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Vingadores # 11

Por Délio Freire

Arjuna, o Guerreiro — Parte Final

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Em meio a destroços de um prédio que não resistiu tão bem aos ataques sucessivos sofridos pela frota de Namor, uma pequena equipe de televisão começa a realizar a sua transmissão ao vivo para todo estado de Nova York. O cinegrafista começa então a focalizar a repórter e, em alguns segundos, movimenta seu instrumento de trabalho para dar uma panorâmica em direção aos estragos feitos.

— O porto de Nova York é um dos mais importantes do mundo. — inicia a repórter — E se engana quem pensa que o recente ataque do Príncipe Submarino não trouxe nenhum transtorno econômico. Com o porto de Nova York fechado, várias companhias redirecionaram os seus navios vindos de cruzeiros das Bermudas. Outras anunciaram cancelamentos de reservas e o aumento de medidas de segurança. Atualmente, o porto de Filadélfia se torna o mais representativo e seguro para o tráfego comercial e turístico americano. A grande pergunta é: até quando?

Com um clic, Namor muda de canal. No interior de sua nave-mãe, o homem recentemente conhecido como Arjuna busca um panorama de como os Estados Unidos reagem a seus atos.

— Navios de guerra americanos cercam o porto de Nova York, majestade.

A voz vem de trás de sua mesa, onde um contigente de soldados opera radares e computadores, e soldados caminham em duplas.

— Inevitável. — o atlante fala para si mesmo — A arrogância do governo americano é reconhecida no mundo todo.

— Majestade... — o conselheiro Lagos surge — Sabia muito bem que a nossa investida contra o porto de Nova York abalaria nossas relações com o governo americano. A guerra pode ser declarada a qualquer instante.

— Ela se iniciou desde que atacamos o Mysteries, conselheiro. Contra-mestre Idasu, prepare-se para ativar o campo de força e redirecionar nossa rota para Washington.

— Capitão? — a voz pastosa de Buddy Baker denuncia que seu corpo está entorpecido por drogas injetadas pelos homens de Namor — Acorde, Capitão!

A barba ligeiramente por fazer de Steve Rogers mostra as extremas privações pelas quais seu corpo estava passando. Prisioneiros do Príncipe Submarino, resta pouca coisa para os Vingadores a não ser direcionar suas forças para um eventual contra-ataque que, a cada minuto que se passa, parece estar cada vez mais distante. Separados por celas isoladas de um material super-resistente, guardas patrulharam a cada intervalo de poucos minutos para averiguar a situação dos presos. Por isso, toda conversa com o colega de cela ao lado devia ser feito com extremo cuidado.

— Buddy... você... parece estar mais... resistente... do que os outros...

— Estou mudando meu metabolismo de acordo com o de outros animais. — explica o Homem-Animal — É como se estivessem injetando, sem saber, uma dose humana em um animal de grande porte que resiste um pouco melhor às drogas do que uma pessoa... quanto aos choques elétricos, suporto tão bem quanto uma enguia. — o Homem-Animal sorri — Pelo visto, Namor subestimou meus poderes. Se quiser, podemos tentar escapar.

— Não! Os outros Vingadores... precisarão de, no mínimo... alguns minutos para se recompor; mesmo que... nos libertemos... não teríamos como reagir...

Steve Rogers se apóia sobre as grades, a cabeça grogue e o corpo apenas resistindo um pouco mais devido ao soro do supersoldado.

— Onde estão Visão, Thor... e Aquaman? (*)

— Devem estar aprisionados em outro compartimento. O nosso tirano de plantão deve considerá-los mais perigosos. Espere... — passos são ouvidos vindo de longe — São os carcereiros.

Imediatamente, Buddy Baker começa a transpirar excessivamente e a simular em seu corpo reações adversas a drogas e um falso mal-estar. Cada um dos Vingadores é eletrocutado com a mesma carga em um curto período de tempo. Ouvindo os gritos de seus aliados, o Homem-Animal acredita que apenas um milagre poderá salvá-los.

Em meio a uma onda enorme, a nave-mãe, principal embarcação marítima das forças guerreiras de Namor, encaminha-se em direção a Washington. Ladeado por uma dezena de outras embarcações de guerra, tudo leva a crer que o rei de Atlântida não tenciona de forma alguma perder a oportunidade de se vingar de todo o mal que a humanidade fez contra seu reino marítimo. No seu interior, novos planos de como esse ataque devem ser efetuados são realizados pelo imperador atlante, seu grão-vizir Lagos e seus generais.

— ...e então, devem deixar que o general Sirius redirecione o ataque a Nova York. O General Ashtar e o General Bubak devem, em conjunto, minar as forças de Gotham City e Metrópolis. Pessoalmente, irei organizar o ataque a Washington, com descarregamento de nossos soldados pela nossa nave-mãe, que... (**)

Subitamente, enquanto Namor aponta para os pontos centrais do ataque no mapa holográfico à frente de seus generais e de Lagos, um dos seus soldados interrompe a reunião:

— Estamos sendo atacados!

Do lado de fora, a céu aberto e alguns metros acima da nave-mãe, um exército de cavaleiros futuristas revestidos de armaduras prontas para o combate são captados pelo radar como pequenas moscas pontilhando a tela do monitor.

Moscas que irão causar um grande estrago.

Momentos de tensão dominam os tripulantes da nave-mãe da frota do Príncipe Submarino. Ajustando o elmo em sua cabeça, Namor começa a gesticular e a dar ordens em atlante; Lagos sente uma leve dor no coração, quase antevendo que o próximo embate será decisivo. Tentando revestir-se de autoridade e esconder o mal que começa a lhe afligir, o conselheiro atlante caminha entre soldados e generais.

Tentando atingir a uma velocidade maior que a habitual, a embarcação é forçada a seguir em frente. Alguns soldados, do lado de fora, são surpreendidos por uma seqüência de raios repulsores; o Homem de Ferro, ladeado por quatro robôs em forma de morcegos, recai sobre os soldados atlantes.

Gerenciando um exército de robôs fabricados com uma da tecnologia da LexCorp, da WayneTech e da Stark Enterprises, o Homem de Ferro e Batman fazem parte do ataque principal contra as tentativas de Namor de dominar a superfície.

Em poucos minutos, a retaliação a Arjuna está iniciada.

Batman urra de raiva quando se joga diante de seus inimigos como um animal. Cerca de meia dúzia de atlantes, com força superior à humana, não conseguem detê-lo. A alguns passos das grades que aprisionam alguns dos Vingadores, o homem-morcego se impõe diante de seus inimigos usando uma armadura especial de combate com um design que o torna ligeiramente parecido com os robôs que enfileiram seu exército.

Quando os derrota, se dirige aos enclausurados.

— Precisamos de vocês. — ele olha fixamente para o Capitão América e o Homem-Animal — Agora!

No alto, içado ao teto de um pavilhão, o deus nórdico conhecido como Thor ainda está sob efeito das drogas ministradas por Ulik, o troll. Enquanto bebe uma taça de vinho, o troll surpreende-se com o impacto da Supermoça contra suas costas. Libertada há poucos minutos pela tropa de guerreiros liderados por Batman e Homem de Ferro, a vingadora demonstra ser uma adversária à altura de Ulik.

— Mulher, seu destino está em minhas mãos!

Ela apenas sorri e joga o monstro que já enfrentou os mais poderosos deuses nórdicos contra a parede.

— Temos um machista aqui? — ela continua a sorrir, enquanto aplica um golpe no rosto de seu adversário; seu corpo, devido à prisão especial em que estava, ainda está dolorido.

Sem sucesso e eventualmente detida pelo cetro que o troll apanha para se defender, a força da Supermoça já está quase no fim quando alguém segura a sua mão. Não era um inimigo, mas sim um aliado.

— Permita-me. — a voz sintetizada soa macia, porém firme.

Com um gesto, Visão faz com que sua mão atravesse o rosto de Ulik e, em seguida, este desmaia.

— Sei me virar sozinha... além disso... — quando se volta para o vingador, ela tem uma surpresa; metade do rosto dele está completamente desfigurado, deixando à mostra alguns de seus organismos artificiais internos.

— Deus, o que fizeram com você, Visão!?

Com uma das mãos, a Supermoça dá um pouco de carinho na face ainda intacta do sintozóide que, se tivesse tal emoção, estaria surpreso.

Na nave-mãe, Homem de Ferro e Batman lideram seus homens e seus andróides contra as forças atlantes. Boa parte dos Vingadores estão libertos nesse momento e, ainda que feridos e com um nível de força abaixo do exigido, conseguem oferecer resistência ao exército de Arjuna, também conhecido como Namor.

— Você não está bem... — desde o início que saíram das celas, o Homem-Animal não se afasta de seu líder, que se encontra ainda um pouco alquebrado pelas agressões e drogas que lhe aplicaram enquanto estava preso.

— Independente disso, sou eu que devo dar um ponto final. — Steve Rogers pega seu escudo das mãos de Baker e agradece sua ajuda com um balançar de cabeça e um sorriso.

Ainda sem se mostrar insensível aos acontecimentos ao seu redor, o Capitão América caminha no meio da batalha, sabendo até onde exatamente deve chegar.

Chegando ao seu destino certo, com um toque da mão no ombro do homem envolto em uma armadura e um elmo dourado, Rogers faz com que o seu ex-colega de várias lutas e equipes o olhe diretamente nos olhos.

— Por quê?

— Mil palavras não definiriam meu amor ao meu povo e ao meu deus Poseidonis, velho amigo. Quero que saiba que jamais o enxerguei de forma diferente, ainda que estejamos agora em lados opostos.

— Eu preciso prendê-lo.

— Lamento, meu amigo. Mas isso está fora de cogitação.

Empunhando uma espada, Namor ataca o Capitão América, que se defende com seu escudo. São cerca de dez minutos de luta quando um grito sem direção ecoa em meio à nave-mãe.

Estamos afundando!

Nesse momento, Steve Rogers olha à sua volta e vê uma série de atlantes abandonando o navio. Quando se vira para o lado, o Capitão América já não vê mais Namor.

— Ele escapou! — afirma o Homem de Ferro, irritado.

— Não. Haverá novas oportunidades de capturar Namor. — afirma Batman — Acredite. Aquaman não descansará enquanto não levá-lo aos tribunais.

Ao redor dos dois homens que comandaram o resgate dos Vingadores estão os membros da equipe ainda em convalescência e alguns agentes do governo.

No cais do porto de Nova York, sentado, com um cirurgião cuidando de seus hematomas, o Capitão América simplesmente fica em silêncio enquanto olha em direção ao mar azul. Para ele, o Príncipe Submarino se tornou uma ameaça, uma questão pessoal. Mas nada para se resolver agora, porque há ainda uma cidade a ser reerguida.


:: Notas do Autor

(*) Vale lembrar para o leitor que Arthur Curry, o Aquaman, foi capturado em edições anteriores pelas tropas atlantes assim que Namor iniciou o seu confronto com Poseidônis e a superfície. voltar ao texto

(**) Se querem uma amostra de como fica o mapa do universo DC mesclado ao universo oficial, visitem o site http://www.geocities.com/marvelxdc/dcu.htm. voltar ao texto



 
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