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Vingadores # 07

Por Délio Freire

Vingadoras à Beira de um Ataque de Nervos

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— Por favor, motorista! Mais rápido!

— Eu estou fazendo o que posso, madame! — o motorista começa a coçar a cabeça por debaixo do chapéu, o suor escorrendo pelo seu rosto — Não fique nervosa...

— O quê? — Ela estranha o comentário do homem, quando se dá conta que sua presença o incomoda.

— Você é a prima... quero dizer... — há um forte sotaque italiano na voz.

— Sim... — com um olhar meio entediado, a ex-Vingadora respira fundo.

Jennifer Walters, a Mulher-Hulk, começa a ficar nervosa; tem um encontro marcado e está completamente atrasada. As ruas de Nova York e seu trânsito agitado e, ainda por cima, um taxista assustado com sua forma gigante e esverdeada, não parecem ajudar em nada.

Seu celular toca.

— Sim?

Ela cruza e descruza as pernas por pura afobação, o vestido justo e curto de cor branca, aliado ao sol, tornam mais evidentes a beleza e a firmeza dos contornos de suas pernas, que chamam a atenção de Dino, o motorista. O suor escorre por seu rosto mais ainda, quando toma de uma coragem insuspeitada e começa a olhar para um estratégico espelho que permite observar a calcinha de Jennifer.

— Eu sei, Vanda. Eu agradeço o convite, mas acho que não vai dar. Tenho um encontro com um amigo, estou atrasada e ainda não tive nem tempo de ...

Seus olhos se arregalam quando começa a perceber que está sendo observada.

— Pare o carro!

— Eu... Madame, não é bem assim... é que apenas...

— Pare já!

Assim que grita, a Mulher-Hulk coloca sua mão da forma mais pesada possível sobre o ombro do taxista que, agitado, estica o corpo para trás, abrindo a porta traseira do carro.

Com passadas largas, a Mulher-Hulk começa a caminhar em meio ao caos urbano formado pelo trânsito de Nova York.

— Ela não vem — Janet Van Dyne Pym, a Vespa, se senta, colocando o celular de lado.

— Pena, eu gostaria de conhecê-la — afirma a Supermoça, suspendendo as pernas até o encontro de seu queixo, a toalha úmida envolvendo-se nela.

— Você vai ter várias outras oportunidades de conhece-la, Linda — Vanda está com o rosto voltado para o teto, olhos fechados e braços abertos — Mas a Jennifer é assim mesmo, sempre impulsiva. Ficaria surpresa se ela viesse.

— Não sei quanto a vocês, mas eu precisava dessa sauna — com um biquíni preto minúsculo, Natasha Romanoff está deitada de bruços, os cabelos vermelhos da cor de fogo amarrados em um rabo-de-cavalo — Estou sentindo as coisas diferentes por aqui...

— Como assim? — pergunta a Vespa — Estou afastada do grupo mas acompanho pelos noticiários. Não me parece tão diferente de quando eu estive por aqui; problemas vão e vem.

— Sei lá... — com um rápido movimento dos dedos, Natasha arruma o biquíni em suas nádegas — Thor está muito estranho ultimamente, o Homem de Ferro desapareceu por completo e cada vez mais o Mercúrio me causa medo.

— Medo? — surpreende-se Vanda, olhando para a outra Vingadora.

— Sim. Medo. Ou você não reparou nele ainda?

— Bem. Na verdade, sim — ela volta a recostar o corpo contra a parede — Mas ele sempre foi um pouco instável; ele herdou a mania de perseguição do pai.

— Credo! — a Vespa desliga o discman — Vocês estão exagerando...

— Acho que muita coisa ruim vai acontecer aos Vingadores.

— Deus do Céu, Natasha! — diz a sra. Pym — Que mau humor é esse? E pare com essas previsões, porque a feiticeira aqui não é você. Porque não fazemos o que sabemos fazer melhor?

— Falar mal dos homens? — pergunta Vanda, mais atenta à conversa.

— Exatamente — um pequeno sorriso surge nos lábios da Vespa.

Todas caem na risada.

Os olhos ligeiramente umedecidos de Jennifer Walters escondem uma fúria crescente; realmente, ela está atrasada alguns minutos para o encontro. Mas, segundo um dos garçons do restaurante, seu amigo ainda não havia chegado. “Será que ele não vem?”, ela bebe um copo d’água, enquanto o espera.

A Mulher-Hulk, como toda mulher, adora fazer esperar mas não suporta aguardar.

— Por favor! — ela chama o garçom, disposta a ir embora. De repente, o seu telefone toca.

— Alô!

— Alô... — a voz do outro lado é ligeiramente tímida e desconcertada.

— Eu estou te esperando há um tempão!! Eu não entendo o que está acontecendo; você desaparece, não atende os meus telefonemas e ainda falta a um encontro que você mesmo marcou!

— Desculpe, Jennifer. É que as coisas na minha vida saíram um pouco fora de controle e — de repente, a voz do homem se afasta, ficando longe, pois fala com outra mulher — Não!!! Assim você vai bater com o carro!!!

— Josa??!!

— Desculpe, Jennifer. Eu marquei um encontro com duas pessoas ao mesmo tempo; sabe, minha vida parece mais um desses sitcoms em que nada dá certo pro personagem principal.

— É tão difícil arranjar duas horas para mim? — a voz de Jennifer soa embargada.

— Eu só preciso de um tempo pra...

— Pensei que fôssemos amigos.

Ela desliga o telefone, respira fundo e começa a chorar em meio ao restaurante.

A escuridão domina o beco de uma entre tantas ruas de Nova York; James Almsman, um dos traficantes de drogas que mais trabalha para atender seus clientes, é vítima de um ataque repentino. Mal consegue sentir quem o está atingindo. Em poucos minutos tem os ossos dos braços quebrados.

— Você já parou pra pensar como você aleija suas vitimas — a voz surge em meio a vultos de movimentos — É hora de você pagar caro pelo...

— Ah... Um pouco de bom humor não faz mal a ninguém, senhor velocista!

— Mas quem?

— Ora, quem?! Quem mais poderia ser a não ser o Rastejante!! — o homem estica os braços e faz uma genuflexão, gargalhando — Mas quem deveria estar surpreso seria eu, por ver um Vingador agir com tamanha violência, Mercúrio.

O mutante solta sua vítima, os olhos injetados com uma fúria animal, e se direciona para o Rastejante.

— Não fique no meu caminho, homem, e nem pense em questionar as minhas ações.

— Eu? Questionar? — ele se aproxima, juntando as mãos com os braços nas costas — Longe de mim. Mas captura-lo já é outra história.

Tão rápido quanto é o ataque do Rastejante, Mercúrio se esquiva do seu adversário que, apoiando-se sobre uma das mãos, joga os pés contra o peito do mutante. O golpe o pega de raspão.

— Homem, o que há com ele? — um agente da SHIELD está posicionado em cima de um dos prédios — O Mercúrio enlouqueceu?

— Não sei. Mas temos que detê-lo; agradeçamos ao aviso de Jack Ryder e da imprensa mais tarde.

O oficial dá a ordem para o ataque; em poucos segundos, um trio de agentes da SHIELD, envoltos em armaduras, se posicionam ao redor do cenário da luta entre o Rastejante e Mercúrio.

— Acredito que não seja a mim que queiram, senhores — com um salto tríplice de costas, o adversário de Pietro vai embora.

A ação é rápida. Enquanto uma bomba de gás lacrimejante domina o ar ao seu redor, um dos canhões existentes no braço de um agente despeja uma gosma pegajosa no chão. Os movimentos de Pietro são interrompidos e, debatendo-se contra o gás e contra a geléia no chão, ele se vê aprisionado.

— A operação está finalizada. Mercúrio está preso.

— Estou sabendo de alguns olhares que estão sendo trocados aqui na Mansão. Não é mesmo, Supermoça?

— Você não sabe de nada, Vespa — Vanda sorri, enquanto provoca a outra. — Ela e o Namor saíram ontem pra jantar.

— O que??!! — a sra. Pym se aproxima de Linda — Me conte tudo, não esconda nada.

— Não aconteceu coisa alguma! — a Supermoça, em geral, mais tímida do que as outras, se envergonha ainda mais.

— Pra que tanto mistério? — pergunta Vanda — Todo mundo sabia que logo ele iria se aproximar mais e mais. Desde que chegou que não tira os olhos de você.

— E que você não resistiria — apontou Natasha, maliciosa — Resistiu?

— Bem... Eu...

— Não resistiu — afirma a russa — Mais uma pra fila do Príncipe Submarino.

— Natasha, não envergonhe mais a garota — recomenda Vespa — Deixa ela contar.

— Não houve nada. Apenas saímos para jantar, dançamos um pouco e aproveitamos pra nos conhecer um pouco mais.

— E como ele se comportou? — pergunta a linda russa.

— Gentil... — Linda tenta desconversar.

— Mas ousadamente gentil ou tolamente gentil? — pergunta Natasha.

— Ele não é nenhum tolo.

— Eu imagino. — os olhos da Viúva Negra deixam escapar uma certa fantasia.

— Céus, Natasha. Você não sossega nunca esse fogo?

— Eu sou uma mulher independente, Vanda. Sei o que eu quero. Por favor, não confunda as coisas.

— Acho que você devia levar seus relacionamentos mais a sério — o corpo de Janet brilha em meio à sauna — Viver algo mais seguro é interessante.

— Ainda não encontrei ninguém especial — Natasha se vira para a amiga — Quem você acha que seria o par ideal para mim, Vanda?

— Jamie Madrox (*). Seria o único que conseguiria apagar esse fogo.

As outras caem na gargalhada, Natasha fica séria, tentando sorrir, meio sem jeito com a brincadeira.

— Mas não sei por que pergunta isso. — retorna a Feiticeira Escarlate — já vi que você pode encontrar o seu par perfeito dentro dos Vingadores mesmo...

— Não há nada entre mim e o Visão.

— Visão??? — a Vespa toma um susto — acho que minhas visitas têm que ser mais freqüentes; estou ficando desatualizada.

— Há também o Buddy — enumera Vanda.

— Esqueça! — adverte Janet — Não daria certo; homens casados são os piores possíveis.

— Apenas para as esposas — sorri a Viúva Negra.

— É um caso perdido! — Janet ajeita os seios para dentro da toalha amarrada — Acho que todas vocês precisam de um casamento.

— Não, obrigada — resmunga Vanda.

— Eu adoraria — a voz de Linda sai doce, rememorando a noite passada.

— As suas pernas estão lindas — desconversa a russa, falando para Janet.

— Obrigada.

— As pernas são a parte mais importante do corpo de uma mulher— ela se levanta, exibindo as pernas bem formadas — É por onde começa e termina minha sedução... E você, Janet?

— Pra mim, o que importa é o que estou vestindo.

— Não sei, pra mim essas coisas não importam — diz a Supermoça — mas sim como demonstro ser.

— Pra você é fácil falar, Linda. Pode mudar pra qualquer forma.

— Não é bem assim...

— Espera!

— O que foi? — Linda estranha a interrupção de Natasha.

— É uma mosca que está me incomodando; pode ser o Buddy espionando a gente — diz ela, em tom jocoso — Os poderes dele ficaram bastante malucos desde que ele voltou do planeta Skrull (**) .

— Ou o Sr. Pym (***) — lembra Vanda.

— Olhem, meninas, como devemos tratar os homens.

Com um gesto rápido, a ex-espiã dá um sonoro e mortífero tapa na mosca, fazendo todas as outras sorrirem.

— Agora podemos continuar — afirma a Viúva Negra — Não é sempre que nossas conversas estão longe dos ouvidos masculinos.

:: Notas do Autor

(*) O mutante conhecido como Homem-Múltiplo.
(**) Apesar de não possuir a habilidade de se transformar fisicamente em outro animal, a atmosfera com o habitat Skrull mexeu com seu campo morfogenético, o que fez com que pela primeira vez apresentasse essa característica.
(***) Hank Pym, vingador reserva que, por sua habilidade de se encolher, já foi conhecido como Homem-Formiga.

No próximo número: Enquanto o Gavião Arqueiro recebe a visita de alguns Vingadores em seu hospital, os outros membros se vêem diante do impacto sobre a mídia da prisão de Mercúrio e de uma estranha e iminente invasão à sua Mansão.



 
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