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Hulk # 05

Por Otávio Niewinski

Tales to Astonish
Parte V

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"Às vezes, precisamos fazer coisas das quais não nos orgulhamos para conseguir algo. Este é, certamente, um desses momentos."

"Eu sou Jack McGee, repórter do Planeta Diário. O cara que está correndo ao meu lado é o doutor Robert Bruce Banner. Você sabe: o Hulk, na sua forma 'humana'. Nas mãos do doutor, calças e uma camisa, que acabamos de pegar de um varal. Atrás de nós, um dobermann."

"Pulamos o muro que cerca o pátio onde está o varal de onde pegamos as roupas bem em cima da hora. O cachorro fica nos olhando, furioso por ter sido superado. Os latidos do cão acordam alguém na casa, e vemos uma luz acender em uma das janelas. Saímos dali rapidamente. A humilhação de correr de um cachorro já é o suficiente por hoje. Ser preso por causa de uma muda de roupas não ajudaria em nada..."

"Eu e o doutor decidimos alugar um quarto para passar a noite e resolver o que faremos amanhã. Um quarto num desses hotéis de beira de estrada é melhor do que dormir ao relento no deserto, onde estávamos até agora há pouco. O problema é que, como estamos provavelmente sendo procurados pelo exército e por Perry White (o meu editor), pelo menos, daria muito na vista se o doutor Banner aqui aparecesse no hotel trajando só calças rasgadas — e roxas. Como a essa hora da madrugada não tem muitas lojas de roupas abertas por aí, ainda mais numa cidadezinha na fronteira com o México, como essa, ele deu a idéia de fazermos esse pequeno furto. Disse que não seria a primeira vez que ele faria isso, e eu acredito."

"Resolvido o problema das roupas, alugamos um quarto num hotel próximo à rodovia. Por sorte, eu ainda tinha algum dinheiro no bolso, pois boa parte da grana que eu trouxe quando vim visitar a Área 102 está a várias milhas daqui, trancada no quarto do hotel onde estava hospedado até esta manhã. Após nos instalarmos, resolvo conversar mais um pouco com o doutor. É que as últimas coisas que ele andou me contando foram no mínimo... incríveis."

— E então, doutor... você acha que o chantagista que eu estou procurando é um... sósia seu?

— Não exatamente. — responde Banner, ligando a televisão. — Ele é o próprio Hulk. Digo, é o Hulk de um futuro paralelo e imperfeito. Pensei que o Hulk desta época tivesse acabado com ele. Mas não é surpresa nenhuma que tenha voltado. Eles sempre voltam.

"O doutor continua falando do Hulk como se fosse outra pessoa. Estou plenamente convencido da esquizofrenia dele..."

— Mudando de assunto, não entendi por que você resolveu me ajudar. — diz Banner. — Primeiro, tentou fazer com que eu recuperasse a memória. Agora, quer me ajudar a achar o Maestro. Por quê?

— Ora, eu estava investigando você, doutor Banner. Você era a minha pauta. De repente, descobri que todas as minhas suspeitas estavam erradas... agora, vou ter que ir a fundo nessa história para conseguir uma matéria de qualquer jeito, ou meu editor me mata!

— Talvez quando as coisas se acalmarem eu te dê uma entrevista exclusiva. — brinca Banner, aumentando o volume da TV. — Ei, veja isso, McGee!

— ...e atenção para as últimas informações do Jornal das 8. Depois de meses de desaparecimento, foi avistado na tarde de hoje o Hulk, alter-ego do físico nuclear Robert Bruce Banner. O monstro verde foi localizado em uma cidade próxima à base militar Área 102, em companhia de um homem que foi identificado pelo dono do hotel da cidade e por militares como sendo Jack McGee, repórter do Planeta Diário. O monstro seqüestrou o jornalista e partiu para o deserto, e ambos não foram mais vistos. Mais notícias a qualquer momento durante nossa programação.

— Estamos na TV! — diz Banner. — Bem, mas chega de piadas... temos que descobrir como achar o Maestro, o mais depressa possível. Se o que você diz é verdade, ele deve estar planejando alguma coisa terrível com essa história das bombas gama. Quando você disse que aquele lei seria votada?

— Semana que vem.

— E tem alguma idéia de por onde podemos começar a procurar?

— Tenho uma suspeita. Podemos conferir amanhã. Se o seu amigo Hulk ajudar.

— Ele ajudará.

"Resolvo ir dormir. O doutor prefere ficar no sofá, assistindo a televisão e coçando a barba, da qual, apesar do banho que tomou logo que chegamos ao hotel, ainda não se livrou. Hoje o dia foi exaustivo. Mas sinto que amanhã vai ser ainda pior."

Interlúdio

Los Angeles. Casa de Rick Jones.


— Não consegui contato com McGee, Rick. O telefone deve estar desligado...

A esposa de Rick Jones, Marlo, desliga o aparelho. Sua neta futurista, Janis, toma a palavra.

— Acho que é hora de contar porque eu estou aqui.

— Imagino que não seja uma visita social... — diz Rick, da cadeira de rodas.

— Não, vovô. Não mesmo. Fui mandada para esta época, desta vez, para avisá-los de uma grande perigo. E pedir a ajuda do Hulk.

— Por que não estou surpreso? — fala Rick, desanimado. — E que perigo é esse?

— O Maestro. — responde Janis. — A versão futura do Hulk. Pensamos que o doutor Banner tivesse dado cabo dele da última vez, mas pouco depois de o doutor voltar no tempo, o Maestro reapareceu, vindo desta época... e mais poderoso do que nunca. De alguma forma, ele sobreviveu nesta época. Recuperou suas forças, aumentou-as e voltou ao futuro, onde nos subjugou de novo. Então, me enviaram de volta para avisar o Hulk que o Maestro ainda está vivo. E para tentar aniquilá-lo de uma vez por todas, antes que volte ao futuro para nos dominar novamente.

— Nossa. Isso é demais para a minha cabeça. — fala Marlo.

— Bem-vinda ao meu mundo, amor... — responde Rick. E completa: — Mas onde vamos encontrar o Maestro, Janis?

— Não sei, vovô. Gostaria que o Hulk me ajudasse nisso, mas...

De repente, um estrondo. Metade do teto da luxuosa casa vem abaixo, como se uma bola de demolição a atingisse em cheio. Janis, com um movimento rápido, pula e arrasta Marlo e Rick para um canto da sala, a salvo dos escombros. A poeira invade o local.

— Coff! O que aconteceu? — indaga Marlo.

— Não sei! Coff! Parece que nos lançaram uma bomba! — responde Rick.

— Fiquem abaixados! — Janis se levanta e pega seu bastão de combate. — Isso parece um ataque.

Do meio da fumaça, um enorme vulto se delineia. E uma voz cavernosa, e familiar a todos, irrompe.

— Olá. O doutor chegou. — fala o Maestro.

"Amanhece no deserto. Acordo com um tranco que me arremessa para fora da cama. Quando abro os olhos, vejo que o quarto onde estava não existe mais. De repente, nem mais o hotel existe. Tudo está sendo destruído pelo Hulk, que parece descontrolado. Ele percebe que estou ali, me segura pela cabeça com apenas uma mão e, com uma pequena pressão, a esmaga como se fosse um melão..."

— AGH!

"Amanhece no deserto. Acordo com um sobressalto. Boca seca. Coração disparando. Foi só um sonho, sim, só um sonho. O doutor está ali, dormindo no sofá. Mas a aparente tranqüilidade não me impede de ficar apreensivo. É melhor eu dormir com um olho aberto..."

"Confesso que estou muito interessado no dia de hoje. Na melhor das hipóteses, vou encontrar o tal Maestro, conseguir provas das chantagens, fazer a reportagem do século, ganhar o Pulitzer e deixar o caipira do Kent com a cara no chão. Na pior, vou arrancar uma entrevista com o Banner e recuperar o meu prestígio como repórter dos meta-humanos. McGee, você é um cara de sorte. Ei, parece que o doutor está acordando."

— E aí, doutor! Não usou a sua cama? Deveríamos ter pedido um quarto só com uma cama e um sofá, sairia mais barato!

— Adormeci vendo televisão. Há anos que eu não assistia TV direito. — Banner se levanta e desliga o aparelho, que permaneceu ligado a noite toda.

— Acho que é melhor não sairmos do hotel por enquanto. Lembre-se que somos astros agora...

— Tem razão. — Banner olha pela janela e fecha a cortina. — Aproveite então para me dizer por onde começaremos a procurar o Maestro.

— Na realidade, tenho apenas uma pista. Um congressista importante, alguns dias atrás, contratou assassinos para matar você... quer dizer, quem eu achava que fosse você (*). O assassino com quem conversei não me disse o nome do político, mas ficou fácil deduzir, pela época em que ele passou por Metrópolis. É o senador Jenkins. Ele certamente tem culpa no cartório.

— Sabe localizá-lo?

— Sim. Ele seria um dos próximos na minha lista de entrevistados.

— Então ele vai ter uma entrevista da qual não esquecerá tão cedo.

"Quando anoitece, pagamos o hotel e seguimos alguns quilômetros a pé pela rodovia. Quando nos afastamos o suficiente da cidade, Banner começa a transformação. É realmente impressionante. A dor que ele deve sentir é imensa, pois quilos e quilos de músculos simplesmente brotam do nada no seu corpo. Em questão de segundos, já estou conversando com o Hulk. Ele diz que Banner o avisou de nossos planos e que ele concordou em ajudar. E completa:"

— Ninguém manda no Hulk.

"Eu é que não vou discutir. Digo ao Hulk onde fica a residência do senador: uma fazenda nos arredores de Washington. Em cerca de uma hora, chegamos lá, com os saltos do Hulk servindo de condução. Está tudo escuro na casa da fazenda, exceto por uma luz na sala. Depois de passar por alguns contratempos, entramos na casa. A porta é simplesmente pulverizada por um empurrão leve do Hulk."

— Quem está aí? — pergunta o senador, levantando-se assustado da poltrona da sala, onde lia um livro.

— Olá, senador. Eu sou Jack McGee. E este é meu amigo...

— Você! Meu Deus! D-desculpe por ter mandado matá-lo! F-foi um erro meu, por favor, não me mate! Eu vou votar a favor da lei semana que vem, juro!

"Ora, o senador teve um chilique só de olhar para o Hulk! Parece que as suspeitas do doutor se confirmaram: o chantagista é mesmo o alter-ego maligno do Hulk. E o senador está achando que está diante dele... de repente, Jenkins começa a gritar."

— Segurança! Segurança! Onde estão aqueles idiotas?

"O Hulk nada diz. Apenas aponta para o lado de fora da casa. O senador olha pela janela e vê seus dois guarda-costas pendurados em uma árvore pelos cintos, obra do Hulk, é claro, e desata a chorar. Eu explico que o Hulk não é o Maestro, apenas se parece com ele. O senador, ainda meio incrédulo, pelo menos pára a choradeira. Explico também que tudo o que queremos é saber onde encontrar o Maestro."

— Se eu lhes disser... vocês irão acabar com ele? — pergunta o senador Jenkins.

— Não sei. Pelo menos, o meu sócio aqui quer tirá-lo de ação. — respondo. — Em troca, queremos seu apoio para vetar a lei das bombas gama. Meu sócio não concorda com a lei e quer vê-la engavetada.

— E essa agora? Vou sair da chantagem de um monstro para cair na de outro... idêntico ao primeiro!

"O Hulk dá um rosnado."

— Está bem, está bem. Se conseguirem que aquele monstro pare de me ameaçar, eu voto contra a maldita lei. Mas já aviso: não sou o único a estar sendo chantageado. Muitos outros figurões da política e do exército estão no mesmo barco.

— E como é feita esta chantagem? — a "matéria do século" está simplesmente brotando na minha cabeça.

— Ele conseguiu documentos... que comprovam algumas ações não muito lícitas que fizemos no passado. Sabe como é. Não sei onde ou como conseguiu isso, mas o fato é que ele os possui. Eu e os outros estamos de mãos atadas. Mas o único pedido dele é que votemos a favor da tal lei. Caso contrário, ele entrega os documentos e nossas carreiras estarão acabadas. Ele também nos ameaça de morte às vezes. Bem, aqui está o endereço onde possivelmente o acharão. Não sei se é o covil dele ou coisa assim, mas pelo menos é sempre lá que marcamos os encontros, quando estamos em Washington. É o prédio abandonado de uma empresa. — o senador entrega um papel com o endereço.

— Interessante. Bem, obrigado pela cooperação, senador. Ouvirá falar de nós em breve.

"Deixamos a fazenda e o assustado político para trás. Com alguns saltos, o Hulk chega à auto-estrada. Ele me põe no chão, pega o papel com o endereço das minhas mãos e, estranhamente, faz menção de saltar de novo."

— Ei, espere aí! Eu vou junto! Não pode me deixar aqui!

— É? E por que não?

— Ora, eu estou te ajudando o tempo inteiro! Quero ir até o fim dessa história! Você me deve uma! Você...

— Sr. McGee, não me deixe nervoso. Você não gostaria de me ver nervoso.

"O Hulk salta para longe, me deixando sozinho na auto-estrada. De repente, tudo o que eu tinha se foi. Não tenho provas de nada, nem como consegui-las imediatamente. Não decorei o endereço do prédio. Não tenho o depoimento do senador gravado. Só tenho informações na minha cabeça. E ainda estou sendo procurado pelo exército. O jeito vai ser pegar uma carona até o telefone mais próximo, ligar a cobrar pro Perry e pedir ajuda. Quem diria, eu, Jack McGee, pegando carona sozinho em uma auto-estrada."

"Só falta uma musiquinha triste de piano ao fundo, pra completar."

:: Notas do Autor

(*) Em Hulk # 01.

Esteja aqui mês que vem para o encerramento da primeira saga do Hulk no Hyperfan. Sangue e surpresas na batalha final entre Hulk e o Maestro.



 
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