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Liga da Justiça # 07

Por Fernando Lopes

Céu Em Chamas

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Estação espacial Mir, 350 Km acima da Terra

(scriiiiiiiic) — Terminamos aqui, Ray. (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Certo, Super-Homem. Todos prontos? Marvel? (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — OK, Eléktron. (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — J'onn? (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Podemos ir, Ray. (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Tudo bem aí, Borracha? (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Claro, mas a aeromoça está demorando pra passar. (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Vou dizer a ela pra caprichar no seu drinque. (scriiiiiiiic)

Dentro da estação espacial, Ray Palmer sorri. Nos últimos dias, ele orientou Super-Homem, Capitão Marvel e Caçador de Marte na desmontagem dos instrumentos e equipamentos externos da Mir, deixando-a reduzida apenas à estrutura principal. Supervisionou também a construção do enorme container metálico que será usado para levá-la de volta à Rússia em segurança, nos braços dos três poderosos superseres. Já o Homem-Borracha tinha ficado com uma missão menos glamurosa: usar seu corpo elástico como "amortecedor", para evitar danos à estação após a reentrada na atmosfera.

(scriiiiiiiic) — Atenção, Mir, aqui é do controle da missão. Vocês têm uma janela em dois minutos. Estaremos monitorando seu progresso. Boa sorte. (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Bem, senhores, vamos levar este bebê de volta à mãe Rússia. (scriiiiiiiic)

Por meio das câmeras externas, Eléktron observa seus colegas de equipe deslocarem gradativamente a Mir da órbita que manteve por quase 15 anos. A reentrada é a parte mais difícil da operação, deixando-o apreensivo.

(scriiiiiiiic) — Corrijam o curso em dois graus. Mantenham a velocidade e cuidado com o tranco. A coisa pode ficar meio turbulenta. (scriiiiiiiic)

À medida que a trajetória descendente se acentua, a força da gravidade terrestre começa a se fazer sentir. Super-Homem, Capitão Marvel e Caçador de Marte sustentam as mais de 150 toneladas da estrutura com cuidado. Aliviado, Ray Palmer avisa aos companheiros:

(scriiiiiiiic) — Senhores, podem relaxar. Se as coisas continuarem assim, estaremos em casa em tempo de assistir o noticiário. O pior já passou. (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Fale por você, tampinha! Minhas costas vão estar um bagaço amanhã! (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Veja pelo lado bom, O'Brien: você pelo menos vai ficar duas semanas longe do plantão no monitor. (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Claro, eu vou estar no hospital! (scriiiiiiiic)

A conversa é interrompida por uma voz feminina no rádio.

(scriiiiiiiic) — Eléktron, como vai a missão? (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Tranqüila, Oráculo. Devemos estar aterrissando na Rússia em cerca de duas horas, se as coisas continuarem nesse ritmo. (scriiiiiiiic)

Já sobre o espaço aéreo russo, Super-Homem, Caçador de Marte e Capitão Marvel observam quatro caças se aproximarem rapidamente do grupo.

(scriiiiiiiic) — <Atenção, Liga da Justiça. Fomos designados para escoltá-los até Moscou. Por favor, mantenham-se no curso pré-programado.> (scriiiiiiiic)

O Caçador de Marte responde ao comunicado em russo no mesmo idioma.

(scriiiiiiiic) — <Entendido. Estaremos com vocês> (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — <Bem-vindos à Rússia.> (scriiiiiiiic)

— Não sabia que falava russo, J'onn. — diz o Capitão Marvel, surpreso com a fluência do companheiro.

— Aprendi alguma coisa. — esquiva-se o marciano, que mantém uma identidade naquele país desde os tempos da antiga União Soviética — Já estive aqui algumas vezes.

— Parece que eles não confiam muito na gente...

— Bem, Capitão, — diz o Super-Homem — é compreensível. Afinal, estamos trazendo um marco do programa espacial russo. É natural que fiquem apreensivos. A Guerra Fria pode ter acabado, mas os militares adoram esses joguinhos. É só rotina. Não há com que se preocupar.

Minutos depois, entretanto, o otimismo do Super-Homem mostra-se injustificado. Repentinamente, os caças fazem viradas bruscas, entrando rapidamente em rota de colisão. Horrorizados, os três heróis assistem as aeronaves se chocarem em pleno ar, numa imensa bola de fogo.

(scriiiiiiiic) — Santo Deus, o que houve? (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Não sei, Ray. Eles simplesmente se atiraram uns sobre os outros! (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Captei os últimos pensamentos de um dos pilotos. Ele ficou tão surpreso quanto nós. Não foi um problema mecânico ou falha técnica. Aparentemente, alguma força externa agiu sobre os aviões. (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Mas o quê, J'onn? (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Não sei, Capitão. Mas acho que estamos... (scriiiiiiiic)

O Caçador de Marte não termina a frase. Ele sente as chamas envolverem seu corpo num abraço mortal. O calor intenso faz cada fibra de seu ser contorcer-se em excruciante agonia. Instintivamente ele retorna à sua forma marciana com um grito de dor que parece durar uma eternidade, apenas para cair desacordado em seguida, despencando como um meteoro a dois mil metros de altitude.

Ao seu lado, o Super-Homem sente como se seus olhos tivessem sido vazados por um ferro em brasa. O Homem de Aço leva as mãos ao rosto, gritando em desespero. O som é interrompido subitamente, como se um laço invisível apertasse a garganta do kryptoniano, que começa a debater-se em desespero. Em menos de um segundo, ele está desacordado.

Privado de dois pontos de sustentação, o container de transporte da Mir escapa das mãos do Capitão Marvel, que assiste atônito à queda da estrutura e de seus companheiros sem nada entender. "Eles... eles gritam como se estivessem sendo atacados, mas não vejo nada", pensa o mortal mais poderoso da Terra, enquanto mergulha para tentar deter o desastre iminente. Sabendo que a invulnerabilidade dos companheiros os protegerá da queda, ele se concentra em deter a trajetória do bólido metálico que se precipita em direção ao vilarejo 1.500 metros abaixo. Dentro da Mir, Eléktron tenta desesperadamente controlar a situação, sem nada poder fazer.

(scriiiiiiiic) — Marvel, o que está acontecendo? O que houve com J'onn e o Super-Homem? Alguém na escuta? (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Estou ouvindo, Ray. Não sei o que aconteceu. Eles começaram a gritar como se estivessem sentindo dor, mas não foram atingidos por nada! De repente, eles simplesmente caíram e desequilibraram o container, que escapou das minhas mãos. Estou tentando... ungh... detê-lo mas... está caindo muito depressa! (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Ei, dá pra parar de chacoalhar essa coisa? (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Borracha! Tive uma idéia! Vou fazer um buraco no alto do container. Se você agir como pára-quedas, vai me ajudar a estabilizar a estrutura! (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — 'Xacomigo, vermelhão! (scriiiiiiiic)

O Capitão Marvel rasga o topo do container como se fosse papel. No mesmo instante, Eel O'Brien estende seu corpo elástico como um enorme pára-quedas, enquanto o protegido do mago Shazam segura a estrutura por baixo, interrompendo sua queda fatal.

(scriiiiiiiic) — Eléktron, aqui é o controle da missão. O que está havendo? O que houve com a escolta? Responda, por favor! (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Os aviões foram abatidos por alguma força desconhecida! Estamos sob ataque! Precisamos de reforços! (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Estamos enviando imediatamente! (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — O que está acontecendo, Ray? (scriiiiiiiic)

(scriiiiiiiic) — Alguma coisa derrubou J'onn, Kal e quatro caças russos! Estamos sendo ata... Oh, meu Deus! (scriiiiiiiic)

Pelas câmeras de monitoramento externo, o professor Palmer vê dois mísseis se aproximando rapidamente por trás do Capitão Marvel.

(scriiiiiiiic) — Marvel, atrás de você! (scriiiiiiiic)

Os projéteis atingem em cheio o container, que explode de forma espetacular. Pego de surpresa, o Homem-Borracha solta a estrutura segundos antes do impacto, mas é arremessado à distância pela onda de choque. O Capitão Marvel não tem a mesma sorte e é pego no meio do inferno. A chuva de destroços incandescentes precipita-se sobre o vilarejo, provocando morte e destruição. Paralisado pelo espetáculo dantesco e enfraquecido pela potência da explosão, o jovem herói não percebe o borrão negro que voa em sua direção até ser tarde demais. Atingido por uma saraivada de golpes em supervelocidade, ele desfalece antes mesmo de conseguir pronunciar o nome de seu mais odioso inimigo.

Enquanto isso, o Homem-Borracha chega ao solo sem saber o que fazer. A população do vilarejo corre em desespero. O fogo e a fumaça espalham-se por toda a parte.

— Putz, que zona! O que é que eu faço agora?

— Simples. Agora você morre. — responde uma voz gélida atrás de Eel O'Brien.

— O qu...

A frase é interrompida por uma poderosa rajada de gelo, que congela o Homem-Borracha instantaneamente.

Savage exibe uma expressão distante enquanto caminha por entre os corpos caídos, observando os destroços que riscam o céu como uma chuva infernal. Uma inevitável sensação de déja vu toma seus pensamentos e o faz sorrir ao relembrar cena semelhante, testemunhada milênios antes. O misto de fascinação e pânico que sentiu ao ver o firmamento precipitar-se sobre a terra na forma de um meteoro volta-lhe à mente, como se os 65 mil anos que separam os dois eventos simplesmente não existissem. Naquele dia, a vida do então selvagem Vandar Adg mudou para sempre, diferenciando-o de seus irmãos cro-Magnon da Tribo de Sangue. Enquanto sua espécie caminhava para a inexorável extinção, ele emergiu para uma existência imortal dedicada à conquista. Naquele dia, nasceu a ameaça que o mundo passou a conhecer como Vandal Savage.

Os pensamentos do terrorista são interrompidos por um homem vestido de preto, que arremessa o corpo inerte do Capitão Marvel aos seus pés, ao lado dos também inconscientes Super-Homem e Caçador de Marte.

— Bom trabalho, Adão Negro. O de vocês também.

Phobia, Houngan e Doutor Polaris assentem em silêncio.

— Posso acabar com todos agora?

— Ainda não. Precisamos deles vivos para atrair os demais.

— Isso não será possível... — a voz da grotesca criatura peluda evoca os sons ancestrais da selva africana, apesar da irretocável pronúncia — Eléktron está morto.

— Ele é dispensável, Grodd. — Savage sente-se um idiota por estar conversando com um gorila falante, mas esforça-se para não revelar seus sentimentos ao símio telepata — Onde está o Homem-Borracha?

— Eu cuidei dele. Mas creio que o idiota não servirá como moeda de troca. — a mulher de pele e cabelos brancos aponta para o grande bloco de gelo, onde o corpo elástico de Eel O'Brien permanece imóvel, com uma expressão de terror estampada no rosto.

— Não importa, Nevasca. Esses três são suficientes. — Savage volta-se mais uma vez para o céu, agora limpo. — Tudo pronto para a transmissão, LaSalle?

— Os russos parecem ansiosos para conversar, Savage — responde Pórtex, em francês.

— Ótimo. É hora do show.

O terrorista deixa o pátio e segue para o interior da base militar russa, abandonando os corpos dos justiceiros abatidos aos cuidados de seus associados. Se tudo correr conforme o planejado, em 24 horas ele estará US$ 1 bilhão mais rico e a Liga da Justiça não existirá mais.

Agência Espacial Russa, minutos depois

— Como diabos isso foi acontecer?*


Os olhos do general Dimitri Semenov parecem soltar faíscas de ódio enquanto ele vocifera uma série de impropérios em russo.

— Relatórios?

— Aqui estão, general. Aparentemente, a estação foi destruída por dois mísseis disparados de nossa base em Kursk. Tentamos contato com eles, mas até agora ninguém respondeu.

A conversa é interrompida pela entrada de outro oficial.

— Senhor, temos contato com a base de Kursk. Mas não é o comandante que está falando.

— Então quem é? — diz o general, dirigindo-se para a sala de comunicações e pegando o telefone com um gesto brusco — Quem está falando?

— Como vai, general Semenov?

— Quem é você?

— Sugiro que o senhor ligue a televisão. Ficará sabendo tudo o que precisa.

O som do telefone mudo deixa o general ensandecido.

— Que espécie de brincadeira é essa? — Semenov procura por um aparelho de televisão.

Na tela, o boletim especial sobre a explosão da Mir é interrompido, sendo substituído pela imagem de um homem. A iluminação vinda de trás deixa seu rosto nas sombras, tornando-o apenas um vulto na tela.

— Meu nome é Vandal Savage. Eu e meus associados tomamos uma base militar russa e destruímos a estação espacial Mir. — a imagem lentamente se desloca para uma área mais iluminada, mostrando os corpos do Capitão Marvel, Super-Homem e Caçador de Marte. Apenas os pés de seus captores podem ser vistos. Savage prossegue — Como podem ver, também derrotamos os mais poderosos membros da Liga da Justiça. Nossas exigências são simples: queremos US$ 1 bilhão em títulos ao portador, entregues pelos membros remanescentes da Liga aqui, em 24 horas. Caso contrário, começaremos a destruir aleatoriamente alvos em toda a Europa com mísseis nucleares. E para provar que não estamos brincando...

Savage aperta um botão.

— Senhor, ele disparou um míssil!

— Pode determinar o alvo?

— Ninji-Novgorod, senhor!

— Temos como destruí-lo daqui?

— Negativo, senhor. Aparentemente alguém cortou nosso acesso ao sistema.

— Como? Podemos interceptá-lo?

— Temos dois caças em perseguição, senhor. Teremos confirmação de destruição do alvo em... espere! O míssil desapareceu do radar!

— Como assim, desapareceu? Foi interceptado?

— Não, senhor. Ele simplesmente sumiu!

— Como isso é possível? Precisamos deter aquele míssil!

— Não há mais tempo, senhor. — a voz do soldado estava embargada — Temos impacto confirmado em três segundos.

Ninji-Novgorod foi fundada pelos vikings no século IX. Assistiu a ascensão e queda dos mongóis, do império russo e da extinta União Soviética. Hoje, seus aproximadamente 1,4 milhão de habitantes assistem boquiabertos a aparição de um míssil, que se materializa a menos de 100 metros da cidade, em rota de colisão. Em segundos, quase doze séculos de história desaparecem em um cogumelo atômico.

O general Semenov desaba pesadamente sobre uma cadeira, olhando aparvalhado para a TV. Instantes depois, a imagem de Vandal Savage volta a ocupar a tela.

— Acabo de destruir a cidade russa de Ninji-Novgorod. Por quê? Porque eu posso. E farei de novo. E de novo. Vou disparar todos os mísseis desta base dentro de 24 horas. Meus associados se encarregarão de fazer com que suas fúteis tentativas de abatê-los fracassem. Posso destruir qualquer cidade do mundo antes que vocês possam esboçar qualquer reação. E o farei, a menos que nossas exigências sejam atendidas. Ah, para os que estão se perguntando que tipo de monstro cometeria esse tipo de atrocidade, permita-me satisfazer sua curiosidade. Pode nos chamar de... Legião do Mal.

:: Notas do Autor

* Traduzido do russo



 
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