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Super-Homem # 05

Por Josa Jr.

"Dizem que você pode mudar o curso dos rios. Mas não compreende a fragilidade da condição humana. Como se perde a vida facilmente. Ser o homem mais poderoso do mundo nada significa se você está só. Ninguém sabe disso melhor do que eu."
(Lex Luthor, em Super-Homem: As 4 Estações # 03, por Jeph Loeb)

A Namorada do Super-Homem
Parte III

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A missionária Jamie Sullivan dedicou os quatro últimos anos de sua vida ao Hospital Militar de Metrópolis, empenhada na salvação de almas e vidas dos enfermos. Durante todo esse período, ela acredita ter visto todos os tipos de milagres e maravilhas acontecerem nos quartos daquele hospital. Mas agora, Jamie adiciona mais algumas maravilhas ao seu extenso testemunho de trabalho missionário — um pequeno, porém heróico grupo de cientistas começa a trabalhar de forma incessante num caso quase perdido de coma.

Uma equipe liderada por Reed Richards, líder do Quarteto Fantástico, procura salvar a vida de Ellie Lane, tentando sintetizar um remédio único e necessário para que a mãe da jornalista Lois Lane sobreviva. O grupo é composto por Emil Hamilton, Ray Palmer, John Henry Irons e Kitty Faulkner, todos cientistas de grande renome. Alguns deles também são super-heróis. Nem todos têm experiência e conhecimentos na área de biologia, mas não poderiam deixar de ouvir o apelo do Super-Homem para ajudar a senhora Lane.

Porém, o homem que conseguiu reunir esta equipe em tão pouco tempo chega alguns minutos depois, pela janela. A conhecida e temida silhueta de Batman se aproxima de Lois Lane, e toca seu ombro.

— Como vão as coisas?

— Complicadas. Eles dizem que se o Fera estivesse aqui, talvez pudessem gerar o soro mais rápido, porque ninguém tem muitos conhecimentos de bioquímica. Sem o Fera, o Senhor Fantástico está fazendo o trabalho sozinho, praticamente.

— Hmmm. Tentarei ajudar. Eles já têm alguma hipótese do que se trata?

— O doutor Ramoray achava que ela apenas entraria em coma, mas depois do último espasmo, Kitty e Reed acreditam que a falta do remédio causa alguma coisa parecida com epilepsia.

— Entendo. E como está ele?

Lois sabe por quem o Morcego pergunta, mas antes que possa respondê-lo, uma poderosa onda de choque parece atingir o prédio, fazendo todo o quarto tremer. Um barulho similar a um trovão soa por toda a cidade.

— Ouviu isso? É ele.

A batalha entre o Super-Homem e Bizarro n°1 pode ser ouvida há quilômetros de distância. Neste momento, a luta já alcançou o Beco do Suícidio, com um furioso e impaciente Homem de Aço tentando queimar sua cópia imperfeita com a visão de calor, praticamente inútil contra a invulnerabilidade do inimigo. Clark vê seu monstruoso e distorcido reflexo mirar os olhos em seu rosto e se prepara para receber também uma dose do superpoder.

— Toma isso, falso Superômi!

— O quê? Que loucura é essa?

Surpreendendo o herói, uma rajada congelante cobre todo seu corpo em um bloco de gelo. Usando novamente sua visão de calor, o Super-Homem consegue se soltar da estranha armadilha criada pelo adversário. Mas antes que o Homem de Aço possa se recuperar, um poderoso sopro de fogo atinge seu corpo, deixando-o atordoado. Com sua supervelocidade, Bizarro desfere múltiplos golpes em Kal-El, derrubando-o.

— Mim venceu Superômi!

"Tem alguma coisa errada... Esse 'Número 1' é realmente mais poderoso que todas as outras versões que enfrentei. E, pelo que minha visão microscópica indica, ele não vai se degenerar tão cedo. O pior de tudo são os poderes invertidos. Só um louco imaginaria algo assim. E quais são as motivações dele? Normalmente, os Bizarros atacavam por ficarem confusos quando me viam. Este Bizarro n°1 sabe que é um Bizarro, parece saber quem eu sou e quem é Luthor. O jeito é usar um pouco de psicologia."

— Porque está fazendo isso, Bizarro? Você não é o Super-Homem? Vai me matar?

— Mim ser Superômi bizarro. Logo, mim não ser mesmo Superômi que tu. Fazer o contrário de Kalel, ser amigo de Luthor e lutar pela mentira e injustiça.

Bizarro se prepara para desferir um golpe final no Homem de Aço. Antes que possa fazê-lo, porém sente uma imensa dor em seu corpo e cai no chão, depois de soltar um horrendo grunhido. A princípio, o Filho de Krypton pensa que o corpo de seu clone está finalmente sucumbindo, mas o desmaio do Bizarro n°1 apenas anuncia a chegada de mais um jogador no tabuleiro.

— Hehehehe... Parece que hoje tem compre um, leve dois no almoço!

Enquanto isso, uma aeronave, marcada com um estranho emblema, sobrevoa os céus de Metrópolis.

— Ela está com febre, doutor Richards! E seus músculos... Deus, o que aconteceu? — Kitty Faulkner grita desesperada, enquanto injeta Diazepam endovenoso, uma substância que ainda pode manter Ellie Lane viva.

O quadro no Hospital Militar piora. Desesperados, alguns dos médicos tentam mantê-la viva, ao mesmo tempo em que Batman e John Henry analisam se existem vestígios do remédio em amostras de células que Eléktron coletou. Ellie convulsiona no leito da UTI. Monitores cardíacos, de oxigenação e de atividade cerebral ligam-se a ela como alguma forma bizarra de cordões umbilicais.

— O que foi, Kit... Maldição!

De repente, a situação passa de ruim para terrível — partes aleatórias do seu corpo contraem-se em espasmos com força suficiente para quebrar seus ossos — o que acontece com sua clavícula.

— Doutora Faulkner, me dê os parâmetros dela. Como estão a PA, freqüência cardíaca e PO2*?

— A PA está 5x2, freqüência caindo. A PO2 está em 75%. Estamos perdendo!

— É melhor afastar os familiares e os missionários daqui. Emil, consiga um desfibrilador!

— Tudo bem, doutor! Hã? — A face do professor se assombra. — Você escutou isso?

— Sim. — O Sr. Fantástico nem perde seu tempo lamentando. — Ela fraturou o punho em uma contração!

— Deus! Senhor Fantástico, o que está acontecendo aqui?

— Kitty... Acho que nossa esperança reside no soro que Batman e Aço tentarão sintetizar.

O Homem-Morcego e John Henry Irons trabalham arduamente há meia-hora, mas é impossível obter resultados sem saber o mal que aflige a mulher. Enquanto isso, o doutor Ramoray tenta afastar Lucy e Sam Lane da UTI, para que não sofram mais. Lois Lane se foi há algum tempo, por não suportar assistir sua mãe naquela situação. Concentrados demais no trabalho, não notam a chegada de um inusitado e imponente visitante.

— Com licença.

De tão surpreso, o Senhor Fantástico deixa cair o desfibrilador que segurava, mas antes que o aparelho chegue ao chão seus pés se transformam numa almofada, que impede a destruição do instrumento. Batman sente vontade de esmurrar o intruso mas, em respeito aos demais, controla-se.

— Não sei o que faz aqui, mas se for atrapalhar...

— Cale-se, Morcego! Lembre-se que, antes de tudo, tenho conhecimentos científicos também. Posso examinar a paciente?

Antes que o Cavaleiro das Trevas possa falar ou reagir, Reed Richards coloca-se entre os dois inimigos, quebrando o pesado clima reinante na sala.

— Bem, se você diz que pode ajudar, contaremos com seu gênio entre nós, Doutor.

— Estou ansioso...

Doutor Richards, ela está fibrilando!

— Use a eletrocardioversão, Emil! Pode fraturar a caixa toráxica, mas é melhor que deixá-la morrer!

— Afaste-se, Kitty!

CRWEAKZ!
CRWEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEEAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAAKZZZZZZ!

— Cardioverteu, doutor. Ganhamos mais algum tempo!

— Atropina nela. Meu Deus... o que é isto que ela está tendo?

Por debaixo de sua máscara, o infame visitante quase ri. Com a postura de um rei, ele encara Batman com desprezo por alguns segundos. Volta seu rosto para Reed Richards e, extasiado pelo momento que tanto esperou, declara.

Doom sabe.

Na torre da Lexcorp, a decisão mais difícil de Lois Lane finalmente chegará aos ouvidos de Lex Luthor. Mais uma vez, a jornalista se arrepende por não contar ao marido tudo o que deveria. Ela sabe, porém, que seria impossível no momento. Clark está ocupado, lutando contra Bizarro, e sua mãe pode morrer a qualquer minuto. A dor em seu coração é imensa, mas Lois sabe que uma separação dos dois será uma mera formalidade se comparada ao amor que sentem um pelo outro.

— Não achei que fosse decidir tão rápido. E então, o que vai ser? Larga o caipirão ou mata sua mãe? Pensando bem, não é tão dificil escolher...

— Vá para o inferno, seu doente! — A repórter salta sobre o empresário, mas as guardas-costas de Lex a seguram antes que Lois possa machucá-lo.

— Diga logo o que vai ser, vadia.

— Me respeite, eu não sou como suas seguranças sapatas, mas se quer saber...

Lois suspira e fala algo que jamais imaginou dizer.

— ...eu vou me divorciar de Clark.

No Beco do Suicídio, o Homem de Aço está completamente a mercê do Parasita. Ofegante e enfraquecido, nem imagina o que acontece na Lexcorp.

A seguir: A conclusão de A Namorada do Super-Homem! O que Doom pretende? O que Lois fará? E como o Super-Homem poderá enfrentar Parasita E Bizarro?

:: Notas do Autor

* Agradecimentos ao Dr. Matheus, por praticamente co-escrever os parágrafos no hospital.

** PA = Pressão Arterial e PO2 = Pressão de Oxigênio.



 
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