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Super-Homem # 06

Por Josa Jr.

"...Hoje, vocÍ realmente acreditou que me viu nos limites dos meus poderes. Desculpe, Luthor... eu apenas estava nos limites dos seus."
(Super-Homem, em Superman Adventures # 01, por Paul Dini)

A Namorada do Super-Homem
Parte Final

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— Olá, eu sou Cat Grant. Você está assistindo ao Gente que é Notícia. Não deixe de conferir, daqui a pouco, a matéria sobre as próximas temporadas de seus seriados favoritos. Mas antes, um furo de reportagem com Ângela Chen, direto do cartório de Metrópolis. Ângela?

— Pois é, Cat. Acabamos de receber a informação de que Lois Lane estaria assinando um pedido de divórcio. Para quem ainda não sabe, a futura ex-esposa de Clark Kent foi filmada beijando o Super-Homem alguns dias atrás, aqui mesmo no SGT. Provavelmente, este é o motivo da separação do casal de jornalistas. Em breve, quando Lois sair do cartório, traremos mais informações. Cat?

— Essa história de "namorada do Super-Homem" ainda vai dar muito o que falar, Ângela. Agora, as notícias de televisão. Todos sabem que Jason Alexander e Teri Hatcher formam um belo par em Oprah & Josh, mas será que... *click*

Lex Luthor muda para o canal de notícias de seu sistema de televisão. O telejornal mostra imagens de um quase derrotado Super-Homem enfrentando Bizarro n°1 e Parasita no Beco do Suicídio, o bairro mais pobre de Metrópolis. Satisfeito por tudo estar correndo bem, Luthor apenas estranha o fato do Parasita estar vestindo uma armadura, mas prefere agradecer ao destino pela feliz coincidência de Rudy Jones ter aparecido no meio da batalha.

O combate no Beco do Suicídio tem uma pequena trégua. Bizarro ainda tenta entender o que aconteceu com seus poderes. Um monstro roxo surgiu no meio do confronto contra o Homem de Aço e drenou parte de suas forças. O vilão conhecido como Parasita caminha na direção dos dois inimigos, sorrindo e tripudiando por sua aparente vitória. Ainda caído após um poderoso ataque da sua cópia imperfeita, o Super-Homem tenta formular uma estratégia eficaz contra seus adversários.

"Só faltava o Parasita para piorar a situação. Pelo jeito, ele não foi contratado pelo Luthor, senão não teria derrubado o Bizarro. Ou teria? De Luthor, pode-se esperar qualquer traição. Ele ainda não drenou muito dos meus poderes, mas já sinto minha energia se esvaindo. Preciso derrotá-lo antes que fique poderoso o bastante para se tornar realmente perigoso. Talvez Bizarro possa me ajudar."

— Ei, Número 1. Se você é minha cópia imperfeita, porque o Parasita te atacou? Você não luta pela mentira e pela injustiça?

— Mim não saber, a gente deveríamos ser amigos. Mim confuso.

"Parece estar funcionando. Talvez um disparo da visão de calor possa afastar o Parasita por alguns segundos, enquanto convenço minha imitação a ajudar."

O Homem de Aço põe seu plano em prática.

"Ótimo, funcionou! Estranho. Apesar de não ter roubado muito da minha força, Rudy sugou boa parte das energias do Bizarro, mas ainda assim não parece mais forte do que quando chegou."

— Vamos, Bizarro! Será que não percebe? Não há como ser amigo dos inimigos do Super-Homem! Porque você também é o Super-Homem!

— Mim não saber... Não! Você está errado! Mim ser inimigo de Parasita! Mim... atacar... Parasita!

Número Um solta o que restou de seu super-sopro de calor no vilão. Antes que Jones possa reagir, o Super-Homem o atinge com um soco, arremessando-o para longe. Desesperado, o Parasita resolve se esconder, pois sabe que não será páreo para dois super-homens. O Homem de Aço ainda pensa em procurá-lo, mas sabe que, neste momento, suas prioridades são Lex Luthor e a mãe de Lois.

Hospital Militar de Metrópolis

Lois Lane chega correndo ao quarto onde sua mãe está hospitalizada. Do lado de fora, alguns seguranças tentam impedi-la, mas a jornalista já enfrentou coisas piores e consegue driblá-los. Ao invadir o quarto, ela não consegue disfarçar a surpresa por encontrar Victor von Doom entre os cientistas que tratam sua mãe.

— Olá?

— Senhora Lane. — Batman se afasta dos demais e chama Lois para um canto reservado da sala. — Doom resolveu ajudar, mas ainda não sei o porquê. Talvez para finalmente derrotar Richards, ou para o Super-Homem lhe dever um favor. O fato é que ele está sendo útil, por menos que gostemos dele.

— Tudo bem. Qualquer ajuda é importante neste momento.

— Eu ouvi notícias sobre você. O divórcio...

— Eu blefei. Liguei para o SGT e informei que Lois Lane estava indo ao cartório. Cheguei lá, usei o banheiro e fui embora, enquanto toda a cidade acreditava que eu me divorciei. Não sei até quando vou poder enganar Luthor, mas talvez ele produza mais uma dose do remédio.

— Você sabe que esta é uma solução imediata.

— Confio em vocês.

Torre Lexcorp

Em uma reunião por videoconferência com empresários alemães, Luthor está sem a mínima paciência para qualquer outro tipo de problema que não seja a negociação de novas ações. Ao seu lado, Mercy e Hope assistem caladas às conversações de seu patrão, que fala fluentemente o idioma germânico. Atentas a qualquer movimentação, elas notam dois vultos se aproximando rapidamente da sede do império financeiro de Luthor.

— Prepare-se, Mercy.

— Eu disse que aquele idiota seria enganado pelo alien... Você me deve 20 pratas, Hope.

Super-Homem e Bizarro n°1 voam mais rápidos que uma bala em direção à janela blindada do prédio, mas alguns centímetros antes que atravesse o vidro e possa destruir a propriedade alheia, o Homem de Aço diminui sua velocidade. Sua cópia não pensa nisso, destruindo parte das janelas de Luthor, abrindo caminho para o herói kryptoniano.

Luthor! — O Super-Homem grita, com os olhos mais uma vez queimando, enquanto nocauteia as duas guarda-costas do empresário, usando apenas os dedos. — Seu jogo acabou! Bizarro está do meu lado. O Parasita fugiu. Temos que conversar, ou será pior para você e para suas duas seguranças.

— Muito bem — Lex volta seu rosto para o computador. — Entschuldigen die Herren, die Versammlung muss beendet werden. Es befindet sich ein Idiot in diesem Saal. — O empresário se levanta da cadeira e aperta uma das abotoaduras de seu caríssimo terno, caminhando em direção ao clone do Super-Homem.

— Antes de mais nada, Bizarro N°1 é meu aliado.

— Mim ser Superômi! Mim ser inimigo de Luthor e... ARGHHHHHHH!

A criatura cai gritando no chão, levando as mãos à cabeça, pois não agüenta e não entende a terrível dor que subitamente parece destruir seu cérebro. O Super-Homem tenta acalmar sua cópia, mas em meio ao desespero Bizarro desfere um chute no kryptoniano, lançando-o longe. Nos breves instantes em que decide se detém Luthor ou ajuda Bizarro, Super-Homem ouve uma batida de coração apressada, mas familiar à sua superaudição. Ele tenta ver através da porta do escritório de Luthor, porém todo o prédio é revestido de chumbo. Só resta a Clark aguardar a entrada da última pessoa que esperava encontrar naquele local e momento.

— Senhora Lane?

— Agora é senhorita, Super-Homem — Luthor alfineta. — E graças a você.

Hospital Militar de Metrópolis

— Bem, Destino. Você disse que sabia o que acontece com a Senhora Lane... E então?

Victor von Doom, monarca da Latvéria, finge não escutar as palavras de Ray Palmer, por quem tem um desprezo tão grande quanto qualquer outro herói no quarto. Com exceção de Reed Richards, claro. Por este, Destino nutre um ódio ainda mais profundo. Tanto que é impossível descrever o prazer com que divulga sua descoberta sobre o mal que atinge Ellie Lane.

— Pois bem. Como esta mulher contraiu essa doença?

— Pelo que soubemos... — Kitty Faulkner responde, ainda nervosa pela presença do Doutor Destino. — Enquanto trabalhava para Luthor, ela sofreu um acidente com produtos químicos.

— Acidente... como imaginava. Pelos sintomas que monitorei, minha hipótese é que a senhora Lane entrou em contato com algum tipo de produto que diminui a capacidade de seu sistema imunológico, e o leva a atacar seu próprio sistema nervoso.

— Interessante, Destino — Reed Richards franze a testa. — Prossiga.

— Acredito que o remédio diminuía a capacidade do sistema imunológico dela de atacar o próprio corpo.

— Então, após parar de tomar o antídoto, seu sistema imunológico passou a combater certas áreas do corpo. Faz sentido! Por isso, ela chegou a esta situação!

— Muito bom, Richards. Agora você passa a entender Doom. Como podemos notar, o problema evoluiu para um coma, mas depois dos nervos começarem a ser destruídos, passou para tremores de extremidades e surgiram contrações involuntárias em partes do corpo.

— Chamadas de mioclonias... — Reed complementa. O resto da sala está em silêncio, abismada com o conhecimento dos dois rivais. "Como nos tempos da faculdade", pensam quase ao mesmo tempo Reed e Victor. — Então não se trata de epilepsia. Suspenda o diazepam, Emil.

— Muito melhor... Acha que podem recriar o antídoto agora?

— Sabendo a verdadeira origem do problema, é questão de tempo. Batman, Palmer, me ajudem.

Debaixo da máscara de ferro que cobre seu rosto deformado, Doom quase ri. Seus olhos se voltam para Batman, calado, porém furioso. Também silencioso, Destino sai do quarto, mas é seguido pelo vigilante.

— Qual era seu plano, Doom?

— Nenhum, Morcego. — Dr. Destino pára de caminhar, mas ainda assim, não se vira para conversar com Batman. — Há algum problema em salvar vidas?

— Qual sua intenção nisso tudo, Victor? Desde quando você se tornou um herói?

— Pergunte ao povo da Latvéria. E quanto à sua primeira pergunta... — O ditador aciona o mecanismo de vôo da armadura, antes de terminar seu raciocínio. — Para provar a superioridade de Doom.

Torre Lexcorp

— Super-Homem? — Lois e Clark não conseguem disfarçar a surpresa com o encontro, o que leva Luthor a fazer um comentário ácido, como de costume.

— Bem, parece que finalmente os pombinhos estão reunidos. Só faltou o pobre Clark Kent, que neste momento deve estar se remoendo enquanto escreve alguma matéria, sem tempo para a esposa tão carente de afeto. Porque não se beijam?

— Luthor, não é hora para piadas. Eu fiz o que você queria. Me dê o remédio!

Surpreso com a presença da esposa, o Super-Homem prefere manter-se calado, e se sente frustrado quando chega à conclusão de que os maiores cientistas da Terra não foram capazes de sintetizar o remédio para sua sogra. Clark sabe que sua esposa — que imagina agora ser ex-esposa — pode se virar bem contra Luthor e resolve ajudar Bizarro. Aproxima-se da criatura e observa o crânio de Número 1 usando um misto entre a visão microscópica e raios X.

Para seu desespero, Super-Homem vê estranhas criaturas, minúsculos vermes, caminhando pelo rudimentar cérebro de sua cópia. A triste criatura permitiria a aproximação bem-intencionada do Homem de Aço, não fosse a intervenção de Luthor.

— Meu amigo Número Um! Não percebe? É o Super-Homem que está causando está dor terrível na sua cabeça! — Bizarro olha para o herói e nota que a dor só surgiu depois que se uniu a seu inimigo.

Sai de perto de Bizarro! — E, com um forte soco, afasta o Super-Homem novamente.

Enquanto o kryptoniano recupera-se do golpe, Bizarro instintivamente volta para o laboratório onde foi criado, atravessando as paredes da Lexcorp e sumindo dentro do prédio. Antes que pense em alguma forma de ajudar Bizarro n°1 sem feri-lo ou a si próprio, a atenção do Homem de Aço é desviada para o diálogo entre Lois Lane e Lex Luthor.

— Resolvi aumentar minha aposta, senhorita Lane.

— O quê? Seu canalha!

— Case-se comigo — Luthor sorri. — E eu produzirei o remédio.

Antes que Lois possa responder, o Super-Homem voa na direção de Luthor, segurando o braço de seu maior inimigo com força. Sua esposa tenta detê-lo, mas a frustração e raiva de Kent é grande demais para que ela possa conter o marido.

— Acabou a brincadeira, Luthor! Entregue o remédio agora!

— Não seja tolo, alien! Não existe nenhum pronto ainda. — Mesmo diante de uma dor terrível, Luthor mantém a pose e prossegue sorrindo. — Você vai me matar? Só eu sei a fórmula. Vai quebrar meus braços e me torturar? Você sabe que não sou um bandido de rua que se abre com qualquer ameaça! Você não pode me deter nessa, ET! Eu venci!

Um silêncio desagradável perdura entre os três. A situação chegou a um ponto em que nenhum dos jogadores consegue fazer um movimento mais ousado — Lois não pode se casar com Luthor, pois mentiu quanto ao divórcio. Super-Homem não tem mais nenhum recurso para forçar a produção do remédio. Lex está preso ao seu inimigo e tornou-se um alvo fácil de sua fúria. A cena no escritório do presidente da Lexcorp parece ter sido congelada, até que finalmente o celular de Lois rompe o silêncio.

— Alô? Dr. Richards? Sim, sou eu. — A expressão do rosto da jornalista muda completamente, de preocupada para radiante. Super-Homem ouve a ligação com sua super-audição e, triunfante, encara Luthor. — Verdade? Graças a Deus, doutor Richards. Obrigado mesmo! Doom? Mesmo assim, obrigada. Sim, estou indo para aí.

O Homem de Aço solta o braço de Luthor que, contrariado, deduz o que aconteceu. Super-Homem coloca sua esposa nos braços e voa na direção do Hospital Militar, mais rápido que uma bala.

Enquanto caminha por sua sala, o empresário observa seus aliados caídos, mas já começa a formular um plano de vingança contra Lois Lane, Clark Kent e o Homem de Aço. Luthor segura a capa roxa de Bizarro, que havia se rasgado na batalha. Observa atentamente o "S" estampado nela e, malignamente, sussurra.

— Doom...

No Beco do Suicídio, o Parasita caminha entre os cantos escuros, tentando manter-se escondido dos moradores locais. Um homem de capuz coloca-se à sua frente, vindo dos céus. Rudy Jones sabe quem é ele e comenta.

— Finalmente, chefe! Onde estava?

— Não é da sua conta, senhor Jones. O destino havia reservado uma deliciosa oportunidade de vingança para Doom, e eu não poderia deixar de aproveitá-la.

— Eu não entendi nada, mas...

— Não se preocupe com isso, meu aliado. O importante é que nosso plano flui corretamente e, logo, Doom terá o poder do Homem de Aço, tornando-se o ser supremo da Terra!

Epílogo

Ao redor da maca de Ellie Lane, reunem-se Clark Kent, Lois, Lucy e Sam Lane. Ao derredor dos familiares de Ellie está o resto do grupo, composto por Reed Richards, Emil Hamilton e Kitty Faulkner, com Eléktron, num tamanho diminuto, em seu ombro. Batman voltou rapidamente para Gotham e o doutor Ramoray acaba de sair do quarto. Todos sorriem quando finalmente Ellie Lane abre os olhos e, mesmo dolorida, agradece a todos por sua vida. O casal Kent se abraça e Clark cochicha no ouvido de Lois.

— Quer dizer que estamos divorciados?

— Foi um blefe, Clark. O que Deus uniu o homem não separa. Muito menos Luthor.

— Claro, Lois, claro...

O Homem de Aço sorri para sua amada, que retribui, mas logo tem sua atenção atraída para fora do quarto, onde alguns repórteres tentam obter alguma informação sobre Ellie e, claro, sobre um suposto romance entre Lois e Super-Homem. Para sorte dos dois, o doutor Ramoray responde bem às questões.

— Não posso informar muito, mas Ellie Lane foi salva graças a um contato do Sr. Kent com o Dr. Richards e os demais cientistas. O Homem de Aço sequer apareceu por aqui. É verdade que ele e a Sra. Lane foram vistos juntos, mas a única certeza nisso tudo, para mim, é que Clark Kent e Lois Lane se amam muito. Até demais, eu diria.

O herói volta a conversar baixinho com a esposa.

— Lois?

— Hum?

— Ainda temos que resolver essa questão da "namorada do Super-Homem".

— Tsc.

A seguir: DOOM! DOOM! DOOM! DOOM! DOOM! DOOM!

:: Notas do Autor

Mais uma vez, agradecimentos ao Doutor Daigoro pelos conhecimentos médicos, e à querida senhorita Sodré, pelos trechos em alemão, que significam: "Infelizmente, a reunião terá de ser encerrada. Há um
idiota nesta sala." (ou algo neste contexto)



 
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