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Hulk # 06

Por Otávio Niewinski

Tales to Astonish
Conclusão

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Washington. Capital da nação mais poderosa da Terra. É noite, e a cidade dorme, aparentemente em paz. Mas, em breve, nesta mesma cidade, uma luta feroz acontecerá. Uma luta que possivelmente decidirá o destino de um planeta inteiro.

Um prédio abandonado, localizado em frente ao Capitólio. Anteriormente, este mesmo edifício pertenceu às Empresas Smith, na verdade uma empresa de fachada que mascarava as ações do nazista conhecido como Caveira Vermelha. Hoje, esse prédio se encontra desocupado(*)... ou assim todos pensam.

As poucas pessoas espalhadas por Washington que, neste momento, apreciam a Lua, mal percebem um pequeno ponto obscurecendo momentaneamente o satélite. Um ponto que se aproxima cada vez mais do solo, até aterrissar, com um estrondo, próximo ao Capitólio. Da fumaça, sai ninguém mais, ninguém menos, que o incrível Hulk.

Propulsionado por seus poderosos saltos, o Hulk percorreu a distância que separa a casa de campo do senador Jenkins do centro de Washington em poucos minutos. Agora ele está em frente ao local onde possivelmente se esconde seu maior adversário... ele mesmo.

"É aqui." — pensa o Hulk. O prédio parece estar ainda desocupado. Ele entra devagar, tentando não fazer barulho. Tudo está às escuras. Súbito, a luz do hall se acende e uma voz é ouvida por meio de um sistema de som.

— Olá! Entre no elevador à sua frente, por favor.

O Hulk reconhece a voz que lhe dá ordens. Apesar de estar mais rouca e gutural, ele sabe que essa é sua própria voz. O golias esmeralda entra na cabine, ocupando praticamente todo o espaço interno. As portas se fecham e o elevador começa a subir. Pára alguns andares acima. As portas se abrem. E, no fundo da sala, o Hulk finalmente vê o rosto do inimigo. Um rosto igual ao seu, tornado ainda mais parecido pela barba que ambos ostentam atualmente.

— Bem vindo, "Hulkinho". Há quanto tempo! Gostei da barba... — ironiza o enorme monstro verde que está de pé no fundo da sala.

— Maestro. — grunhe o Hulk, por entre os dentes. — É você mesmo, então.

— Brilhante dedução, doutor. Sabe o que eles dizem por aí: vaso ruim não quebra.

— Eu matei você. Por que não ficou morto?

— Ora, ora. Você me matou, mas também é o responsável por eu estar aqui. Ano após ano, a minha carcaça enterrada no deserto recebia doses da sua radiação, quando você passava por lá. Aos poucos, fui me reconstituindo e... aqui estou. Aliás, logo que reapareci, enfrentei você no deserto. Na forma do Destruidor. Não percebeu que era eu?

— Destruidor... sim, me lembro. Mas não sei se percebi que era você. Provavelmente não. Senão, não estaríamos aqui.

— Imagino que tenha vindo para me matar de novo. Acha que consegue agora Desta vez, não há teleportadores. E, da vez em que nos enfrentamos apenas no mano-a-mano, seu pescoço sofreu as conseqüências... (**)

— Não sei. Mas tenho que tentar. Senão, alguma coisa de muito ruim vai acontecer nos próximos meses.

— Ah, então você tem essa impressão? — o Maestro começa a andar pela sala. — Só porque eu estou ameaçando meia dúzia de políticos por aí? Você já descobriu isso, não descobriu? Por isso está aqui.

— É isso. Pela descrição que me fizeram, era óbvio que era você. Qual é o plano, afinal? Para que mais bombas gama? E por que ainda está aqui? Por que não tentou voltar ao futuro?

— Muitas perguntas, doutor... mas serei bondoso e darei as respostas. Desde que... ressuscitei, percebi que seria mais fácil tomar o controle dessa época imbecil, mas grandiosa, do que voltar ao futuro, onde o mundo está arrasado. Lá não tenho quase nada para comandar. Já aqui... seria ótimo. Mas para isso, eu precisaria de mais poder. E de pouca concorrência.

— E...

— Então resolvi induzir a catástrofe que criou a minha época. Uma guerra nuclear mundial. Mas, desta vez, com muitas bombas gama, para me deixar ainda mais forte. Veio a calhar essa lei que está para ser votada. Quando soube dela, resolvi tomar providências para que fosse aprovada.

— E como conseguiu isso? Essas chantagens, ameaças... se baseiam em quê?

— Em uma palavra: Berengetti.

A expressão do Hulk se contrai. Ele se lembra de Michael Berengetti, dono de cassinos em Las Vegas e com algumas ligações com o crime organizado. Berengetti foi chefe do Hulk durante um bom tempo, em uma época em que a pele do gigante tornou-se cinza e ele assumiu como leão-de-chácara nos cassinos com o nome de Joe Tira-Teima. Berengetti foi assassinado, tempos depois(***).

— O que tem ele?

— Nosso ex-patrão sabia de muitas coisas, "Hulkinho". Tinha amigos importantes. E era amigo de facções da máfia. Ele tinha muitos documentos secretos guardados em cofres dos seus cassinos. Lembra disso?

— Sim. Mas eu nunca soube sobre o que eram.

— Se você não sabe... eu também não sabia. Mas achei que valia a pena tentar. Invadi os cassinos e consegui a papelada. Não sem antes liquidar com todas as testemunhas. Lendo aquilo, descobri que tinha tudo o que queria nas mãos. Arranjei esse esconderijo, e vários outros pelo país afora. E passei a chantagear todos os que consegui. Não tinha como não dar certo. Todos têm medo de mim. Quer dizer, de nós. Ainda mais nessa época, em que você é praticamente o inimigo número 1. Ah, e ainda consegui descobrir onde você estava para ficar lhe monitorando.

— Como... conseguiu isso? — a fúria do Hulk aumenta à medida que ele percebe o quão doentio é o plano do Maestro.

— Alguns militares também estavam no bolso do Berengetti. Foi fácil obrigar um deles a pedir para ser destacado para a Área 102, e a me passar relatórios periódicos sobre a sua situação, depois que fiquei sabendo... da Betty.

— O que... você sabe? — o Hulk caminha até o Maestro, sempre o encarando.

— Sei de tudo, "Bruce". Ah... só agora posso perceber. Você não se lembra, não é? Não sabe o que aconteceu depois da morte de Betty?

— O QUE ACONTECEU?

— Hahahahaha! —
a risada do Maestro ecoa pela sala. — Lobotomia, "Banner". Os militares lobotomizaram você, para acabar com o Hulk. Você ficou como um vegetal por meses, até que um ataque de um grupo não-identificado à instalação destruiu parte da sua cela, libertando-o. Você deve ter vagado pelo deserto por um bom tempo, até agora... O último informe que recebi deu conta de que um repórter o achou... que ironia. Meus contatos no exército procuraram por meses, e nada. E um maldito sortudo deu de cara com você. Não sei como se recuperou, mas não importa. Pelo menos agora sei onde você está.

— Lobotomia?

— Isso mesmo. Mais uma que os "homenzinhos" aprontaram com você. Por que você não vai lá, esmaga alguns deles e me deixa em paz com meus planos? Que tal?

— Maldito...

— Maldita é a humanidade, Hulk! Me diga, quem nos fez sofrer mais nesses anos todos: nossos inimigos superpoderosos ou simples humanos? Não há dúvida que foram as pessoas normais! Uma vida de fugas e desespero, sempre caçado pelo exército... sempre sozinho... por isso, "Hulkinho", vou criar essa guerra nuclear. Para devolver em dobro tudo o que me tiraram. Tudo o que nos tiraram. E, no final desta guerra, apenas eu emergirei ileso.

Nós emergiremos. Eu vou estar sempre atrás de você, até acabar com você. — o Hulk cerra os punhos.

— Não. Apenas eu! — Maestro avança de encontro ao Hulk e, com um murro, arremessa-o ao chão. — Você vai morrer hoje!

O que se segue é uma demonstração de poder impressionante. De um lado, o Hulk, possivelmente o ser mais forte do planeta. De outro, sua versão mais velha, experiente e, devido a sua loucura, mais forte. A luta é ferrenha. Uma segunda pancada do Maestro lança o Hulk através da parede, caindo na sala ao lado. O Maestro passa pelo mesmo rombo e pula sobre o corpo estendido do Hulk, levando suas mãos à garganta do golias verde.

— Já foi fácil antes, agora será mais fácil ainda. — diz o Maestro.

Apesar da enorme pressão em seu pescoço, Hulk consegue forças para levantar seus braços e, com as palmas das mãos, acertar os ouvidos do Maestro, que imediatamente solta seu pescoço e grita de agonia.

— Tem certeza? — diz o Hulk, levantando-se lentamente. O Maestro permanece de joelhos. Quando o Hulk se aproxima e tenta um chute, o Maestro se desvia e com um movimento rápido, derruba-o, tirando o apoio da sua perna.

— Surpresa. Eu estava fingindo. Vamos tentar de novo.

Maestro começa a aplicar vários socos fortíssimos no rosto do Hulk, com uma velocidade surpreendente.

— Você já era, Banner. Já era!

Maestro levanta o braço para o golpe de misericórdia e, neste instante, o Hulk atinge seus olhos com os dedos, furando-os. Enquanto o adversário leva as mãos ao rosto, o Hulk o atinge no peito com um murro, fazendo-o cair novamente. Mesmo assim o Maestro se levanta, cego e furioso.

— Arhhhh... maldito... é só questão de tempo até meus olhos voltarem ao normal, Banner. E aí, você vai sofrer...

Então, o monstro escuta uma voz vindo de trás dele:

— Você errou em algumas coisas: eu não sou Banner. E estou muito mais forte do que da última vez.

Vários golpes atingem a cabeça e as costas do Maestro, que cai novamente. Aproveitando-se da vantagem, Hulk pisa na perna esquerda do inimigo, quebrando-a. Sangrando e com o rosto coberto de hematomas, o gigante verde prepara mais um pisão, desta vez no pescoço do Maestro, e fala ao oponente:

— Agora acabou. Até nunca mais.

— Hrrrr... espere... eu tenho... seus amigos... em meu poder.

— Quem? Onde?

— Rick Jones e sua família... estão na sala ao lado... em uma cela que começou a encher de gás... quando começamos a lutar. Se não for salvá-los agora... em segundos estarão mortos... ahhhrrrr...

Sentindo verdade nas palavras do Maestro, o Hulk abre rombos nas paredes da sala ao lado, até encontrar a cela de vidro temperado onde estão Rick, Marlo e Janis Jones. Surpreendentemente, não há gás na cela. Mesmo assim, Hulk quebra uma parte do vidro e retira os três de lá.

— Bruce! É você! — fala Rick, arrastando-se para fora com a ajuda de Marlo. — Sabia que ia acabar nos encontrando!

— Olá, doutor Banner. — diz Janis. — Voltei a esta época para pedir sua ajuda novamente, mas se está aqui, parece que já está tudo resol...

Antes que Janis termine de falar, é atingida por um enorme bloco de concreto, arremessado do outro lado da sala, sob os olhares atônitos dos demais. Do outro lado da sala, o Maestro, já de pé e com a visão praticamente recuperada, sorri.

— Maestro! — grita o Hulk, enquanto verifica as condições de Janis, que jaz quase morta. — NÃÃÃOOO!

— O blefe do gás foi apenas para ganhar tempo, Hulk. E esse pequeno assassinato foi só para chamar a sua atenção, e me livrar de uma vez por todas dessa menina incômoda. Agora, podemos continuar.


A fúria do Hulk aumenta incrivelmente. Lágrimas correm de seus olhos, pois ele vê no Maestro a personificação de tudo o que luta para não se tornar. Apesar de tê-la conhecido há pouco tempo, o Hulk tinha em Janis Jones uma amiga. E agora ele jura para si mesmo que essa foi a última morte perpetrada pelo Maestro.

— Rick, Marlo. Afastem-se. — ao ouvirem as palavras do Hulk, Marlo e Rick não hesitam em atendê-lo e deixam a sala. Enquanto isso, Janis jaz no chão, imóvel.

É a última frase pronunciada pelo Hulk. Aproveitando-se da perna e dos olhos ainda mal-curados do Maestro, ele avança sobre o adversário com uma selvageria impressionante. O vilão tenta se defender, mas realmente, como havia dito, o Hulk atual é muito mais poderoso. Após cinco minutos de plena fúria, a luta está praticamente acabada. De pé, o Hulk, com um braço quebrado e dezenas de hematomas. No chão, o Maestro. Com a espinha quebrada. Lentamente, o golias esmeralda se aproxima e levanta seu pé sobre o crânio do Maestro.

— Hrmmm... Me derrotou duas vezes, então. Talvez este seja mesmo o meu fim. Ou talvez não... "Hulkinho". Eu já lhe disse isso... e vou repetir. Eles vão lhe tirar tudo. Você vai acabar... sem nada e sem ninguém. E, nesse momento... eu ressurgirei. De você. Eu sei de tudo o que você... ainda vai passar.

— Mesmo? Talvez eu não deva matá-lo, então. — o Hulk recolhe seu pé. — Ah, que diabo. Eu prefiro esperar pra ver.

SKLUTCH

Hulk chama Rick e Marlo, avisando-os que o perigo passou. Os três aproximam-se do corpo de Janis. A garota do futuro ainda está viva, mas aparentemente não resistirá muito tempo. Ela olha para todos e diz suas últimas palavras:

— Doutor Banner... muito obrigada. Vovô... coff... eu... amo... você...

Nada mais é dito.

Epílogo 1 — Na noite seguinte

Algum lugar dos Estados Unidos. Em uma sala de reuniões, um homem louro conversa com uma mulher bonita, morena e sardenta. Em pauta, o futuro da organização da qual ambos participam. De repente, a reunião é interrompida por um agente.

— Senhor, recebemos informes de que o alvo Gama-1 foi avistado ontem, pela primeira vez desde nossa falha em capturá-lo meses atrás, na invasão à Área 102. Teremos mais informações em breve com nossos agentes de campo.

— Obrigado. Está dispensado.

Assim que o agente sai, o homem vira-se para a mulher e diz:

— Veja só que interessante, Atalanta. Achamos o doutor Bobby. Agora ele não perde por esperar...

Epílogo 2 — Uma semana depois

Metrópolis. Redação do Planeta Diário. Desde que voltou de sua última e fracassada investigação, Jack McGee tem estado deprimido. Tinha a matéria do século nas mãos, que renderia um possível Prêmio Pulitzer, e a deixou escapar. De quebra, seu editor, Perry White, ficou extremamente furioso, pois McGee foi notícia em toda a imprensa por ter encontrado o Hulk... menos no Planeta, já que ele não pôde mandar sequer uma linha de notícias para o seu próprio jornal.

"Merda. É nisso que dá confiar nesses supercaras. Aqui estou eu: sem matéria, sem aumento, sem Pulitzer e até mesmo sem provas de tudo o que descobri. Tudo porque um certo verdão me deixou pra trás. É, McGee, a vida é assim mesmo: você ajuda as pessoas e, em retribuição, ganha o quê? Ganha um 'Não me deixe nervoso, senhor McGee'... Ah, vá pro diabo, doutor Banner! Você e seu alter-ego verde."

— McGee, correspondência pra você.

— Valeu, John.

"O boy me entrega um envelope pardo, sem remetente. Muito estranho. Cheiro de pólvora não tem... vou abrir. O que é isso aqui? Documentos... deixa eu ver... senador Jenkins? Major Mantlo? Ei, espera aí! Isso aqui são... caceta! As provas sobre as chantagens! Mas quem... epa, tem um bilhete aqui dentro..."

"Prezado McGee,

Aqui vão algumas coisas interessantes que encontramos naquele lugar onde fomos investigar. Faça bom uso delas. Abraços dos seus amigos,

B. e H."


"B. e H., hein? Hehehe. Acho que eu me precipitei, em xingar 'vocês', afinal. Sabia que alguma amizade tinha ficado dessa aventura toda. Valeu, doutor Banner; valeu, verdão... onde quer que 'vocês' estejam! E saibam que podem sempre contar comigo."

:: Notas do Autor

* Mais informações sobre essa armação do Caveira em Capitão América # 161, da Editora Abril. O prédio foi evacuado pelo próprio Caveira em Capitão América # 190 e # 191, também da Abril.

** Mini-série Futuro Imperfeito, da Abril.

*** A morte de Berengetti foi mostrada em Hulk # 146, da Abril.

Deixe no formulário aqui de baixo a sua opinião sobre essa primeira saga do Hulk. Foi legal? Foi um saco? Qual a melhor parte? Qual a pior? Dê a sua opinião, para que as histórias fiquem cada vez melhores!

E, na próxima edição, começa uma espetacular volta ao mundo com o Hulk! Até lá!



 
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