de alturas não entre em ação. Já a descida é vertiginosa, e o impacto com o solo, arrasador. Por sorte, o Hulk está me segurando de forma que eu não me machuque."

"Poucos minutos e vários saltos depois, paramos em um local qualquer no meio do deserto. Há rochas por perto, e o Hulk me arrasta para elas. É um bom abrigo. Finalmente, a criatura me solta."

— Fale.

— Hã... bem... eu sou Jack McGee e...

— Não interessa. Onde eu estava e como fui parar lá?

"É melhor não contrariá-lo e fazer tudo o que ele pede. Eu sobrevivi até agora, mas qualquer descuido pode ser o fim."

— Você, quero dizer, nós, estávamos em uma cidade próxima à Área 102. Lembra-se da Área 102?

"O monstro faz uma expressão de ira, me fuzila com o olhar e grunhe:"

— Lembro.

"Porra, como eu sou idiota. É claro que ele lembra. A mulher dele morreu lá! É melhor mudar de assunto."

— Pelo que eu pude ver, você estava vagando pelas ruas, praticamente como um mendigo. Parecia desorientado quando eu o encontrei. Disso você lembra?

— Não. Devia ser o Banner.

— Mas vocês são a mesma pesso...

— Falei que NÃO!

"O grito da fera ecoa pelo deserto. Estou definitivamente perdendo o controle dessa conversa. Melhor tomar outro rumo."

— Desculpe, só quero ajudar. Bem, qual é a última coisa que você lembra, então?

"O olhar do Hulk de repente muda. Do olhar impiedoso e impávido de um segundo atrás, tornou-se um olhar triste e melancólico. A voz sai amarga:"

— Betty.

Interlúdio

Los Angeles. De volta à casa de Rick Jones.

— Você tem certeza de que quer fazer isso? — pergunta Marlo, apreensiva, sentada no sofá.

— Sim. — responde Rick, na cadeira de rodas — Não pude fazer nada daquela vez, mas se o Bruce está solto por aí, preciso ajudar. Ele já fez muito por mim pra eu deixar o cara na mão.

— Rick, o que aconteceu foi inevitável. Você sabe disso. Betty morreu. Bruce ficou catatônico. O exército tinha o direito de tentar...

— Tentar o que? Tentar curá-lo do Hulk? Ou tentar torná-lo um débil mental? Você sabe o que eles fizeram, Marlo. Não pode concordar.

— Era a única saída...

— Amor, hoje em dia, lobotomia não é mais saída! E mantê-lo preso depois disso foi... desumano! Se o Bruce conseguiu escapar de lá, eu preciso saber. Vou ligar para esse tal de McGee e tirar essa história a limpo!

Súbito, a campainha toca. Marlo se levanta..

— Eu atendo. Não faça nada ainda, quero conversar mais com você primeiro.

Rick aguarda o retorno de sua esposa, mas sua decisão está tomada. De uma coisa nunca poderão acusá-lo: abandonar seus amigos. Marlo volta com uma expressão de surpresa no rosto.

— É pra você, amor. É... da família.

A surpresa de Marlo reflete-se no rosto de Rick quando Janis Jones, sua neta de um possível futuro, entra na sala.

— Oi. Está na hora de termos uma conversa. De neta pra avô.


:: Notas do Autor

OK, McGee já concluiu que o Hulk não está chantageando ninguém. Então, quem está? Saiba a resposta mês que vem, quando você também vai aprender um pouquinho sobre cirurgias no cérebro. Enquanto isso, aproveite para usar esse formulariozinho aqui embaixo para me mandar comentários sobre os textos! Eu quero saber o que vocês pensam, pô! :-)

Abraços,
Otávio



 
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