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Hulk # 07

Por Otávio Niewinski

Washington

— Por aqui! Por aqui!

— Rápido! Deste lado!

A equipe composta por homens da polícia de Washington, do corpo de bombeiros e do FBI invade o prédio localizado quase em frente ao Capitólio. Mobilizados às pressas por vários telefonemas denunciando fortíssimos e estranhos sons vindos do local, supostamente abandonado, os homens vasculham todas as salas dos andares superiores, em busca de algo que nem eles sabem o que é. De repente, nos escombros de uma sala quase completamente destruída, os policiais Stone e Price obtém a resposta.

— Aqui, Price! Encontrei alguma coisa... Meu Deus!

— O que é...

— P-parece... o Hulk!

— Mas... a cabeça dele... está...

— Esmagada. Estou vendo. É, Price, acho que encontramos quem fez essa bagunça toda. Mas parece que alguém já deu um jeito nele. O Hulk está morto.

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Do outro lado do mundo. Dias depois.

— Então, você quer que eu fale sobre o doutor? — O velho, sentado em uma cadeira na varanda, se dirige ao homem em pé ao seu lado. — Por quê?

— Como lhe disse, sou um cientista interessado nas pesquisas do doutor. Sempre admirei tanto sua genialidade quanto seus ideais. Por isso, gostaria de saber um pouco mais sobre ele.

— Muito bem, rapaz, sente-se. Chá?

— Não, obrigado — o visitante senta-se numa cadeira ao lado do ancião, tira os óculos escuros e prepara-se para ouvir atentamente.

— O doutor... Que gênio científico! — Começa o velho, com voz pausada. — Mas isso você pode descobrir lendo qualquer livro que fale sobre suas pesquisas. Acho que seria mais interessante que eu lhe contasse sobre a vida dele. A não ser que você não queira ouvir as impressões de um velho caduco.

— Por favor, eu adoraria! — Diz o rapaz.

— Pois bem. O doutor nasceu em uma família... peculiar. Seu mãe era uma pessoa amável, capaz de qualquer coisa pelo filho. Seu pai, por outro lado, era um homem bruto, que sempre teve ciúmes de seu herdeiro, desde o nascimento. Na verdade, o pai do doutor não passava de um alcoólatra. E esse alcoolismo acabou por levá-lo a uma atitude desumana: assassinar sua própria esposa. Terrível, não acha?

— S-sim. — o visitante se mostra desconfortável.

— Durante os anos seguintes, o doutor reprimiu toda a raiva que nutria pelo pai. Por sorte, conseguiu canalizar essa raiva para coisas produtivas. Formou-se em Física e passou a realizar pesquisas na área da radiação gama. É a sua área também, não?

— É. Ou pelo menos já foi.

— Que ótimo. É um campo muito interessante. As pesquisas do doutor logo tornaram-se famosas no meio científico e acabaram por atrair as atenções do exército, que o contratou. As intenções dos militares eram que o doutor desenvolvesse uma arma baseada na radiação gama. E, apesar da sua índole pacífica, ele se viu obrigado a construir esse perigoso aparelho, pois não podia descumprir sua palavra. Ou, talvez, porque estivesse apaixonado pela filha do general que coordenava o projeto, e não quisesse ficar longe dela.

— E o que aconteceu então? — pergunta o homem, intrigado.

— Essa é a parte trágica da história. No dia do teste da arma, um rapaz incauto entrou na área de testes. O doutor saiu correndo para tirá-lo de lá, apesar dos protestos de todos. Bem, se você conhece um pouco da história do doutor, sabe o que aconteceu quando ele foi conduzir o rapaz a um local seguro.

— A bomba — fala o homem.

— A bomba — assente o velho. — O resto você já sabe.

— Sim. — Ambos permanecem em silêncio por alguns momentos. — Diga-me, o que o senhor acha destas experiências com radiação? Testes nucleares, coisas assim?

— Sinceramente? — suspira o ancião. — Acho fantástico. Já achava naquela época, acho ainda mais hoje, com toda essa evolução. O problema está em como se usa esse conhecimento. Atualmente, parece que ninguém está preocupado em construir alguma coisa. Apenas em destruir. Armas nucleares proliferam, e veja os resultados... mortes, aniquilação, esses tais mutantes... Entenda, a radiação é excelente, se usada para o bem. Quem não está sabendo utilizá-la somos nós. As pessoas.

— É o que eu também acho — o jovem barbudo se levanta e põe os óculos. — Agora preciso ir, mas muito obrigado pelo seu tempo. Acreditaria se eu dissesse que me identifiquei muito com a história?

— Ora, que ótimo! Apareça sempre que quiser. Moro sozinho nesta casa e é bom ter companhia para conversar de vez em quando. — Ambos apertam as mãos. — Até mais... hã... desculpe, mas como disse que era seu nome?

— Bruce. Se me dá licença, meu amigo está me esperando lá fora.

Bruce Banner atravessa o pátio da casa e, ao chegar ao portão, acena para o velho japonês, que retribui a saudação. Banner aproxima-se, então, de um carro estacionado próximo da casa. Abre uma das portas e entra.

— E aí? Conseguiu o que queria? — Rick Jones, no banco de trás do táxi, não aparenta cansaço, apesar da demora de seu amigo.

— Consegui. Foi uma conversa interessante, que reforça ainda mais que minha certeza de que estou indo na direção certa com meu plano.

Rick, utilizando um aparelho tradutor inglês/japonês das empresas Stark, pede ao motorista que volte para o hotel onde os dois estão hospedados.

— Quem é o cara com quem você veio falar, afinal?

— Ele se chama dr. Kishima. Foi assistente do dr. Ueda, um dos cientistas nos quais me inspirei quando comecei a pesquisar os raios gama — responde Bruce. — Segundo o pouco que li na época da faculdade sobre sua vida pessoal, Ueda tinha o sonho de usar a radiação para fins pacíficos, como eu. E também foi traído por ela. Ele criou uma arma para os militares japoneses, baseada na radiação gama: um simples emissor de partículas, quase inofensivo. Mas era um começo. Morreu quando foi testar a arma, em um laboratório aqui em Hiroshima.

— Foi atingido pela própria arma? — pergunta Rick, abrindo uma lata de Coca-Cola.

— Não. O teste foi realizado no dia 6 de agosto de 1945. O dia em que os Estados Unidos detonaram uma bomba atômica na cidade.

— Nossa.

— O doutor Ueda e outras milhares de pessoas morreram, mas o dr. Kishima sobreviveu por milagre, e tempos depois abandonou a ciência. Achei que, como estamos com tempo para colocar meu plano em prática, já que armamos tudo para que todos pensem que o Hulk morreu, poderíamos passar aqui. Queria pedir ao doutor alguns conselhos sobre o que estou prestes a fazer. Só fiquei impressionado em saber que a história do dr. Ueda tem muito a ver com a minha.

— Temos bastante tempo. Eu estava mesmo precisando de umas férias. Aliás, nós estávamos... — diz Rick. — E, como estamos por conta da minha emissora, não precisamos nos preocupar com gastos. Afinal, tudo do melhor para mim, o maior astro dos talk shows da América, não é? — Rick pisca o olho para Banner, que sorri. — Mas pelo visto você está mesmo decidido.

— Estou. Vou tornar o mundo um lugar mais pacífico... bem menos perigoso.

— E o verdão, concorda com isso?

— Sabe, é interessante como, ao invés de me inutilizar, a lobotomia a que fui submetido melhorou minha relação com meu alter-ego. Depois que me transformei no Hulk pela primeira vez depois de escapar da Área 102, ainda naquela cidade no meio do deserto, os poderes regenerativos do Hulk recuperaram nosso cérebro dos efeitos da lobotomia. Agora, apesar de termos personalidades e opiniões totalmente distintas, parece que um pouco das minhas idéias estão com ele... e vice-versa — explica Banner. — O Hulk e eu temos o mesmo plano: eliminar as armas atômicas da face da Terra. Só que, enquanto eu faço isso por idealismo, ele quer garantir que o Maestro jamais apareça nessa linha temporal.

— Os fins são diferentes, mas os meios são idênticos, né?

— Exato. Por isso, podemos considerar que o Hulk vai colaborar 100%.

— E qual é a próxima parada?

— No hotel, decidiremos por onde começar.

— Bruce... Você sabe que vai atrair muitas novas inimizades com isso, não é? — pergunta Rick. Banner pensa um pouco, tira os óculos escuros, revelando por trás deles olhos verdes, injetados e ameaçadores. E responde:

— Claro. Mas você acha mesmo que eles vão ter alguma chance?



 
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