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Nuclear # 02

Por Wellington Alves

Ecoterrorismo
Parte II

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Ronnie Raymond acordou nesta manhã sentindo uma coisa muito estranha. Desde o encontro com E. A. Black, o jovem se sentia estranho. Um tipo de estranheza que só havia experimentado antes duas outras vezes. A primeira, quando se deu conta de ter se transformado no Nuclear, na usina de Nova Jersey, anos atrás. A outra, quando encontrou pela primeira vez o monstro sugador de energia conhecido como Parasita. A sensação de ter sua energia vital sendo sugada por um aspirador de pó vivo não é das melhores, ao contrário. É uma experiência da qual ninguém se esqueceria, muito parecido com a primeira vez que se vai ao dentista extrair um siso, ou quando se é despedido do primeiro emprego, sem justa causa, claro.

Por isso, os zumbidos nos ouvidos e a sensação de ter agulhas ferventes na base da nuca o deixaram em alerta a noite toda, não o deixando dormir direito. A primeira coisa que fez logo de manhã foi falar sobre o que sentia com o dr. Stein.

— ... e foi isso, doutor. Desde que saí daquele galpão, com um formigamento na mão que o Black apertou, tenho me sentido muito esquisito. Como se algo tivesse saído de mim, sabe? Tipo, ah... sei lá...

— Calma, Ronald. — apaziguou Stein, com uma voz serena, porém firme — Deve ser algum efeito colateral da nossa reunião. Ainda não se passaram nem três dias e nem pudemos fazer testes. Se o Palmer não tivesse saído com tanta pressa daqui ontem, poderíamos ter uma idéia melhor. Eu não sinto nada, Ronald, mas como você é a parte ativa do elem... hã... digo, a que controla o corpo do Nuclear, o que sente possivelmente deve ser um efeito colateral de algum nível. Subatômico, talvez...

Ronald olhava para Stein, mas havia deixado de prestar atenção no ex-elemental-viajante-espacial quando ele tinha acabado de dizer "fazer testes". A mente de Ronald não o deixava prestar atenção em mais nada, exceto no encontro com Black e no que sentia na nuca. Era incrível como, mesmo após anos vivendo uma vida dupla — sendo certo que em alguns momentos, a vida foi tripla, exatamente quando dividiu o corpo do Nuclear com o russo Arkadin e não tinha controle sobre o herói atômico — ainda havia algo que o surpreendesse. Envolvido em seus próprios pensamentos, não percebeu quando Stein o chamou:

— Ronald! — gritou Stein — Está me ouvindo?

— Hã? Desculpe, doutor, estava longe, pensando em tudo o que ocorreu, mas por favor, repita.

Stein fechou o cenho, contrariado por perceber que todas as teorias que havia formulado, sobre o nível subatômico, a mecânica quântica e física avançada, que talvez explicasse o que o jovem sentia e que havia falado com entusiasmo nos últimos dois minutos, foram em vão. Os ouvidos moucos de Ronald o irritaram a tal ponto que ele se levantou da cadeira onde permanecera sentado a manhã toda e, andando pesadamente, foi em direção ao armário do quarto do hotel onde se hospedaram, a fim de tirar as roupas que lá estavam, apesar de que ele mesmo só tinha no interior do móvel embutido uma camisa branca, uma calça social preta e um par de meias pretas, todas compradas pelo Wong, o companheiro do Doutor Estranho, e entregues no hotel na noite anterior, enquanto Ronald se dirigia ao encontro com o ecoterrorista. Ao ver as roupas, lembrou-se que Wong se esquecera das roupas de baixo.

— Ronald, você tem de prestar atenção quando eu falo. Mas quer saber? Deixe isso tudo para mais tarde. Vamos arrumar as malas e sair desse caríssimo hotel.

— Doutor, desculpe-me. Não precisa ficar tão irritado. É que... bem, as últimas semanas foram muito difíceis para mim também. E a Liga tá paga...

— Bem, as últimas semanas já acabaram. Agora, temos de pensar no futuro. Pegue a sua mala. Descobri que meu antigo apartamento no Queens está vago. Já telefonei para a imobiliária e o re-aluguei. Poderemos morar lá, por enquanto. Vamos, rapaz, ande logo.

Duas horas depois, os dois já estavam no pequeno imóvel, no terceiro andar de um prédio de quatro andares, sem elevador. Ao ver o edifício, Ronald sentiu saudade da enorme casa do Palmer em Ivy Town e uma certa depressão acabou por tomar-lhe conta — além de ainda continuar com a nuca pinicando.

— Só espero que um certo amigão da vizinhança não bisbilhote por aqui. — suspirou o jovem, ao se lembrar de um certo herói que veste vermelho e azul e que já morou por aquelas bandas.

— Bem, Ronald, tem de descansar para hoje à noite. A que horas você marcou o encontro?

— Hmmm... — pensou Ronald, levantando a cabeça e jogando-a para os lados, como se quisesse tirar o que sentia da nuca — Black disse na mesma hora que ontem, por volta das sete e meia.

— Ótimo, o que nos deixa mais cinco horas para nos estabilizarmos aqui, nesse apartamento. Ainda bem que a mobília já estava nele. Vou sair para ir no banco, vou ver se as minhas aplicações ainda existem. Ah, uma coisa você não me contou. Como explicaram o meu sumiço?

— Bem, dizíamos a todos que o senhor estava em coma, num hospital na Europa, tratando-se de um câncer. Como o senhor já havia morrido uma vez (*) e voltado, e que, na verdade, o senhor estava viajando pelo, hã... universo, — Ronald engoliu em seco, refletindo no que acabara de dizer — eu e o Palmer achamos melhor não dar um atestado de óbito. Por isso, o senhor ainda deve ter suas contas no banco.

Ronald percebeu o brilho nos olhos de Martin Stein, quando se referiu à viagem pelo universo, mas estava tão preocupado com as dores, que pareciam aumentar e com o encontro que teria dali a algumas horas, que achou que havia sido apenas uma impressão.

— Em coma, certo? Isso facilita, e muito, as coisas... — disse Stein, num tom entre a surpresa e contentamento — Muito bem feito, Ronald. Vou sair agora, pois além de ir ao banco, tenho que tirar uma nova carteira de motorista e tal. Talvez eu volte antes de você sair.

Assim que o professor saiu, o jovem ficou sozinho no apartamento, sem nada para fazer. Decidiu, então, deitar-se na cama, pensativo, refletindo sobre tudo, como as últimas semanas que não saíam da sua mente, sua súbita dor de cabeça e tudo o mais. Tomando coragem, dirigiu-se ao telefone, que estava numa pequena cômoda, ao lado da cama. Com um movimento rápido, retirou o fone do gancho, aproximando-o do ouvido esquerdo, ao mesmo tempo com a outra mão teclou uma série de números. Dois toques foram ouvidos do outro lado até que uma voz feminina quebrou o silêncio:

— Aqui é a residência dos Raymonds...

— Alô, é você? Sou eu, o Ron... — mas parou a frase antes de completá-la ao perceber que era uma gravação da secretária eletrônica.

— ...não podemos atender no momento, portanto, por favor, deixe o seu recado após o bip. BIIIIP

O jovem nada disse após o bip. A frustração era visível no rosto do rapaz, por não ter com quem conversar, nem seu pai ou sua madrasta estavam em casa. Deixando o telefone onde havia achado, ele voltou para a cama, ajustando o despertador para as sete horas.

Sete horas e o despertador soou fortemente, bem em cima da cabeça de Ronald.

— Ai! Mas que dor na nuca! — exclamou Ronald, se espreguiçando — Caramba, ela não passou. E que sonho, foi como um filme. Revi o dia todo em poucas horas. Só posso estar ficando doido. Claro, só um doido para viver como eu vivo, e como irei viver novamente. Sendo um herói vinte e quatro horas por dia, sem namorada, nem casa própria. É, Ronald, meu velho, quanto mais a vida passa, mais ela continua a mesma. Onde será que está o professor? Ainda não chegou?

Com esses pensamentos, o jovem, vestindo uma camisa azul sem estampa e jeans, saiu para o encontro com o ativista contrário à energia nuclear. A viagem não demorou mais do que vinte minutos e logo ele se viu diante do galpão. Mas, que surpresa! Estava vazio, sem luzes, sem música eletrônica. Nem parecia que na noite anterior havia ocorrido uma festança, nem lixo havia!

— Olá-á? — perguntou Ronald, quase gritando, ao abrir a pesada porta, tendo em seu rosto uma expressão que misturava surpresa e indignação, mas obteve como resposta apenas o eco de sua pergunta — Alguém? Senhor Black? Ed? Hein? — um feixe de luz se acendeu bem em cima dele, cegando-o e fazendo-o pôr as mãos sobre os olhos — Quem está aí?

— Senhor Ronald Raymond! — disse uma voz grave, quase que soletrando as palavras e detendo-se um pouco na sílaba "mond" — É um prazer revê-lo, e estou grato por ter realmente vindo sozinho.

A luz evitava com que Ronnie pudesse focar a visão, mas pôde delinear um vulto na sua frente, caminhando solenemente.

— Agradeço muito, mas muito mesmo a sua vinda aqui ontem à noite. Sabe, Ronald, eu vaguei pelo mundo nos últimos anos, totalmente indiferente sobre meu passado, meus poderes, minha herança. Sobre a minha vingança! Mas agora lembro de tudo, dos mais sórdidos detalhes. — continuou o vulto enquanto caminhava a passos largos em direção ao jovem — Muita coincidência, não acha? Quando venho para Nova York, eu encontro você? É muita coincidência, sim. E eu não acredito em coincidências!

Nem bem acabou de dizer a última frase e o vulto acertou um bom soco no rosto de Raymond, que caiu pesadamente no chão, fora do feixe de luz.

— Q-quê...? Quem...? — as palavras morreram na boca ensangüentada do jovem, quando, pela primeira vez, viu nitidamente o seu agressor. Parado no meio do feixe de luz branca, estava uma figura vestida de negro e azul, com uma tremulante capa roxa. Com a cabeça baixa, o seu rosto estava encoberto por sombras.

— Esse uniforme, eu... eu... conheço você... m-mas... não pode ser. Você morreu! Multiplex! (**)

Uma gargalhada ecoou pela sala quando a figura levantou o rosto e as sombras se esvaíram, mostrando as feições do antigo inimigo. Sem nada dizer, ele segurou Ronald pela camisa, levantando-o, ficando cara a cara com ele. O seu rosto estava totalmente cerrado, enrugado, os olhos quase fechados de ódio. Uma leve luminescência amarela se desprendeu deles, indo em direção aos de Raymond.

— Danton Black morreu naquele dia com o Esquadrão Suicida, Ronald. O Parasita pegou uma das minhas cópias, não o original, mas o choque de ter uma parte de si mesmo morrendo em agonia é indescritível. — a luminescência aumentou cada vez mais, a cada palavra dita por Danton — As minhas memórias se embaralharam e minhas sinapses entraram em curto. Fiquei em coma por mais de dois anos. Dois anos! Dois anos perdidos no leito de um hospital federal ultra-secreto. Apenas a balofa preta ia me ver. — conforme a raiva dele crescia, a luminescência ia no mesmo barco. Um tabefe no rosto de Ronald serviu como válvula de escape para a raiva, porém a luminescência continuava.

— Balofa...?

— Sim. Amanda Waller, você a conhece. Mas isso não é importante, traste. O que importa é que quando acordei, não me lembrava de quase nada de minha vida pregressa. Os sociopatas do Esquadrão fizeram uns testes em mim, viram que realmente não me lembrava de absolutamente nada e me deram um nome, Edward Earhart Anton Black. — em toda pausa para respirar, era um tabefe que dava em Ronald, que, estranhamente, não reagia — Era uma piada! Juntar os dois nomes. Você se lembra de Eddie Earhart? Bem, juntar o meu nome verdadeiro, Danton Black, com o nome do cara que criou o Nuclear, foi uma piada suja, muito suja. E ainda me disseram que eu era um ativista do Greenpeace que havia sido deixado para trás, após uma tentativa de ecoterrorismo nas Montanhas Rochosas. Incrível como uma mente trabalha, não acha?

— Cof, cof... uma... mente?

— Sim, eu considerei aquilo como verdade. Depois de sair do hospital, eu formei esse grupo, o Comando A, para acabar com a energia nuclear. Tinha verdadeira ojeriza a ela. Minha mente bloqueou meus poderes, minhas lembranças e transformou meu ódio pelo Nuclear, o homem atômico, no ódio pela energia nuclear como um todo. Passei os últimos anos levantando fundos, fundos legais, ressalte-se, arregimentando pessoas, organizando os ataques às usinas. Até que, semanas atrás, quando estava no meio de uma reunião em Seattle, decidimos vir aqui na costa leste. Incrível, não acha?

Quase desmaiando com os socos e tabefes que levara, Ronald perguntou:

— Eu não sei o que pode ser incrível. Você é um terrorista, Black, deve ser detido. Ainda mais... cof... agora.

Com a cólera cegando-lhe, Danton arremessou longe o jovem atômico. A luminescência agora era um enorme brilho amarelado que engolfava os dois, seguindo Raymond até ele cair de costas no chão.

— Meu poder voltou quando eu apertei sua mão ontem, Raymond. Meu poder de "beber" energia nuclear, "engolir" radiação. E você é um banquete para um faminto como eu. Sente-se fraco, não? Estou-lhe sugando cada iota de energia que possui, e você é possuidor de uma energia quase infinita, está muito diferente de quando o conheci, mais forte. Olhe isso.

Com uma gargalhada estridente, Multiplex aumentou a intensidade do brilho que prendia Ronald, o que resultou numa grande explosão. Todo o galpão foi pelos ares, enquanto o vilão se embebedava com toda a energia liberada. Com um pulo, ele parou em cima de Ronnie e levantou o quase inconsciente jovem pela gola da camisa.

— Não vai se transformar, Ronald? Eu quero o Nuclear! Eu quero aquele dejeto de reator nuclear! Não um parvo como você, quero você e aquele idiota do professor Martin Stein juntos!

— Eu estive tentando desde que o vi, Black. Cof... cof... mas não consigo por algum motivo que desconheço.

— Desconhece? Desconhece? — gritou, totalmente contrariado, Multiplex — Você zomba de mim! Como sempre zombou! Eu te odeio, Nuclear, odeio! Mas talvez a minha fome o tenha deixado muito fraco. Dou-lhe quinze minutos. Quinze minutos. Eu o esperarei na usina. Na mesma usina na qual você ferrou com a minha vida!

Assim que acabou de dizer essas palavras, Multiplex soltou Ronald, deixando-o no chão, e partiu do local. Ronald lutou para se manter consciente e tentou desesperadamente invocar o professor Stein. Somente juntando o resto de energia que sobrara é que conseguiu. Numa fulgurante explosão atômica, onde antes estava o franzino Ronald Raymond, apareceu o herói atômico, Nuclear. Porém, antes que pudesse fazer algo, Stein começou a brigar com ele.

"Ronald, eu estava indo tomar um banho! Sabe há quanto tempo eu não tomava um banho decente?"

— Professor, não é hora para isso. O Multiplex voltou! E pior do que antes. Ele disse que nos esperaria na antiga usina nuclear de Nova Jersey, do outro lado do rio.

"Quem? Multi o quê? Ah sim, Danton Black. Ele era o terrorista?"

— Sim, era. Engraçado...

"O que é engraçado, Ronald? Se ele nos quer, vamos pegá-lo e acabar com essa coisa de terrorismo com a energia nuclear."

— A parte engraçada é que eu nem me toquei nos nomes. Earhart, Black... terrorismo em usinas nucleares. A vida é cíclica mesmo, como o Palmer me disse uma vez numa das nossas aventuras na Lig...

"Pare de falar no Palmer!" — ralhou Stein — "E vamos logo atrás dele."

Sem mais nada a dizer, o aglutinado herói voou numa torrente de energia em direção da usina nuclear, que o próprio Martin Stein havia desenhado e posto em funcionamento (***). Ela estava fechada há muito tempo, mas ainda não havia sido derrubada, estava inteira. Nuclear a sobrevoou, procurando por Multiplex, iluminando a noite com fachos de luz emanados de suas mãos.

— Onde ele está? Cadê ele...

De repente, um pedaço de concreto zuniu, passando muito perto da sua cabeça. Mesmo com o susto, ele conseguiu agir rápido e transformar o pedregulho em algo inofensivo, em pequenas e delicadas bolinhas de algodão azuis.

— Seu senso de humor barato continua o mesmo, traste! — gritou, de cima da laje do ex-prédio administrativo, Multiplex — Até que enfim, Nuclear, você apareceu! Venha para cá lutar como refugo de urânio que é!

O herói atômico aceitou o desafio e seguiu velozmente em direção do vilão de capa roxa, abraçando-o violentamente pela cintura e esmagando-o contra a porta de emergência. Mas um segundo Multiplex surgiu das sombras e acertou um violento chute nas costelas do Nuclear, que sentiu o baque e soltou o primeiro oponente.

— Esqueceu-se do porquê de me chamar Multiplex... a ameaça duplicadora? Incrível como alguns anos bastam para que se esqueçam da gente!

Os dois Multiplexes pularam em cima do Nuclear, socando-o diversas vezes. Acuado, o herói levantou vôo, tendo os dois enroscados nele. Com uma rajada, mandou um para longe, mas este não caiu em lugar algum, pois, no meio da queda, se utilizou de seu poder e fundiu-se àquele que estava ainda com Nuclear, que sentiu o peso extra e não o suportou, caindo em cima da usina, atravessando a parede.

— Mas olha só onde paramos, Nuclear! No reator! O local que foi a minha perdição, a minha desonra!

— Não, Black! Você é que tentou roubar os planos do professor Stein! Era apenas um assistente dele que queria ter toda a glória! A sua ameaça duplicadora acaba aqui! — ao mesmo tempo em que dizia tais palavras, Nuclear fundiu blocos de concreto em volta do ex-integrante do Esquadrão Suicida — Esse concreto deve contê-lo até eu contatar alguém da SHIELD ou do STAR.

Multiplex gargalhou como um doido possuído, e destruiu o bloco com facilidade.

— Seu pirralho demente! Esse concreto não pode me segurar! A cada minuto que ficamos perto, eu me alimento de você! Você me dá forças, com seu infinito poder atômico.

Com um grito, Danton se dividiu em cinco, circundando Nuclear. De cada uma das dez mãos, partiram raios que o envolveram inteiramente. Um sifão de energia foi formado, para desespero de Ronald, que se contorceu de dor, ficando assim por excruciantes segundos.

"Atravesse o chão, Ronald! Abaixo daqui é o núcleo, protegido por dois metros de concreto e materiais isolantes! Lá ele não poderá nos fazer mal e teremos tempo para respirar!"

Obedecendo ao professor, Ronald se tornou intangível, atravessando o chão até o interior do desativado núcleo. Vendo isso, Danton rapidamente se reagrupou e começou a esmurrar inutilmente o chão, tomado pela cólera.

— Volte aqui, covarde! Volte! Não adianta fugir!

Abaixo, no núcleo, Ronald e o Professor tentaram recuperar o fôlego:

— Professor, como o Multiplex ficou tão forte? Não lembro dele ser assim.

"Bem, ele passou anos sem se alimentar de energia nuclear, deve estar totalmente enebriado, enlouquecido até. Os loucos buscam forças onde não existem. Mas temos de achar um meio de pará-lo, sem que nos toque. E esse núcleo aqui me deu uma idéia. Vamos trazê-lo para cá."

Sem mais nenhuma palavra, o recém-amalgamado herói tomou fôlego, olhou para o teto e atravessou-o de volta para encontrar seu nêmese. Nem precisou de tempo para procurar, pois Black voou em sua direção, socando-o diversas vezes. Com uma rajada em seu peito, o herói se desvencilhou, arremessando-o longe. Rapidamente, Nuclear se levantou, flutuou no ar um pouco, como se estivesse dizendo "venha me pegar", e foi em direção da escada que desembocava no núcleo do reator. Multiplex, louco de ira, mordeu a isca e o seguiu correndo pelas escadas. O herói atravessou a porta, que foi totalmente dilacerada pelo vilão. Uma vez lá dentro, Danton utilizou novamente da tática de se dividir, mas agora em partes menores, no total de dez pequeninos Multiplexes. Era tudo o que o professor Stein queria.

"Agora, Raymond! Ponha a casa abaixo!"

Sem o menor aviso, a maravilha atômica criou diversas cordas de aço com pontas bem afiadas em formato de gancho e as cravou no teto, em diversos pontos.

— Brincar de palitinhos não vai salvá-lo, imbecil! — praguejaram os Multiplexes, sem perceber a real intenção do herói.

Hasta la vista, babies! — e, com um puxão nas cordas, o herói fez com que todo o teto desabe, trazendo consigo o resto do prédio, sem dar tempo a Danton de se reagrupar. Todo o complexo veio abaixo num estrondo; toneladas de concreto, ferro e alvenaria caíram em segundos, enterrando os dois contendores.

Alguns momentos se passaram até que a poeira se assentou e pôde-se, finalmente, vislumbrar o professor Martin Stein sentado na montanha de escombros, fitando-os, com um sorriso nos lábios e, um pouco mais abaixo, Ronald Raymond.

— Que foi, professor?

— Sabe, Ronald, foi aqui que tudo começou. Parece que foi ontem. Eu lembro quando descerrei a pedra fundamental da usina, logo ali embaixo. Era o meu bebê, o fruto de uma vida inteira. Pus meu orgulho nesse projeto. No dia da inauguração, eu acordei como um menininho que ganha uma bicicleta no Natal, doido para estrear. De noite tinha um menininho dividindo o corpo do Nuclear comigo. Hehehe.

Ronald riu do que o professor falou e disse:

— Bem, agora temos de ligar para a SHIELD ou para o STAR para virem buscar o Multiplex debaixo dessas toneladas de escombros. Ainda bem que o senhor lembrou que ele é indestrutível, pelo menos isso não o matará. E como estava muito dividido e sem ver onde estão os outros, ele não poderá se reunir. Jogada de mestre, professor. Ei, a dor na minha nuca passou.

Com um suspiro, Stein se levantou e bateu no ombro de Raymond:

— Vamos, vamos embora.

E, num clarão, novamente surgiu o herói com cabeça flamejante e vestindo amarelo e vermelho.

"Ronald, conte-me a sua aventura com o Palmer. Sobre a história ser cíclica, eu tenho uma teoria que..."


A seguir: tempestade de neve!


:: Notas do Autor

(*) Em Firestorm, the Nuclear Man Annual # 5, de 1987. voltar ao texto

(**) De novo, em Firestorm Annual # 05. voltar ao texto

(***) Em Firestorm #01, de 1978. voltar ao texto




 
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