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Nuclear # 03

Por Wellington Alves

Nevasca Quente

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"Um belo dia de primavera." — pensou o professor Martin Stein, enquanto lentamente atravessava o campus da Universidade Empire State, em direção ao escritório do sub-reitor Lawrence Coldwell. Uma semana antes, ele tinha sido convencido por Ronald Raymond, a segunda metade da matriz do super-herói atômico chamado Nuclear, a enviar o seu currículo para as faculdades e universidades, para que pudesse voltar a lecionar ou, quem sabe, continuar suas pesquisas. Stein estava cético a respeito de que alguma instituição ainda se lembrasse dele, quiçá lhe desse um emprego ou bolsa de pesquisas. Mesmo com todo o cepticismo, ele fez o que Ronald havia pedido e enviou as cartas de apresentação e os currículos.

Para surpresa de ambos, dois dias depois, a instituição local mandou um telegrama, marcando uma entrevista. Haviam se interessado pelas credenciais do professor e lembravam que ele havia ganhado prêmios importantes e que existia uma vaga em aberto. Uma alegria juvenil tomou conta de Stein ao descobrir que ainda era valorizado e que deixaria de ser um desempregado. O telegrama só dizia para comparecer na sub-reitoria, não dava mais detalhes sobre que tipo de emprego seria, qualquer que fosse.

"Bem, chegamos." — suspirou ao encarar a porta de mogno onde há uma placa dourada com os dizeres "sub-reitoria" em baixo relevo. O coração do professor começou a bater mais forte, tocou a campainha e, um minuto depois, uma senhora de mais ou menos 50 anos, vestida toda de preto, abriu a porta.

— Pois não, senhor...?

— Stein, Martin Stein. Fui chamado aqui, eu mandei um...

Nem pôde terminar a frase, pois a senhora o interrompeu:

— Ah, sim, o senhor Coldwell o espera, por favor, entre e sente-se. Eu sou a senhorita Izabella, a secretária do sr. Coldwell. Vou avisá-lo que já está aqui.

Com um meneio de cabeça, o professor fez o que lhe foi dito pela secretária, refastelando-se numa poltrona tão macia que o seu corpo afundou nela.

"Meu Deus! Parece que o Blob me engoliu!"

Com muito custo, conseguiu vencer a luta contra o móvel e endireitou-se nele, a tempo de não ser pego naquela situação embaraçosa pelo sub-reitor, que adentrava na sala de espera já com a mão estendida para saudar Stein.

— Muito bom dia, mestre! — disse o sub-reitor, rindo e apertando fortemente a mão de Stein, que o acha engraçado. O sub-reitor era uma pessoa baixinha, gordinha, careca, o que faz lembrar, e muito, um barril de vinho numa daquelas adegas antigas, principalmente quando vestia um terno marrom, como o que estava agora — É um prazer inominável conhecer pessoalmente tal renomado mestre! Entre, por favor.

Com um certo esforço, Stein conseguiu se levantar do sofá-Blob e acompanhou o sub-reitor até a sala dele. Ao entrar, Martin se viu numa pequena biblioteca, ou ao menos algo que parecia uma pequena biblioteca. Cercada de estantes com os mais diversos livros de todos os tamanhos, dispostos, numa primeira vista, de maneira totalmente caótica, havia uma pequena mesa bastante simples de ébano com duas cadeiras também de ébano, forradas com um couro que deveria ter sido vermelho mas que já estavam tão gastas que agora era de um tom entre o marrom e o amarelo.

— Por favor, mestre. Sente-se. — disse Coldwell, apontando para uma das cadeiras, ao circundar a mesa com certa dificuldade, pois o espaço entre o móvel e as estantes era ínfimo para que o rechonchudo professor pudesse passar — Hunf! Ainda tenho que dar um jeito nessa mesa! Bem, mestre Stein, fiquei muito feliz quando vi a sua carta solicitando um emprego. A Universidade Empire State ficaria muito orgulhosa em ter um ganhador do prêmio Nobel em nossos quadros. O trabalho do senhor no campo da física é impressionante, apesar de há algum tempo estar sumido do mundo acadêmico.

— Ah, sim, eu tive... hã... uns contratempos médicos. Por isso que estive fora uma época. Mas eu estou pronto para voltar a lecionar e...

— Mestre, as vagas de professor já estão cheias para este semestre. — ao ouvir isso, o professor Stein solta um suspiro de desolação — Mas...

— Mas...?

— ... temos uma vaga num setor de pesquisas.

Os olhos do professor brilharam com a expectativa:

— Pesquisa? Isso é ótimo! Qual o campo?

— Ultracondutores. Uma pesquisa muito importante para a Empire State e que conta com verbas advindas das mais diferentes fontes, que, logicamente, não posso divulgar. Se o senhor aceitar, terei de advertí-lo que...

— Eu aceito!

O tom de exultação na voz de Stein surpreendeu Coldwell:

— Calma, mestre. A pesquisa não é aqui no campus da Universidade. Ela é no...

— ... Alasca??? — perguntou, arregalando os olhos, Ronald Raymond, quando Stein disse que havia aceitado a proposta da Empire State — Isso é muito longe, professor!

— Sim, Ronald, é longe, e frio. Mas é uma chance de voltar as minhas pesquisas. Tenho de voltar ao mercado, e essa é uma excelente chance, não podia desperdiçar. Além do mais, vai ser pouco tempo, será tipo um estágio probatório, de cinco semanas.

— Tudo bem, professor, mas não esqueça de levar casacos extras e muita vitamina C. Vou aproveitar esse tempo e ir para Ivy Town, tenho que pegar umas coisas que ainda estão lá e que eu não destruí junto com a casa do Ray (*), e tenho umas consultas marcadas no STAR, com a dra. McGee. Já reservei uma passagem no próximo vôo.

— Ótimo, Ronald, eu vou preparar tudo para a minha viagem. Tenho um vôo marcado para Anchorage daqui a cinco horas. E não posso perdê-lo

— Por que não?

— Tenho de estar na estação de pesquisa amanhã de tarde. A estação ainda fica uns quilômetros da capital do Alasca, meio que afastado de olhos curiosos.

— Ah. Bem, como não tenho muita coisa mesmo, rapidinho jogo dentro de uma mochila e vou pro aeroporto.

Uma hora depois, Ronald já se encontrava dentro pequeno Fokker em direção a Ivy Town. Infelizmente, não tinha lugar na janela, o que muito o desagradou, mas o aborrecimento virou alegria, quando viu quem estava ao seu lado. Uma linda loira de olhos claros, que Ronald não conseguiu definir se eram verdes ou azuis, com um micro-vestido que deixava a mostra mais do que o necessário. Quando a moça cruzou as pernas, Ronald não se conteve e puxou conversa.

— Oi. — e a moça nem se mexeu, nem se dignou a tirar os olhos da revista de jardinagem que estava lendo — Oi. — repetiu ele — Gosta de jardinagem? Tenho uma amiga que tem uma floricultura em Gotham.

Ao que parece, a palavra floricultura surtiu algum efeito, pois ela fechou a revista e se virou para ele, dizendo:

— Floricultura? Diga-me mais.

— Sou Ronald, Ronald Raymond. Estou indo para Ivy Town. Muito prazer.

"Tá no papo" — pensou.

— Munique. Agora me fale sobre as flores...

Apesar da viagem curta — menos de três horas — Ronald conseguiu trocar telefones com a loira e uma promessa de se encontrarem quando ela voltar a Nova York. Ao sair do aeroporto, dirigiu-se primeiro para a casa de Ray "Eléktron" Palmer, apenas para descobrir que ele estava fora, num congresso em Opal City. Deixou um recado com a faxineira e, depois de rodar pela cidade por algumas horas a fim de encontrar-se com amigos que tinha conhecido na sua breve estada, foi ao STAR para a consulta. Lá chegando, a dra. McGee rapidamente o atendeu e fez uma bateria de exames.

— Doutora, que liquidificador era aquele em que a senhora me meteu?

Sem tirar os olhos das chapas penduradas no quadro de luz, a médica apenas emitiu um "hmmm", bem longo. Com rápidos movimentos, tirou e botou as chapas e, a cada uma, emitiu o mesmo som. Até que...

— Sr. Raymond, o senhor está curado. Não há mais nenhuma mancha ou sinal em qualquer um dos seus órgãos. Apenas... hmmmm...

Ronald não gostou nada desse último "hmmm", pois o som estava meio diferente, mais concentrado.

— O que houve, doutora? Mais alguma coisa de ruim? Vamos, diga-me, sim?

— Bem... hmmm...

— Poderia parar com esses "hmmm", poderia? Médico quando muito embroma...

Sem ligar para a impaciência do jovem, a experiente médica e cientista levantou-se da cadeira onde estava, ajeitou o jaleco e os pequenos óculos, pegou um aparelho que parecia um gravador portátil de fita cassete, daqueles antigos, com vários medidores, e desacoplou dele um bastonete, apontando para Raymond. No mesmo instante, o aparato começou a emitir um silvo baixo que ia crescendo à medida que se aproximava do corpo dele.

— Hmmm.... hmmm... — repetia a doutora, ao mover o bastonete em várias direções — Veja, senhor Raymond, há uma coisa bem, hã, peculiar aqui. Está emitindo uma radiação de fundo muito, como direi? Muito diferente do normal.

— É? E o que isso significa? A doutora não disse agora há pouco que eu estava curado? Como pode...

— Sim, curado dos tumores, sim. Mas, agora, está irradiando uma energia diferente. Bem, deixe-me explicar de forma leiga. O corpo humano absorve e espalha as radiações existentes, sejam elas da Terra, ou espaciais. Geralmente, essas radiações não afetam diretamente as pessoas, mas podem causar alguns males, como câncer de pele e outras deformações. E isso é inteiramente natural. Mas o tipo de radiação que está espalhando... bem, é incomum. Tem o mesmo espectro da radiação de microondas de fundo, ou seja, tende ao espectro de corpo negro, que é a mesma que encontramos permeando o Universo desde a sua criação.

— Corpo... negro?

— Sim. Um corpo negro também emite radiação mas, neste caso, a emissão é perfeitamente térmica e descrita por uma lei bem conhecida da Física: a lei de Planck. Esta lei, uma das bases da mecânica quântica, nos diz como é distribuída a densidade de energia de um corpo, a uma dada temperatura, em função de um outro parâmetro qualquer. Esta distribuição de energia recebe o nome de espectro de corpo negro.

— Doutora, a senhora está divagando... não sou físico. Meu amigo, o professor Stein, é que é.

— Bem, sr. Raymond, o que eu estou tentando explicar é que o seu corpo está emitindo radiação puramente térmica e mais nenhuma. Como se você inteiro fosse um corpo celeste em miniatura, entendeu? Como se estivesse em contato com outro... hmmm. Sr. Raymond, realmente precisamos fazer mais testes...

— Ah, não, o liquidificador de novo, não...

Deixando de lado um pouco a doutora e seu impaciente paciente, vamos até o Alasca, onde o avião da LuthorAir aterrissou, bem no horário, no aeroporto de Anchorage. Apesar de frio, o clima estava bem aconchegante, o termômetro do aeroporto marcava dez graus. O professor vestiu o capote e dirigiu-se a um homem que segurava uma placa com seu nome no salão principal do aeroporto.

— Doutor Stein? Boa tarde. Sou o doutor Gerald Conway, da Universidade Empire State. Estou aqui para levá-lo até nossa estação de pesquisas. Venha. — disse, deixando a mão de Martin solta no ar, a espera de um aperto que nunca veio.

O semblante carrancudo e a voz pesada de Conway espantaram Stein. Entraram num pequeno carro que tinha lagartas no lugar das rodas e Stein aproveitou para puxar conversa.

— Está há muito tempo nessa estação, doutor... Conway? Gostaria de saber se...

— Dois anos. — interrompeu bruscamente — E, francamente, não sei o motivo da universidade achar que eu preciso de um ajudante. Minhas pesquisas estão indo no tempo que precisarem. E elas não precisam de um ajudante para ir mais rápido.

Depois dessa, a viagem transcorreu num silêncio sepulcral, bem condizente com o ambiente do lado de fora do carro, até o seu destino. A estação era um galpão com o teto quadrado, num local totalmente deserto e alvo coberto de neve. Ambos desceram do veículo ao mesmo tempo. O professor esperou até que Conway fosse em direção a porta e a abrisse para que pudessem entrar.

Assim que adentrou, Stein ficou surpreso com o que viu. Imaginava o interior cheio de computadores, luzes piscando e todas aquelas coisas que cientistas adoram colocar nomes absurdamente grandes que ninguém, até eles, conseguem decorar, mas só havia um pequeno computador pessoal, um arquivo de aço e uma sala, que presumiu ser o laboratório. Essa sala ocupava mais da metade do galpão, só tinha uma porta com os dizeres "perigo de acidente nuclear" e o símbolo de radioatividade. Ele se aproximou da porta, mas foi impedido por Conway.

— Agora não. Para o que você vai realizar aqui, não precisa entrar, ou até mesmo ver, o que tem ali dentro.

Já se acostumando com a maneira rude de seu companheiro, Stein se afastou e caminhou para onde Conway indicava. Era o seu quarto pelas próximas geladas semanas de trabalho. Meia hora depois, já vestindo jalecos, ambos começaram a laborar.

— Stein, pega aqueles disquetes. Não, esses não, os vermelhos.

Até o dia seguinte, essa foi a única função do professor. Servir de contínuo para Conway. Mas não reclamou, ao contrário, sabia que a pesquisa era do dr. Conway, portanto deveria fazer tudo o que poderia para ajudá-lo. Aliás, foi para isso que houvera sido contratado, além de investigar a razão da mesma demorar tanto, pois já tinha mais de três anos e a universidade estava sendo pressionada pelos investidores.

De noite, quando o pesquisador-chefe dormia, Martin foi até a sala, abriu a porta e teve o segundo assombro em menos de dois dias. Na sua frente havia um grande tubo, cheio de gelo, do tamanho de um homem, ligado a um gerador silencioso, e ali sim se encontravam os equipamentos que esperava encontrar. Um deles, em especial, chamou-lhe a atenção. Via-se na tela de cristal líquido um medidor com os dizeres "pressão interna" e...

— Capacidade de respiração? Respiração? Ultracondutores respiram??

Cada vez mais intrigado, se aproximou do tubo e limpou-o com a manga do casaco. Para seu assombro — o terceiro, que todos dizem é sempre o da sorte — a face de Crystal Frost, a primeira Nevasca, apareceu dentro dele. Um terror tomou conta de sua alma e, cego pela visão, tropeçou num cabo solto no chão e esbarrou em um teclado que estava numa mesa próxima. Todas as luzes começaram a piscar e, repentinamente, a câmara de Nevasca se abriu, ruidosamente, liberando o gás que havia dentro.

— Não!! — gritou Conway, que acabara de entrar na sala — Seu idiota! Ela não estava pronta ainda! A programação dela não estava termin... arrrrgggghhhhh!!!!

Não pode concluir a frase, pois uma rajada de gelo o atingiu, congelando a parte de baixo de seu corpo, até a altura do umbigo, fazendo-o desmaiar. Stein virou-se para o local de onde partiu a rajada e lá estava, saindo da câmara, majestosa e sorridente, a primeira Nevasca — uma das suas mais antigas inimigas. Seus olhares se encontraram e ficaram fitando-se por longos segundos. Ele, congelado de medo, ela, como se lembrasse dele vagamente. Mas, repentinamente, ela soltou um grito bem agudo e começou a disparar lanças de gelo pelo laboratório, destruindo tudo. Quando uma das afiadas pontas de gelo passou assobiando pelo seu ouvido direito, Martin Stein saiu de seu torpor e, num comando mental, convocou a sua outra metade para se transformar na maravilha atômica conhecida como...

— Nuclear! — gritou, dando uma pausa entre as sílabas de modo bem furioso, a recém-desperta Nevasca.

— Olha só quem tá aqui. Nevinha! Professor, eu tava jantando...

"Ronald, cuidado!" — disse o professor Stein, enquanto o herói se desviava de uma saraivada de facas de gelo, lançadas contra ele intermitentemente pela vilã — "Aquele doido do Conway estava tentando reanimar a Nevasca, e, pelo que parece, conseguiu."

— Professor, por favor, depois conversamos. Temos que detê-la! — ao dizer essas palavras, o Nuclear disparou uma rajada em Nevasca, lançando-a contra a câmara onde estava. Incontinenti, ele dirigiu-se ao semicongelado dr. Conway, que só conseguia dizer algumas palavras.

— A... programação... dela não... estava... terminada...

"Ronald, descongele-o antes que a Nevasca se recupere. Ela ainda está desorientada. Levemo-lo para fora daqui."

Usando seu poder, Nuclear derreteu o gelo, mas antes que pudesse levar Conway para fora, foi atingido nas costas por um raio congelante e caiu ao chão, estrebuchando.

— Nu-cle-ar... mor-raaaa.... — balbuciava ela, como um zumbi, enquanto continuava a atirar nele.

— Não hoje, nevinha! — respondeu, ainda tremendo, enquanto transformava os pingentes em pequenas violetas — Nevasca, pare. Pare!!

"Ronald, ela deve estar sofrendo por ter sido acordada tão repentinamente. Suas ações são apenas reflexos do que consegue ver. Não revide, apenas tente controlá-la."

— Falar é fácil, professor. Mas como?

"Hmmm. Pelo que me lembro, a Nevasca necessita de muito calor interno para sobreviver. a carapaça de gelo dela serve como isolante. Um banho de algo que quebre esse isolante, pode detê-la sem ser fatal. Acetona, talvez."

— Certo, professor. Sai uma chuva de acetona no capricho. Bonequinha, olha para cima! — e, de alguns tubos de nitrogênio acima da Nevasca, Nuclear criou um chuveiro de acetona, que, ao se encontrar com a dama de gelo, provocou nela muita dor.

— Professor, ela está queimando! Não queria isso!

A acetona estava derretendo a congelada pele de Nevasca e, para fugir de tal suplício, ela desesperadamente criou um escudo espesso de gelo, mas tão espesso que o chão começou a rachar ante o peso.

— Professor, olhe, como pode rachar? Não estamos em terra firme? Ou nãooooo.....

A pergunta do Nuclear foi abafada pelo gargantuoso tremor de terra que engolfou todo o galpão, tragando-os como uma fera faminta. E quando terminou, via-se apenas uma enorme cratera de onde saía uma nuvem de poeira e neve.


A seguir: Pelucidar.


:: Notas do Autor

(*) Na minissérie Nuclear - Carga Nuclear Efetiva. voltar ao texto




 
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